25 novembro 2010

A festa de Nossa Senhora da Penha – por Armando Lopes Rafael


Os festejos a Nossa Senhora da Penha – Rainha e Padroeira de Crato – são realizados há 242 anos. E se constituem na maior manifestação religiosa feita nesta cidade.
A mais antiga referência a esta comemoração data de 1838, e foi feita por George Gardner, Naturalista, Botânico Memorialista, Intelectual, Pesquisador, Escritor, Ensaísta e Cientista inglês, que esteve em Crato naquele recuado ano. Autor do livro Viagem ao Interior do Brasil, publicado em Londres em 1846 (e somente traduzido para o português e editado no Brasil quase cem anos depois) lá encontramos uma descrição da festa da Padroeira de Crato, da qual destacamos o seguinte trecho:

“Durante minha estadia em Crato foi celebrada a festa de N. Sra. da Conceição, (Gardner equivocou-se quanto à invocação, pois o certo é Nossa Senhora da Penha) precedida de nove dias de divertimentos, cujas despesas correm por conta de pessoas designadas para conduzi-los; enquanto durou a novena, como é chamada, os poucos soldados que haviam na vila não cessaram quase, dia e noite, de dar tiros e as procissões, iluminações, girândolas de foguetes e salvas, com um pequeno canhão em frente da igreja, trouxeram ao lugar um constante alvoroço”.

A crônica histórica de Crato guarda ainda o registro de que o primeiro Intendente deste Município, após o advento da República – cargo que hoje corresponde ao de Prefeito – o cidadão José Gonçalves da Silva, durante 29 anos seguidos (de 1900 a 1929) foi o coordenador da Festa de Nossa Senhora da Penha. Consta que estando uma vez no Rio de Janeiro, ao embarcar no navio que o traria de volta ao Ceará o Sr. José Gonçalves da Silva, homem de pequena estatura, caiu no mar e na hora da aflição pediu o auxílio de Nossa Senhora da Penha para não morrer afogado.
Retirado das águas fez um voto de assumir a coordenação da festa da Padroeira de Crato, o que cumpriu até sua morte, ocorrida em 4 de julho de 1930.

O certo é que, em quase dois séculos e meio de realização, os festejos a Nossa Senhora da Penha, têm importância não só na tradição religiosa desta cidade, mas servem como instrumento de socialização e divulgação da capacidade empreendedora e artística da sociedade cratense. Basta lembrar que a cada 22 de agosto, véspera do início do novenário em louvor à Virgem da Penha, que coincide com o Dia do Folclore, dezenas de grupos da tradição popular se encontram na Praça da Sé para homenagearem sua padroeira.
Em face disso, os festejos a Nossa Senhora da Penha também contribuem para a conservação da cultura popular com suas festas, brincadeiras, danças, cantigas de roda, crenças, superstições, lendas, histórias, ritos e mitos do Homem Cariri.

No dia 1º de setembro – data consagrada a Nossa Senhora da Penha – a procissão com a imagem da excelsa padroeira dos cratenses leva cerca de trinta mil pessoas às ruas da cidade. Mantendo uma velha tradição as famílias ornamentam com flores, velas e imagens as janelas de suas residências para reverenciar a passagem da sagrada imagem. Trata-se de um momento rico de piedade cristã, uma manifestação pública da fé do povo cratense.

Nos últimos anos os festejos a Nossa Senhora da Penha tem crescido bastante, com reflexo no aumento da renda dessa festa, oriunda das doações dos fiéis. E tudo tem sido criteriosamente aplicado em melhoramentos na Igreja da Sé. Basta citar o novo piso da igreja, pintura externa e interna, a restauração de todas as imagens e peças sacras antigas daquele templo, a reforma da capela batismal, a construção das capelas da Ressurreição e do Santíssimo Sacramento, novo sistema de som, dentre outros.
A Catedral de Nossa Senhora da Penha é um templo limpo, bem cuidado, arejado, verdadeira sala-de-visita para quem vindo ao Crato percorre o edifício histórico mais importante da cidade...

(Artigo escrito para o site da Diocese de Crato: www.diocesedecrato.org/)

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