02 setembro 2010

Fora do ar - Por Emerson Monteiro

No início de cada mês, bancos formam filas enormes para pagar os benefícios da seguridade social. Em sua maioria, são idosos que aguardaram o transcorrer do calendário para, humildes, com o auxílio de funcionários que lhes orientam aos caixas eletrônicos, receber os dinheiros que custearão a sobrevivência do futuro próximo. Produto brasileiro dos tempos modernos, o hábito de expressiva faixa da população representa fôlego para o comércio e período movimentado nas ruas das cidades. Há nisso verdadeira bênção e conquistas de séculos no aprimoramento da sociedade. O mar de rosas, porém, corre seus riscos nas fases de colapso no sistema desses bancos, ocasião de ausência do sinal na comunicação via satélite que alimenta as máquinas. Fora da vontade dos responsáveis, elas param de uma vez, sujeitas a demorar minutos, até horas, fora do ar. Por melhores e eficientes que sejam, os tais equipamentos se acham vulneráveis às ausências ocasionais.
Em horas assim, nos salões dos estabelecimentos bancários, todos param, uns a olhar nos olhos dos outros, intrigados e tocados pelo surto generalizado da momentânea frustração ali reinante. Vieram na busca do sustento, e o gestor da era moderna, a mãe tecnologia, recolhe os seios dadivosos em pleno ato de satisfazer as expectativas que se aproximavam.

Existissem certezas absolutas, ficariam dispensadas as possíveis alternativas para casos como esses. No entanto, lidar com instrumentos apenas humanos exige a previsão do inesperado. E os bancos precisam adotar formas de suprir a interrupção das estruturas de que se tornaram reféns. O cidadão se vê submetido aos penhores da eletrônica e das comunicações, quase indiferentes aos bastidores que os controlam. Surgiram dependências e costumes frutos do próprio modelo até aqui desenvolvido. Nisso, do jeito que ocorrem os casos extremos de paralisia nos computadores, o equilíbrio frágil dos sistemas pede, pois, um pouco mais de eficiência aos controladores no suprimento da nossa realidade coletiva.

Por: Emerson Monteiro

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