30 janeiro 2010

Coluna Cariri - jornal O POVO, 31-01-2010

Tarso Araújo
tarsoaraujo@opovo.com.br
NOVO MEMORIAL 1
A decisão partiu dos irmãos Adauto, Humberto e Ivan. A família Bezerra de Menezes vai dar importante contribuição às comemorações do Centenário de Juazeiro do Norte. O casarão da família - localizado na Praça Padre Cícero vai ser transformado num memorial. Os Bezerra de Menezes constituem uma das famílias que colonizaram o Cariri no início do século 17. Eles descendem em linha direta do Brigadeiro Leandro Bezerra de Menezes, o cratense que derrotou o movimento republicano promovido pela família Alencar em 1817. Leandro foi construtor da primitiva capelinha de Nossa Senhora das Dores, origem de Juazeiro do Norte.

NOVO MEMORIAL 2
Além da trajetória vitoriosa dos atuais irmãos Bezerra de Menezes, o novo memorial poderá resgatar a saga do brigadeiro Leandro, considerado pelos historiadores como o fundador de Juazeiro do Norte, pois quando o Padre Cícero chegou ao Juazeiro, para ali fixar residência & em 11 de abril de 1872 - já encontrou um povoado formado em torno da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Naquele ano o lugarejo já tinha 35 residências, espalhadas desordenadamente por duas pequenas ruas, conhecidas por Rua do Brejo e Rua Grande. No vilarejo, à época da chegada do Padre Cícero, residiam cinco famílias, tidas como a elite do povoado: Bezerra de Menezes, Sobreira, Landim, Macedo e Gonçalves.

DESTRUIRAM OS BURITIZAIS
Lembram da música “Eu vou pro Crato”, de Luiz Gonzaga? Aquela que diz: “Cratinho de açúcar... tijolo de buriti”? Pois a sanha predatória destruiu os buritizais do Cariri Hoje é difícil encontrar no Cariri o famoso doce de buriti, outrora tão abundante. A palmeira buriti leva muitos anos para crescer e dar frutos. Sem falar que sua casca e miolo são muito utilizadas no artesanato. Só resta apelar ao curso de agronomia (do campus UFC-Cariri) para incentivar o replantio do buriti. O Cariri vai deixando de ser doce. Primeiro, desapareceram os engenhos de rapadura. Agora foi a vez o buriti.

NADA RESOLVIDO
Permanece o imbróglio: na sexta-feira, dia 22, a direção, alguns professores e a maioria dos alunos da Escola de Artes Violeta Arraes de Barbalha teriam optado pela transferência da escola para o Campus Urca-Pirajá, em Juazeiro do Norte. Eles alegaram - em entrevista na Rádio Cetama – a falta de estrutura do prédio em Barbalha para o funcionamento da escola. Mas as lideranças de Barbalha não se conformaram com o anúncio. Na última quarta-feira, dia 27, houve uma audiência no plenário da Câmara Municipal de Barbalha para impedir a transferência. Lamenta-se que as coisas estão sendo anunciadas à revelia do reitor da Urca, professor Plácido Nuvens, a quem cabe a palavra final sobre o assunto.

I LOVE JUAZEIRO
Candace Slater é uma norte-americana que tem imenso amor por Juazeiro do Norte. Ela já esteve na Terra do Padre Cícero por mais de vinte vezes. Professora de literatura brasileira na Universidade de Berkeley, Califórnia, autora de sete livros, entre os quais “Trail of Miracles” (Trilha dos Milagres) - sobre os milagres de Padre Cícero -, ainda não traduzido para o português. Candace Slater sempre se hospeda na casa da artista plástica Assunção Gonçalves. Ela deverá estar de volta ao Cariri no próximo mês de julho, para novas pesquisas.

15 ANOS DO INSTITUTO
No próximo dia 7 de março, o Instituto de Filosofia e Teologia da diocese de Crato completará 15 anos. Ele é destinado à formação filosófica e teológica dos seminaristas do Cariri e ainda acolhe candidatos ao sacerdócio das dioceses de Iguatu e Petrolina (PE). O Instituto foi reaberto em 1995, pelo então bispo diocesano dom Newton Holanda Gurgel. Devido a essa providencia a diocese de Crato é uma das poucas do Brasil a possuir número suficiente de sacerdotes para atender à demanda da população católica.

CURTAS
-A Fundação SOS Chapada do Araripe dá início no próximo sábado ao programa Verdejando, na Rádio Cetama AM de Barbalha. Ambientalista Maurício Freire comandará o programa que será semanal.

> Onélia Leite, professora e secretária-adjunta do Meio Ambiente em Juazeiro, soprando velinhas na última sexta-feira. Comemorou a data com familiares e amigos.

> Na noite de ontem, ocorreu reunião no Teatro Municipal de Crato, com a presença do historiador Luiz Eduardo Oliva, presidente da Imprensa Oficial de Sergipe. Ele foi apresentado ao público pelo jornalista cratense e diretor do “Estado de Mato Grosso”, Pedro Rocha Jucá, residente há anos na capital mato-grossense. Objetivo do encontro: conversar com intelectuais cratenses sobre a possibilidade de reimpressão do livro “As quatro sergipanas”, primeira obra escrita por monsenhor Francisco Holanda Montenegro. O livro não terá fins comerciais e será distribuído gratuitamente a entidades culturais do Brasil.

> Chamado de “Mestre” pelos amigos e admiradores, Napoleão Tavares Neves, residente em Barbalha, é, além de médico, escritor, genealogista e historiador. Um homem de vasta cultura, de grande simplicidade, um cidadão atuante e autor de vários livros que se tornou uma referência em tudo que se relaciona a região do Cariri.

> O relógio do monumento a Cristo Rei, existente na Praça Francisco Sá em Crato, encontra-se deteriorado pela ação do tempo. Os cratenses pensam iniciar uma campanha para recuperação desse relógio, integrante do patrimônio artístico da Cidade de Frei Carlos.

> Também faria parte dessa campanha a recolocação da palavra “Crato” que existia nas fachadas laterais da antiga Estação Ferroviária (hoje Centro Cultural do Araripe), restaurada no governo de Lúcio Alcântara. Por sinal o piso daquele complexo cultural - feito em pedra portuguesa – já necessita de reparos em vários lugares.

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