18 agosto 2010

CE poderá ter novos geoparks - Reportagem: Elizângela Santos


Parque de Ubajara e monólitos de Quixadá recebem visitas de consultores hoje. Tombados como patrimônio natural nacional, os monólitos de Quixadá deverão ser os próximos geoparks

Quixadá. Uma comitiva formada por representantes da China, Estados Unidos e Japão visita a "Terra dos monólitos" hoje. São membros da Associação Internacional das Montanhas Famosas do Mundo e do Geopark Monte Lushan, com sede na China. Chegam para avaliar o ingresso deste Município na entidade internacional. Será o primeiro passo para o reconhecimento da exótica área geográfica de formações rochosas de Quixadá na rede global de geoparques da Unesco.

A visita faz parte da programação da Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICID+18). Além dos monólitos de Quixadá, o grupo deve avaliar as formações da Serra da Ibiapaba, para inclusão na Associação. O secretário estadual das Cidades, Joaquim Cartaxo, a consultora sênior do Banco Mundial e professora da universidade Federal do Ceará (UFC), Mônica Amorim, e o arquiteto Romeu Duarte, ex-superintendente do Iphan no Ceará, devem acompanhar a missão especial hoje.

A presidenta da Fundação Cultural de Quixadá, Sandra Venâncio, foi uma das responsáveis pela articulação internacional na sua cidade. Ela aguarda a inspeção com expectativa. Será uma tarde para conhecerem as riquezas naturais encravadas no "Curral das pedras", como esta área geográfica também é conhecida. Todavia, ela espera ser o suficiente para impressionar os visitantes. Conta com o apoio do arquiteto admirador dos monólitos e da representante do Banco Mundial.

Segundo Sandra Venâncio, esse processo começou justamente, com uma visita informal da consultora de Desenvolvimento Regional do Banco Mundial, Mônica Amorim, à sua terra natal, no mês de março passado. A visitante ficou deslumbrada com a paisagem no entorno do Açude do Cedro. Para onde olhava se deparava com as exóticas formações rochosas. "Foi ela quem sugeriu a mobilização em busca desse reconhecimento. Potencial nós temos", comemora a articuladora de Quixadá.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Nascimento Marques, avalia a iniciativa como uma excelente oportunidade para a valorização do turismo regional, por meio da certificação mundial. Também poderá facilitar a captação de recursos econômicos. Ele cita como exemplo o parque arquitetônico do Açude do Cedro, que deverá receber investimentos de R$ 20 milhões pelo PAC. Porém, o valor não será o suficiente para adequar e promover a conservação da maior riqueza natural da região, os monólitos e a natureza do entorno.

No mapeamento realizado pelo Iphan constam 13 áreas distintas de monólitos, denominadas conjuntos, sendo eles: São Francisco, Santa Fé, Pedra Riscada, Muxió, Herval, Equador, Serrote Verde, Nariguda, do Cedro e dos Cavalos, Pedra do Cemitério e o mais famoso deles, a Galinha Choca. A Pedra do Cruzeiro também consta na área poligonal do tombamento. O conjunto natural passou a ser considerado patrimônio nacional em setembro de 2004. A área de tombamento conta com 5,8 mil hectares.

De acordo com Joaquim Cartaxo, além de Quixadá e da Serra da Ibiapaba, na programação do grupo estão sobrevoos das cidades de Tianguá, Viçosa do Ceará, Ubajara e Ipu. Também estão previstas visitas ao Parque Nacional de Ubajara e a Bica do Ipu. Ele ressaltou que a missão analisará somente as potencialidades geográficas dessas regiões para inclusão no seleto grupo de Montanhas Famosas. Esse trabalho é desenvolvido por sua Secretaria desde o ano passado, quando a Associação surgiu. Quanto ao reconhecimento como Geopark, Cartaxo justificou ser incumbência exclusiva da Unesco.

Programa mundial

O programa de Geoparks foi criado em 2000 pela Unesco. Já são 53 Geoparks distribuídos pela União Européia, China, Irã e Brasil. No Ceará existe atualmente apenas um. Está situado na Chapada do Araripe. É o primeiro parque fossilífero das Américas e do Hemisfério Sul a obter este reconhecimento.

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria das Cidades
Fortaleza (CE), (85) 3101.4448
Geopark Araripe, Rua Teófilo Siqueira, 754, Crato, (88) 2101.5646

RECONHECIMENTO DA UNESCO Primeiro do continente está no Cariri

Juazeiro do Norte. O Geopark Araripe traz o mérito de ser o primeiro criado no Hemisfério Sul e do continente americano, com reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Atualmente, é referência para os geoparks que estão sendo idealizados na América Latina. Está previsto para ser realizado em novembro próximo, no Cariri, a Conferência Panamericana de Geoparks, que atrairá dezenas de pesquisadores para a região. O anúncio foi feito recentemente pelo secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitec), René Barreira.

O projeto tem difundido o Cariri e o Ceará e foi reconhecido com o selo da Unesco em 2006. Passará por uma reavaliação este ano. Uma equipe da instituição internacional virá a região, no intuito de realizar a inspeção nas áreas que compõem o geopark, que inclui seis municípios do Cariri, onde estão localizados dez geossítios, na Bacia Sedimentar do Araripe, numa área de mais de 5 mil km. O reconhecimento veio da importância científica geológica e paleontológica.

O geopark guarda uma das maiores reservas de fósseis do período cretáceo do mundo e uma fauna e floras praticamente inexploradas. Os focos de atuação dos trabalhos estão centrados no geoturismo, geoeducação e a geoconservação. O selo da Unesco poderá ser revalidado, caso o local seja aprovado quanto à infraestrutura, levantamentos topográficos e históricos. O Geopark Araripe foi inserido na rede internacional do setor e reconhecido como patrimônio da humanidade, por ser o primeiro do Hemisfério Sul. No mundo, já foram registrados cerca de 57 geoparks, a maioria na Europa e China.

Elizângela Santos
Repórter do Jornal Diário do Nordeste

Colaboradora do Blog do Crato

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