24 novembro 2010

A eficiência do Correio – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

De uma América a outra, eu consigo passar num segundo.”, diz um dos versos de Vinicius de Moraes na extraordinária canção “Aquarela”, cuja música tem uma interpretação primorosa do cantor Toquinho. Hoje vivemos essa realidade, com o mundo em nossas casas, falando e vendo entes queridos em algum lugar distante. As comunicações se propagam na mesma velocidade de nossos pensamentos. Longe vão os tempos em que um telegrama demorava de três a quatro dias, algumas vezes até mais tempo. Quando uma simples carta era recebida com atraso de mais de uma semana.

Mas o nosso Correio às vezes nos surpreende com algumas coisas interessantes. Recentemente, vi no “Jornal Hoje” da Rede Globo a notícia de que um cidadão de Brasília residente na Super Quadra Norte, cujo endereço os brasilienses simplificam para SQN, ao fazer o registro por telefone do seu aparelho celular, a funcionária da operadora teve dificuldade de entender a sigla do endereço que ele lhe fornecia. Então pausadamente ele explicou S de Sapo, Q de queijo e N de nada. Não é que ao receber a conta mensal do seu telefone o endereço que constava era “Sapo Queijo Nada 1315?” Naturalmente o pessoal do correio teve os mesmos pensamentos do destinatário.

Outro dia, eu recebi uma correspondência da Mútua, uma entidade de previdência privada, para um endereço totalmente diferente do meu. E não sei como tal correspondência me foi entregue, apesar do endereço indicado no sobrescrito vir totalmente trocado. Em vez de Avenida Rui Barbosa onde resido, vinha Avenida Raul Barbosa e o bairro Joaquim Távora foi substituído por Meireles, pelo qual não passa a essa tal Avenida Raul Barbosa. Até o CEP veio trocado. Não sei como recebi tal correspondia, que tinha de correto apenas o meu nome e a cidade de destino. Entretanto, diante dos recursos atuais, em que através da internet descobrimos o endereço de qualquer pessoa, isso não nos causa nenhuma admiração.

Admirável mesmo foi quando eu recebi em Salvador uma carta do meu irmão Pedrinho, apenas com o meu nome no envelope e o nome da cidade de destino. Isso há mais de quarenta anos, sem existência da internet e suas inúmeras listas on line. Era para essa carta ter voltado ao remetente com muita justiça. Mas eu a recebi, como que prenúncio de um verdadeiro milagre.

No dia seguinte, eu quis saber do carteiro, como aquela carta havia chegado às minhas mãos. E ele me respondeu que ao retirar as correspondências da sua área, ouviu o seu chefe perguntando aos carteiros se alguém conhecia Carlos Eduardo Esmeraldo. Então ele gritou: “Essa é minha!”. O carteiro trazia cartas que Magali me enviava com freqüência e por isso eu me tornei um velho conhecido dele.

Porém não foi assim recentemente com uma encomenda que eu enviei a um amigo do Crato. Com o nome do destinatário e o da rua corretamente preenchidos, apenas me equivoquei com o número da casa. E a carta voltou, possivelmente por uma incrível má vontade do carteiro, pois o destinatário é uma personalidade bastante conhecida no Crato: o artista plástico Jacques Bloc Boris, que todos os cratenses sabem onde fica a sua casa. Tive de reenviá-la corretamente e acredito que finalmente chegou ao destino. Quem poderá entender nosso Correio?

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

4 comentários:

  1. Carlos voce como sempre muito sábio nos seus texto, além de nos ensinar, ainda nos faz rir. Como é bom ter voce de volta. Abraço em Magali e Emilia. Bjs

    ResponderExcluir
  2. Caro amigo Carlos:

    Sorte a sua em morar em Fortaleza, lugar aonde os correios funcionam igual ao Primeiro Mundo!

    Aqui em Crato a falta de eficiência da ECT é de domínio público...

    1 – Dias atrás, Dihelson postou duas matérias – aqui mesmo no Blog do Crato – sobre extravios de encomendas destinadas a ele. O pior é que quando ele foi reclamar na ECT recebeu a “desculpa” de que os caminhões que transportavam as correspondências tinha sido... assaltados!

    2 – Tenho um amigo residente em Recife, um oficial da Aeronáutica, com tenho o habito de permutar artigos, enviando os interessantes publicados nos jornais da capital cearense e sendo retribuído com artigos veiculados nos jornais de Recife. Pois bem, ultimamente uma carta de Recife até Crato, tem demorado -- às vezes – até 14 dias para chegar ao destino. E veja que eu tenho caixa postal, pois moro no início do Parque Grangeiro onde as correspondências demoram ainda mais para ser entregues.

    3 – Lamentavelmente, aqui é corriqueiro acontecer o que ocorreu com uma correspondência sua, destinada a Crato, conforme relatado no seu artigo:

    “Porém não foi assim recentemente com uma encomenda que eu enviei a um amigo do Crato. Com o nome do destinatário e o da rua corretamente preenchidos, apenas me equivoquei com o número da casa. E a carta voltou, possivelmente por uma incrível má vontade do carteiro, pois o destinatário é uma personalidade bastante conhecida no Crato: o artista plástico Jacques Bloc Boris, que todos os cratenses sabem onde fica a sua casa”.

    ResponderExcluir
  3. Só pra vocês saberem:

    O Radialista Almeida Junior, me disse na semana passada que outro Caminhão dos Correios foi roubado.

    Ao que parece, neste ano vamos ter 200 assaltos a caminhões dos correios.

    É melhor pegar a correspondência com os assaltantes.

    Dihelson Mendonça

    ResponderExcluir
  4. Prezados amigos: Tatiana, Armando e Dihelson

    Agradeço a participação de vocês. Não me referi em momento algum que temos um correio de primeiro mundo. Meu objetivo nesta pequena crônica foi apresentar dados a meu ver interessantes ocorridos com o sistema de comunicações que temos hoje em dia.
    É claro que nosso Correio atualmente sofre alguns problemas, principalmente por escassez de carteiros e deficiencia de pessoal. Mas de modo algum podemos compará-lo com o que ocorria antes da década de 1970, quando o Correio era uma autarquia federal e então passou a ser uma empresa pública, onde os seus empregados passaram a ser regidos pela CLT. Então àquela época passou a ter uma sensível melhora.

    Um cordial abraço

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.