17 setembro 2010

Homenagem a Geraldo Lobo - Por Aglézio de Brito


Encontrei-me com Samuel, meu Amigo de muito preço, e ele me pediu para escrever qualquer coisa sobre seu pai, Geraldo Macedo Lobo, a fim de enfeixar em um livro a ser editado sobre esse cidadão exemplar, cartorário e cidadão de inteligência luminar, que fez história no Crato e decidiu, após aposentado das lides notariais, ir morar em Fortaleza, deixando entre seus Amigos a saudade do seu convívio salutar e da experiência de vida que ele sempre nos transmitia.

Tenho a honra e o prazer de afirmar que, a partir do ano de 1973, quando retornei ao Crato, advindo de Fortaleza, onde me diplomei em Ciências Jurídicas e Sociais, passei a desfrutar do convívio com Geraldo Lobo, no recinto do Cartório do 2º Ofício, do qual ele foi titular com muita eficiência e lisura. Dele ouvia histórias interessantes, algumas pitorescas, outras tristes, sobre o Crato e as pessoas mais antigas que aqui viveram. Lembro-me quando ele me contou sobre a aterrisagem, aqui, na década de 30, precisamente no dia 16 de fevereiro de 1933, aliás, o primeiro pouso de avião no Crato , tipo teco-teco, pilotado pelo cratense Brigadeiro José Macedo, cuja hélice degolou Eloi Macedo Lobo, pai de Geraldo Lobo, o qual, para cumprimentar o piloto seu parente, na precipitação da sua alegria e ingenuidade correu para junto da aeronave que ainda taxiava.

Lembro-me, também, de uma história por ele contada, da compra e venda de um terreno cuja Escritura e Registro foram feitos em seu cartório, em que o vendedor, desconfiado do comprador, temendo em não receber o pagamento; e este, não menos desconfiado do vendedor, receando que este não assinasse a escritura respectiva, o negócio foi finalizado da seguinte maneira: O dinheiro foi posto no balcão do cartório, protegido pelo comprador, tendo o vendedor avançado na grana de modo rápido e imprevisível no momento imediato ao que assinou a Escritura de compra e venda.

Geraldo Lobo, como todo homem sensível, para quem não sabe é, também, um poeta de mão cheia. Guardo comigo, com muita veneração, um livro do simbolista/parnasiano, Augusto dos Anjos, denominada EU E OUTRAS POESIAS, que me foi oferecido por Geraldo no dia 12 de dezembro de 1986, com a seguinte quadrinha:

“Ao dileto amigo Aglesio,
Causídico extraordinário,
Envio meu grande abraço
Neste teu aniversário.

Crato, 12.12.86 Geraldo Lobo.

O “Causídico extraordinário” fica por conta da bondade de Geraldo, de nossa amizade e, por que não dizer, pela necessidade da rima.

“Esse é Geraldo Lobo, Amigo.
Cratense, orgulho daqui.
Geraldo, conte comigo,
Você e D. Adamir.
Nós aqui não te esquecemos,
E sempre te lembraremos
Como um ser íntegro e sensato.
Receba, enfim, essa homenagem,
Por nossa camaradagem,
Ilustre filho do Crato.

Por: Aglézio de Brito

Um comentário:

  1. Parabéns ao Geraldo Lobo, e parabéns também ao Aglézio de Brito por texto tão brilhante, aliás, como sempre são os seus textos. Eu nunca vi um texto do Aglézio pra não ser bom.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.