08 maio 2010

Roza Guede - Por Jose Helder França - Antonio Morais



Minha fia Roza Guede
Toda sumana mi pede
Pá i pá rua comigo
Ela tem muita vontade
Di cunhecê a cidade
Mais porém acho um pirigo

Acho um pirigo é verdade
Pruque aqui na cidade
A coisa é bem deferente
Num si vê mais o respeito
Num tem nomoro dereito
O povo ta indecente

Rozinha sempre diz: pai
Quando é qui o sinhô vai
Mi leva pá vê a rua
Mais eu não tenho corage
Quando mialembro dos traje
Dessas moça quaje nua

Eu sei qui Roza é dereita
I qui essas coiza num aceita
Mais pode o diabo atentá
É mió fica nos mato
Qué que vem vê cá no Crato
É mió fica pur lá

Eu sempre digo: minha fia
Vou lhe leva quarqué dia
Só pá tu vê Cuma é
Na rua, nada tem nome
É muié virando homi
Homi virando muié

É um disparate, Rozinha
Home de carça curtinha
É o que se vê na avinida
E as muié o contrario
Uma ta moda inventáro
Tudo de carça cumprida

Perdêro a morá de tudo
Tem uns tá de cabeludo
Qué o pió qui eu acho
Uns rapaz bem parecido
Cuns cabelos tão cumprido
Qui dá mode fazer cacho.

As modas qui eles canta
São tão horrive qui ispanta
Purisso num ai inverno
Basta Rozinha qui eu diga
Qui inventáro uma cantiga
Qui manda tudo pru infermo

Derda os mais véi as criança
Todo mundo cai na dança
Isquizita cuma quê
Ficam querendo dá sarto
Sibalançando cum os quarto
É um ta de iê-iê-iê

Me dixe Mané Germano
Qui é musga de americano
Qui tão querendo imitá
E qui o pió inda vem
É ôtas dança qui tem
Pras banda da capitá

Nada disso acho bunito
E nos guverno acridito
Num pode mais fica assim
Tem qui havê argum jeito
Mode vortá o respeito
Pá tudo isso te fim

Rozinha não se iluda
Qui quarqué dia isso muda
E quando mudá de fato
E num tive mais pirigo
Eu levo vancê cumigo
Pá passiá lá no Crato

Jose Helder França
Publicado no Blog do Sanharol por Antonio Morais

2 comentários:

  1. Prezado Dihelson.

    Neste poema o Dedè de Zeba apresenta Roza Guede na menor idade, inocente e curiosa para conhecer a cidade.

    Depois Dedé fez outro Poema : Roza Guede no Crato, aí sim, já na maior idade, independente, nas festas da Exposição casando e batizando. No segundo poema o Dedé resgata centanas de personagens e lugares do Crato. Um poema bem humorado que só a imaginação fertil de Dedé seria capaz de compor.
    Estarei postando por toda a semana vindouro. Roza Guede no Crato.
    Vale a pena ver.

    ResponderExcluir
  2. Meu caro amigo Dedé,
    se você visse cuma é,
    a bagunça que tá no mundo,
    com esse tá de Forró Brega,
    qualquer das moça se entrega
    pras trinca de vagabundo

    Tá muito mais pió agora
    A esculhambação de outrora
    já num é mais novidade
    e pra piorar inda mais
    as rádia não fica atrás
    só toca imbecilidade

    Agora tem um tal de "Di Jays"
    que querem falar ingrês
    mas de inglês num sabem nada
    só sabem mesmo é budejar
    passam o dia a arremedar
    jumento bebendo água

    Num tem uma rádio que preste
    desde o sertão ao agreste
    tudo só toca porcaria
    tem uma tá de somzoomsat
    que pega em qualquer parte
    divulgando as baixaria

    Num tem mais gente decente
    as festa são decadente
    quaje tudo termina em briga
    pra você ter uma idéia
    os cantor grita pra platéia
    -- Aí tem mulher ou rapariga ?

    Mas tudo é culpa da ambição
    desses maluco do cão
    que vieram da capitá
    poluíram nossa cidade
    troxeram infelicidade
    pras pessoa do lugar

    Eu tenho muita fé em deus
    que um dia esses fariseus
    inda vão perder o nome
    que dê uma gripe afônica
    morram de peste bubônica
    ou se acabem de passar fome

    Dedé eu trouxe um amigo
    que deseja prosear contigo
    dar-te uma palavrinha
    Ele é poeta letrado
    por vates grandes clamado
    um mestre da escrivaninha

    Assim Diz ele:

    Envolto em couro, em gibão,
    rejubila-se o Rei, Gonzagão
    que trancendeu a arte infinda
    com uma pureza abstrata
    entoou versos, serenata,
    que ecoam no universo ainda

    Nas noites de lua cheia
    os vates à luz vagueiam
    plangendo ternos violões
    ostentando-se para as donzelas
    gentis loas, aquarelas
    entrelaçadas de sons

    Imortais noites queridas
    dos sonhos da minha vida
    de outro tempo, que se encerra
    na pureza das crianças
    nas danças, nas contradanças
    de um sertão de outras eras

    Campos de sonhos feridos
    um norte pobre, entristecido
    clama por heróis gigantes
    para florescer a cultura
    renascer nossa bravura
    e a dignidade de d´antes

    Ó grande vate do Crato
    és príncipe, és candidato
    às mais divinas esferas
    de deus foste a voz altiva
    a revelar-nos a intriga,
    o mal que o tempo espera

    Nisto posto, assim almejo
    a paz dos justos, desejo
    e por qual eu lhe sou grato,
    que ao romper de aurora bela
    livres de toda mazela
    Rosa possa vir ao Crato.

    Minhas saudações, nobre Poeta!

    Dihelson Mendonça,
    08/05/2010

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.