12 junho 2010

Várzea Alegre - Terra dos Contrastes


NE - Alguns boatos se espalharam nos últimos anos, e todos já conhecem, como por exemplo, a cadeia pública ficaria na Rua da Liberdade...

Por muitos anos, Várzea-Alegre foi tida e conhecida como a Terra dos Contrastes. Ridículo criado por espíritos de muito humor bestiologico e sem graça desprovidos de melhor que fazer. Seus próprios filhos, muitos deles, tinham a inocência de fazer-lhe a gozação como se dissessem : fale mal, mas, fale de mim. Jornais, estações de radio e até uma revista do gabarito de O Cruzeiro se deliciaram com o fato, esquecidos de que, com isto, nada faziam de proveitoso e honesto, pratico, educado e construtivo. Até musica se compôs, em louvor aos nossos contrastes. Precisa-se dizer mais? Assim, falavam dos que, realmente, existiam possíveis de existir em qualquer parte do mundo e ainda criavam imaginários outros. Grandes artistas de rua, esquecidos de que, nos picadeiros, era grande a falta de palhaços.

A mim, particularmente, doía-me o deboche, partindo, muitas vezes, de quem tinha a cabeça cheia de sabugos. Como aquele que fez plástica estética e deixou com o Pitangui seus defeitos e mazelas, é quase alegria fitar, agora, o retrato do passado. Lembremos, por simples lembrar, alguns dos tais contrastes, serie, por vezes, pitoresca, que a inteligência e irreverência de Zéfelipe, desfilavam como se recitassem a tabuada dos noves. Não ele, somente que era um espírito sempre em festa mas, brilhantes intelectuais encheram seus bestuntos de tão elevados conhecimentos. Um deles, meu professor de filosofia que nada me ensinou porque nada sabia! Comprazia-se em dizer que nossos contrastes começavam pelo nome da terra “ nem várzea, nem alegre. Um morro triste. E ria, bestamente, por ter descoberto o mel de abelha.

Uma curriola de gaiatos criou a fantasia de que nosso padroeiro São Raimundo Nonato, pacificamente, em seu altar outro não era, senão São Braz. Levando mais longe sua irreverência, apregoavam que o padre fora deixar os filhos no colégio. Era este um informe que parecia escandaloso e, no entanto, uma verdade referente a um digno e honrado sacerdote Padre Jose Otavio de Andrade que abandonara o seminario para se casar, constituir família e enviuvara. Voltara, por vocação e dedicação a igreja, a concluir seu curso, confiando a educação dos filhos aos avós. Ordenado sacerdote, distinguindo-se pela decência moral e dedicação religiosa, chamou a si os filhos, por cuja educação foi de extremado desvelo. Onde o anormal?

Joaquim Ferreira, meu irmão, era redator de O Globo e, numa de suas visitas a Várzea-Alegre, escreveu umas crônicas, que lia na Amplificadora local, de propriedade do nosso primo Luiz Otacílio Correia. Depois da segunda apresentação, achou alguém que sua dicção não era muito boa para microfone. O certo é que, depois sem fazer curso fono-audiologia o mesmíssimo Joaquim Ferreira, no aceso da II Guerra Mundial, se fez comentarista da B. B. C de Londres.

Esqueceram os filhotes da Candinha todas essas coisas obnubiladas por visões destorcidas e irreais. Já é tempo de retirar da cara esses óculos empoeirados e sujos. Ver, em Várzea-Alegre, o que ela é, o que tem, o que vale. Não acredite em mim, em minha fraca fraseologia. Poderei ser um bairrista fofo e fútil. Vá lá e confira. Nosso contraste maior e único é sermos fortes, na adversidade. Se isto é contraste.

J. Ferreira
Via Blog do Sanharol - Antonio Morais

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