04 maio 2010

VEJA e sua Ideologia - Por Océlio Teixeira

Quem já teve acesso à revista Veja desta semana deve ter lido a matéria "A Farra da Antropologia Oportunista". Pois bem, na referida matéria Veja critica duramente as demarcações de terras indígenas e quilombolas, valendo-se de argumentos puramente econômicos e usando nomes de antropólogos famosos para justificar sua posição ideológica. Nesse sentido, recebi de uma amiga um pequeno texto do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, citado na matéria em questão. Vejam o que ele diz:

"Ao Editores da revista Veja:

Na matéria "A farra da antropologia oportunista" (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: "Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original" . Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que (1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de "montado" ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante. Grato pela atenção,

Eduardo Viveiros de Castro
Antropólogo - UFRJ"

Neste momento, me lembro do que disse o grande Raul Seixas: "Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz". Quando teremos uma imprensa verdadeira nesse país? Pode ser que existam aproveitadores. No entanto, generalizar e dizer que as demarcações de terra impedirão o desenvolvimento do Brasil é simplesmente "conversa pra boi dormir". É brincadeira o que se escreve nas revistas e jornais do Brasil, quer sejam de direita, de esquerda, de centro, de lado, de banda....

11 comentários:

  1. Prezado Océlio.

    Muito oportuna sua observação. A nossa grande imprensa tem objetivos definidos. E entre os objetivos da Veja não se encontra o bem-estar dos brasileiros, nem compromisso algum com a verdade. Há anos que ela vem mentindo, caluniando, distorcendo fatos. Parabéns por matéria tão esclarecedora!

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  2. Océlio:

    Não costumo avaliar matérias postadas, pois cada uma delas é, no mínimo, ÓTIMA para quem a posta.
    Mas nessa avaliei: "NÃO GOSTEI".

    Não consigo entender o ódio que a PTralha tem contra a revista VEJA, terceira maior publicação semanal de informação do mundo.
    Vamos admitir que neste caso tenha havido UM equívoco.
    Ou seja, a VEJA publica milhares de informações (há 42 anos) todas a semanas e esporadicamente (leia-se num intervalo de anos) uma informação (dentre as milhares publicadas) é contestada.
    Desde o início vi no destaque dado( a uma provável informação atribuída a este antropólogo) a intenção de censura sobre divulgação de fatos relevantes quanto ao abuso do governo na demarcação de áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos, as quais hoje abarcam 77,6% da extensão do Brasil.
    A matéria diz ainda: “Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional. Ou seja, as próximas gerações de produtores rurais do Brasil terão de se contentar em ocupar uma porção do tamanho de São Paulo e Minas Gerais”.
    Leia a matéria. Analise. Raciocine com espírito crítico.
    E verá que estão tentando desviar o foco da reportagem para uma mera frase atribuída a um antropólogo.
    É só isso e nada mais...

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  3. Leia este texto da matéria:

    “Os laudos antropológicos são encomendados e pagos pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Mas muitos dos antropólogos que os elaboram são arregimentados em organizações não governamentais (ONGs) que sobrevivem do sucesso nas demarcações. A quantidade de dinheiro que elas recebem está diretamente relacionada ao número de índios ou quilombolas que alegam defender. Para várias dessas entidades, portanto, criar uma reserva indígena ou um quilombo é uma forma de angariar recursos de outras organizações estrangeiras e mesmo do governo brasileiro. Não é por outro motivo que apenas a causa indígena já tenha arregimentado 242 ONGs. Em dez anos, a União repassou para essas entidades 700 milhões de reais”.

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  4. E mais:

    A ganância e a falta de controle propiciaram o surgimento de uma aberração científica. Antropólogos e indigenistas brasileiros inventaram o conceito de "índios ressurgidos".
    Eles seriam herdeiros de tribos extintas há 200 ou 300 anos. Os laudos que atestam sua legitimidade não se preocupam em certificar se esses grupos mantêm vínculos históricos ou culturais com suas pretensas raízes.

    Apresentam somente reivindicações de seus integrantes e argumentos estapafúrdios para justificá-las. A leniência com que a Funai analisa tais processos permitiu que comunidades espalhadas pelo país passassem a se apresentar como tribos desaparecidas. As regiões Nordeste e Norte lideram os pedidos de reconhecimento apresentados à Funai.

    Em dez anos, a população que se declara indígena triplicou. Em 2000, o Ceará contava com seis povos indígenas. Hoje, tem doze. Na Bahia, catorze populações reivindicam reservas. Na Amazônia, quarenta grupos de ribeirinhos de repente se descobriram índios. Em vários desses grupos, ninguém é capaz de apontar um ancestral indígena nem de citar costumes tribais".

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  5. Além do mais, qualquer pessoa que se sinta ofendido por um órgão da imprensa tem o direito de resposta assegurado. Nem precisa de procuração paral tal.

    No art. 220 da Constituição Federal ("Da Comunicação Social"), consta, ao lado das expressões "a manifestação de pensamento...a expressão... não sofrerão qualquer restrição" e "nenhuma lei conterá... embaraço", os considerandos
    "observado o disposto da Constituição" e "observado o disposto no art. 5º,V".

    O art. 5º diz claramente:
    "É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo" (art. 5º,V da CF)

    É o caso do antropólogo acionar seu direito...

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  6. Caro Armando

    Lamento muito o amigo acreditar na Veja. Há mais de trinta anos que esse tablóide mente, calunia e faz extorsões. A Revista "O Cruzeiro" nos anos quarenta-cinquenta vendia 1.000.000 (hum milhão) de exemplares por cada tiragem, numa época em que a população brasileira era um terço da atual e o índice de analfabetos bem maior.

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  7. Caro Carlos:
    Você tem razão quando cita dados sobre a revista “O Cruzeiro”. Apenas lembraria que “O Cruzeiro” não tinha concorrentes.
    Já a “Veja” tem fortes concorrentes todas as semanas (lembro-me de “Istoé”, “Época”, “Carta Capital”). Mesmo assim, a tiragem do numero desta semana de “Veja” alcançou 1.221.896 exemplares. Multiplique isto por 5 (número estimado de leitores por cada exemplar) e teremos mais de 6 milhões de leitores. Creio que é um número considerável.
    A versão on-line deve ter quatro vezes os 6 milhões de leitores da edição impressa.
    Ademais, não acredito em tudo que a “Veja” publica. Não defendo a revista, nem alguns posicionamentos anti-religiosos que ela eventualmente publica.
    Mas é inegável que ela tem tido certa independência em relação ao “presidente de plantão”. Foi assim na época da ditadura, de Sarney, de Collor, de FHC. Tem sido assim em relação a Lula.
    E não tenho dúvidas que na primeira semana após a posse do futuro presidente (seja Dilma ou Serra) a revista adotará a mesma posição crítica. É este o papel da imprensa.

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  8. Tenho certeza que a Veja era a revista mais lida e elogiada pelos seguidores de Lula na era FHC...

    A Revista veja não seria publicada semanalmante por mais de 40 anos ininterruptos se não tivesse credibilidade e compromisso com a verdade.

    O problema é que, para os "Luletes", tudo que fala mal do presidente (mesmo sendo verdade) é mentiroso, direitista, neo-liberal e por ai vái...

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  9. Caros amigos, paz e bem.

    Coloquei postei a matéria com o texto do Eduardo Viveiros de Castro por três motivos:
    1- recebi de uma amiga altamente confiável e séria;
    2- conheço os trabalhos do antropólogo em questão há bastante tempo e sei que ele é uma pessoa séria e correta;
    3 - há cerca de 16-17 anos atrás fiz uma pesquisa sobre os Indios Tremembé de Almofala, aqui no Ceará. Essa pesquisa resultou na minha monografia de especialização. Depois quando vim para o Cariri comecei a estudar cultura e religiosidade populares. Mas em mim ficou o carinho e admiração pelos diversos povos indígenas. Não sou ingênuo, nem saudosista de achar que os índios(termo genérico herdado do erro de Cristovão Colombo) são puros, 100% corretos, etc, etc... Mas, sou solidário às lutas deles e de todos que têm seus direitos usurpados por aqueles que dominam nosso país, afinal, como disse Capistrano de Abreu "nosso povo foi capado e recapado, sangrado e ressangrado".
    4- acredito que precisamos rediscutir o papel da imprensa no nosso país. Não se pode admitir que uma revista do porte da VEJA fique atribuindo frases aos estudiosos ao seu bel prazer. Ora, se o Eduardo Viveiros não disse o que tá na matéria, como é que o nome dele foi parar lá? Qual ou quais os objetivos de usar o nome de um influente intelectual?

    Ora, a VEJA sempre joga com o termo ideologia, caracterizando os movimentos que ela contesta de ideológicos. Com isso, ela quer dizer que os outros são ideológicos, ela não. Mas claro que a VEJA tem uma ideologia, defende interesses, etc.


    Amigo Armando, vc bem sabe que não sou do PT nem de partido algum e que sempre procuro ser honesto e sincero nas minhas relações. Não quis aqui fazer crítica a ninguem, nem a partido nenhum. Mas como historiador, procuro analisar os acontecimentos do dia, tentando me despir(o que é impossível) das minhas posiçoes politicas. Nesse sentido, vejo que a VEJA, como as demais revistas, pecam e enganam muito a população. Todo e qualquer veículo de comunicação estar atrelado a uma ideologia, a um grupo econômico, a interesses diversos(direita, esquerda, religiosos, economicos, culturais...).

    Mas vamos pra frente. Esse debate é muito importante e como está sendo feito aqui, com respeito e civilidade, contribuirá com nosso crescimento e amadurecimento.

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  10. E se for ver, todo veículo de imprensa tem uma "quedinha" por algum político ou partido...

    TODO...

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  11. Era um prazer receber toda semana a veja(minúsculas mesmos), mas ao longo do tempo comecei a observar a falta do contraditório. Dá-se destaque só a um lado. É uma pena uma revista desse porte caminhar por esse lado. Não admite o debate.
    Cancelei minha assinatura, mas mesmo assim insistem para eu renová-la. Recebo ainda os últimos exemplares e simplesmente dá pena o que fizeram com ex-conceituada revista.

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