03 junho 2010

A voz do Granjeiro - José Alves de Figueiredo/Carlos Rafael


E
ste rio que passa aqui gemendo,
E vem da serra envolto em cipós,
Anda plangente desde que entendo,
Desde que se entenderam meus avós.

É um rio de amor que vem trazendo
O cristal que regala a todos nós.
Seu gemido é segredo que eu desvendo,
Pois nele fala o Crato em terna voz.

Cantem outros o encanto de outros rios,
Como fez com o Tejo o vate luso,
Que eu cantarei em doces murmúrios
Do Granjeiro esta voz que sempre acuso
Como um lamento, um canto de amavios,
Um lamento de deusa que eu traduzo!

* “José Alves de Figueiredo nasceu no Crato, em 28 de abril de 1878 e faleceu na mesma cidade, em 6 de fevereiro de 1961 (…). Autodidata, depois de freqüentar a escola primária, empregou-se numa farmácia, da qual seria mais tarde proprietário. Foi dono de um grande sítio de lavoura no sopé da Serra do Araripe. Foi vereador em mais de uma legislatura, chegando a exercer mandato de prefeito municipal do Crato na década de 20. Ainda em 1901 fundou e dirigiu o jornal Sul do Ceará(…). Publicou: O Beato José Lourenço (1935) e Ana Mulata (1958), sendo postumamente editados, pelo Instituto Cultural do Cariri, seus Versos Diversos (1978), com prefácio de J. Lindemberg de Aquino (…).”

Sanzio de Azevedo (soneto e texto publicados na revista Itaytera, nº 27, 1983)

… E o Granjeiro que não existe mais


Belos versos para um rio que não existe mais.

Este é o sentimento que toma conta de qualquer cidadão cratense que tenha o mínimo de sensibilidade ou consciência ambiental.

O que já foi um límpido e caudaloso rio, onde as donas-de-casa lavavam roupas, as crianças tomavam banho e os homens pescavam,- é hoje um fétido canal a céu aberto, um pútrido esgoto que se constitui no mais vergonhoso atestado de subdesenvolvimento desta nossa amada e idolatrada cidade.

Feito Diógenes: procura-se um Homem que resolva de vez este problema.
(Carlos Rafael)

Um comentário:

  1. Franco L. Oliveira3 de junho de 2010 21:57

    O rio granjeiro hoje é um esgoto a céu aberto que mostra as fezes da elite cratense descendo do grangeiro até a ponte do brigadeiro pra todo mundo vê e sentir a podridão, sem qualquer tratamento. Entra prefeito e sai prefeito e tudo continua assim. Parece que todos só entram para resolver o seu próprio problema. Crato se resumiu a brigas entre facções políticas, famílias tradicionais e quase nada se vê de concreto. Há muito alarde pra poucas realizações.

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