08 maio 2010

Carta a Dedé França sobre "Rosa Guede" - Dihelson Mendonça


CARTA A DEDÉ FRANÇA ( Sobre Roza Guede )
Por: Dihelson Mendonça


Meu caro amigo Dedé,
se você visse cuma é,
a bagunça que tá o mundo,
com esse tá de Forró Brega,
qualquer das moça se entrega
pras trinca de vagabundo

Tá muito mais pió agora
A esculhambação de outrora
já num é mais novidade
e pra piorar inda mais
as rádia não fica atrás
só toca imbecilidade

Agora tem um tal de "Di Jays"
que querem falar ingrês
mas de inglês num sabem nada
só sabem mesmo é budejar
passam o dia a arremedar
jumento bebendo água

Num tem uma rádio que preste
desde o sertão ao agreste
tudo só toca porcaria
tem uma tá de somzoomsat
que pega em qualquer parte
divulgando as baixaria

Num tem mais gente decente
as festa são decadente
quaje tudo termina em briga
pra você ter uma idéia
os cantor grita pra platéia
-- Aí tem moça ou rapariga ?

Mas tudo é culpa da ambição
desses maluco do cão
que vieram da capitá
poluíram nossa cidade
troxeram infelicidade
pras pessoa do lugar

Eu tenho muita fé em deus
que um dia esses fariseus
inda vão perder o nome
que dê uma gripe afônica
morram de peste bubônica
ou que se acabem de fome

Dedé eu trouxe um amigo
que deseja prosear contigo
dar-te uma palavrinha
Ele é poeta letrado
por vates grandes clamado
um mestre da escrivaninha

Assim ele diz:

"Envolto em couro, em gibão,
rejubila-se o Rei, Gonzagão
que transcendeu a arte infinda
com uma pureza abstrata
entoou versos, serenata,
que ecoam no universo ainda

Nas noites de lua cheia
os vates à luz vagueiam
plangendo ternos violões
ostentando-se para donzelas
gentis loas, aquarelas
entrelaçadas de sons

Imortais noites queridas
dos sonhos da minha vida
de outro tempo, se encerra
na pureza das crianças
nas danças, nas contradanças
de um sertão de outras eras

Campos de sonhos feridos
um norte pobre, esquecido
clama por heróis gigantes
p´ra florescer a cultura
renascer nossa bravura
e a dignidade d´antes

Ó grande vate do Crato
és príncipe, és candidato
às mais divinas esferas
de deus foste a voz altiva
a revelar-nos a intriga,
o mal que o tempo espera

Nisto posto, assim almejo
a paz dos justos, desejo
e por qual eu lhe sou grato,
que ao romper de aurora bela
livres de toda mazela
Rosa possa vir ao Crato."

Minhas saudações, nobre Poeta!

Dihelson Mendonça,
08/05/2010

4 comentários:

  1. Olha ai meu amigo Dihelson, de vate para vate, gostei mandou muito bem.
    Um grande abraço de sua amiga intusiasta do que é bom.

    Rosemary Borges Xavier

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  2. Olá, minha querida Rosemary Xavier,

    Muito obrigado pelas suas palavras. Esse poema de Dedé França é bastante conhecido aqui na região do Cariri. Quando criança, eu costumava escutar na voz fantástica do locutor "Seu Elói" na Rádio Araripe do Crato. Sempre pensei em redigir uma resposta, até que o amigo Morais o publicou hoje no Blog do Sanharol, e eu tava com um tempinho livre.

    A minha carta, na verdade, são de dois poetas, o primeiro, mais popular, e o segundo, mais erudito, todos cumprimentando o Dedé frança.

    Sabia que o Dedé França é o pai da Mônica Araripe ( Monkynha, nossa colega de Blog ), primeira-dama, casada com o Samuel Araripe ? pois eu vim saber disso um dia desses. Que mundo pequeno...

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  3. É mesmo Di o mundo é pequeno... aqui estamos nós sem nos conhecer pessoalmente, mas, sempre presente, fiquei muito contente em ver mais um texto teu, as asas dos belos pássaros tem que ser abertas, e sobrevoar as planíces, os oceanos, os vales, os campos, as montanhas, enfim onde possa ser possível e permitido ir.

    Abraços

    Rose

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  4. Fiz umas pequenas edições.

    Abraços,

    DM

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