12 maio 2010

Quando tudo acaba em pizza - Final - Postado Por: José Flávio Vieira


Os meandros da corrupção no Brasil e como esse mal está instalado na sociedade
por Priscila Gorzoni - Revista "Sociologia"



Em uma análise mais sociológica, do processo eleitoral, a cultura que favorece à corrupção é reafirmada na lógica pessoalista orientando a disputa. A discussão de projetos para o país fica em plano secundário em relação ao enaltecimento das personalidades. O sociólogo Rogério Baptistini Mendes sugere uma citação de Alberto Torres, extraída de seu livro de 1914, "O Problema Nacional Brasileiro": "À força de alheação da realidade, a política chegou ao cúmulo do absurdo, constituindo em meio de nossa nacionalidade nova, onde todos os elementos se propunham a impulsionar e fomentar um surto social robusto e progressivo, uma classe ficial, verdadeira superfetação, ingênua e francamente estranha a todos os interesses, onde, quase sempre com a maior boa-fé, o brilho das fórmulas e o calor das imagens não passam de pretextos para as lutas de conquista e a conservação de posições". E Baptistini completa: "De fato, passado quase um século ainda estamos às voltas com o mesmo problema: Lula ou FHC, Dilma ou Serra. Nada de projetos para o país, a não ser o que lustra as pessoalidades na propaganda eleitoral".
Na sua opinião, uma das hipóteses para a compreensão dela no cenário eleitoral é o particularismo das soluções políticas que nos legaram o país independente e a República. "Soluções pelo alto, sem apoio e participação popular, 1822 e 1889 marcam uma transação entre elites de origem pública e privada - elites de Estado e elites socioeconômicas - cujo fim é manter a lógica oligárquica das decisões e o controle sobre o povo", explica o sociólogo. A pergunta que nos fazemos a essa altura do texto é se existe uma solução para este mal. Não há uma resposta definitiva, mas podemos arriscar alguns caminhos. "Um deles tem início no cumprimento da Lei e na celeridade da Justiça. Entretanto, o mais importante é alcançar a estrutura da questão por meio da promoção de uma profunda reforma intelectual e moral que alcance a sociedade e estabeleça a crença nas leis e instituições pela educação e pelo exemplo", indica Baptistini.



O ex-presidente da República José Sarney, atual presidente do Senado, teve seu nome recentemente envolvido em escândalos políticos.

É claro que junto à corrupção na política se une a ideia da "memória curta" do brasileiro, expressão usada para caracterizar o eleitor que mesmo sabendo das ilicitudes de seu candidato, vota nele novamente. Como explicar essa atitude? Por outro lado, ao simplesmente afirmarmos que o brasileiro tem memória curta, de certa forma responsabilizamos a vítima pelo crime. "Numa longa história de exclusão popular, mandonismos privados e privilégios oligárquicos, os 'de baixo' naturalizaram a ideia de que 'manda quem pode e obedece quem tem juízo', ou seja: de que o andar 'de cima' tudo pode", esclarece o professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. O fato é que políticos acusados de corrupção ou com fortes indícios de praticar atos ilícitos são eleitos todos os anos no Brasil. O Brasil está caminhando para a consolidação de conquistas em todos os campos da organização social, política e econômica. Mas ainda teremos que conviver com muitos fatos que nos envergonham. E as obras de Raymundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda, produzidas em meados do século passado, continuam a nos ajudar a encontrar respostas para a compreensão desse nosso país.

Transparência Brasil

Fundada em 2000 por um grupo de empresários, intelectuais e associações não governamentais, a ONG Transparência Brasil tem como objetivo o combate à corrupção no Brasil. A organização possui um site que disponibiliza um excelente banco de dados com informações detalhadas sobre políticos e candidatos a eleição, além de promover pesquisas e estudos sobre o tema. O jornalista, bacharel em matemática e mestre em Filosofia da Ciência Claudio Weber Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil, mantém um blog hospedado no portal IG :

"Numa longa história de exclusão popular, mandonismos privados e privilégios oligárquicos, os 'de baixo' naturalizaram a ideia de que 'manda quem pode e obedece quem tem juízo', ou seja: de que o andar 'de cima' tudo pode"

ROGÉRIO BAPTISTINI MENDES, DOUTOR EM SOCIOLOGIA E PROFESSOR DA FESPSP

Um comentário:

  1. Zé Flávio, uma coisa não podemos negar: Essas postagens são deliciosas. Oh Diabos! A cada dia nessas 3 partes do artigo eu fui atormentado aqui ao ver essas fotos excelentes de Pizzas deliciosas. Tanto, que ja programei com a "patroa" para sairmos hoje para saborear uma excelente Pizza. Eu recomendo a Pizzaria do nosso amigo Ed Alencar, que fica lá na pracinha Dona Seissinha, no Bairro do Seminário.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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