20 julho 2010

Expocrato? Estou fora! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Não gosto do Crato no período da exposição. Barulho ensurdecedor até o raiar do dia, ruas estreitas entupidas de automóveis, motoqueiros transitando pelas calçadas, gente em demasia que nos faz sentir-se num outro lugar que não a nossa bucólica e pacata terra. E o que é pior, nos tornamos forasteiros em nossa própria casa. Nas estradas o movimento é intenso. Constantes blitz’s fazem parar nosso carro duas ou três vezes. Nada mal, pois ela surpreende os irresponsáveis motoristas alcoolizados, evitando deste modo que o número de acidentes cresça mais ainda. O pior mesmo são as bandas de forrós que fazem um barulho tão grande que ecoa por toda área urbana do Crato e roubam o sono de muitas pessoas, que não estando de férias, trabalham no dia seguinte.

Soube que a URCA suspende suas aulas no período da Expocrato? Pode um negócio desses? E o Hospital São Francisco que fica tão próximo? Que é feito dos doentes? Onde estão o silêncio e a paz tão necessários para a cura das enfermidades?

Sou favorável que a Exposição volte às suas origens. Imaginem que eu alcancei nos distantes anos de 1954/1955 duas exposições tendo como local a atual Praça Alexandre Arraes, naquela época denominada "Bosque Municipal", depois Parque Municipal, bem defronte da Maternidade e muito próximo do Hospital São Francisco. Ao redor do local já existiam as residências que por lá permanecem até hoje. E não houve incômodo algum para os moradores, a não ser o grande “mosqueiro” que vem após. Afinal, a Expocrato é uma exposição de gado, de produtos agrícolas, agro-industriais, cultura regional e não de swhos musicais com estridentes bandas de forrós e de extremado mau gosto. Para que esse som tão ensurdecedor? Por ventura são surdos? Esquecem também que os animais que ali estão expostos sofrem dez dias de estresse que lhes são prejudiciais à saúde? Então que se volte a fazer a Exposição como ela era até meados de 1960. Sem música estridente, sem bandas de forró. Até então tínhamos festas em todas as noites da exposição que eram realizadas no Crato Tênis Clube. Época em que íamos às festas e além de dançar, podíamos bater um agradável papo. Todos ouviam a música num tom normal, ninguém era surdo. Por que então, em vez de transferir o parque para outro local não fazer esses shows em cima da Serra do Araripe, no antigo Aeroporto? Será que o IBAMA deixaria? Tenho certeza que não, pois seria prejudicial à fauna e também à flora. E nós, o bicho homem, podemos suportar tudo isso?

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

4 comentários:

  1. Parabéns, Carlos!

    Vem somar-se ao já imenso coro de pessoas que acham que alguma coisa precisa ser feita no Crato no local da atual expansão. O Prefeito Samuel Araripe desde o ano passado ofereceu um imenso projeto para "salvar" a Expocrato, aliás, que já publicamos aqui.

    O projeto foi entregue ao governador Cid Gomes, que ao que parece, foi parar no fundo de uma GAVETA...não se ouviu falar mais nada. O problema do Crato é esse pessoal que trabalha contra a cidade.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  2. Carlos,
    Neste assunto concordo contigo em número, gênero e grau.
    Não fui uma única vez a ExpoCrato-2010. E nem senti falta. O pior é que o pequeno espaço do Parque de Exposição já não comporta o grande número de pessoas, provenientes da Região Metropolitana do Cariri e alhures que para lá se dirige, na parte da noite.
    A coisa lembra mais um mercado persa (daqueles antes dos aiatolás dos hoje enriquecendo urânio para fabricar bomba atômica) com poluição sonora, empurra-empurra e dezenas de barracas vendendo bebida alcoólica a adultos e menores.
    Moro no início do Parque Grangeiro e o som noturno que vinha da ExpoCrato incomodava aqui. Principalmente nos dias que eram exibidas aquelas famigeradas bandas de forró eletrônico com suas cantoras gasguitas que mais lembravam um bando de gatas miando.
    Ora, se é uma amostra agropecuária para que misturar com esses shows musicais?
    E ainda tem gente que fica comparando esse tipo de agronegócio com um Festival de Inverno de inverno realizado em Garanhuns (PE). Uma comparação sem o menor nexo. O que tem shows de música com exposição do agro business?
    E as poucas vezes que tive de ir ao centro da cidade enfrentei engarrafamentos.
    ExpoCrato? Também to fora!

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  3. Tô nessa, e como tô! E este ano em particular, a coisa desandou mesmo!

    A cidade etava com péssima aparência. Máquinas trabalhando em pleno acontecimento festivo na cidade e no parque. Ainda existe aquele subcultura de realizar obras pra mostrar serviço, uma propaganda bestial, que demonstra a pouca visão dos pensadores oficiais da adminstração pública!

    "Vamos mostrar que estamos fazendo o que não fizemos"!!! rs rs rs parece piada!

    Quem vem a turismo quer mesmo é encontrar as coisas feitas e funcionando a contento!

    Atrações musicais que só engordam as contas dos artistas paraquedistas e de empresários que não dão a mínima satisfação às nossas origens!

    Carlos Esmeraldo, estou dentro do seu... "estou fora"!

    Parabéns pela matéria.

    Abraços

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  4. Agradeço ao Dihelson Armando e ao Pachelly, pelo apoio. Não sou contra a Exposição no local onde ela atualmente se encontra.
    Quando aluno do Grupo Alexandre Arraes acompanhei os preparativos para instalação da Exposição por trás da residência do Dr. Lucena. Eram construções provisórias, barracões de palha, que após a Exposição eram desmanchados não havia pavimentação. Apenas três dias de evento: sexta, sábado e domingo. Depois ela foi crescendo, passou a ser da quinta até o domingo, vieram os estábulos definitivos e as atuais construções. De 1982 para cá trouxeram o Trio Elétrico e as músicas baianas. Deu no que deu.
    Abraços a todos.

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