02 dezembro 2010

RECURSOS HÍDRICOS - Cinturão das Águas inicia pela região do Cariri - Reportagem: Antonio Vicelmo


Os recursos hídricos do Estado terão, nos próximos 30 anos, um aporte de integração de bacias nos Municípios.

Crato. A Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará apresenta hoje, neste Município, o Projeto Cinturão das Águas do Ceará (CAC). Trata-se de um grande sistema gravitário de canais para a condução das águas do São Francisco para a 93% do território cearense, inclusive para as regiões mais secas do Estado, bem como para aquelas de potencial turístico e econômico.

O debate em torno do projeto foi solicitado pelo Conselho de Defesa do Meio Ambiente, tendo em vista os eventuais impactos ambientais que poderão causar ao Município. O secretário do Meio Ambiente do Crato, Nivaldo Soares, justificou que, para concessão da licença ambiental, é necessário que os Municípios conheçam o projeto. Daí a importância de uma explanação sobre o assunto.

A solenidade será realizada no auditório do Teatro Salviano Saraiva, a partir das 8h50, com a presença do prefeito Samuel Araripe. Ele destaca o projeto como uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "O projeto é essencial para o abastecimento de água de todo o Estado", complementa o prefeito, lembrando que a primeira região a ser beneficiada é o Cariri. O gerente regional da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Yarley Brito, informou que a partir do início do ano começa o processo de implantação do projeto com a abertura de licitação para a construção da obra, cuja conclusão está prevista para 2040. De acordo com o projeto, o Cinturão de Águas começa no Município de Jati, por onde chegarão as águas do Rio São Francisco ao Ceará, e se estenderá por 160 quilômetros até Cariús, dentro de uma vazão pré-estimada entre 25 e 30 metros cúbicos por segundo, levando água para uma das regiões mais secas do Sertão dos Inhamuns.

O canal principal segue o entorno da Chapada do Araripe, no sentido leste-oeste, para depois, com diretriz sul-norte, atravessar as bacias do Alto Jaguaribe e Poti-Parnaíba, vindo a atingir a bacia hidrográfica do Rio Acaraú, que começa um pouco a montante da cidade de Tamboril, totalizando cerca de 545 quilômetros.

Baixo Acaraú

No seu percurso permitirá derivações de porte para a Bacia do Banabuiú, com a construção de túneis. As águas de perenização do Rio Acaraú atingirão a barragem já existente de Santa Rosa, onde se localiza a atual tomada d´água do Projeto de Irrigação Baixo Acaraú. Aproveitando parcialmente as instalações dessa tomada, será implantado o único bombeamento de todo o CAC, a fim de transpor as águas para um canal de diretriz paralela à linha litorânea (direção aproximada noroeste-sudeste), que se desenvolverá por toda a Bacia Litoral e extremo norte da Bacia do Curu, até se unir ao ponto final do Eixo de Integração Castanhão-Pecém. Este Canal Litoral poderá ter duas alternativas: uma convencional, por um traçado médio entre 25km (extremo oeste) a 10km (leste), distante da linha da costa e uma segunda de perfil mais favorável a grandes empreendimentos turísticos, de configuração larga e da ordem de 5 a 10km dessa linha de costa (praias). Quando associado aos traçados do projeto de transposição, do Eixo de Integração e do Canal do Trabalhador, o CAC estabelecerá um verdadeiro cinturão de águas que contornará boa parte do Estado.
Fique por dentro Trechos e vazões

O projeto define trechos e vazões de água: Jati-Cariús, extensão de 160km e vazão pré-estimada em 25 a 30 m³/s; trecho Cariús-Acaraú: extensão de 380km e vazão de 25 m³/s: Trecho Canal Litoral - 1ª alternativa tem extensão de 140km e vazão pré-estimada em 5m³/s; trecho ligação com Eixo de Integração: extensão da ordem de 40km e vazão pré-estimada em 5m³/s; 1ª derivação para Banabuiú: extensão da ordem de 20km, com túnel, e vazão pré-estimada em 2m³/s; 2ª derivação para Banabuiú: extensão da ordem de 10km, com túnel, e vazão pré-estimada em 2m³/s; trecho Canal Acaraú-Curu-Metropolitanas: extensão da ordem de 260km e vazão pré-estimada em 5m³/s; Trecho Acaraú-Coreaú: extensão da ordem de 155km e vazão pré-estimada em 2m³/s.

MAIS INFORMAÇÕES

Secretaria de Recursos Hídricos, Av. General Afonso Albuquerque Lima, S/N, (85) 3101.3995
(85) 3101.3994/ fax: (85) 3101.4049

ANTÔNIO VICELMO
Repórter do Diário do Nordeste

5 comentários:

  1. Conforme projeto topográfico realizado, há poucos meses, esse canal passará aqui em Ponta da Serra, pela encosta da Serra do Juá, em direção a Monte Alverne, Nova Olinda, indo até as nascentes do rio Cariús

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  2. Antônio Correia Lima:

    Quer dizer que a transposição do São Francisco vai passar pela Serra do Juá?
    Então ninguém segura mais a Ponta da Serra...

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  3. É verdade amigo Armando, essa informação foi dada pelo pessoal da empresa que fez o Projeto Topográfico, que, há alguns meses, esteve aqui no nossa sistema de amplificador à procura de casa para alugar
    Pena que a letra do nosso Hino ficará incompleto, pois, lá dissemos sobre a nossa Ponta da Serra: "banhada pelas águas do Carás tu tens as nuvéns como véu"
    Agora , além de banhada pelas águas do Carás, a nossa Ponta da Serra será também banhada pelas águas do São Francisco.
    Segundo informação, esse canal passará pela encosta da Serra do Juá, e, no sítio Juá, ao lado da capela de São Raimundo Nonato.

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  4. Sim, amigo Armando, o projeto "Cinturão das águas" diz: o referido canal partirá de Pena Forte pelos pés de Serra do Cariri no sentido das nascentes do Rio Carius.
    Na minha compreensão esse canal cortará, no município do Crato, as nascentes dos rios Granjeiro, batateiras e Carás.
    Ainda hoje irei reeditar uma postagem do nosso blog sobre o tema, onde procuramos colher mais informações.
    Um forte abraço

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  5. CORRIGINDO....

    O referido canal partirá de Jati, e não de Penaforte

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