31 julho 2010

Crônicas de uma geração: o Bar de Abidoral - por Carlos Rafael


O "Barman Abidoral" e Salatiel, o mentor do espaço

O Abidoral em questão é o mais conhecido abidoral do Crato: Abidoral Rodrigues Jamacaru Filho, cantor e compositor, projetado a partir dos festivais de música que aconteceram na cidade por toda década de 1970. Pois bem, Abidoral já teve um barzinho, em sociedade com o também músico cratense Calazans Callou. O bar durou pouco, acho que no máximo um ano, mas propiciou momentos aprazíveis e boas e risíveis histórias.

Era 1985, um ano bom. Abidoral foi incentivado por Luiz Carlos Salatiel a ser um empreendedor. Calazans, que na época trabalhava no Bamerindus, topou dividir os duros afazeres deste complicado ramo comercial. A ideia de Salatiel era pragmática: como era impossível sobreviver de música no Cariri naqueles anos da chamada “década perdida” da economia brasileira (permeada de inflação, pacotes heterodoxos de choques econômicos, falta de incentivo à cultura, inexistência de espaços e mercados para o artista local etc), então o jeito era construir uma alternativa que aliasse negócio e diversão. Um bar, por isso, seria o empreendimento ideal. Calazans, que conhecia os distribuidores de bebida da região, conseguiu o fornecimento de forma consignada. O espaço escolhido foi o Bar das Anas, como era conhecido o bar mantido por Ana Cássia e Ana Leonel, que estavam deixando o ramo, localizado no conjunto Padre Cícero, bem próximo da divisa Crato-Juazeiro.

Para a rapaziada que estava órfã de um point alternativo, foi um presentaço. O local era super-agradável, bastante ventilado, amplo, visto que havia um terrenão baldio ao lado, e muito acessível. Àqueles que não tinham automóveis, a grande maioria, bastava pegar o busão da Viação Brasília e saltar na porta do bar. O nome do bar não poderia ser outro – Bar de Abidoral – batizado que foi pelo senso comum da galera. Nem adiantaria colocar, por exemplo, “Espaço Cultural Avallon”, pois não pegaria. A rapeize prontamente dizia: vamos pro Bar de Abidoral, e pronto!

Além da bebida e do peixe frito, o outro principal prato da casa era, lógico!, música: refinado som ambiente e excelente música ao vivo. Todas as sextas e sábados, um espetáculo. Foram antológicas, por exemplo, as apresentações da Banda Cariri (leia-se João do Crato, Manel D’Jardim, Cacheado, Cleivan Paiva, Borís, Nivando, Paulo Lobo e Iran, respectivamente no vocal, baixo, bateria, guitarra, baixo, sax, trombone e piston). Na parede externa, o pintor Romildo Alves fez um painel retratando as figuras que frequentavam o bar: artistas das mais diversas especialidades e os contumazes boêmios. Além, é claro!, de Abidoral, imagens caricaturizadas de Geraldo Urano, a la filósofo grego, e Zadinha, retratado de véu e grinalda. Zadinha, apelido do artesão Osvaldo Filho, foi a noiva da única e inesquecível quadrilha junina que o Bar de Abidoral realizou. O noivo foi Monquinha Cabral.

Por: Carlos Rafael

2 comentários:

  1. Eu me lembro, Carlos, e quem não se lembra dessa doce experiência do nosso amigo Abidoral Jamacaru ? Inclusive, na época, quando me contaram a novidade, eu nem cheguei a acreditar, pois imaginava que sendo artista, a cabeça de Abidoral não se encaixava com o mundo dos negócios ( aliás, gostaria que ele pudesse ler essa frase, que talvez com aquela irreverência que lhe é característica, ele talvez dissesse: Foi por isso mesmo que não deu certo!, rs rs ).

    Mas, Rafael, parabéns por nos trazer esse texto, que com certeza, deve fazer parte do nosso projeto da ENCICLOPÉDIA DO CARIRI, que o Blog do Crato pretende Lançar. Já estamos mexendo os pauzinhos, e talvez até o Armando já deve ter lhe contado a novidade.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  2. Dihelson,

    Grato pelo comentário.

    Pode dispor de todos os meus textos publicados aqui e alhures.

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