06 dezembro 2010

Magia do circo atrai público e renova tradição no interior


O globo da morte é um dos momentos mais tensos do espetáculo. Os artistas têm muita habilidade - FOTOS: ANTÔNIO VICELMO - Shows também fazem parte da programação do Circo Portugal, que se apresenta no Município do Crato até hoje. Os equilibristas treinam bastante para a apresentação sair sem problemas. Mesmo diante das diversas opções de diversão, o circo ainda atrai grande número de espectadores

Crato - Hoje tem marmelada? Tem sim senhor! Hoje tem goiabada? Tem sim senhor! Respeitável público: o circo está de volta, trazendo a magia e o fascínio que sensibilizam adultos e crianças. Nas cidades do interior, os espetáculos são atrações de grande valia. Não importa se é luxuoso ou apenas uma humilde tenda sob a qual artistas anônimos, pelo amor à arte, tentam tirar seu sustento a partir da alegria dos espectadores. Mesmo diante das inúmeras opções de lazer, o circo ainda mexe com a vida das cidades.

Esta semana, chegou ao Crato o Circo Portugal Internacional, instalado no Parque de Exposições, que não foge à regra dos grandes circos, com malabaristas, equilibristas, palhaços, show de ilusionismo, globo da morte. Um dos destaques desta temporada é a apresentação das "águas dançantes".

Na noite de estreia, a arquibancada, com capacidade para 3.500 lugares, faltou pouco para lotar. Nas noites subsequentes, o movimento aumentou. O médico Macário José Brito Bezerra, conhecido como "Macarim", é um eterno apaixonado pelo circo. Vai a todos os espetáculos, até mesmo daqueles circos que nem cobertura possuem. Costuma levar os artistas para sua casa, onde oferece comida e banho de piscina.

"Quando chega um circo no Crato, eu faço amizade com os artistas", conta o médico, explicando que, no caso do Circo Portugal, o contato com o administrador José Arlindo da Silva foi acidental. Ele foi atendido por Macarim no Hospital São Francisco, depois de um pequeno acidente automobilístico.

Na noite de estreia, lá estava o médico, acompanhado da mulher e dos filhos, para alimentar um sonho que ele acalenta desde criança: ser artista de circo. "O circo é mais do que uma diversão. É um remédio para tristezas, angústias, dificuldades e decepções que ocorrem todos os dias no picadeiro da vida", prescreve o médico, lembrando que "não é sem razão que mais de um milhão de eleitores elegerem o palhaço Tiririca deputado federal".

Globo da Morte

Para os jovens, a principal atração é o globo da morte, com seis motoqueiros, que chegam a ficar a dois palmos um do outro. "É um número muito perigoso", diz o jovem motoqueiro Maicon Portugal, que nasceu e cresceu dentro do circo. Ele alerta que o sucesso do número depende muito mais da máquina do que da habilidade. "Para nós, motoqueiros, o globo da morte é mais um número circense. Mas, quando a moto falha, tudo pode acontecer. E já aconteceu".

O palhaço Xavequinho, dublê de palhaço e motoqueiro, conta que uma vez, em plena apresentação, a corrente de uma das motos arrebentou, três delas chegaram a bater e os motociclistas caíram. Outra vez choveu e o globo pegou umidade. Tornou-se escorregadio, a quarta e quinta moto caíram. Ele lembra que nasceu motoqueiro. Sua mãe era uma das integrantes do globo da morte. Saiu do circo para a maternidade onde ele nasceu. Antes da apresentação, a música que se ouve é o ronco dos motores. A tensão cresce, quando eles soltam o guidon em velocidade.

Sonho

"Levo os artistas para casa alimentando sonho infantil: ser artista de circo".

Macário José Brito
Médico

Reportagem: Antonio Vicelmo
Repórter do Jornal Diário do Nordeste
Colaborador do Blog do Crato

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