11 setembro 2010

NOTICIAS DE JORNAL. Um pelo outro - Por: Zé Nilton





Outro dia, 08 do presente, o jornal O Povo, edição impressa, trouxe como matéria de capa do suplemento Vida & Arte o lançamento do livro “Cego Aderaldo”, de Claudio Portela. Tudo bem, tudo maravilhoso, com os parabéns dos cratenses pelo reconhecimento de um dos nossos mais ilustres conterrâneos na arte do repente e da sátira em verso.

O diabo é que o sujeito que fez a matéria, um tal de Pedro Rocha,pode não ter sido ele, cismou de trocar a imagem do famoso Cego Aderado pela célebre imagem do não menos famoso Cego Oliveira. Aí eu me injuriei. Eu, preconceituoso, e me confesso a todos, sempre tive uma má vontade com certa intelectualidade da capital que, vez por outra, vem se inspirar na cultura local para escrever suas “descobertas”, muitas vezes empurrando teorias goela abaixo da realidade, como se a cultura local houvesse se reificado no tempo.

Pedro Oliveira é sem dúvida um dos mais puros rabequeiros do Nordeste. Teve uma participação fenomenal no filme Nordeste, Repente e Canção, de Tânia Quaresma, de 1975, cantando na calçada do Crato Hotel a famosa “Nas portas dos Cabarés”. Nos anos 80 Rosemberg produziu um belo filme e um precioso disco. Seu filho, José Oliveira seguiu os passos do pai, mas faleceu em 2009.

Essa do o Povo resultou ainda pior. Ninguém teve a devida atenção em revisar a matéria. Parece pouco caso. Alguém apressadinho encontrou a foto do cego. E já que são dois cegos de igual tamanho na arte do repente violado no Ceará, não se dignou em separar a humanidade dos dois.

Eu duvido que troquem as fotografias da Banda Forró do Muído pela dos Jatinhos do Forró, ou do Namoro Novo ou da Calcinha Preta ou do Falcão pela de Lailtinho Brega. Imediatamente haverá uma grita quase geral. Algum reparo do jornal ? Qual o quê, não li nenhuma observação de sua ouvidoria. Ficou elas por elas.

É até engraçado para quem vive por aqui e sabe das coisas daqui. Na foto da reportagem aparece o nosso cineasta maior, o Rosemberg Cariri. Ai tem uma luazinha na cabeça de Antonio Oliveira, dizendo:” Na foto ao lado do cineasta Rosemberg Cariry, Cego Aderaldo é um dos mais celebrados ícones da cultura cearense”.Ora, Aderaldo morreu com 90 anos, em 1967. Nesse tempo, Antonio Rosemberg de Moura tinha 14 anos, acabava de deixar sua Farias Brito para ir morar no Crato. Já andava metido em escrever uns versos etéreos, como todos os intelectuais estudantes da época, e já demonstrava grande inquietação própria da juventude dos anos 60, coisa que o fez chegar aonde chegou.

Sem querer concluir, fica a impressão que todo mundo errou, errou na dose, errou no amor, Pedro errou de João? E ninguém morou na dor (que nos faria), pois digo que às vezes a dor da gente SAI no jornal (parodiando Luis Reis e Haroldo Barbosa), Notícias de Jornal.

6 comentários:

  1. Muito bem, Zé Nilton!

    É como você disse, que há muitos jornalistas da capital que escrevem como se houvessem descoberto a última jóia rara da cultura regional. Os caras são uns tapados em relação a Arte e Cultura, deveriam vir ao Cariri se aprofundar mais nos movimentos que aconteceram e continuam acontecendo por aqui pra não escrever besteiras nos jornais.

    Por isso que eu defendo os jornais NOSSOS. O Portal Chapada do Araripe é feito por gente da gente, nosso sangue, nossa terra. Não tem nada que ver a cultura do Cariri com a da capital. Nós somos diferentes em tudo.

    O Cariri sozinho é um universo de riquezas culturais que tem vida própria, e olha, nós não vemos essas coisas no CADERNO 3 do Diário do Nordeste, por exemplo, que passa o tempo a louvar os Artista de Fortaleza.

    É muito nítida a preferência dos Jornais de lá por coisas locais, como se o Cariri e o Resto do Ceará não existisse. As pessoas que escrevem para esses cadernos de cultura, salvo raras excessões são pessoas que não entendem muito de Arte e Cultura, vivem fazendo "achados" que já estamos carecas de saber. A gente ri de certas reportagens que eles fazem, essa é que e a verdade!

    Parabéns pelo excelente texto, que eu faço questão de levar para o nosso CHAPADA DO ARARIPE - www.chapadadoararipe.com

    Eu havia visto essa "bendita" reportagem no jornal também.

    Abraço,

    Dihelson Mendonça

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  2. Zé,

    Já que estamos falando em dados corretos, não seria o contrário: o pai é José Oliveira e o filho, Pedro?

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  3. Muito bem Dihelson. Não é birra não, mas quando vem, as vezes os caras vêem o interior como uma coisa só.

    Caro armando,
    É isso mesmo. Privei da amizade de Zé Oliveira por muito tempo. Morava ali nas imediações do Pirajá. Foi no tempo da divulgação e venda do disco produzido pelo Rosa. Ele me entregou 100 disco para eu vender, na qualidade de Pro-Reitor de Extensào da URCA. Toda semana Zé estava comigo para receber o dinheiro. Levei-o para o palanque da universidade na Exposição e para outras apresentações na região e em Fortaleza. Esta, com a sempre producão do amigo Rosemberg.

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  4. Olá, Zé Nilton, aqui é o Cláudio Portella, autor do livro Cego Aderaldo. Assino embaixo em tudo que o amigo escreve. No dia seguinte o jornal publicou a seguinte notinha: "Na matéria Aderaldo: o cego cantador, por problemas de indexação de imagens do Banco de Dados, a foto publicada foi do rabequeiro Cego Oliveira”. Se o balão da legenda da foto diz que ele está ao lado de Rosemberg Cariry. E não existe foto dos dois juntos! Eles deviam ter dito: erramos, erramos feio! Seria mais bonito. Abração.

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  5. Olha eu errando tb. Troquei o Carlos Rafael pelo Armando Rafael. Quando fechei a mensagem fiquei embatucado porque o Armando jamais me chamaria de Zé. Não que ele não tenha esse direito. É que o Armando é escritor; Rafael é poeta como eu. O escritor é magnânimo e nos trata com a devida formalidade, embora sejamos íntimos. O poeta, nào, vai naquela de coleguinha, tonzinho, joaozinho, Zé, Zezinho... é porque na poesia tudo pode; na escrita, não. O escritor escreve com a convicção de levar o mundo a sério, até porque tem que ser assim. Já o poeta, arre lá com tanta preocupação! E aí se investe contra tudo o que está posto, inclusive contra a propria gramática. O escritor quando bebe entra em êxtase, já o poeta cai em estado de delírio. Parodiando, o escritor é amor, o poeta é sexo. É bossa nova o escritor e carnaval o poeta. E vai por aí.
    Certo é que tenho dois grandes amigos, Carlos e Armando.Eu gosto de Armando mas adoro Rafael..

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  6. Meu caro José Nilton de Figueiredo:

    Agora quem vos escreve é mesmo Armando. É que antes de ler seu artigo já tinha lido a nota abaixo na coluna de hoje do ombudsman do jornal O POVO, Paulo Rogério. A ver:

    “‘Seja o primeiro, mas primeiro seja correto” Uma foto de meia página foi utilizada para ilustrar a matéria “Aderaldo: o cego cantador” publicada quarta-feira (8) na capa do caderno Vida & Arte. O objetivo era anunciar o lançamento do livro de Cláudio Portella sobre a vida de um dos maiores repentistas da cultura cearense. Uma pauta fácil, sem maiores obstáculos, não fosse um desastroso equívoco. A imagem publicada não era do Cego Aderaldo, mas do Cego Oliveira, outro cearense famoso por tocar rabeca e compor canções. Não parou aí. A legenda ampliou o erro: “Na foto ao lado do cineasta Rosemberg Cariry, Cego Aderaldo é um dos mais celebrados ícones da cultura cearense.” Saber um pouco de história teria ajudado a evitar o erro. Cariry nasceu em 1956. Cego Aderaldo morreu em 1967. Portanto o primeiro tinha somente 11 anos quando o repentista faleceu. Nem pensava em ser cineasta e ter o grande bigode que a foto reproduz. “É impossível esse encontro do jeito que está. Tem algo errado” alertou o leitor Ireleno Benevides. No rodapé da matéria, a reprodução da capa do livro mostra a imagem do biografado e é fácil constatar as diferenças. No Erramos, a editoria admitiu o engano alegando que houve falha na indexação das fotos enviadas pelo Banco de Dados, setor do jornal que fornece material de pesquisa para a Redação. Na verdade houve falha geral. Da indexação das fotos, escolha da imagem, composição da legenda até a revisão. O jornalista precisa estar atento a isto tudo, a todos os detalhes na hora da edição. Tudo é informação. Para o leitor não importa quem é o culpado. É o jornal que errou e pronto. Seja na Capa, na Economia ou nos Populares. Tudo tem um só nome: O POVO.

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