02 setembro 2010

A importância dos museus de paleontologia no Cariri -- Por Lana Luiza Maia Nogueira (*)


Somente 04 museus de paleontologia existem em toda a região do Cariri que abrange 33 municípios cearenses, localizados ao longo da fronteira com Pernambuco até os limites do Piauí e da Paraíba, distribuídos em 5 microrregiões: Sertão do Salgado (Baixio, Cedro, Ipaumimim, Lavras da Mangabeira e Umari); Serra de Caririaçu (Altaneira, Antonina do Norte, Assaré, Caririaçu, Farias Brito, Granjeiro, Tarrafas e Várzea Alegre); Sertão do Cariri (Abaiara, Aurora, Barro, Brejo Santo, Jati, Mauriti, Milagres, Pena Forte e Porteiras); Chapada do Araripe (Araripe, Campos Sales, Nova Olinda, Potengi, Salitre e Santana do Cariri); Cariri (Barbalha, Crato, Jardim, Juazeiro do Norte e Missão Velha). Estes, no Sul do Estado do Ceará, perfazem uma área de 19.364 Km², representando 13,2% do território cearense.
Na região do Cariri encontra-se a Bacia do Araripe, que abrange uma área de aproximadamente 10.000 km², na porção de fronteira dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, limitada por falhas tectônicas e com uma extensão de aproximadamente 230km de leste a oeste e 70 km de norte a sul. Esta bacia apresenta depósitos fossilíferos bem preservados, datados do período cretáceo inferior (aptiano-albiano), com rochas e concreções calcárias fossilíferas. Paleontologicamente, nos museus, encontram-se expostos uma biota fóssil muito variada com exemplares de peixes, plantas, répteis, insetos invertebrados e conchas, todos com uma
preservação excelente chegando, em alguns casos, a conservar tecidos moles de alguns animais.
Desde o século 19 a região do cariri atrai curiosos e estudiosos interessados nesta fenomenal abundancia de fosseis. Infelizmente, parte desse patrimônio cientifico foi levado para outros estados do Brasil e também para o exterior, gerando pesquisa e desenvolvimento cientifico fora do local de origem. Por este motivo, os museus de paleontologia são necessários para a fixação de acervo paleontológico na região do Cariri.
Os quatro museus de paleontologia são: o museu de paleontologia de Santana do Cariri, o museu de fósseis do DNPM no Crato e os museus da Casa Lima Botelho e museu Municipal, ambos em Jardim. Esses museus ainda não possuem infra-estrutura apropriada e pessoal qualificado para funcionar de maneira otimizada e desenvolver pesquisas. Atualmente são locais de exposição de fósseis para a contemplação dos visitantes e curiosos.
O ideal seria que a região tivesse técnicos qualificados para gerenciarem os centros de pesquisas paleontológica. No Araripe, os museus apesar de não ter uma exposição museograficamente apropriada para bom entendimento da paleontologia (paleoambientes, paleoecologia, processo de formação dos fósseis), são continuamente visitados. (parafraseando Sales, 2010, no prelo).
O Museu de Santana do Cariri, por exemplo, recebe mais de vinte cinco mil visitantes por ano, os de Jardim, recebem mais de onze mil, anualmente. Isso representa um número expressivo de visitantes. Os visitantes são oriundos de regiões circunvizinhas, principalmente das cidades limítrofes ao sul da fronteira do Ceará. Todos curiosos para conhecer as riquezas paleontológicas do Cariri. Essa visitação tem representado incentivos na: divulgação da paleontologia, no desenvolvimento do turismo, da educação patrimonial e em menor expressão na geração de renda nas localidades onde os museus existem e uma tímida, integração com a cultura local.
Pelo exposto, essas ações representam somente, uma pequena parcela da real importância e contribuição que, os museus de paleontologia podem prestar a comunidade científica e a sociedade em geral, na porção sul do Estado do Ceará, o Cariri.
(*) Lana Luiza Maia Nogueira é aluna do Curso de Especialização em Geologia Histórica e Paleontologia -UFC-URCA.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Muito oportuno e interessante este artigo da professora Lana Luiza. Ele tem o mérito de condensar, de forma objetiva, as informações sobre exposição de fósseis -- da chapada do Araripe -- disponíveis para visitação pública em território caririense.

    Anos atrás, visitando Campo Grande – capital do Mato Grosso do Sul – conheci o Museu daquela cidade e, surpreso, vi centenas de fósseis da chapada do Araripe que para lá tinha sido levados, nas décadas 40 e 50 do século passado, por Padres Salesianos que moraram em Juazeiro do Norte.

    Infelizmente isso deve acontecer noutras partes do Brasil e do mundo.

    O artigo de Lana Luiza vai ser lido em todo território nacional e – quem sabe – despertará muitos caririenses para valorizar os fósseis que são expostos nos quatro museus localizados em Santana do Cariri, Crato e Jardim.
    Parabéns professora Lana Luiza!

    Armando Lopes Rafael

    ResponderExcluir
  3. Muito Interessante, Armando. Já levei lá para o Chapada do Araripe, em local de destaque.

    Abraço,

    DM

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.