14 setembro 2010

Poética de Wilson Bernardo:Cariri Encantado de Amores Perdidos.

APAGAR AS LUZES O PENÚLTIMO QUE SAIR.
As flores fazem aniversário de renuncias
As Aranhas costuram envelhecidos
Tempos de poeiras
E nossa fotografia permanece
Feliz como se borrachas perdessem suas funções.

Wilson Bernardo(Poema & Fotografias)

6 comentários:

  1. Gostei das fotos... A mim me parece um retalho do passado. Coisas que vi em alguma época remota. Tocante!

    Claude

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  2. Realmente, Claude, uma casa linda. Lembra minha infância em Farias Brito, onde lá perto existiam muitas casinhas como essa e eu brinquei muito com meus colegas de rua, correndo pra lá e pra cá nesse tipo de casa.

    Me lembrou uma casa da minha avó desse tipo aí e que o leite era guardado numa panela de barro, num canto da casa, alta, para os gatos não beberem...não existiam geladeira nesse tempo, aliás, lá não tinha nem luz elétrica, mas a noite, o Céu era um espetáculo de estrelas brilhantes e luas maravilhosas...

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  3. Tem nem luz pra apagar, e isso que é bom...nem apagar e nem pagar.

    DM

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  4. caro dihelson,a sua descrição sobre o gato e a panela de leite,é uma verdadeira imagem poética,a qual eu já fiz um poema que em breve publicarei com a sua descrição.

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  5. Obrigado, Wilson, eu nunca me esqueci daquela panela, que era coberta com um pano, que evitava azedar o leite, e ao mesmo tempo protegia dos insetos. Eu preciso escrever minhas memórias o quanto antes.

    Quanta saudade eu tenho daquele tempo imemorial, em que eu saía para o mato com meu avô, em manhã nublada e de chuva, bem cedo, a caminho das roças de arroz e das caieiras de tijolos, passando por dentro de cercas de arame farpado, atravessando baixios, pisando em lama, barro, vendo as minhocas e imbuás remexendo a terra, enquanto a serra do Quincuncá era de pura beleza, com uma névoa que recobria o topo.

    Isso tudo era embalado com o cheiro do cuscuz com feijão, torresmo, e uma carne assada, feito nas panelas de barro, molho de pimenta malagueta, cheiro esse que saía de cada chaminé das casas de taipa do caminho numa fumacinha azulada, o Dicumê da roça, que parecia uma trilha sonora entrando pelo nariz adentro e combinava com a paisagem que explodia à nossa frente de puro verde.

    Passávamos por debaixo dos pés de Oiticica, e dos corredores de frondosas mangueiras. A terra tinha um manto de folhas secas amarelas e alaranjadas, e a areia, Ah! a Areia milenar de tantas folhas já decompostas, tinha um cheiro especial que guardo até hoje em mim.

    Atravessávamos o rio na canoa de "Seu beija", em tempos de enchentes. Ah! quem não viajou na canoa de "Beija" não sabe o que é a vida. A água entrava pelas frestas, e eu tinha medo daquilo afundar com todos nós. Um mêdo bom.

    Descendo as ladeiras, havia um Anum em cada estaca da estrada, acenando para os passantes com a cauda preta, e gritando: Anum...Anum...Anum...

    À noite, centenas de vagalumes competiam com o claro amarelo, azul e verde dos candeeiros de querosene, e eu me deitava ao relento, com a cabeça encostada numa pedra, olhando por dentro dos arbustos e ouvia lá da varanda, as estórias dos velhos, com seus cachimbos, cigarros de palha e cafés quentes, enquanto o claro azul da lua proporcionava um espetáculo ímpar, ora saindo, ora entrando dentro das núvens, que formavam desenhos gigantescos na abóboda celestial.

    "O véio Mané Pereira, Seu Manezão, Nêgo Zomin, Antonio Mendonça Leite"...cadê todos vocês ? Já sei. Estão lá naquela varanda ainda, nas noites do meu sertão, contando histórias, estórias, e esperando talvez por mim. Amigos, um dia estarei com vocês novamente contando histórias, e sendo novamente o eu que um dia fui feliz.

    Dihelson Mendonça
    Para Wilson Bernardo

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  6. Wilson, uma versão melhorada desse último texto, dedicado a você, eu postei como artigo no Blog do Crato.

    Um forte Abraço,

    Dihelson Mendonça

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