18 novembro 2010

Começam obras para restaurar Sítio Fundão - Reportagem: Antonio Vicelmo


Casa de taipa do Parque Estadual do Fundão é a primeira a receber atenção e reforma, preservando o patrimônio - FOTO: ANTÔNIO VICELMO - A restauração do Sítio Fundão iniciou pela casa de taipa de 1º andar que estava completamente danificada

Crato. Dois dias após a audiência promovida pelo Ministério Público com a finalidade de solicitar providências do Governo do Estado quanto à preservação do Parque Estadual do Fundão, uma empresa de engenharia montou acampamento dentro da reserva e iniciou as obras de restauração da casa de taipa de 1º andar que estava completamente danificada.

"É uma reforma emergencial, com a finalidade de evitar que a edificação seja derrubada pelas chuvas do próximo inverno", esclareceu o gerente do Parque, Mardineuson Sena, acrescentando que, além da restauração da casa, será construída uma guarita na entrada da reserva com o objetivo de controlar a entrada de visitantes.

Investimentos

Por enquanto, serão investidos apenas de R$ 200 mil provenientes de compensação ambiental e será feito com os procedimentos necessários para uma construção tombada como patrimônio histórico, garante o gerente do Parque, acrescentando que o prazo de conclusão é de 80 dias.

Mardineuson explica que o projeto foi modificado. Nem mesmo o velho engenho de pau, que está caindo aos pedaços, será recuperado. O projeto original prevê a recuperação das construções antigas, reforma estrutural do parque, construção de um prédio para a CPMA e um estábulo para os cavalos da companhia, uma sede para a gerência do parque, a sede da Semace Cariri, um galpão-garagem para máquinas e veículos, um auditório multiuso e um prédio para alojamentos.

Nos últimos três meses, segundo Mardineuson, foram feitas algumas melhorias para facilitar o acesso de visitantes e pesquisadores, entre as quais a limpeza de duas trilhas que levam à casa, ao Rio Batateiras e às ruínas do antigo engenho. Embora o parque não esteja oficialmente aberto, as visitas são permitidas para a realização de pesquisas científicas, estudos de campo e educação ambiental, por meio de autorização da gerência e acompanhamento dos responsáveis pelo local.

"De qualquer forma a restauração da casa e a construção da guarita é um sinal de que o Governo do Estado vai preservar este patrimônio natural, que foi mantido pelo meu avô, Jeferson da Franca Alencar", comemora o radialista Ed Alencar, um dos herdeiros do Sítio Fundão, que vinha denunciando o descaso dos órgãos ambientais para com o equipamento que hoje pertence ao Estado.

Segurança

Ao mesmo tempo em que foi iniciada a restauração da casa, foi montado um esquema de segurança com a presença de vigilantes contratados pela Secretária do Meio Ambiente (Semace), que estão controlando a entrada de visitantes.

Além dos agentes contratados, a reserva conta, também, com a presença da Companhia de Polícia Ambiental e de agentes do Instituto Brasileiro de Direito à Vida dos Animais e Meio Ambiente (IBDVAMA). Na manhã de ontem, brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sob o comando da coordenadora do Núcleo de Educação Ambiental da Floresta Nacional do Araripe, Maria Araújo Férrer, conhecida como "Lousinha", estiveram no local com o objetivo de combater eventuais focos de fogo causados pelo incêndio registrado na área no último domingo. De acordo com Lousinha, o trabalho que está sendo realizado no Fundão é emergencial. O ideal seria a execução do projeto do Governo do Estado, cuja ordem de serviço foi assinada há mais de um ano e nunca foi executada.

Projeto

"O ideal seria a execução do projeto inicial, cuja ordem de serviço foi assinada pelo Estado há mais de 1 ano"

Maria Araújo Férrer
Técnica em Educação Ambiental

Fique por dentro
Reserva ecológica

O Sítio Fundão é uma reserva ecológica localizada na área urbana do Crato. Em 2008, tornou-se um parque estadual. Localizado a três quilômetros do Centro do Crato, incluindo espécies de Cerrado até remanescentes da Mata Atlântica. É um dos nove geossítios que fazem parte do Georpark Araripe.

Apresenta características da composição florestal original que existia nesta área do Estado, bastante rica biodiversidade. A área, de 93,54 hectares, desapropriada pelo Governo do Estado em fevereiro de 2008, estava sendo motivo de preocupação e reivindicação da comunidade local, que denunciava ações predatórias contra os aspectos físicos, biológicos e históricos da área.

MAIS INFORMAÇÕES

Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace)
R. Coronel Secundo, 255 - Crato
(88) 3102.1288

ANTÔNIO VICELMO
Repórter do Diário do Nordeste

Colaborador do Blog do Crato e Portal Chapada do Araripe

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