16 janeiro 2010

PROFISSÃO: AMOR SEM LIMITES - Por Vicente Almeida

Certa vez, uma mulher foi renovar sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era sua profissão. Ela hesitou, sem saber como se classificar.

- “O que pergunto é se tem algum trabalho”, insistiu o funcionário.
- “Claro que tenho um trabalho” exclamou ela. “sou mãe!”.

- “Nós não consideramos mãe um trabalho. Vou colocar “dona de casa”, disse o funcionário friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em uma situação idêntica.

A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante.

Quando chegou a minha vez, ela perguntou secamente:
- “Qual é sua ocupação?

Não sei o que me fez dizer isto. As palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora: “Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas”.

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas. Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.

- “Posso perguntar ”disse-me ela com novo interesse" “o que faz exatamente?”.

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder: “Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental(normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Sou responsável por uma equipe(minha família), e já recebi quatro projetos(todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva(alguma mulher discorda?). O grau de exigência é a nível de 14 horas por dia(para não dizer 24)”.

Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária, que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente abriu-me a porta.

Quando
cheguei em casa, com o título da minha carreira erguido, fui recebida pela minha equipe: uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 3.

Do andar de cima, pude ouvir meu novo experimento: – um bebê de seis meses – testando uma nova tonalidade de voz.

Senti-me triunfante!
Maternidade... Que carreira gloriosa! Assim, as avós deviam ser chamadas: Doutora-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas, as bisavós Doutora-Executiva-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas e as tias Doutora-Assistente.

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Esta história, é de dominio público, e faço aqui sua postagem em homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas, companheiras, doutoras na arte de fazer a vida melhor, tudo renunciado por amor sem limites, aqueles que Deus colocou em suas mãos, inclusive aquelas, cuja provação neste momento, é imensamente dolorosa em função da grande catástrofe que assola o Haiti.
16/01/2010

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