11 janeiro 2010

Começa a vigorar hoje, novo preço da refeição do Restaurante Popular do Crato


"Ao contrário do que muitos pensam, o Restaurante Popular não recebe nenhuma verba federal para a sua manutenção. O município do Crato desembolsa mensalmente, cerca de R$ 36.800,00 apenas com as refeições servidas no Restaurante Popular, sem contar com a contribuição do usuário. Some-se a isso R$ 6.000,00 de energia elétrica, e cerca de R$ 4.000,00 para pagamento dos funcionários" - Dennyura Oliveira

11/1/2010

Começou a vigorar a partir de hoje, segunda-feira, dia 11, o novo preço de R$ 2,00 da refeição servida no Restaurante Popular do Crato. A medida foi tomada pelo governo municipal, seguindo uma tendência de vários Restaurantes populares do Brasil, e segundo fontes do governo, não se configura como aumento, mas como uma redistribuição da participação dos usuários para o custeio das refeições, que anteriormente eram servidas ao preço de R$ 1,00.

Crato. Nesta semana entrou em vigor o novo preço da refeição cobrado ao usuário pelo Restaurante Popular do Crato. A nova tarifa, de R$ 2,00, visa reduzir o impacto dos altos custos de manutenção à administração municipal. A gestora do restaurante, Dennyura Oliveira Galvão explica que a razão do aumento se deve basicamente às dificuldades do município em manter toda a estrutura em funcionamento, já que houve em 2009, uma acentudada queda de repasses federais e estaduais ao Crato. Os usuários estão sendo orientados sobre o novo preço desde o último dia 07, e segundo a gestora, até agora tem havido uma boa compreensão por parte dos usuários. "Há também uma grande desinformação quanto à sustentabilidade do Restaurante Popular. Ao contrário do que muitos pensam, o restaurante não recebe nenhuma verba federal para a sua manutenção. Quem mantém o restaurante é o município sozinho, sem contrapartida do governo estadual ou federal. O município do Crato desembolsa mensalmente, cerca de R$ 36.800,00 apenas com as refeições servidas, sem contar com a contribuição do usuário. Some-se a isso R$ 6.000,00 de energia elétrica, e cerca de R$ 4.000,00 para pagamento dos funcionários", afirma.

Na realidade, o projeto de restaurantes populares no Brasil, são parcerias dos municípios com o governo federal através do projeto Fome Zero. O governo envia a verba para a construção, mas a partir daí os municípios devem gerir os seus restaurantes, arcando com todas as despesas. O restaurante popular do Crato é gerido pelo município, mas o preparo das refeições é feito de forma terceirizada, seguindo o exemplo de cerca de 50 por cento dos restaurantes populares do Brasil, e no Crato é realizado pela empresa que venceu a licitação para a aquisição dos gêneros e o preparo da comida. Mas, segundo Dennyura, a intenção é de municipalizar, cumprindo orientação do próprio ministério, quando o preço das refeições poderia eventualmente cair num futuro próximo, bem como aumentar a quantidade servida aos usuários.

Todo o Brasil está tendo dificuldades com Restaurantes Populares

A gestora Dennyura Oliveira ( foto ) esteve participando recentemente de uma reunião de gestores de restaurantes populares em Brasília, e lá foi constatado que grande parte dos restaurantes está enfrentando dificuldades para manter-se em funcionamento, devido ao pesado fardo conferido aos municípios, especialmente no último ano, com a crise e consequente queda de repasses do governo federal e a impossibilidade de muitos municípios brasileiros em mantê-los apenas com recursos próprios. Dennyura afirma que foi dito na reunião, que o governo federal não pretende enviar nenhum centavo para garantir a sustentabilidade, porque a intenção do governo é vincular o Restaurante Popular ao PAA - Programa de Agricultura Familiar, onde os gêneros poderiam ser adquiridos com custos bem mais baixos, barateando o valor final das refeições aos usuários. Vale salientar ainda que o PAA - Programa de Agricultura Familiar já está sendo implantado aqui no Crato, através da secretaria de agricultura. A nova tarifa de R$ 2,00 do Restaurante Popular, segue orientação e permissão do próprio ministério, que admite um aumento, segundo a legislação em vigor, para até o valor de custo da refeição, que hoje, gira em torno de R$ 3,00. O objetivo do aumento é garantir a sustentabilidade do restaurante durante o período de transição até a incorporação ao PAA no Crato. A recente queda da quantidade de refeições servidas, de 1000 para 800, segundo a gestora, também faz parte da redução de custos ao município.

"Nós não podemos impedir ninguém. Apenas pedir."

A Secretária da Ação Social Liduína Andrade, também foi consultada por nossa reportagem, e preferiu tecer algumas considerações acerca da finalidade geral dos restaurantes. Disse que o objetivo principal de qualquer Restaurante Popular, é de beneficiar a população de baixa renda, ou seja, os usuários que ganham menos de hum salário mínimo. Entretanto, a prática tem demonstrado que em muitos casos, e o Crato não é excessão, o restaurante tem servido para pessoas que possuem um poder aquisitivo elevado e bem que poderiam dar um bom exemplo, cedendo o lugar a um usuário que realmente necessita. Chega-se em certos casos a extremos de constatar em outros restaurantes, o uso por pessoas de alto poder aquisitivo e até por estudantes de universidades particulares. "Mas nós não podemos impedir ninguém de querer se alimentar no restaurante! O que podemos fazer é insistir na conscientização da população, a fim de que as pessoas de um grande poder aquisitivo possam ceder seu espaço a quem realmente necessita".

Placas com indicações do novo preço das refeições já foram disponibilizadas no restaurante, e segundo a gestora Dennyura Oliveira, tem havido uma certa compreensão das pessoas, e a frequência tem se mantido: "As pessoas comentam, mas é um comentário natural. Não houve revolta, nem gritaria. É como você ir ao supermercado e vê que preço do arroz aumentou...é normal você comentar. E os que comentaram foram poucos, tendo em vista as 800 pessoas que passam por lá."

A opinião dos usuários

"O preço da refeição mesmo assim não acho caro, se a gente considerar o custo que se teria para comprar e fazer tudo em casa"

Francilânea Brito

"Achei o aumento muito grande, porque passou de 1 real para 2 reais. Mesmo assim continuarei me alimentando no restaurante, porque não há outra opção melhor."

Orlando Almeida

"Só espero que eles possam voltar a cobrar 1 real quando esses repasses se normalizarem"

Danilo Feitosa


Dihelson Mendonça
REPÓRTER

Blog do Crato -
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Um comentário:

  1. Prezado Dihelson,
    Acho que a prefeitura pode e deve sim restringir o acesso de pessoas com maior poder aquisitivo ao restaurante popular. Basta fazer um cadastro dos usuários que deverão comprovar a renda e concede uma carteira para estes usuários. Poderia começar selecionando os beneficiários dos programas de transferência de renda e estudantes beneficiários do Pro-uni e depois as equipes de assistentes sociais poderiam fazer o cadastramento até atingir a cota que o restaurante pode atender diariamente. O que é inadmissível é que a prefeitura subsidie refeição para quem não precisa.

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