xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 04/01/2010 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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04 janeiro 2010

Quase noite no Umari - Por: Emerson Monteiro

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Dia 04 de janeiro de 2010, segunda, 18h30, Canal Brasil


Sob a direção dos filhos Bárbara e Petrus Cariry, o programa remonta a biografia do símbolo do cinema nordestino. A trajetória e a obra de Rosemberg Cariry são analisadas nas vozes de grandes nomes como o produtor Luiz Carlos Barreto, os cineastas Geraldo Sarno e Nelson Pereira dos Santos, o escritor Oswald Barroso; os atores Dira Paes e Chico Diaz, além do próprio biografado, dentre outros.

Logo em seguida será exibido um dos longa metragens do cineasta e compositor Rosemberg Cariry, o filme “O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto” de 1985 e vencedor do prêmio Glauber Rocha – melhor filme do Júri Oficial . Recebeu o Tatu de Ouro – melhor filme do Júri Popular e o também melhor filme do Ofício Católico Internacional de Cinema – OCIC.

O argumento do filme é a história da comunidade religiosa do “caldeirão”, movimento religioso liderado pelo beato José Lourenço, que criou uma comunidade baseada no socialismo, nos anos 30. Assim como em Canudos, a comunidade foi reprimida pela polícia e o saldo foi mais de mil camponeses mortos.

É uma ótima chance de não só se conhecer melhor um dos mais premiados diretores cearenses como também um pouco de sua obra.

Entrevista do Escritor Lira Neto sobre o livro : "Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão"


Padre Cícero está a um passo da reabilitação. Até o último de seus dias, Cícero desejou morrer reconciliado com a Igreja que o renegou. O jornalista e escritor Lira Neto, autor de "Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão", fala nesta entrevista do seu livro, um dos lançamentos mais importantes de 2009, e da real possibilidade da reabilitação de Padre Cícero Romão Batista

A partir do subtítulo - "Poder, Fé e Guerra no Sertão" -, você parece deixar claro que não poupa padre Cícero das muitas críticas negativas atiradas contra ele pelos detratores

É evidente que não. Não escrevi o livro para poupar Cícero do que quer que seja. Fiz uma pesquisa rigorosa, procurando contextualizar o biografado em suas circunstâncias históricas. Não coloquei panos mornos, não tergiversei, não furtei ao leitor o direito de conhecer as nuances e as contradições de um personagem tão polêmico como Cícero. Procurei traçar um retrato de corpo inteiro, o mais fiel possível, deste homem profundamente enigmático e controverso. Há passagens da obra que, por certo, oferecem munição pesada para os eternos detratores do padre. Mas também há outras que explicitam o fato de que Cícero foi alvo, à época, de um inquérito eclesiástico que hoje nos parece etnocêntrico e tendencioso. A história, como sempre, é bem mais complicada do que, à primeira vista, aparenta. Mas de que "barbaridades", exatamente, você fala?

Por exemplo, na relação de Cícero com Floro Bartolomeu durante a sedição de Juazeiro, praticamente o padre foi poupado no seu livro.

Não concordo, em absoluto, com tal ponto de vista. Ao contrário. É impossível negar a responsabilidade de Cícero na chamada sedição de Juazeiro, por mais que ele próprio sempre tenha afirmado o contrário. Basta dizer que seria impraticável, para Floro e para os demais chefetes daquele movimento armado, arregimentar tamanho "exército" de sertanejos sem a bênção explícita de Padre Cícero Romão Batista. Os documentos citados no livro, com todas as letras, mostram que o padre se comunicava ativamente com a vanguarda da sedição. Se Floro era o líder material da revolta, Cícero era o mentor espiritual dela. Contudo, os documentos também comprovam que a ação de Floro e de Cícero estava "legitimada" por uma articulação de bastidores com o governo federal, que queria depor um adversário político, o então governante do Ceará, Franco Rabelo. Mais uma vez, qualquer tentativa de interpretação maniqueísta do episódio tende a cair por terra. É um exercício inútil buscar vilões e mocinhos nesta biografia de Cícero.

Você quer dizer que Cícero, junto a Floro Bartolomeu, envolveu o então presidente Hermes da Fonseca e o poderoso senador Pinheiro Machado para derrubar Franco Rabelo e restabelecer a oligarquia acyolina?

A questão estaria mais bem colocada na ordem contrária. O sinal dessa questão está invertido. A deposição de Rabelo foi tramada no Rio de Janeiro, no Morro da Graça, na casa de Pinheiro Machado, então a eminência parda da República, o homem mais poderoso do Brasil à época. Reduzir a sedição a um episódio provinciano é um erro atroz. O Palácio do Catete, então sede do governo federal, aproveitou-se das instabilidades políticas do cenário regional e utilizou-se da influência de Padre Cícero para derrubar o opositor que ocupava a cadeira de governante do Ceará. Uma mão lavou a outra. Floro viajou ao Rio para acertar pessoalmente com Pinheiro Machado os detalhes do movimento, enquanto os dois bebericavam licores em taças de cristal. Num lance rocambolesco, a correspondência entre os conspiradores de Juazeiro e os de Fortaleza foi interceptada pela polícia e trocada por envelopes com papéis em branco. A trama estava descoberta. Floro Bartolomeu não viu outra saída senão antecipar-se à repressão que viria, deflagrando a revolta por conta própria e antes da hora.

Quando formou o exército de jagunços para derrubar Franco Rabelo, Cícero já não deveria saber que seria impossível controlar tamanha tropa de bandoleiros e cangaceiros?

O "exército" arregimentado por Floro era composto por sertanejos das mais variadas procedências. Havia agricultores e beatos entre eles, mas também notórios jagunços e cangaceiros. Gente que não pensou duas vezes antes de pegar no rifle e no bacamarte para defender Juazeiro, que parecia condenada a se tornar uma nova e trágica Canudos, pois tropas estaduais foram enviadas ao sertão com o objetivo de destruir a cidade. São célebres os mandamentos de Cícero aos combatentes: não atirar por trás, não matar quem estivesse fugindo, não saquear as cidades, não violar as mulheres. Mas, numa guerra, no fogo cerrado, a primeira vítima logicamente é a racionalidade. Os conselhos do padre foram ignorados. Valeu a máxima de que não se faz uma revolução sem os incendiários; mas também é impossível governar com eles. De fato, após a vitória dos homens de Floro, o governo federal decretou a intervenção e não permitiu que Juazeiro nomeasse nenhum membro efetivo do governo na nova ordem estabelecida.

Mas por que, afinal, Cícero colocou tanto poder nas mãos de um homem irascível e difícil como Floro?
Já houve quem classificasse Floro como uma espécie de alter-ego de Cícero. Não faltou até quem quisesse adivinhar uma relação platônica inconfessada entre aqueles homens aparentemente tão desiguais. Prefiro dizer que, naquele momento, um tornou-se útil ao outro. Em pouco tempo, eram indispensáveis entre si. O livro mostra as raízes da relação. Exponho de forma minuciosa as motivações de ambos. Floro, médico, rábula e garimpeiro, era um aventureiro em busca de fortuna e de poder. Por seu turno, Cícero, já proscrito pela Igreja, reconheceu na astúcia de Floro Bartolomeu a oportunidade de se reinventar no território escorregadio da política cearense.

Então Cícero aproveitou-se de Floro Bartolomeu para a realização do trabalho politicamente incorreto?

É preciso entender o contexto efetivo daquilo que, aos olhos de hoje, interpretamos como algo "politicamente incorreto". Na verdade, Floro Bartolomeu pôs em ação, no Juazeiro, um processo de "modernização" política e urbana. Uma modernização notadamente conservadora, lastreada em valores bem pouco ortodoxos, que não raro descambava para a violência e a eliminação dos desafetos. Mas dizer que Floro apenas fazia em público o que o padre não podia ou não queria fazer à luz do dia, como querem alguns, é simplificar em demasia a complexidade desta verdadeira simbiose política. Muitas vezes, Cícero e Floro entraram em choque frontal. Testemunhas oculares afirmam ter visto, em mais de uma ocasião, Floro destratar o padre publicamente. O livro traz cartas e telegramas que mostram o momento em que quase houve a ruptura definitiva entre os dois. Cícero, à ultima hora, recuou. O capital político que construíra não podia prescindir da coadjuvação do astucioso e hábil Floro Bartolomeu.

Na primeira parte do livro - "A Cruz" - você faz o registro da infância de Cícero, sua passagem pelo seminário da Prainha, as primeiras dificuldades e sua chegada a Juazeiro, na época apenas uma aldeia. Mas o ponto alto da primeira parte são as dificuldades de Cícero com relação à Igreja Católica, tendo como epicentro o suposto milagre da beata Maria de Araújo. Por que a Igreja Católica reconheceu milagres semelhantes ocorridos na Europa e negligenciou o de Juazeiro. Preconceito?


A leitura atenta do livro revela que houve um choque entre dois mundos que não conseguiam dialogar entre si. De um lado, a Igreja Católica hierarquizada, presa à ortodoxia do rito, alimentada pela cartilha ultramontana que via no catolicismo popular um desvio a ser combatido. De outro, a fé cabocla, imersa em uma visão de mundo próxima ao mágico e ao maravilhoso, um universo mental cheio de reinterpretações da crença cristã, uma devoção que não se deixava formatar pelas normas rígidas da liturgia. O próprio homem Cícero Romão Batista, um sertanejo formado em um seminário ultramontano, era fruto deste mundo clivado, desta dicotomia inconciliável. Toda a história pessoal dele decorre desta contradição fundamental que ele próprio encarnava. Em resumo, a frase historicamente atribuída ao então reitor do seminário da Prainha, padre Pierre-Auguste Chevalier, abarca bem, a meu ver, tal questão: "Jesus Cristo não iria sair da Europa para fazer milagres nos sertões do Brasil", teria argumentado o francês Chevalier.

Ainda no Livro Primeiro - "A Cruz" - vemos um Padre Cícero encurralado pelo bispado cearense, principalmente por dom Joaquim. Cícero tenta a todo custo, mas com humildade, fazer valer seus argumentos com relação ao milagre. Inclusive, a primeira comissão formada pelos padres Antero e Clycério, autoridades em teologia e membros do inquérito eclesiástico encarregada de investigar o suposto milagre, após um mês de trabalho, confirmou a tese de Cícero. Existia uma animosidade íntima entre Cícero e bispo dom Joaquim, uma inimizade que chegou a questões mais pessoais?

Não se tratava de uma questão pessoal, mas de uma questão de hierarquia, palavra que no clero embute grande valor e significado. Almas indóceis à autoridade de bispos e cardeais não vão para o Céu, preconiza a lógica canônica. Da perspectiva de dom Joaquim, ele apenas estava fazendo valer seu dever de bispo, de guardião da "pureza da doutrina". Para o bispo, defensor incansável da austeridade ultramontana, era inconcebível aceitar a proclamação de um milagre em pleno sertão, era inadmissível endossar um prodígio apregoado por grupos de beatos e beatas, homens e mulheres do povo, um bando de miseráveis arregimentados em torno de um sacerdote rústico e pouco instruído do ponto de vista formal, como Cícero.


Ainda na primeira parte do livro, um das passagens mais emocionantes é a viagem de Cícero a Roma. Quer dizer, Cícero continuou a remar contra a maré, indo a Roma, com a ajuda do presidente de Pernambuco, dos romeiros e de algumas famílias nordestinas abastadas em busca de sua reabilitação. Por que fracassou?

Reconstituí os oito meses da permanência de Cícero em Roma com base em uma série de cartas que ele escreveu de lá, bem como pelo conteúdo dos documentos protocolados e produzidos no Santo Ofício. O caso é que a sorte de Cícero estava selada desde muito antes de sua partida para a Europa. As cartas do arquivo da Diocese do Crato e a documentação do Arquivo Secreto do Vaticano são bastante claras a esse respeito. Os cardeais inquisidores, em Roma, já estavam suficientemente prevenidos contra Cícero, que tinham na conta de um contumaz rebelde, municiados pelos relatórios e pela correspondência que partiam diretamente da mesa de dom Joaquim e da Nunciatura Apostólica, em Petrópolis. Para complicar o cenário, o Santo Ofício expediu ao final dos interrogatórios de Cícero um documento dúbio, que o padre entendeu como um perdão amplo, geral e irrestrito; mas dom Joaquim interpretou como sendo a confirmação de todas as penas que recaíam contra o subordinado. Como resultado, a desinteligência entre ambos apenas se aprofundou.
Suspenso das ordens sacerdotais, Cícero promoveu reuniões com os figurões da época e tornou-se um dos líderes políticos mais influentes do Ceará. Foi durante 18 anos prefeito de Juazeiro. Logicamente, um ato condenado pela Igreja da época.
É preciso esclarecer este ponto. Não foi o fato de ter entrado na política que motivou as punições de Cícero, que muito antes disso teve as ordens sacerdotais suspensas e ficou sem poder subir ao altar, rezar missa, ministrar sacramentos. Ora, padres-políticos sempre existiram no Brasil. Além do mais, é necessário lembrar que Cícero só ingressou na política já sexagenário, após ter sido julgado e condenado pela Igreja, de ser declarado um proscrito pela cúpula do clero. Foi a capacidade de articulação e de costurar alianças estratégicas com as elites que fez de Cícero um sobrevivente, enquanto outros líderes messiânicos de sua época, como Antônio Conselheiro, eram reprimidos e mortos pela repressão governamental.

Outra mancha que paira sobre Cícero e Floro, o segundo já doente de sífilis, foi quando os dois reuniram bandoleiros e cangaceiros para combater a Coluna Prestes no Ceará. Inclusive arregimentaram o bando de Lampião - que saiu de Juazeiro com um documento que lhe concedia a patente de Capitão.

Já se escreveu muita bobagem a este respeito. O fato é que a ideia de convocar jagunços e cangaceiros para combater a Coluna Prestes não saiu da cachola de Cícero nem de Floro. Era uma estratégia federal, arquitetada pelo Ministério da Guerra e pelo Palácio do Catete. Quem assume isso é o próprio general Góis Monteiro, no já clássico "O General Góis Depõe". Imaginava-se que, para enfrentar os guerrilheiros da Coluna, só mesmo os guerrilheiros instintivos que viviam do cangaço. O que Floro maquinou - com a devida autorização de Cícero, é verdade - foi o seguinte: se era para convocar cangaceiros, o melhor a fazer era chamar o maior e mais sanguinário de todos eles, o temido Lampião, o bandido mais procurado pela polícia da época.

A deterioração da relação de Cícero com os religiosos vizinhos do Crato foi também uma constante em sua vida. Isso forjou até hoje a rivalidade entre os dois municípios.

O clero tradicional do Crato nunca admitiu a possibilidade de ver qualquer espécie de virtude em Cícero. É claro que a pendenga eclesiástica deu origem à celeuma, porém há outras raízes históricas para a eterna rivalidade entre juazeirenses e cratenses. Juazeiro era apenas uma aldeia, um distrito. O crescimento urbano do lugar, devido às romarias, fez com que o local suplantasse em muito o poderio econômico do aristocrático Crato. A batalha jornalística e panfletária pela emancipação do Juazeiro a partir de 1909 deixou, igualmente, cicatrizes profundas na relação entre as duas cidades. Some-se a isso às sequelas deixadas pela Sedição de 1914 - quando o Crato foi invadido e saqueado pelos homens de Floro - e temos o terreno onde brotou a semente da inimizade. Em todos os episódios, está a figura de Cícero, o catalisador de todas as devoções e rejeições que envolvem o caso.

No final do livro, você descreve o sofrimento de Cícero, já com mais de oitenta anos, às portas da morte. Mesmo assim, ele negocia sua herança com o Vaticano, em troca de sua reabilitação, cedendo sua fortuna, acumulada através de doações dos romeiros e de famílias ricas nordestinas, ao clero cratense, um total avaliado em 340 contos de réis. Reconciliação nunca houve. E Cícero morreu como um proscrito. Ele foi traído pelo clero cearense?
Até o último de seus dias, Cícero desejou morrer reconciliado com a Igreja que o renegou. A doação espontânea de sua fortuna a instituições eclesiásticas e ao bispado do Crato é uma demonstração eloquente disso. O curioso a notar é que a Igreja Católica sempre condenou a origem do patrimônio de Cícero, por considerá-lo espúria, fruto do fanatismo, da má-fé e da ignorância dos romeiros e peregrinos. Pois a mesma igreja não teve pudores em se articular para receber o dinheiro que considerava sujo. O livro traz uma série de cartas trocadas entre a diocese do Crato, a Nunciatura em Petrópolis e os cardeais do Vaticano, escritas exatamente quando Cícero praticamente já agonizava. Todas as cartas tratam de um único assunto: como fazer para que o patrimônio do padre passasse aos cofres do próprio clero.

O seu livro traz uma extensa bibliografia. Quer dizer, seu trabalho foi de longo curso. Depois de tantas leituras, você, mesmo sendo agnóstico, se convenceu da existência do milagre?
Não sou um homem religioso. Não acredito em milagres. Mas é inegável que algo ainda inexplicável aconteceu em Juazeiro. O problema é que as perguntas tendem a ficar sem respostas para sempre, pois a maior parte das possíveis provas foi atirada ao fogo, por determinação de um decreto do Santo Ofício. O corpo da beata, de onde poderia se extrair material para uma comparação genética com os poucos paninhos manchados de sangue que sobreviveram ao decreto da Santa Sé, também sumiu em 1930, após exumação clandestina, ordenada pela Igreja. Ao mesmo tempo, penso que o fato de ter ou não ocorrido um milagre é irrelevante do ponto de vista histórico. O fundamental é compreender os desdobramentos do episódio, suas consequências, o que de revelador existe nesta história que envolve fé, intriga e poder.

Dentro da bibliografia pesquisada, você coloca também os inimigos de Cícero. Cita o libelo de Antônio Gomes de Araújo - O Apostolado do Embuste -, como um dos mais contundentes livros contra o milagre de Juazeiro. Na bibliografia pesquisada, você encontrou mais hagiografias ou livros que desconstroem Padre Cícero e o milagre da beata Maria de Araújo?

Toda a vasta bibliografia produzida sobre Cícero oscila entre esses dois extremos. Logicamente, precisei ler e reler toda essa produção literária, desde os livros mais ingênuos, devocionais, até os mais cáusticos e demolidores, como o do padre Gomes e o de Otacílio Anselmo. Há ainda uma boa e equilibrada produção acadêmica sobre o assunto, entre os quais destaco os livros de Ralph Della Cava, Luitgard Oliveira Cavalcanti Barros, Marcelo Camurça, Maria do Carmo Pagan Forti e, mais recentemente, o de Antônio Mendes da Costa Braga. O que meu livro traz de novidade é a consulta a documentos inéditos ou pouco visitados pela historiografia tradicional, além da narrativa jornalística, mais próxima e atraente ao leitor contemporâneo.

Tende a prevalecer a noção de que o santo é aquele que teve uma vida exemplar, que foi modelo de virtude. Padre Cícero se enquadraria nesse conceito?
A ideia de que os santos foram indivíduos imaculados, modelos de virtude, é absolutamente equivocada. Os santos, segundo a Igreja, são homens e mulheres que, em vida, foram confrontados em sua fé pelas muitas e inevitáveis imperfeições humanas. São indivíduos que travaram batalhas íntimas e pessoais entre a sua convicção e as deficiências e defeitos a que estamos sujeitos todos nós, seres humanos. Nesse aspecto, o caso de Cícero é paradigmático. Para mim, ele é um homem. Um homem fascinante. Exatamente porque contraditório, polêmico, capaz de produzir amores e ódios na mesma medida.

Milhares de romeiros brasileiros já canonizaram Padre Cícero. Quer dizer, a Igreja Católica, apesar de alguns sinais da reabilitação de Cícero, ainda continua a não reconhecer formalmente Cícero como santo. Por quê?
Entendo que isso é apenas uma questão de tempo. O pano de fundo da reabilitação canônica de Cícero compreende dois vetores. O primeiro é o reconhecimento oficial de que as romarias são legítimas expressões de fé, apesar do preconceito de que elas não passam de "coisa de fanáticos e ignorantes". O segundo, o fato de que o avanço das igrejas neo-pentecostais está a exigir uma reação imediata. Para a Igreja, pragmaticamente, tornou-se impossível deixar a legião de devotos de Cícero à margem da liturgia, sob pena de deixar também os romeiros e peregrinos expostos à ofensiva evangélica. Trata-se, sim, de uma nova espécie de "guerra santa". Os documentos produzidos no processo de reabilitação, ora em curso, não fazem questão de dissimular isso. O livro põe a questão a nu.

No término do livro, você descreve o desenvolvimento de Juazeiro. Ainda no epílogo, o bispo dom Fernando Panico, ao celebrar a missa de aniversário da morte de Cícero, deixa claro seu desejo da urgente reabilitação do "Padim". Parece que a reabilitação é vontade também do papa Bento XVI. Dessa forma, o reconhecimento de Padre Cícero torna-se algo concreto. Ou não?

Não tenho dúvidas de que a reabilitação já começou. Falta apenas a oficialização, a declaração pública. A recente elevação da matriz de Juazeiro a basílica é uma evidência disso. A instalação de um vitral com a imagem de Cícero, ao lado de outros santos oficiais da Igreja Católica na capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, também em Juazeiro, é outra. As homilias de dom Fernando Panico não deixam qualquer margem para incertezas. Cícero está sendo reabilitado. Na verdade, melhor seria dizer: a Igreja é que sentiu a necessidade de se reabilitar perante a força avassaladora da fé popular.

(José Anderson Sandes)

Diário do Nordeste ( Caderno 3)
03/01/10

Estamos Reformando o Blog do Crato...


Olá, Amigos,

Agora, CHUVA TODO DIA...

Bom Dia a todos!
Hoje é o dia 04 de Janeiro de 2010, ( se é que alguém ainda não percebeu...rs rs )
Bom, a grande novidade por aqui, é que vocês devem ter notado que estamos com poucas postagens por dia. Isso se deve a dois fatores: O primeiro é que tem muito escritor do Blog do Crato que ainda está de férias, e resolveu tirar uns dias de folga. E o segundo fator, é que eu estou fazendo uma pequena reforma aqui no estúdio que serve ao Blog do Crato, Rádio Chapada do Araripe, Chapada do Araripe OnLine, e as fotografias e filmagens. É uma espécie de balanço também, jogando coisas fora, papéis, cópias, preservando o que serve e jogando fora o lixo acumulado durante o ano. Também estive descansando um pouco nos últimos 3 dias, pois afinal, ninguém é de ferro. E quando eu descanso, sabe como é, O BLOG PÁRA ! - Mas estou atento aqui a tudo que é postado e estou ensaiando a minha volta à ativa de forma marcante, com algumas novidades.

Temos muitos textos para postar, os textos que nos enviam por e-mail ( calma, eu publicarei todos ), e temos novas séries de fotos. Inclusive de fotos antigas do Crato. Mais estórias, mais reportagens, enfim, tudo de novo.

Em breve...
Saudações nestes dias de chuva intensa aqui no Crato.

Abraços,

Dihelson Mendonça

Angra: a tragédia anunciada


Em setembro, três meses depois da edição do decreto de Sérgio Cabral (PMDB) que permitiu ocupação maior em áreas de preservação ambiental, como o local da tragédia em Angra dos Reis, o Ministério Público Federal na região elaborou um parecer apontando irregularidades nas novas regras.

O texto alerta para o risco de crescimento imobiliário desordenado e defende que esse tipo de alteração territorial só poderia ser feita por meio de lei. O relatório foi enviado ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Para referendar o documento, os procuradores se ampararam em uma decisão sobre um caso semelhante do ministro Celso de Mello, do STF.Dado seu caráter tolerante para com as construções de ricos e famosos, as regras do governo do Rio para Angra ganharam na região o apelido de "decreto Luciano Huck", em alusão à casa que o apresentador tem no local.

Desculpas à parte, mesmo aliados de Sérgio Cabral acham que o governador errou feio ao não comparecer logo no dia 1º ao cenário da tragédia em Angra, relativamente próximo a Mangaratiba, local onde o peemedebista festejou a virada do ano com família e amigos.Chamou a atenção o fato de, quando finalmente resolveu aparecer, o Governador ter circulado levando a tiracolo o Deputado Federal Luiz Sérgio, recém-eleito Presidente do PT no Rio e ex-Prefeito de Angra.

Fonte Agencia Folha/Renata Lo Prete

Comentário da postagem:
Desde o inicio da década de 70, isto é, há quase quarenta que o Litoral Sul do Rio de Janeiro e o Litoral Norte de São Paulo - entre Angra dos Reis, São Sebastião e Ubatuba - onde a própria escarpa da Serra do Mar encontra o próprio Oceano Atlantico e daí a sua grande fragilidade ambiental, que sucessivamente se permite a ocupação desta porção de território de beleza impar.

A implantação da Rodovia Rio - Santos, ainda na década de 70, nas fraldas da serra, periodicamente sujeita a desabamentos foi o coroamento institucional desta trajetória. Daí surgiram as centenas de condominios e as ocupações indevidas geometriacamente crescentes em Angra, Paraty, São Sebastíão e Ubataba. E em todos estes anos sem exceção existem deslizamentos das encostas ao mar.

O "Decreto Luciano Hulk" assinado pelo Governador Sérgio Cabral foi a comemoração do coroamento anterior, desta rotina de ocupação predatória /insana que chega as ação criminosa, de quem permite, autoriza e licencia a ocupação e de quem comete a ocupação. que atenta contra a vida de si próprio. Postado por José Sales

Água e óleo não se misturam - Por Pedro Esmeraldo

Se de nosso lado, partimos para luta com alegria e ufanismo é porque desejamos alcançar o crescimento com equilíbrio e melhoria de produtividade com aptidões técnicas, e tudo isto sendo aplicado em todas as atividades políticas.

Quando falamos que somos contra certos atos inócuos e decrescentes "que inibem o desenvolvimento" olhamos com bons olhos as maldades que ocorrem na cidade, pois somos perseguidos por pessoas indecorosas que "constantemente" vêem nos enganando "com tapinha nas costas" imitando gato e procurando esconder as unhas, visto que o maior desejo é empurrar o Crato para o atraso, fixando-se na corrente emergente da estrada sinuosa impulsionando para o atraso. Nós, os cratenses, não reagimos aos insultos e permanecemos numa via pactuai, procurando convencer que os cratenses também pertencem a mesma origem e podemos contribuir com a mesma qualidade de trabalho a fim de alcançarmos o nosso objetivo.

Avisamos, portanto, que não pertencemos a uma aldeia de índios para que venham nos atirar pedra constantemente, ameaçando esse povo que vive perseguido pelas artimanhas das cidades vizinhas. Somos fortes, não temos medo de enfrentar o barco e vimos contribuir com merecimento avantajado, não desejando cair no âmago do desespero. Mostramos que temos coragem de lutar com impetuosidade.

Prevenimos que cumprimos com a obrigação de defender a nossa terra, desincumbindo-se com esforço, com o intuito de proteger a cidade dessa política desvairada que afasta os seus verdadeiros líderes das atividades públicas. Deixam-nos esquecidos, devido a falta de apoio das autoridades de Fortaleza e permanecemos sem apetite e não temos coragem de investir atualmente no Crato. Notem bem, reclamamos o desinteresse pelas construções do Centro de Convenções e da estátua de Nossa Senhora de Fátima, que estão em marcha lenta, a passo de tartaruga, sem procurar apressar para enaltecer os ânimos do povo cratense.

Desejamos portanto, que o cratense seja mais esperto e não venha aceitar essa desigualdade acometida pelas autoridades de Fortaleza e que parece que estão esmorecida em investir no Crato e o seu desejo é ver o Crato amofinado, sem luta, deixando o povo esmorecido e sem esboçar nenhuma reação.

Pensando bem, se as autoridades se interessassem pelo Crato, ganharíamos limites favoráveis e estaríamos tão adiante que jamais poderíamos ser alcançados. Se os prefeitos passados, tivessem atividades políticas, não estaríamos sofrendo essa consequência desagradável, e os cratenses cruzariam uma linha de equilíbrio de progresso percentual.

Mas nada disso aconteceu! Esses prefeitos, excetuando-se Dr. Raimundo e o capitão Ariovaldo, de uma incompetência fora de série e não souberam administrar esta cidade com impetuosidade. Alguns deles foram pusilânimes, não olharam bem para o futuro. Houve tanta fraqueza desses homens que um deles teve hábito de colocar faixa com propaganda dizendo que seria o maioral: Um dia apareceu um senhor desejando investir no Crato com uma escola de ensino superior, solicitando do prefeito, um terreno para execução dessa obra universitária. Pasmem senhores, esse senhor negou o terreno para esse melhoramento, alegando que o diretor da faculdade não teria capacidade técnica de construir escola de nível superior no Crato e o Crato perdeu essa grande aquisição escolar e o povo cratense ficou andando em marcha a ré, mergulhado no caminho do atraso.

Agora mesmo, somos contrários a criação de outros municípios, já que não têm condições de jeito nenhum de se elevar à categoria de cidade. Olhem que esses pequenos municípios (sem estrutura) não marcham bem pelo caminho fértil do desenvolvimento. Acarretam a desordem administrativa, já que não têm condições de seguir as leis federais com pagamento salarial obrigatório e permanecerá com o pires na mão, pedindo ajuda ao poder central, que provocará o aumento de dívida interna, acarretando a alta de juros e a corrupção administrativa.

Para isto, publicamos aqui um recorte do Jornal Diário do Nordeste, do dia 10/12/09 na coluna de Neno Cavalcante, dizendo: Dos 184 municípios no Ceará, 162 estão na margem da lei, no que se refere ao preceito constitucional que nenhum trabalhador pode ganhar menos de um salário mínimo. O dinheiro só presta para as maiores esquisitices; principalmente para usufruto do prefeito. Não sobra nada para remunerar os funcionários com o mínimo de decência e de dignidade.

Notamos ainda, referente a área geográfica deste distrito, não tem condições de ser elevado a cidade. Também não devem invadir área de outros distritos, pois consideramos jogo sujo. Acontece também que nem toda a população é favorável e nem quer deixar de ser cratense e a maior parte diz: prefiro ser cratense do que ser serrano, outrossim, avisamos que o óleo não se mistura com água, devemos tomar cuidado para não esfarelar o nosso pensamento digno de bom cratense.

Artigo de Pedro Esmeraldo (publicado a pedido do autor)

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