30 julho 2010

A feira de antigamente -- Por: Pedro Esmeraldo


No tempo de minha infância eu observava com muita atenção o movimento circulante dos mascates na antiga estrada velha -- que ligava Crato a Juazeiro -- em direção a feira semanal do Crato. Era uma legião enorme de romeiros, que marchavam em direção a Crato a fim de buscar os bens necessários para sua subsistência.
A feira do Crato sempre foi considerada uma das maiores do Nordeste! Ali se vendiam toda espécie de bugigangas, especiarias, cereais, pequenos animais domésticos como: aves canoras, suínos, ovinos e caprinos. Com seu movimento assustador, não havia outra feira igual ao redor de muitas e muitas léguas...

O povo de Juazeiro, possuidor de grande vocação para produzir obras artesanais, fabricava seus utensílios durante a semana, e, juntamente com os agricultores colocava seus produtos para venda na movimentada feira do Crato. Formavam esses feirantes uma comunidade pacífica e capacitada para pendores artesanais, com grande movimentação de utensílios domésticos, o que aproveitava o seu labor com a venda nesta importante feira. Os mais pobres, que não tinham condições financeiras, carregavam na cabeça os seus produtos manufaturados. Os mais bem aquinhoados utilizavam seu transporte utilitário -- que eram as carroças de tração animal -- o que vinha ser mais atenuantes na sua tarefa. Todos concordavam com as sujeições dos fiscais da Prefeitura.
Naquela época, quase não havia carro. As duas principais cidades caririenses eram incipientes no movimento progressista e não podiam movimentar os seus serviços com mais eficiência como ocorre hoje. Sem falar que os feirantes eram pouco dotados de recursos financeiros e ainda não possuíam métodos educativos evoluídos. Esses movimentos eram suavizados e controlados pelos poderosos coronéis do sertão. Por isso, os meios da produção agrícola traziam pouco poder aquisitivo ao sertanejo.

Nesse período, ou seja, entre as décadas de 40 e 50 do século passado, observava-se um comportamento ruidoso, deixando o povo submisso, sem alternativa de buscar meios favoráveis para melhorar sua vida econômica. Esses movimentos eram controlados pelos poderosos coronéis, a fim de se locupletarem com as benesses dos trabalhos agrícolas que se locupletava com a submissão que dilacerava os pobres, deixando-os conviver em absoluta pobreza.
Por outro lado, causava admiração observar a coragem desse povo humilde ao conduzir as suas quinquilharias para movimentar a feira do Crato.
Convém notar que essa classe pobre durante dias e noites, tinha que se deslocar das suas atividades agrícolas para administrar em casa a sua tarefa artesanal, fabricando rudimentarmente os seus utensílios para, juntamente com a mulher e filhos, complementar com a pequena renda agrícola a sua economia. Eles fabricavam de tudo desde vassouras, bacias de flandres, foice, espingardas, garruchas etc.
Hoje, devido à modernidade, não vemos mais aquele movimento febril de outrora. As coisas mudaram para melhor. Hoje está tudo mais sofisticado e com a melhoria de produtividade esse tempo de miséria já passou. Graças a Deus.

Texto de Pedro Esmeraldo

2 comentários:

  1. Caro mano Pedrinho

    Parabéns pelo texto e memória de um tempo que jamais voltará. Acredito que o fato da nossa feira ser retirada do centro da cidade, associado ao surgimento dos supermercados acabaram com as feiras do nordeste. Até pequenas vilas como Timorante e Ponta da Serra possuem hoje supermercados, o que faz com que as feiras sejam aos poucos extintas.
    Abraços.

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  2. Gostei desse tema Pedrinho, Parabéns pelo texto!


    Abraços


    Magali

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