xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 28/10/2009 | Blog do Crato
.

VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 24.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

28 outubro 2009

Lúcio Alcântara indica Blog do Crato para o Prêmio DARDOS


Prêmio Dardos

( Por Lúcio Alcântara )

Recebi o Prêmio Dardos do Blog Caminhos do Turismo pelo turismólogo.

O prêmio em questão visa reconhecer o "desempenho de blogueiros na transmissão de valores culturais, éticos, literários e pessoais, que demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras". O selo foi criado com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à web, diminuindo as barreiras à comunicação e à amizade.

Ao receber o Prêmio, há algumas regrinhas a serem seguidas:

1) Exibir a imagem do selo em seu blog;
2) Linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação;
3) Escolher outros 15 blogs a quem entregar o PRÊMIO DARDOS;
4) Avisar os escolhidos.

Embora muitos sejam merecedores de tal distinção, sigo o regulamento e indico 15 blogs aos meus leitores, que considero difusores de opinião e incentivadores culturais:

- Bordado Inglês

- De Rerum Natura

- Blog do Eliomar de Lima

- Antena Paranóica

- Rastreadores de Impurezas

- Blog do Wanfil

- Liberdade Digital

- Blog do Deputado Leo Alcântara

- Blog do Noblat

- O Caderno de Saramago

- Blog do Reinaldo Azevedo

- Assim Mesmo

- Blog do Crato

- Blog do Egídio Serpa

- Blog do Fernando Rodrigues

Por: Lúcio Alcântara - Ex-Governador do Ceará

Nota do Blog do Crato: Já respondi a essa mensagem num dos comentários do Blog, mas quero externar novamente a nossa satisfação em receber essa indicação do Ex-Governador Lúcio Alcântara para o Prêmio DARDOS. É imensamente gratificante estar nesta seleta lista elaborada pelo governador, para integrar os Blogs que ele considera dignos de receber distinção na transmissão de valores culturais, éticos e literários. Principalmente indicados por ele, que é um grande incentivador das artes e da Cultura, tendo vindo ao Crato há poucos dias para receber o diploma do ICC, exatamente pelos grandes esforços em prol da cultura caririense. Aproveitando o ensejo, como Cratense, quero engrossar as fileiras dos que solicitam apoio no relançamento do famoso livro "Efemérides do Cariri" de Irineu Pinheiro, já que vários livros históricos estão sendo relançados pela Fundação Lúcio Alcântara. Governador, muitíssimo obrigado pela distinção.

Dihelson Mendonça
Administrador do Blog do Crato

Encontro do Verso Cantado e das Graphias

O MENDIGO

Escrito por Vicente Almeida

Certa vez, um jovem barbeiro, de uma pequena cidade, aparentando uns trinta anos de idade, costumava abrir a porta da sua barbearia e lá se deparar com um mendigo. Aquilo virou rotina, todo dia lá estava ele, cabeludo e muito barbado parecia um homem de 80 anos.

Penalizado, o barbeiro resolveu certo dia, aliviá-lo daquele estado e convidou o mendigo a sentar-se em sua cadeira. Cortou seu cabelo, fez a sua barba, perfumou-o e apareceu um jovem de idade não superior a 40 anos, e de belas feições.

O barbeiro, talvez por respeito, não lhe perguntou o que o levou aquela situação e após o tratamento ainda lhe deu algumas moedas e uma roupa velha dizendo, é para você dar novo rumo a sua vida. E esqueceu completamente o episódio.

Passaram-se os anos, dez, vinte, trinta, quarenta anos, e nunca mais se ouviu falar do mendigo.

Quando completou quarenta e cinco anos, o barbeiro recebeu uma notificação para comparecer diante de um juiz em dia e hora ali especificados.

E lá foi ele, tremendo de medo, passando pela sua cabeça um turbilhão de interrogações! Meu Deus, o que fiz? Sempre fui correto, nunca enganei ninguém, só ajudei. Por que agora que tenho setenta e cinco anos um juiz me intima?

Chegando ao tribunal apresentou-se ao Juiz que o interrogou: O Senhor é fulano de tal, barbeiro há quarenta e cinco anos na rua tal, numero tal?
- Sou sim Senhor Juiz, e tremendo perguntou: de que me acusam?
- De nada, disse o Juiz, mas, aqui há um testamento de um senhor falecido que o indicou como seu herdeiro, e o senhor receberá o equivalente a cinqüenta por cento da sua fortuna.
- Só não entendi uma coisas, disse o Juiz: aqui no testamento ele pediu para lhe informar que as suas moedas se multiplicaram aos milhões, que foi muito feliz e nunca o esqueceu.


Esta cidade

Foto: Heládio Duarte

É preciso dar mais corda no coração desta cidade
Umas setecentas e tantas mil voltas de corda no coração desta cidade
Um choque de milhões de volts no cérebro clinicamente morto desta cidade
Mais gasolina óleo diesel álcool no motor desta cidade
Colorir os out-doors das avenidas cinzentas desta cidade
Enxaguar o chão imundo desta cidade

É de um sacolejo forte que os moradores desta cidade estão precisando
Para acordar da letargia do sono profundo do pesadelo da preguiça que estão sofrendo os moradores desta cidade
Para ocupar ruas praças parques cinemas bares igrejas clubes cassinos cemitérios todos os espaços úteis desta cidade
Para deflagrar a revolução tardia e necessária que salvará esta cidade da sua anunciada morte súbita

É de um grande esparro que o prefeito desta cidade está precisando
Para sanear o grande esgoto a céu aberto que envergonha os moradores desta cidade
Para tirar os camelôs que emporcalham a praça que é o coração desta cidade
Para ser a necessária autoridade que esta cidade está precisando

É preciso também ter muito saco para aguentar o tédio desta cidade
Post Scriptum do autor: nesse texto não há a intenção de tecer críticas pessoais. Onde ler-se "prefeito desta cidade", entenda-se homens públicos (Carlos Rafael Dias, em 29/10/2009 às 09:05 horas).

Zé Nilton, e o programa de amanhã?


Todos já sabem, tudo bem, que todas as quintas-feiras, das 14 às 15 horas, Zé Nilton Figueiredo apresenta o programa Compositores do Brasil, com apoio do CCBNB Cariri, na Rádio Educadora do Crato, AM 1020.

Há essas alturas, Zé Nilton, já teria postado algo sobre o programa. Mas, até agora, nada!

Então, o que houve?

Talvez, Zé ainda estaria ultimando a elaboração do programa de amanhã.

Talvez, não! Zé já teria preparado o programa e agora estaria na Serra do Araripe, onde tem um rancho pra lá de aprazível (confira pela foto acima).

De qualquer forma, Zé é Zé e o resto é zil...

Túnel do Tempo - post de 2007

Crato e Nossa Senhora de Fátima




Fotos: Carlos Rafael Dias
Texto: Armando Lopes Rafael
A
cidade de Crato, desde seu início, sempre foi profundamente marcada pela presença da Virgem Maria!
Ao fundar a Missão do Miranda – embrião desta cidade – com o objetivo de pregar a fé católica aos indígenas, o capuchinho italiano Frei Carlos Maria de Ferrara o fez de modo simbólico. Ergueu, no centro da aldeia, uma humilde capelinha de taipa, coberta com folhas de palmeiras e a dedicou – de maneira especial – a Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade. Na ocasião, a imagem ali venerada foi uma pequena estatueta da Virgem Maria, com o poético nome de Mãe do Belo Amor...

Em 13 de maio de 1917, alvorecer do século XX, Nossa Senhora escolheu o lugarejo de Fátima, em Portugal, para divulgar – por meio de três crianças – uma mensagem. De Fátima difundiu-se pelo mundo inteiro esta mensagem de conversão e esperança! Também em Crato a mensagem de Nossa Senhora de Fátima teve grande repercussão. Já 25 anos depois dessa aparição, num mundo de precária comunicação, o historiador maior desta cidade, Irineu Pinheiro – no seu clássico O Cariri, na página 272 – registrava:


No dia 3 de outubro de 1942 à tarde, trouxeram em procissão da Sé para o novo templo (igreja de São Vicente Ferrer) em andores, as imagens de São Vicente Férrer e Nossa Senhora de Fátima, em meio de fogos, vivas e palmas entusiásticas.
Noutro livro, Efemérides do Cariri,
Irineu Pinheiro assim descreve a visita, em 1953, da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima a Crato: Foi a maior manifestação religiosa a que assistiu o Crato desde sua fundação....

Fruto dessa visita, entre tantas coisas, foi a inauguração, em Crato, do Aeroporto de Fátima (em plena Serra do Araripe) e a construção da Igrejinha de Fátima, localizada na Rua Nossa Senhora de Fátima, no Pimenta.

Em 1967, o Prefeito de Crato, Humberto Macário de Brito, construiu um monumento a Nossa Senhora de Fátima, no velho Aeroporto (fotos acima e ao lado), de autoria do renomado escultor jardinense, José Rangel. Estivemos lá neste domingo e fotografamos o monumento abandonado. Neste 2007 – quando se comemora 90 anos das Aparições de Fátima – bem que a administração municipal poderia relocalizar este monumento no bairro do Pimenta, onde fica a única paróquia da Diocese de Crato que tem como padroeira Nossa Senhora de Fátima.

Fotos: Carlos Rafael Dias
Texto: Armando Lopes Rafael

Papa Poluição, uma das maiores bandas do Rock Brasileiro, era liderada pelo cratense Tiago Araripe

Capa do primeiro disco da banda

Papa Poluição foi uma banda de pop-rock formado em São Paulo, em 1975, por Paulinho Costa (voz e guitarra), Luís Penna (guitarra e voz), Beto Carrera (guitarra e voz), Tiago Araripe (violão, percussão e voz), Bill Soares (baixo e voz) e Xico Carlos (bateria).
A maioria dos seus integrantes era nordestina; Tiago, Bill e Chico eram cearenses e Paulinho e Luís vinham da Bahia. A exemplo dos Novos Baianos, fundiam a MPB ao rock, porém com ênfase na ironia e no bom humor. O grupo gravou apenas dois compactos (o que é de lascar): um duplo pela Chantecler em 1976 com as músicas "Rola Coco", "Guerra Fria", "Em Nome Do Rock" e "Brechando Nas Gretas" e um compacto simples pela Top Tape no ano seguinte com as faixas "Tua Ausência" e "Inferno Da Criação".
Tiago Araripe (que já havia gravado um compacto solo para a Odeon ainda em 1974 com suas composições "Os Três Monges" e "Sodoma e Gomorra"), seguiu carreira-solo, gravando o LP Cabelos de Sansão, no início da década de 1980. Este disco foi recentemente reeditado em CD pela Saravá Discos. Tiago hoje mora em Recife, Pernanbuco, trabalha com publicidade e mantém um blogue muito interessante com o mesmo nome do seus antológico disco. Para acessá-lo clique aqui.
Penna e Paulinho gravaram alguns discos em dupla (incluindo "O Macaco Avoa", pela RGE, para a trilha do filme Sargento Getúlio), e Penna entrou para a política nos anos 2000, sendo hoje presidente nacional do Partido Verde.

Bom Dia ! - 28 de Outubro de 2009


FIRULAS E CASCATAS...uma crítica aos que se propõe a ajudar o Blog do Crato e não ajudam em quase nada...

Começo o Dia de hoje com um Apelo aos escritores: "Não deixem a Peteca Cair!"



Bom dia para todos os leitores, colaboradores e amigos do Blog do Crato !

Gostaria de insistir nos escritores do Blog do Crato: "Não deixem a peteca cair". Estou em Fortaleza, e devo passar alguns dias por aqui. Fico a me perguntar cadê o interesse dos nossos escritores em publicar algo. Temos mais de 70 escritores cadastrados, que poderiam perfeitamente suprir essa minha falta temporária no Blog, mas já vi que se eu morresse, o Blog do Crato morreria junto, meus amigos, pois as pessoas não tem o meu amor para com o Blog. Nossos leitores esperam aí, ávidos por notícias do Crato, por reportagens, e o que nós vemos ? Vemos 3 ou 4 postagens...cerca de 80 por cento sou eu mesmo quem posta...

Na verdade, quando eu me propus a construir o Blog do Crato e aliás, todos os meus projetos, já sabia que a pessoa com quem mais eu poderia contar na vida, era comigo mesmo. Por isso eu sou meu próprio grande admirador, e confesso isso sem a menor falsa modéstia. Em tudo que eu entro, é para vencer. Vou até o fim. Minha força de vontade em realizar algo é incrível, a ponto de sacrificar sono, alimento, tudo enfim. Não sei se por ser dessa natureza, de ser perfeccionista em tudo que faço, quando entro numa guerra é para vencer, sem considerar nem a impossibilidade da derrota, que tenho alcançado até hoje todos os meus objetivos na vida. Eu vivo para vencer!

Quando penso no Blog do Crato, penso num Blog coletivo. Estamos com 40.000 acessos por mês, um recorde jamais visto. Conquistados palmo a palmo, pessoa por pessoa. Creio que tenho aliados escritores. Por isso deixo meu apelo nesses dias em que estou fora da cidade, e não posso dar a atenção merecida para nossos muitos leitores: Não deixem a peteca cair ! Temos 40.000 acessos aí esperando informações.

Afinal, cadê a grande ajuda e o "AMOR" que tanta gente fala que tem para nos Ajudar ? Cadê a dedicação ? Tenho ouvido muita "cascata" e elogios por aí, nos comentários, mas nossos colaboradores mesmo, as pessoas que nos apóiam na verdade, os escritores mais fiéis, a gente pode até citar alguns nomes: A. Morais, Armando Rafael, Carlos Rafael, João Paulo Fernandes, Amilton Silva, Dr. Valdetário, José Nilton Mariano, Mônica Araripe, Carlos Eduardo Esmeraldo, Magali, Maria Otília, josé Milton Arraes, Darlan Reis, Cesar Mousinho, Luiz Domingos de Luna, Roberto Jamacaru, Antonio Vicelmo, Elizângela Santos, Emerson Monteiro, Wilson Bernardo, Beto fernandes, Pachelly jamacaru, os comentaristas: Jair Rolim, José Tavares, Roberto, Manoel Severo, dentre outros que me falha a memória...

Fica aqui meu apelo a muita gente: Menos "Cascata". Menos "bravatas", e mais Ações! Eu sei diferenciar muito bem o que é uma bajulação, de gente que produz de verdade. E é nessas horas em que estou ausente, que a gente conhece quem tem amor ao Blog e que escreve pra valer! Ontem fomos elogiados até pelo ex-governador Lúcio Alcântara, que nos fez grande distinção ao indicar-nos ao Prêmio DARDOS. Façamos por merecer!

Abraços, e bola pra frente !

Dihelson Mendonça

As FAVAS com o Povo, o Rio é Maravilhoso:PT e PMDB compartilham o cheiro da pasta-Por Wilson Bernardo.

O PRIMEIRO SENADO DE QUE HÁ MEMÓRIA ERA CONHECIDO POR "SENADO DA FAVA" O primeiro senado de que há memória apareceu em Atenas,na antiguidade, em época muito anterior á de Sólon. Compunha-se de 400 atenienses de mais de 30 anos de idade, tirados á sorte nas quatro tribos, entre os cidadãos das três primeiras classes.
Chamava-se a esta assembleia "Senado das Favas", porque os seus membros eram tirados á sorte por meio de favas pretas e brancas. (Segundo Heródoto, os antigos quase não comiam favas, por serem entre os cidadãos símbolo de independência politica).
Nesse famoso Senado de Atenas, os senadores exerciam um mandato de 300 dias, e o se número foi elevado a 500 por Clistenes, no ano 519 antes de Cristo. Os senadores recebiam a indenização duma dracma por oito horas de trabalho, e davam as contas ao saírem.
Segundo os estudiosos, teve Roma o seu Senado desde a sua fundação. Os senadores, a principio 100, e depois 300, eram escolhidos pelo rei. Era uma reunião de chefes de família(obs:Familia Lulista e Sarneydenhistas), até o século IV antes de Cristo.
Mais tarde, Algusto reorganizou o Senado romano,"fixando em 600 o número de senadores, e exigiu como condições de admissão a ingenuidade, o direito de cidade e o censo senatorial. A presidência competia ao imperador, que podia anular todas as decisões".
Na antiguidade havia o famoso Senado dos Judeus, conhecido pelo nome sinédrio ou sinedrim. Célebre também foi Esparta, na Grécia. Na Gália romana via-se em cada cidade um senado, constituído pelos mais ricos cidadãos.
Notável, igualmente, foi o Senado Conservador de França, criado em 24 de Dezembro de 1799. O Senado brasileiro foi criado pela constituição de 25 de Março de 1842. Os senadores, em número de 58, eram nomeados vitaliciamente pelo imperador,que os escolhia em listas feitas pelos eleitores do segundo grau.

Senado:É palavra que vem do latim senatu,"assembleia dos velhos"(senex).
As Olímpiadas recentes de Tiro no Rio de Janeiro desfoca as atenções para o bigode de Sarney,
e como sempre tudo acaba em Omelete e Coca in Colômbia Cola.
Wilson Bernardo(Texto & Fotografia)

Maior hospital do Amazonas suspende novas cirurgias por falta de medicamentos


O Hospital Universitário Getúlio Vargas, o maior público do Amazonas, suspendeu nesta terça-feira novas cirurgias por falta de medicamentos. A direção da unidade, que fica em Manaus, diz que faltam anestésicos, antibióticos, analgésicos, soro e fios cirúrgicos para procedimentos. Segundo o hospital, os repasses de R$ 1,2 milhão ao ano do Ministério da Educação são insuficientes para custear toda a infraestrutura. Ligada à Universidade Federal do Amazonas, a unidade também recebe recursos do SUS (Sistema Único de Saúde). Hoje, dos 251 leitos, 95 estão fechados devido à falta de manutenção nas instalações. Estão na lista de espera para cirurgias 1.132 pessoas.

"O hospital vive uma situação caótica perene e não tem recursos nem para funcionar 90 dias", diz o diretor Lourivaldo Rodrigues.

O ministério informou nesta terça que uma comissão fará uma visita ao hospital na próxima semana. A equipe fará um levantamento da situação para formular um plano de ação em conjunta com a administração e com a universidade. Até lá, o ministério não vai comentar o caso, segundo sua assessoria. Em atividade há 45 anos, o hospital é referência em hemodiálise, ortopedia e neurocirurgia e conta com 160 médicos.

Fonte: Agência Folha

Manoel de Barros e o Surgimento de dois novos Poetas para o nosso Caldeirão Cultural-Por Wilson Bernardo.

FAZEDORES DO AMANHECER...Manoel de Barros é poeta pantaneiro,e degustador de palavras reinventadas,assim como traquinagens de crianças maluvidas de palavras cheinhas pela boca de pote e brasa em bocas de Sapo,segundo Manoel de Barros,ele aprendeu muito ouvindo os filhos e netos quando crianças.Na verdade toda sua obra é uma reinvenção de conceitos e absurdamente o imaginável inventivo de palavras,fisgadas e plagiadas do universo infantil.A de se prestar muita,muita atenção e respeito quando as crianças falam na infinitude de um fundo de Pote.
ERAS
Antes a gente falava:faz de conta que
este sapo é pedra.
E o sapo eras.
Faz de conta que o menino é um tatu
e o menino eras um tatu.
A gente agora parou de fazer comunhão
de pessoas com bicho,de entes com coisas.
A gente hoje faz imagens.
Tipo assim:
Encostado na ponta da tarde estava umcaramujo.
Estavas um caramujo-disse o menino
porque a tarde é oca e não pode ter porta.
A porta eras.
Então é tudo faz de conta como antes?
Manoel de Barros

Poemas de Pedro de Azevedo(Neto de Wilson Bernardo)

LATIDOS DE UM CÃO.
Ouvi palavras
de cachorro.

DEUS BRINCA DE BOLINHAS DE SABÃO.
Deus me disse
que as nuvens
eram
mulas sem cabeça.

Poema de Paulo Rafael(Filho de Carlos Rafael Dias)

A INVENCIONISE DOS MAMÍFEROS...
-Pai você é um anjo!
-Anjo é você,filho.
-Não pai!
Eu sou um Mamífero.
Wilson Bernardo(Texto inicial & Fotoartgraficas)

Relator aumenta royalties de estados e municípios de 7,5% para 44%

NE - Um assunto que nós tratamos aqui no Blog do Crato na semana passada: A queda dos Royalties do Petróleo que a união repassa para os municípios, e amplamente discutida pelo prefeito Samuel Araripe, com a queda dos repasses federais e que está causando muitos problemas aos municípios Brasileiros. Hoje temos um novo posicionamento da questão:

O relatório de Henrique Eduardo Alves (E) mantém a Petrobras como operadora única em toda a área de influência do pré-sal. Relator eleva de 10% para 15% a alíquota dos royalties pagos pela exploração do petróleo e também aumenta, de 7,5% para 44%, recursos que irão para todos os estados e municípios do País. Relatório sobre o marco regulatório do pré-sal privilegia a distribuição mais equitativa dos royalties de petróleo entre estados e municípios. O parecer do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), apresentado nesta terça-feira, é favorável às propostas que adotam o regime de partilha para a exploração do petróleo na camada do pré-sal [PLs 5938/09, do Poder Executivo, e 2502/07, do deputado Eduardo Valverde (PT-RO)].

O relator, no entanto, apresentou oito emendas à proposta do governo. A mais polêmica eleva de 10% para 15% a alíquota dos royalties pagos pela exploração do petróleo. No caso de lavra na plataforma continental, 18% dos recursos serão destinados aos estados produtores e 6%, aos municípios produtores.

Dez vezes mais recursos

Alves explicou que, no modelo atual (com a alíquota de 10%), 40% dos recursos dos royalties vão para a União, 22,5% para os estados produtores e apenas 7,5% para um fundo especial que redistribui os recursos para estados e municípios. No modelo proposto em sua emenda (já com a alíquota de 15%), o índice que cabe à União cai para 30%, e 44% serão distribuídos a todos os estados e municípios do País. Para Henrique Eduardo Alves, o novo modelo faz uma distribuição mais justa sem prejudicar os estados e municípios produtores. Ele avalia que, com essa mudança, deve-se elevar em cerca de dez vezes os recursos que estados e municípios recebem de royalties pela exploração de petróleo, por meio dos fundos de participação dos estados (FPE) e dos municípios (FPM).

"Os estados (produtores) tinham 22,5% de 10% dos royalties. Eu estou reduzindo para 18%, mas estou elevando a alíquota para 15%, então, há uma compensação. Além disso, não estou mexendo nas áreas já licitadas do pré-sal, onde tudo vai continuar do mesmo jeito, no regime de concessão - o que é, portanto, um ganho para esses estados produtores. Apenas daqui para frente é que eu faço uma distribuição mais justa, mais equitativa entre todos os municípios e estados brasileiros porque o petróleo é um bem de todo povo brasileiro". Outra novidade no relatório de Henrique Eduardo Alves é a destinação de 3% dos royalties para o meio ambiente. Os recursos deverão constituir um fundo especial para o desenvolvimento de programas para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O chamado "bônus de assinatura", que é o valor pago pela concessionária vencedora de licitação de campos exploratórios de petróleo, terá o seguinte destino: 90% dos recursos para a União e 10% para estados e municípios.

O relatório mantém a Petrobras como operadora única em toda a área de influência do pré-sal, como previa o projeto original. "Isso é estrategicamente importante para que a Petrobras possa se aperfeiçoar e adquirir nova tecnologia a cada campo a ser explorado." Apesar de alguns pontos polêmicos, sobretudo em relação aos royalties, o relator está otimista quanto à aprovação do relatório. Houve um pedido de vista coletivo e a matéria só deverá ser votada na próxima semana.

Fonte: Agência Câmara

Lembrando Antônio Corrêa Celestino – por Armando Lopes Rafael

(Artigo publicado no "Jornal do Cariri", edição 27-10-2009)




Se um homem tiver alguma grandeza dentro de si, ela aparecerá. Não em momento espetacular, mas quando for feito o registro do seu dia-a-dia” (Beryl Markham)

No primeiro quartel do século XX, na Região do Cariri, só a cidade de Crato dispunha de educandários de 2º grau. E isso a partir de 1916, graças ao primeiro Bispo de Crato – Dom Quintino – responsável pela reabertura do antigo Ginásio São José, com o nome de Ginásio Diocesano, destinado à educação da juventude masculina. Como o estudo era caro, só jovens oriundos de famílias ricas tinham acesso à educação, no único ginásio caririense.

Nascido na zona rural de Barbalha, filho de família modesta, o empresário Antônio Corrêa Celestino não chegou a cursar o segundo grau. Mesmo tendo freqüentado pouco a escola, era um autodidata. Lia muito, redigia as correspondências mais importantes de sua empresa e – o principal – sempre estava atualizado sobre os acontecimentos do Brasil e do mundo. Tinha sempre um ponto de vista firmado sobre os fatos mais relevantes, divulgados pela imprensa e externava suas opiniões com muita segurança e equilíbrio.

Oportuno lembrar a trajetória da vida de Antônio Corrêa Celestino (1908-1995) atravessando quase todo o século XX, época de profundas mudanças na sociedade humana, dos avanços tecnológicos, de grandes enfrentamentos políticos e ideológicos, das conquistas da civilização e de tantas outras. Celestino venceu todos esses vendavais, como um cristão autêntico, no sentido ético da palavra cristão. Sua vida foi um exemplo de dedicação à comunidade, à Religião Católica, pela sua fé inquebrantável, e à Pátria, pelo seu ardoroso civismo.

Celestino sempre entendeu o ambiente de uma empresa não restrito unicamente às atividades internas e ao relacionamento com fornecedores e clientes. Para ele as empresas não deviam satisfações apenas aos seus acionistas, mas cumpriam interagir com os anseios coletivos das comunidades onde atuavam.
Citarei um único exemplo da sua atuação nesse campo de pensamento, provavelmente desconhecido até dos seus familiares. Quando da construção do grandioso Santuário de São Francisco das Chagas, em Juazeiro do Norte (foto ao lado), além das doações pessoais feitas para a edificação do belo templo, Celestino financiou a aquisição, na Itália – às expensas da Aliança de Ouro S/A – da belíssima imagem de São Francisco, pontificando, há meio século, no altar-mor daquela igreja. Hoje, os milhares de pessoas, quando contemplam a imagem de São Francisco ou rezam diante dela, desconhecem o fato de esta se encontrar ali, graças a uma doação de Antônio Corrêa Celestino.
Empresário vitorioso, Celestino não era obcecado pelo lucro nem pelo acumular de riquezas. Dotado de arraigadas convicções cristãs, conseguiu conciliar ética e lucro, sem ferir princípios da responsabilidade social. Talvez sua única vaidade fosse enumerar, vez por outra, o número de empregos gerados por sua empresa. Ficava feliz em rememorar o fato de dezenas de famílias terem um sustento condigno, graças aos empregos proporcionados pela Aliança de Ouro S/A. Sua residência era acolhedora, mas simples. Nada de supérfluo.
Era assim Antônio Corrêa Celestino. Um homem coerente! Um homem de bem!

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

Entre Matar a Fome e a Sede,Você Alimenta a Esmola...Por Wilson Bernardo!

TOME UMA ATITUDE AJUDAR FAZ BEM...
VOCÊ SABIA QUE... - Mais de um bilhão de pessoas no mundo vive com menos de um dólar por dia;- Cada dia morre, por causa da fome, 24 mil pessoas. 10% das crianças, em países em desenvolvimento, morrem antes de completar cinco anos...- um terço da população é mal alimentado e outro terço está faminto. - Que a cada dia 275 mil pessoas começam a passar fome ao redor do mundo. O Brasil é o 9º pais com o maior número de pessoas com fome...- Atualmente, cerca de 1,2 bilhões de pessoas se encontra no estado de alta pobreza devido às condições climáticas de suas regiões.
Você Sabia?- Mais de um bilhão de crianças, a metade dos menores do mundo, é castigado pela pobreza, as guerras e a AIDS;- Todos os dias, o HIV/AIDS mata 6.000 pessoas e infecta outras 8.200 .- Todos os anos, seis milhões de crianças morrem de má nutrição antes de completar cinco anos.- Cerca de 90 mil crianças e adolescentes são órfãos no Brasil, à espera de uma adoção.- a escassez de água já atinge 2 bilhões de pessoas. Esse número pode dobrar em 20 anos...
Você Sabia?- Cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto;- No Brasil, são 33,9 milhões de pessoas sem casa. Só nas áreas urbanas, são 24 milhões que não possuem habitação adequada ou não têm onde morar.- Que vinte e cinco milhões de pessoas são dependentes de drogas no mundo;- Que os indígenas continuam a ser vítimas de assassinatos, violência, discriminação, expulsões forçadas e outras violações de direitos humanos.
Você Sabia?- Mais de 2,6 bilhões de pessoas não têm saneamento básico e mais de um bilhão continua a usar fontes de água imprópria para o consumo.- Cinco milhões de pessoas, na sua maioria crianças, morrem todos os anos de doenças relacionadas à qualidade da água.- No mundo inteiro, 114 milhões de crianças não recebem instrução sequer ao nível básico e 584 milhões de mulheres são analfabetas.
Você Sabia?- Que é gasto 40 vezes mais dinheiro com cosméticos do que com doações...- é gasto 10 vezes mais dinheiro com armas do que com educação básica;- O Brasil é campeão mundial de desmatamento. Em segundo lugar está a Indonésia: 18,7 km2 por ano e, em terceiro, segue o Sudão, com 5,9 km2.- O país perdeu um campo de futebol a cada dez minutos na Amazônia, nos últimos 20 anos.

Agora você já sabe.E vai ficar aí parado?
Tome uma atitude.
Milhões de Pessoas em Pobreza Extrema Precisam da sua Ajuda!
Seja Voluntário você Também!
Planeta Voluntários
Porque ajudar faz bem!
Wilson Bernardo(Blogagem & Fotografia)

As histórias dos outros – V: O Campeão de Bolero – por Carlos Eduardo Esmeraldo

Outro dia, li em algum lugar, uma homenagem a Garrincha, o extraordinário ponta direita do Botafogo e da Seleção Brasileira. Neste dia 28 de outubro completa-se 76 anos do seu nascimento. Faleceu em conseqüência dos efeitos do álcool no organismo humano aos 49 anos em 20 de janeiro de 1983.
.
Muitas são as histórias engraçadas daquele genial jogador, que foi um dos melhores do Brasil em todos os tempos, ao lado de Pelé, Didi, Domingos da Guia e Leônidas da Silva, este último, jogador dos anos trinta e que para o meu pai era o melhor de todos. Mas calma pessoal, meu pai não entendia nada de futebol.
.
Segundo o escritor e pesquisador Ruy Castro, autor de “A Estrela Solitária”, muitas dessas histórias sobre Garrincha foram criadas pelo jornalista Sandro Moreira e não ocorreram.
.
Mas essa história que se segue merece crédito porque foi revelada pelo próprio técnico do Botafogo. Aconteceu numa excursão do time à América Central no distante ano de 1957, durante um torneio disputado em El Salvador. Na véspera da final contra o Independiente da Argentina, tido naquele ano, como um dos melhores times do mundo, os dirigentes do Botafogo deram por falta de Garrincha no hotel. Eram quase onze horas da noite quando o chefe da delegação do Botafogo, um de seus diretores e o técnico resolveram procurá-lo por tudo que fosse casa noturna de El Salvador. Orientados por um motorista de taxi, eles visitaram quase todas as casas de shows da cidade, que não eram muitas, e já estavam perdendo as esperanças, quando avistaram um pequeno cartaz preso por um arame num poste, com o seguinte anúncio: “Gran concurso de Bolero – a las nueve de la noche en La Caverna.” Correram para essa casa e lá encontraram uma enorme multidão comprimida em torno da pista de dança. Havia uma intensa fumaceira, que associada a pouca luz dificultava encontrar Garrincha no meio da platéia. Quando eles já iam se retirar, o locutor anunciou a grande final e que cada componente da dupla vencedora receberia um premio de vinte dólares. Eles olharam e viram uma baixinha, que parecia uma caturrita dançando e fazendo muitas evoluções. Quando observaram o par da dançarina tiveram uma grande surpresa. Era Garrincha! Não tiveram dúvidas. Subiram ao palco e arrastaram Garrincha para dentro do taxi, sob protestos do jogador, reclamando os vinte dólares que iria ganhar, pois estava quase vitorioso na grande final. Os dirigentes disseram que quem deveria pagar vinte dólares de multa seria ele, Garrincha, por haver desobedecido à ordem de permanecer na concentração. E se o Botafogo perdesse o jogo final, ele seria multado com toda certeza.
.
Atendendo a um pedido do próprio Garrincha, os dirigentes combinaram não comentar esse assunto com os outros jogadores para evitar as costumeiras zombarias entre eles. Mas na hora do café, Edson, um dos jogadores, começou a gritar para Garrincha: “Cinderela, ô cinderela!” Era uma referência ao fato de Garrincha haver abandonado o baile antes do final. Os dirigentes ficaram intrigados como poderiam ter descoberto aquele segredo. Somente souberam a razão quando o roupeiro do Botafogo comunicou: “Seu João, tem uma mulher na recepção desejando falar com os diretores do time.” Era a bailarina do bolero, furiosa porque perdera o premio do concurso. “Me preparei muito para esse concurso. Ele já estava ganho, quando uns homens levaram o Manolo”. Protestava a dançarina. Em seguida houve uma séria discussão, com os dirigentes sem querer pagar à mulher e ela ameaçando a armar o maior “barraco”. E barraco em espanhol não é nenhuma latada dessas daqui não! É barraco para mais de mil embolações da língua. Resolveram pagar. Quando a mulher se foi com seus vinte dólares, apareceu Garrincha, com ar de inocência dizendo: “Seu João, eu gostaria de receber meus vinte dólares que deixei de ganhar ontem à noite.” “O que seu moleque? Perde esse jogo que você vai ver os vinte dólares, ouviu?”
.
E o resultado do jogo? Deu empate: um a um.

Adaptado por Carlos Eduardo Esmeraldo de “Os subterrâneos do futebol” de autoria de João Saldanha, capítulo: “O concurso de bolero” páginas 86-93– José Olympio Editora, Rio de Janeiro - 1980

A “Fossa Ambulante” – Por: José Nilton Mariano Saraiva

Sensível ao apelo do Dihelson para que não deixemos a peteca cair, abaixo a narrativa de um fato que vivenciamos (ao vivo, mesmo, na pele literalmente). E como havíamos prometido ao Zé Flávio que tentaríamos elaborar algo parecido com uma postagem que ele aqui veiculou, a ele dedicamos.

******************************

Localizada ao oeste do Rio Grande do Norte, quase que fronteiriça com o estado do Ceará, Pau dos Ferros era (à época), uma dessas agradabilíssimas cidades pequenas (já mudou bastante e hoje é uma cidade desenvolvida), em razão, principalmente, da índole receptiva do seu povo e de um detalhe não tão comum em cidades do interior: a beleza brejeira e ao mesmo tempo esfuziante das suas mulheres e o extremo bom gosto e requinte com que se vestiam (até parece que os estilistas de moda, antes de lançarem suas famosas coleções em Paris, Roma ou Milão, faziam de Pau dos Ferros uma espécie de laboratório; como se vestiam bem aquelas jovens mulheres pauferrenses; um luxo só).
Vivenciamos tudo isso em meados da década de 70, quando, atendendo convite de um colega que já conhecia nossa capacidade de trabalho e que houvera sido nomeado gerente da agência do BNB (então a única agência bancária da cidade), para lá nos deslocamos a fim de cumprir uma “adição” de 90 dias; e, embora realmente o trabalho fosse muito (a ponto de cumprirmos expediente de 10 a 12 horas por dia), a “diária” que recebíamos compensava plenamente, além do que havia uma espécie de “irmandade” entre todos que compunham a equipe beenebeana.
Ao final da jornada de trabalho diário, a parada obrigatória era a “Sorveteria do Sales” (próspero comerciante local), onde sorvíamos uma geladérrima, ao tempo em que as paqueras se sucediam, furtivas ou abertamente. Os fins-de-semana, então, eram, literalmente, uma festa: num deles, por exemplo, tínhamos a escolha da “Miss Olhos” (obviamente uma disputa entre aquelas que tinha os “olhos” mais bonitos); na outra semana, a escolha do casal que melhor dançava; na outra, a escolha daquela que melhor desfilava e por aí vai. O certo é que a “coisa” era tão legal e gostosa que, não mais que de repente, o tempo voou, os 90 dias exauriram-se e tivemos que voltar para Fortaleza (bem que houve uma tentativa de prorrogação, mas não colou).
Antes da volta, entretanto, foi firmado um compromisso, um autêntico pacto de boêmios: sempre que houvesse uma festa que compensasse, seríamos acionados, tempestivamente. E assim, todos nós (mesmo os casados), que por lá passamos na condição de “adidos” (uns oito colegas, não necessariamente no mesmo período), findamos por voltar, várias vezes.
Os ônibus que faziam o percurso até Pau dos Ferros eram os famosos “pinga-pinga” que, além de desconfortáveis, eram desprovidos de banheiro. Pois foi numa dessas viagens que “a porca torceu o rabo”. Já saímos da rodoviária de Fortaleza um tanto quanto “melados” (muito mé, pra puder ter coragem de enfrentar a buraqueira, já que parte da estrada era de piçarra). Na chegada a Pau dos Ferros, cedo da manhã, os “recepcionistas” (colegas do Banco) já estavam a nos esperar com um “churrasquinho no ponto e aquela cervejota geladinha” (é que a “parada do ônibus” ficava estrategicamente localizada frente a um bar, que aos finais de semana funcionava 24 horas por dia). Os trabalhos se iniciavam ali mesmo, sem nem escovar os dentes. De lá e durante todo o dia de sábado, os reencontros, na Sorveteria do Sales, na Churrascaria do Anísio e no meio da rua, com aquelas mulheres fabulosas (imaginem o bafo).
À noite, após uma passada na “república” (a fim de tomar um banho, mudar de roupa, passar uma brilhantina no cabelo e colocar um “Lancaster”), festa no único clube da cidade, que se prolongava até o sol raiar; depois do famoso “caldo de misericórdia”, servido num posto de gasolina, todo mundo se mandava pra “barragem” (na verdade, o açude que abastecia a cidade e onde existia uma “palhoça” que servia o melhor “tucunaré” do mundo); e tomé “mé” (aí já na base do famoso “cuba-libre” – mistura de Ron Montila e Coca-Cola).
Naquela tarde de domingo, Rivelino, famoso jogador que houvera se destacado no Corinthians, faria sua estréia (no Maracanã) pelo time do Fluminense, jogando contra o ...Corinthians. Mesmo diante de uma televisão preto-e-branco com uma imagem sofrível, na sala da casa do prefeito da cidade formamos uma grande torcida do Fluminense (pra agradar o homem, fanático pelo tricolor). E tome Ron Montila com Coca, com tira-gosto de panelada, buchada, tucunaré, o escambau. O certo é que o tempo, de novo, voou, e de repente chegou a hora do retorno.
Já chegamos na “parada do ônibus” mais pra lá do que pra cá, puto de raiva por ter que voltar e lá encontramos a colega do BNB Angélica (que também houvera ido passar o fim de semana).
Sentamos na poltrona (?) e...apagamos.
Lá pras tantas, após uma parada abrupta do coletivo a fim de desembarcar algumas pessoas que moravam na zona rural (ao lado da estrada), "ressuscitamos" e, pior, com uma vontade ou necessidade miserável de “descarregar”, “arriar a massa” (e o ônibus não tinha o famoso toylette). Falamos com o motorista e o trocador (existia um, sim, encarregado de recolher o dinheiro das passagens) e eles sugeriram que descêssemos o barranco e fizéssemos o serviço, enquanto eles procuravam e entregavam a bagagem do pessoal. E só deu tempo mesmo descer o barranco às pressas, correndo, arriar as calças e ... tome merda, muita merda, merda em profusão, em pleno estado líquido e em “chicotadas” brabíssimas (o Ron Montila e os tira-gostos finalmente cobravam seu preço).
Até hoje não conseguimos lembrar é se nos deixamos absorver pelo esplendor da lua no céu (em pleno meio da caatinga) ou se, simplesmente, dormimos de cócoras; o certo é que, de repente, conseguimos captar a zoada de um carro acelerando; ao olhar, desesperado, pra cima, rumo à estrada, divisamos o ônibus se afastando, lentamente; não houve tempo para raciocinar: num átimo, nos despojamos da bermuda e da cueca, pegamos essa última e passamos de forma apressada no traseiro, a jogamos fora e subimos a ribanceira feito um louco. Contando com a solidariedade do pessoal que havia descido (uma oito pessoas) que se puseram a urrar em plena 3 da manhã, o ônibus parou mais à frente; resfolegando, suando em bicas por todos os poros, alcançamo-lo e, evidentemente, reclamamos do motorista e cobrador; eles alegaram que haviam “esquecido” e pediram desculpas. Quando sentamos na poltrona (?), uma réstia da luz da Lua nos permitiu observar que Angélica (ainda dormindo) imediatamente virou o rosto para o outro lado. Deixamos pra lá. Sentamos e... apagamos (de novo).
Oito horas da manhã, rodoviária de Fortaleza. A muito custo e após nos sacolejar bastante, a dupla (motorista e cobrador), consegue finalmente nos “trazer de volta”. De mau humor, com um terrível “gosto de guarda-chuva na boca”, doido pra chegar em casa, não ligamos para a cara feia dos dois, pegamos nossa sacola que estava na parte de cima e saímos. E foi aí, ao tentar nos despedir da colega Angélica, que vimos a “merda” que tínhamos armado: é que ela (e demais passageiros), não só se recusava a aceitar o nosso cumprimento, como, também, olhava(m) fixamente para nossa mão estendida; já com um certo receio, um pressentimento estranho a nos percorrer a espinha, acompanhamos o seu mortífero olhar e, só então, entendemos a dimensão da coisa: não só nossa mão, mas partes do antebraço, coalhadas estavam de merda, em transição do estado líquido para sólido.
É que, ao passarmos a cueca apressadamente no traseiro, ela não dera conta do recado e o “produto” havia vazado, em profusão, para a mão e adjacências. Imagine o que é ter vontade de morrer, sumir, meter-se em algum buraco. Uma tragédia. Pra completar, quando tentamos dá um passo à frente, sentimos a bermuda um tanto quanto apertada, muito presa ao corpo, obstando estranhamente nossa locomoção; é que ela simplesmente houvera “pregado” na bunda, tal a quantidade de merda e a extensão da área em que se propagara.
Resultado ??? A vergonha foi tão grande que ficamos “baratinados”, perdemos a noção do tempo, espaço e do ridículo, e sequer conseguimos atinar que na Rodoviária tinha um banheiro onde poderíamos fazer uma “meia-sola” (mini-banho). E assim, como nenhum taxista compreensivelmente nos aceitou como passageiro, tivemos que fazer o percurso do Bairro de Fátima até o apartamento, no Centro da cidade, no pé-dois, sol a pino, cantando amor febril e sob os olhares desdenhosos dos transeuntes, que cortavam caminho, tratavam de passar por longe. É que a fedentina era tão grande, o odor à nossa volta tão insuportável, até para a mais das insensíveis narinas, que poderíamos e merecíamos ser cognominados como uma “fossa ambulante”.
Quanto à colega Angélica, passou um certo tempo amuada, cabreira, sem querer papo nenhum, intrigada mesmo; hoje, casada, mãe de filhos, reside em Mossoró, e nas raras vezes em que a encontramos nos saúda efusivamente, embora um tanto quanto diferente, esquisito até: “Diga lá seu cagão”.
Coisas da vida...

Autoria e postagem: José Nilton Mariano Saraiva

Governador Roberto Requião associa câncer de mama masculino a homens gays

O governador do Estado do Paraná, Roberto Requião, causou polêmica nesta terça-feira em Curitiba, em reunião semanal transmitida pela TV Paraná, ao dizer que o câncer de mama em homens deve ser "consequência de passeatas gay". A ação do governo não é só em defesa do interesse público. É da saúde da mulher também. Embora hoje o câncer de mama seja uma doença masculina também, né? Deve ser conseqüência dessas passeatas gay", disse o governador. A declaração causou reação da APPAD (Associação Paranaense da Parada da Diversidade), em Curitiba, que pediu uma audiência com Requião para tratar do assunto.

"Lamentavelmente esse tipo de pronunciamento reforça a discriminação, a violência e o assédio moral contra os e as milhares de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) do estado do Paraná e do Brasil já que o sinal da TV Paraná Educativa é transmitido ao vivo para todo o pais"-- declarou Márcio Marins, presidente da entidade.

Fonte: Folha OnLine

Pesquisa diz que 44% dos caminhoneiros bebem na estrada

Pesquisa comprova que um grande número de caminhoneiros usa medicamentos, álcool e até drogas para compensar o cansaço e a falta de sono. Quem costuma pegar uma estrada conhece bem o medo de enfrentar um caminhão desgovernado. O semblante no retrovisor é a marca de uma época que o caminhoneiro Gilton Antônio Gonçalves quer deixar para trás. O motivo está na cara: rugas, olhos avermelhados, envelhecimento precoce. “Hoje aparento uns 50 anos”, diz. Gilton tem 43 anos. O caminhoneiro atribui a rápida mudança na fisionomia ao rebite, remédio que tomava por conta própria para ficar sem dormir e trabalhar mais. “Eu cheguei a tomar até cinco em uma noite. Você acha que está descansado e não está. Já aconteceu chegar a um pátio de posto e não saber nem para onde estava indo”.

O caminhoneiro conseguiu se livrar do vício, mas 19 entre 100 colegas de profissão dele assumiram que toda semana tomam os tais comprimidos que tiram o sono. Um estudo sobre o perfil dos caminhoneiros no país revelou ainda que 44% dos motoristas de caminhão consomem bebida alcoólica nas estradas, e 8% usam drogas. A pesquisa também mostrou que o caminhoneiro faz da boleia a própria casa. Passa mais tempo no caminhão do que com a família, e o que é mais preocupante: nunca dormiu tão pouco e tão mal.

“Vários motoristas disseram para a gente que já tiveram situações de amnésia relâmpago, ou seja, tentaram se lembrar do que aconteceu nos últimos dois minutos da viagem e nada passou na cabeça deles. Foi um vazio completo”, afirma o coordenador de logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Rezende. Para um especialista no assunto, o médico Dirceu Campos Valladares Neto, não é amnésia relâmpago. Os caminhoneiros estão dormindo ao volante de olhos abertos. “Eles vão no automático. Se não tiver nada, nenhum evento novo acontecendo, eles podem até transitar por um período sem problema. Mas se alguém vier com uma novidade no cenário ele não vai ter condições de ter controle sobre aquela condição”, afirma. O caminhoneiro Walter Bruno, de 69 anos, já viu de tudo nas estradas. “Parei e falei com o companheiro: ‘agora você pega que eu vou dormir um tiquinho’. Dormi umas quatro, cinco ou seis horas. Quando acordei, nós estávamos no mesmo lugar. Ele não tinha saído, dormiu também, dormiu outra vez. Sentou lá, com o caminhão parado, e ele dormindo e o caminhão funcionando”, contou. “O caminhoneiro dorme hoje em média cerca de quatro a seis horas. É pouco para quem tem uma profissão dessas. Deveria ser no mínimo nove horas de sono”, explica Paulo Rezende.

Fonte: G1

Floresta Zero: Camara prepara superanistia para o desmatamento


A Comissão de Meio Ambiente da Câmara vota nesta quarta-feira (28) um projeto de lei que anistia mais de 35 milhões hectares de desmatamento ilegal no país. A área corresponde a cerca de sete vezes o estado da Paraíba, nove vezes o estado do Rio de Janeiro ou 18 vezes a área de Sergipe, cujo território tem o tamanho de Israel.

A proposta, que não precisa passar pelo Plenário, é um substitutivo ao Projeto de Lei 6424/05, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Batizado pelos ambientalistas de “FLORESTA ZERO”, o texto foi preparado pelo deputado ruralista Marcos Montes (DEM-MG). Na prática, o projeto isenta de multas ambientais proprietários de áreas desmatadas ilegalmente e dispensa a obrigatoriedade de recompor florestas degradadas. Veja a íntegra do substitutivo ao PL 6424

O projeto original permitia apenas a reposição florestal com espécies não nativas (veja o PL original). Mas o relator aproveitou para acrescentar outras mudanças no Código Florestal (Lei 4771/1965). Marcos Montes repassa para os estados, por exemplo, a competência de definir os percentuais de reserva legal e de áreas de proteção permanente (APPs). A proposta segue na mesma direção do projeto ruralista de criação do Código Ambiental Brasileiro.

Fonte Congresso em Foco/ Blog do Eliomar de Lima

Em resposta ao agradecimento de Danielle Esmeraldo sobre o festival Cariri da Canção


Realmente foi um grande evento, lindo, emocionante, estou muito feliz com o resultado, com o nível dos concorrentes, destacando a participação linda de Ermano Moraes, o teatro de Benuí, a doçura de Fatinha Gomes, a originalidade de Carlos Salatiel, representando a letra do grande escritor José Flávio, Saraiva e seu Côco.
A cidade esteve transpirando cultura, e é tão bom fazer sucesso no que se propõe, parece mágica o que tem acontecido no Crato abrangendo o Cariri,como disse meu amigo Kaíka, Danielle tem "tirado leite de pedra", sabemos da grandeza do resultado final, do que vemos, mas estamos longe de imaginar o trabalho, o empenho dessa secretaria pra que haja toda essa movimentação, podemos ter a certeza disso através do NADA que se fazia antes dessa gestão, e da riqueza do que tem sido feito, é trabalho mesmo, é vontade, não tem outra explicação.
Fiquei muito emocionada de ter o meu blog,culturanocariri,dentro dos agradecimentos junto à tantos meios de comunicação grandiosos,de ter meu nome citado junto a tantos artistas de valor, eu realmente fico envaidecida por ter meu nome vinculado a esse evento, participo no que posso por amor à cultura, como forma humilde de agradecimento por ver esse cuidado com os artistas, colocando João do Crato na bancada do júri, grande intérprete da nossa música, referência musical e histórica da nossa cidade, mestre Galdino, David Duarte, esse que tem uma relação linda com o Crato.
Colocar num grande palco artistas como eu, Janinha, que mesmo estando sem atividade na música pôde receber essa homenagem, essa confiança,nada mais é que carinho, assim como Jr. Rivadávio, Rinaldo,Pombos Urbanos,músicos que "ralam" mesmo nas noites caririenses e que fazem história,a banda de apoio,que conseguiu fazer junto aos músicos arranjos perfeitos, num esforço diário de amor e trabalho, destacando Ibertson com seu teclado, sanfona,que coordenava a banda com maturidade de quem ainda não tem idade pra tê-la,mas sobra talento,grandes Lifanco, João Neto, Rodrigo Batera,que foram do jazz ao pop com o mesmo empenho e profissionalismo,a equipe de apoio, que não deixavam faltar nada no camarim, nada para os artistas, num corre-corre diário.
Sawana na apresentação, pela desenvoltura, naturalidade,simpatia, junto de Flavio Rocha,outro grande nome e referência cratense,a presença do público, que vibrou, e se entusiasmou com o evento, ao prefeito Samuel Araripe,que demonstra acreditar e apoiar manifestações culturais,e a primeira dama Mônica Araripe, sempre atenta e disponível,a união de tudo, força, trabalho,talento, vontade, carinho,respeito, VISÃO!
Meu prêmio de primeiro lugar nesse festival é pra você Danielle Esmeraldo,em nome dos artistas e com a licença deles pra isso:
NOSSO MUITO OBRIGADA!

Major Teles - Por A. Morais


Todos conhecem as historias do seu Eloi Teles, poeta, prosador, radialista, locutor e uma das pessoas que mais contribuiu com a cultura popular de toda região. Pois bem, seu Eloi tinha um irmão militar, o Major Teles.
A vida de militar não é fácil. Nunca pára, vive cidade abaixo e cidade acima dependendo muitas vezes da vontade dos outros. Assim era o Major Teles. Certa feita ainda com a patente de cabo, foi destacado para o municipio de Chaval, cidade localizada na divisa do Ceará com o Piauí, um pouco adiante do lugar onde o Judas perdeu as botas. Cidade do tamanho de um ovo, quente pela hora da morte, felizmente muito calma o que facilitava a atividade de policial, oferecendo tempo para dedicar-se ao baralho e ao dominó.
Ao chegar à cidade Major Teles foi advertido pelo delegado com algumas recomendações e advertências tais como: A Kombi dirigida pela freira nem olhe pra ela, pertence à igreja e o padre desta cidade é a maior autoridade que existe por essas bandas, o governador faz tudo que ele quer.
Major Teles vislumbrou, nesse detalhe, a oportunidade de ir embora para qualquer outra localidade. O que menos queria era permanecer em Chaval. No outro dia cedinho lá vem a Irmã na Kombi, o Major Teles, mandou parar no acostamento se aproximou e pediu os documentos da condutora e do carro. Como não tinha, nenhum nem outro, tirou a chave da ignição e colocou no bolso. Cinco minutos foi o tempo que demorou para o padre chegar virado num teteu, brabo que só Mundoca Jucá quando pedia uma musica e o sanfoneiro não tocava de imediato: Quem você pensa que é? Vamos, responda seu policial de merda! Com quem você pensa que está falando? Disse o vigário. O Major Teles fechou a mão e mediu um murro no pé da lata do padre que rodou feito um peru antes de cair nestesiado num sono profundo. O resto do destacamento carregou o Major Teles escondido no bagageiro de um carro até a cidade mais próxima e de lá ele foi se apresentar no batalhão em Fortaleza e nunca mais pisou no Chaval.
Por A. Morais
Foto do Beto Fernandes.

Talento


Quando a gente ouve falar em talento pensa logo em artista, em gente famosa...Talentoso não é só quem aparece em jornais, revistas e TV. Talento é como impressão digital: Cada um tem o seu e nunca é igual ao do outro. Muita gente fala que não tem Talento pra nada. Se a gente achar que o só os gênios ou os ganhadores do Oscar têm talento, fica difícil ver talento em nós mesmos. Talento não tem que ser notícia, nem recorde, nem ibope. Talento é aquela coisa que a gente faz com naturalidade e faz bem feito! gente que nasceu pra cuidar de casa. Você acha pouco?Administrar uma família exige talento...Tem gente que passa a vida feliz, só consertando carros. Mexer num motor exige talento... Eu vejo talento nas mínimas coisas. O sorriso de um balconista, por exemplo, me chama a atenção pra um talento raro hoje em dia: O talento de ser gentil e atencioso. Eu conheço gente que não tem habilidade nenhuma na cozinha, mas que tem um talento enorme pra reunir pessoas em volta de uma mesa. Aí os jantares ficam inesquecíveis. Eu valorizo muito o talento, por menos visível que ele seja.Você não precisa subir num palco pra mostrar que tem talento. Por trás de um grande espetáculo, tem muito talento em jogo. Do diretor...Ao funcionário encarregado de abrir e fechar as cortinas. Tenha orgulho do seu talento, mesmo que ele não vire notícia. Mesmo que ele pareça tolo aos olhos dos outros. Você é único no que faz.Principalmente se faz com dedicação e humildade.
Texto de Lena Gino

Nota de Reunião da URCA - Campus Oeste - Por: Roberto Siebra

Com a presença de gestores municipais (prefeitos, secretários de educação e vereadores) e de um público formado por professores da rede publica municipal e estadual e alunos universitários, foi realizado na ultima segunda-feira, dia 26, o I ENCONTRO DE GESTORES MUNICIPAIS DA REGIÃO CARIRI OESTE para discutir a Plataforma Paulo Freire programa coordenado pelo MEC com o objetivo de atender todos os professores da rede pública que não possui formação. O evento foi promovido pela Direção da Unidade Descentralizada de Campos Sales em conjunto com a Pró-Reitoria de Graduação da URCA tendo como local o auditório o Hotel Municipal de Campos Sales e teve uma adesão espantosa dos dirigentes municipais desta região.

Na abertura do encontro o Prof. Dr. Roberto Siebra – diretor deste Campus Avançado fez um esboço das atividades desenvolvidas na região pela URCA enfatizando a necessidade de cada vez mais adicionar aos cursos de graduação existentes, outros programas de capacitação que a medio prazo transformara Campos Sales em um centro universitário que canalizará o ensino superior do Cariri Oeste. Em seguida o Prof. Dr. Pimentel, Pró-Reitor Adjunto da PROGRAD, fez a palestra de apresentação da Plataforma Freire, justificando a sua existência, organização e o papel das secretárias municipais de educação na consolidação dos objetivos pretendidos, enfatizando que a URCA aderiu a este programa colocando inicialmente e de forma gratuita, a disposição de todo o professor da rede pública, da região 28 cursos de graduação, em três modalidades:

- PRIMEIRA LICENCIATURA: destinada ao professor que não concluíram uma graduação;
- SEGUNDA LICENCIATURA: destinada ao professor que possui uma licenciatura e atua em área distinta;
- FORMAÇÃO PEDAGÓGICA: destinada ao professor que concluiu um bacharelado.

De imediato serão ofertadas para o Campus Cariri Oeste os cursos de Licenciatura em Sociologia, Geografia, Educação Física e Pedagogia, o que significa dobrar os cursos oferecidos pela URCA nesta região, incorporando ao ensino superior centenas de pessoas que nunca tiveram acesso a esta modalidade educacional e o mais grave, estão nas salas de aula sem condições didáticas e pedagógicas para este fim. Ao final da palestra proferida pelo Prof. Dr. Pimentel, foi a vez dos presentes se pronunciarem, tirando duvidas, oferecendo sugestões e fazendo solicitações de demandas especificas dos municípios presentes ao evento. Destacamos como significativo a critica feita pelos presentes relacionados com a presença da URCA de forma mais constante na região, sendo que a principal reivindicação, comum a todos, foi à necessidade de a atual administração desta Instituição de Ensino Superior, estreitar os laços com os municípios da área geográfica de abrangência da Universidade, sendo inclusive proposta a criação de um órgão que cuidasse especificamente desta questão. Ao final do encontro o Diretor desta Unidade, ressaltou a importância do evento e manifestou a sua alegria pela inesperada adesão dos municípios da região a mais esta atividade.

Por: Roberto Siebra - Diretor da URCA - Unidade descentralizada de Campos Sales

Didi Moraes chega ao Cariri!




No repertório você ouvirá chorinhos, baiões, frevos, valsas, canções e composições de Didi Moraes, Luis Gonzaga, Waldir Azevedo, Caetano, Pixinguinha, Capiba e dos cearenses Pardal e Davi Silvino.
À partir das 20:00 hrs,dia 28/10, hoje,no SESC Juazeiro do Norte,dia 29/10 no teatro do SESC Crato,a turnê é o lançamento do seu CD "Um Cavaquinho, Um Coração e Uma Viola". O espetáculo, que tem o mesmo título do disco - "Um cavaquinho, Um coração e Uma viola" - tem o patrocínio da SECULT- CE (projeto aprovado no Edital de Incentivo às Artes para Pessoas com Deficiência) e é apresentado em parceria com o SESC-Ce.

Didi Moraes (Cavaquinho), Eduardo Holanda e Davi Silvino (Violões) e Igor Caracas (Percussões) estarão sob a Direção Artística da Maestrina Izaira Silvino e Produção de Kaika Luiz.

EUA poderão pagar militantes que renunciarem ao Taleban


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve assinar nesta quarta-feira um projeto de lei de defesa que autoriza o Exército americano a remunerar militantes do Taleban que renunciarem à insurgência. O anúncio sobre o projeto foi feito na terça-feira pelo presidente do Comitê das Forças Armadas do Senado, Carl Levin. A medida tem como objetivo conquistar membros mais moderados da milícia e reintegrar os militantes à sociedade afegã. Levin defende a tentativa de convencer os militantes a "mudarem de lado" oferecendo empregos e anistia a ataques passados, além do pagamento aos ex-insurgentes para que protejam suas cidades e vilas. Segundo o correspondente da BBC em Washington Richard Leister, cerca de US$ 1,3 bilhões seriam destinados ao programa.

Uma medida similar já é praticada no Iraque, onde ex-combatentes são incentivados a se reintegrarem novamente à sociedade. "Você tem 90 mil iraquianos que mudaram de lado e estão envolvidos na proteção de suas cidades contra ataques e contra a violência", disse. Obama estuda um aumento substancial no número de tropas dos Estados Unidos no Afeganistão. Os EUA vêm discutindo a possibilidade de enviar mais 40 mil soldados ao país. Os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) já comandam mais de 100 mil soldados estrangeiros em território afegão.

Fonte: da BBC Brasil

Pensamentos II - 28 de Outubro

"Entre cumprir uma lei que é injusta, ou ter que descumpri-la, para que a verdadeira justiça prevaleça, eu prefiro fazer valer a justiça. Pois o princípio de justiça é o espírito de uma lei maior a que todas as outras devem se submeter."

Sócrates

88 anos da morte da Princesa Isabel – por Armando Rafael



Em 14 de novembro de 1921, falecia no exílio a Princesa Isabel, a Redentora. Para quem não sabe, ela foi a única mulher a ocupar a Chefia de Estado, no continente americano, no século XIX. Isabel foi Regente do Império em 3 ocasiões, substituindo seu pai, e nas vezes que foi Chefe de Estado tomou importantes decisões, incluindo a libertação dos escravos. Ainda hoje, 120 anos depois de regime republicano, nenhuma mulher ocupou o cargo de Presidente do Brasil.

Costumo dizer que uma das primeiras preocupações do historiador deve ser a análise do fato histórico a partir da mentalidade da população, ao tempo que esse fato ocorreu. É fácil lançar libelos contra figuras e casos da nossa história quando se julga acontecimentos de cem ou duzentos anos atrás, pela ótica do hoje. Uma análise serena requer um recuo no modus vivendi da época.
A servidão da raça negra é um desses exemplos. A escravidão ocorreu em quase todo o mundo. Teve início no século XVI, por necessidade da mão-de-obra para as lavouras das terras que eram descobertas. O regime de sujeição da simpática raça negra não foi criação da sociedade brasileira. A história nos mostra: no nosso país quem mais combateu a mancha da escravidão negra foi a Família Imperial Brasileira.
A família de Dom Pedro II não possuía escravos para dar o bom exemplo à sociedade. Cabe a pergunta: por que Dom Pedro II não acabou de vez com a escravidão? Não estava ao seu alcance emancipar os escravos! Diferente de hoje, à época do 2º Reinado a maioria do Parlamento era contrária às iniciativas do Imperador e favorável à manutenção da escravidão. Fortes razões econômicas motivavam deputados e senadores do Império a manterem o status quo.
O Poder Legislativo Imperial era tão respeitado, que, em 1910, Rui Barbosa escreveria: “Na Monarquia o Parlamento era um escola de estadistas. Na República converteu-se numa praça de negócios".
No 2º Reinado vivíamos num Estado de Direito Democrático. A imprensa era livre. O Partido Conservador e o Partido Liberal se revezavam no poder. Circulava até um jornal republicano defendendo a queda da Monarquia. A Constituição, que nunca fora desrespeitada (como viria a acontecer na República) não concedia ao Imperador, por exemplo, dispor de um instrumento tipo a Medida Provisória, usada hoje pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Entretanto, é inegável, de Dom Pedro II e da Princesa Isabel partiram todas as iniciativas que visavam extinguir, de forma gradual, a escravidão no Brasil. Utilizaram para isso o respeito, prestígio e confiança de que eram portadores junto à sociedade brasileira, influenciando parlamentares e ministros nesse objetivo.

Tudo feito constitucionalmente, através de leis conhecidas como: "Euzébio de Queiroz" (1850), "Nabuco de Araújo" (1854) "Lei do Ventre Livre (1871), "Lei dos Sexagenários" (1885), culminando com a "Lei Áurea", assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, que libertou definitivamente os negros do injustificável cativeiro...
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

Um gênio que não se compreende? - Por: Eugênio Bucci


** Dois sentidos convergentes

O título deste artigo tem dois sentidos óbvios – são distintos, mas não são divergentes. O primeiro é mais imediato: refere-se a um gênio que não compreende a si mesmo, que não sabe dizer como é que ele próprio funciona, como pensa, quais máximas guiam suas ações – e, não obstante, ele funciona, pensa e age com maestria. O segundo sentido indaga se o suposto gênio não carece da compreensão dos seus contemporâneos. O interessante é que um e outro sentido nos servem. Por um ou por outro, chegaremos ao mesmo lugar. Pode ser um bom lugar, desde que essa condição que se vai associar à figura do presidente da República, a condição de um político genial, seja posta, por enquanto, sempre diante de uma interrogação. A genialidade não é algo que se afirme assim, sem mais nem menos. Mas, na altura em que nos encontramos, já é algo que se pode ao menos perguntar.

Fora isso, há ainda outros sentidos nesse título, mas desses não nos ocuparemos agora.

** Da genialidade como defeito

A percepção de que Lula tem um quê de genial começa a ser falada por aí, embora um tanto timidamente, com parcimônia. Com um toque curioso: ela aparece mais em discursos que criticam e menos naqueles que elogiam o presidente. Por exemplo: há poucos dias, o articulista José Nêumanne Pinto anotou com todas as letras: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um gênio da política e disso não dá para duvidar." ("Banzé brasuca em Tegucigalpa", O Estado de S. Paulo, 30/9/2009) . Os aliados preferem não se manifestar sobre a poderosa intuição de seu líder, talvez para não passarem por bajuladores – embora, não raro, sejam pouco mais que bajuladores. Já os adversários lhe reconhecem os dons de raríssima acuidade política. Como eu disse, aqui e ali esse reconhecimento já se faz notar. Alguns, no entanto, ao se permitirem admitir o brilho político de Lula, adotam não o tom de elogio, como fez Nêumanne, mas um tom de admoestação. É gozado. Eles não o aplaudem: eles o acusam de ser um virtuose no jogo do poder. Eles o acusam de ganhar todas, de driblar os adversários a ponto de fazê-los perder o rumo, eles o acusam de ser um craque. A sua eventual genialidade, portanto, vira uma espécie de vantagem indevida, uma forma de concorrência desleal. Se dizem que ele é um craque, dizem-no apenas para pedir que se comporte, para exigir dele que não abuse de sua superioridade individual. É quase como se pleiteassem que o presidente fosse considerado hors-concours logo de uma vez, já que, contra ele, os normais não conseguem competir.

Repito que não é esse o caso de José Nêumanne Pinto, mas, em geral, o discurso daqueles que tentam desqualificar o presidente passou por uma transição particularíssima. Antes, eles o atacavam porque ele não tinha diploma, não era poliglota e não lia cinco livros por semana. Agora, atacam-no por ter inteligência, sensibilidade e capacidade de liderança acima da média, mesmo sem ter pós-doc, mesmo sem saber recitar de cor, e em alemão, A crítica da razão pura.

Atacam-no porque seus talentos se converteram agravantes, que encobririam seus defeitos e os vícios presentes em seu governo. O raciocínio desses opositores é elementar: o fato de Lula ser um exímio articulador melhora o governo – o que, vejam bem, é péssimo, pois vem camuflar a incompetência que o cerca. O fato de Lula saber se comunicar com todas as camadas sociais, e isso de forma espontânea, sem ter de chamar os marqueteiros para "traduzir" suas mensagens, torna seu prestígio incontestável, dentro e fora do Brasil – o que é terrível, tenebrosamente terrível, pois mascara os interesses escusos que o sustentam. Segundo essa visão, que se expressa como um resmungo, teria sido melhor para a democracia se Lula fosse apenas mais um medíocre. Mas ele não é. Oh, Deus, ele não é medíocre.

Lula enxerga três, quatro lances adiante e sabe levá-los em conta quando realiza o movimento presente – o que em xadrez é banal, mas em política representa um dom bastante incomum. Para aflição dos antagonistas, é assim que Lula é. E não há o que fazer.

A questão não é se Lula age certo ou errado, se ele é virtuoso ou não. Quando se fala em "genialidade" do presidente, ao menos no sentido que isso vem aparecendo, o que se tem em mente é o fato de que suas jogadas políticas são, cada vez mais, coroadas de êxito. Ele é um animal político eficaz, como poucas vezes se viu. Não importa se para o bem ou para o mal: ele é eficaz. O que ele encasqueta de levar adiante acaba dando certo. É nesse contexto que, agora, os adversários deram de xingar o presidente de genial, mesmo que à boca pequena. É bem isso: eles o xingam de genial. Com inconformismo, com cara feia, reconhecem em Lula essa superioridade relativa. E assim, xingando-o de genial, eles se reconciliam internamente com uma atitude que, em si mesmos, julgam ser generosa.

Além disso, xingar o presidente de brilhante, de inteligente, de genial tem lhes servido de cobertura para que, por meio de um aparente elogio, reafirmem extemporaneamente preconceitos antigos. Eles continuam acreditando que quem não tem diploma não pode governar, mas, em vez de dizer isso, afirmam apenas que o caso de Lula não é parâmetro, não conta, pois ele afinal de contas é um tipo excepcional, é a exceção que não revoga, mas confirma a regra antiga. Dizer então que Lula é um gênio, um tipo único, é um modo de dizer que não surgirão outros iguais. Mais cedo ou mais tarde, as coisas voltarão ao "normal".

É fascinante como se tecem as teias dos sentidos. Concedendo o título de "genial" ao presidente da República, os adversários dizem o que querem e, provavelmente sem notar, denunciam de si mesmos o que gostariam de dissimular. De novo, é o caso de alertar: também no discurso desses que se opõem a Lula há outros sentidos divergentes, além dos que realcei aqui, mas por enquanto não vamos nos ocupar dos demais. Já temos um bolo de sentidos mais do que suficiente.

**...e por falar em sentidos contraditórios

Do mesmo modo, há toneladas de sentidos divergentes e mesmo contraditórios nas profusas declarações de Lula à imprensa. E também nos comícios ou, como se prefere oficialmente, nos atos de governo para fiscalização ou inauguração de obras. Pululam frases que rendem panos e mais panos para mangas e mais mangas na prosa dos comentaristas políticos. A elas se dedicam os exegetas hodiernos, intrigados com o fato de que as palavras desajeitadas do presidente contrastam com a precisão inacreditável de seus movimentos na arena política. De que modo elas os explicariam? Por meio de que charadas, de que cifras, de quais enigmas? Como interpretá-las? Como, por meio delas, entender um pouco melhor o personagem?

A fala de Lula sobre os atos de Lula é fraca, é insuficiente. Sempre. A fala de Lula é constrangedoramente inferior à performance de Lula. Mesmo assim, espera-se dela que ilumine os milhões de pontos escuros de seu estilo prático. Espera-se com razão. Fora seu discurso, não há muitos outros lugares de onde tirar a chave para os movimentos que ele faz. Por isso, suas entrevistas e suas declarações se revestem de tão grande interesse. Não só por ele ser o maior político em atividade hoje no Brasil. Não só por ele ser a autoridade máxima no Estado. Também porque existe esse descompasso enervante entre a clareza premonitória de seus atos na disputa política – quase sempre bem sucedidos – e a precariedade de suas palavras, que só são mais expressivas quando são mais desastradas. É esse desacerto e essa imprevisibilidade, aparentemente fora de controle, que tornam tão atraentes as declarações de Lula.

(Um parênteses. Há aqui uma distinção necessária. Quando fala para os eleitores ou para os públicos internacionais, Lula é claríssimo. Sua comunicação é quase impecável. O ruído acontece quando dele se quer ouvir a teoria sobre a política que ele faz. Aí é que o sentido se bifurca sucessivamente. Quando fala de seu modo de agir, a fala de Lula é sempre insuficiente e refratária.) Enfim, das declarações de Lula à imprensa não se conseguem extrair explicações cristalinas sobre sua ação política. No entanto, quando ele escorrega, quando erra no jeito de falar, acaba revelando involuntariamente o que talvez preferisse manter invisível. Lula se explica melhor quando se trai pela fala. Por isso é que, também nas suas entrevistas e nos seus pronunciamentos, os sentidos cruzados aparecem. E, nesse caso, são muito, mas muito mais interessantes do que os sentidos arrevesados dos que o criticam duramente por ser genial.

Não que Lula não tenha consciência de seu lugar na História. Passados já sete anos de governo, é indiscutível que ele domina bem o papel que lhe cabe. Tanto para o que é bom, modernizante, justo etc., como para o que não é tão bom assim – como os pactos com o fisiologismo e o pragmatismo excessivo, que ele dá sinais de firmar por não enxergar alternativas. O ponto é que sabemos que Lula tem essa consciência de si não pelo que ele diz, mas pelo que ele faz. São os seus gestos que transmitem essa consciência. A sua fala apenas confunde o observador.

O Lula orador não é um bom intérprete do agente Lula – daí a sensação de que, talvez, ele mesmo não se compreenda muito bem. Talvez por isso mesmo, sua fala segue tão irresistível. Por baixo dos sentidos aparentes, insinua-se um riquíssimo acervo de revelações inadvertidas. Vale repetir: também as entrevistas de Lula têm seus múltiplos sentidos – e alguns deles nos interessam aqui.

** Alhos, bugalhos e atos falhos

Vez por outra, as declarações do presidente enunciam o oposto do que ele talvez pretendesse proclamar. Isso acontece com todos nós, não há dúvidas, mas, em se tratando de Lula, o processo chega a ser clamoroso. Mais ou menos assim: ao se referir a um atributo positivo que julga ter, o presidente expõe outro, negativo, que gostaria de ocultar. Não que ele esteja mentindo quanto ao primeiro – o atributo positivo que ele acredita ter. Ele diz a verdade. Mas o outro aspecto, o segundo, o que ele gostaria de sonegar, é também verdadeiro e contradiz o primeiro, sem, contudo, anulá-lo. Assim, o presidente deixa que seu interlocutor lhe veja as contradições – que por enquanto são insolúveis.

Vamos a um exemplo. No dia 12 de agosto de 2009, uma quarta-feira de manhã, Lula compareceu ao culto de comemoração de 150 anos da Igreja Presbiteriana no Brasil. A celebração aconteceu na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Logo depois, a notícia estaria nos jornais, como na reportagem que Luciana Nunes Leal e Alberto Komatsu escreveram para O Estado de S. Paulo no dia seguinte. Na ocasião, Lula reclamou da qualidade da programação de TV, a pretexto de defender os valores da família – que, em nosso país, são valores bastante associados à tradição e à família. Segundo o relato dos dois repórteres, o presidente criticou o excesso de violência e afirmou que, se houvesse aferição de "quantos filmes falam de integração familiar, de amor, de paz", viria à tona que o porcentual "é infinitamente menor do que a quantidade de filmes que começam atirando, terminam atirando e no meio matam pessoas que a gente nem consegue entender por quê".

Lula prosseguiu: "Muito mais graves que os problemas econômicos, sociais, tem um problema crônico que é a degradação da estrutura familiar deste país. Quantos momentos de bons ensinamentos temos na televisão, nacional e importada?" De saída, já existe, aí, uma fratura no discurso: ao reclamar da TV, Lula acaba declarando que vê muita TV, o que não lhe cairia bem, já que, segundo o seu próprio juízo, a TV é tão ruim. Mas essa fratura não é central para o que este artigo pretende focalizar. Por isso, será deixada de lado. Passemos adiante.

Ainda segundo a reportagem do Estadão, Lula disse que está na Presidência "por obra de Deus", no que contou com a anuência do reverendo Guilhermino Cunha, segundo o qual o presidente foi "eleito pelo povo e abençoado por Deus". Entre todas, a frase mais reveladora só viria quando o presidente se retirava da catedral. Na despedida, ele declarou aos jornalistas: "Valeu a pena viver meu cristianismo por algumas horas". Fixemo-nos então nesse arremate. Ele nos interessa mais de perto. Segundo a frase presidencial, "cristianismo" é algo que se "vive" dentro de uma igreja, durante a cerimônia religiosa, por "algumas horas". Por decorrência lógica, quando o sujeito está fora da igreja, vive outras condições de sua existência, mas não o seu "cristianismo". Surge aí a contradição entre aquilo que o autor da declaração se apressa em manifestar de si (que ele tem dentro de si o "cristianismo") e aquilo que o incomoda, ou seja, o fato de ele não viver seu "cristianismo" durante todas as horas do dia.

Sendo assim, cabe perguntar: que tipo de coisa ele estaria "vivendo" nessas outras horas? Uma crítica fácil seria dizer que Lula não compreende o significado da palavra cristianismo. Ele parece não entender que ou bem o sujeito tenta viver o cristianismo durante as 24 horas do dia, ou bem o sujeito não é cristão. Claramente, essa seria uma crítica possível. Ocorre que, além de fácil, ela seria falsa. Não é por aí. Lula não deixa de saber o que se entende por essa palavra, cristianismo. Não é bem de ignorância teológica que ele padece, mas de uma dor subjetiva. Uma lâmina o espreita e, dela, o presidente se sente instado a dar conta – como se precisasse confessar que tangencia o fio da navalha. Essa lâmina é o pragmatismo violento que a política vem exigindo de seus praticantes no Brasil. Na fala oblíqua do presidente, essa lâmina tem parte com o pecado. Lula não se vê como um não-cristão, ele sequer deixa de ser cristão segundo seu próprio juízo, mas, de vez em quando, é obrigado a rezar fora do catecismo, quer dizer, é obrigado a se pautar por outra cartilha, e isso o aporrinha (um pouco, apenas um pouco, mas aporrinha). Ele não chega a se ajoelhar para outros deuses, mas vai até eles e, diante deles, procede às confraternizações necessárias. Não vê como escapar disso e, nesse sentido, lamenta-se.

O que nós temos aqui não é uma mentira oposta a uma verdade. Temos duas verdades. Podemos tomá-las como duas verdades porque elas são perfeitamente verdadeiras para aquele que as enuncia. Mais ainda: duas verdades que se opõem, mas nenhuma tem força suficiente para anular a outra. Então, ambas coexistem, em permanente contradição.

Lula quis dizer que é um cristão (o que é verdade) e acabou dizendo que, nas outras horas do dia, é outras coisas além de cristão (o que também é verdade). Entre essas outras coisas, encontra-se a profissão de político, que lhe impõe um preço alto. Ao que se pode deduzir de suas palavras, o preço que lhe é cobrado é um custo de consciência. Ou, pelo menos, um custo que ele desejaria ver computado como um custo de consciência.

De novo, é preciso dizer: há mais sentidos nisso tudo, mas, por agora, esses aí nos bastam. Mesmo porque prosseguiremos aqui com os conflitos religiosos mais íntimos de Lula, pois eles continuaram habitando a sua fala por mais tempo.

** O ato falho que reincide

Mais recentemente, em entrevista exclusiva a Kennedy Alencar, da Folha de S. Paulo, o mesmo político soltou uma afirmação que virou a principal manchete do jornal de quinta-feira, 22 de outubro de 2009: "`No Brasil, Jesus teria que se aliar a Judas´, diz Lula". Outra vez, emergem aí dilemas da consciência cristã. Outra vez, brotam os sentidos contraditórios.

FOLHA - Ciro disse que o sr. e FHC foram tolerantes com o patrimonialismo para fazer aliança no Congresso. Ou seja, aceitaram a prática de usar bens públicos como privados.

LULA - Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.

Consta que alguém da CNBB logo cuidou de ralhar elegantemente com o presidente acerca da correta interpretação dos evangelhos. Falou-se em fariseus e saduceus, alianças, traições e um pouco mais. Mas não é isso o que vem ao caso – aqui, no caso deste artigo. O que clama no discurso, agora, é que o entrevistado tenta se comparar a Jesus Cristo, não por julgar-se ao nível dele, mas porque não enxerga, de fato, alternativas a um jogo político que o força a buscar o apoio dos patrimonialistas. Nem Cristo faria diferente, ele diz. Assim, expondo-se em um sacrilégio brando, busca uma branda expiação da culpa. Lula não se considera melhor do que Jesus. Lula não se considera igual a Cristo. Apenas confessa, humildemente, que, nessa matéria, a política brasileira, da qual ele entende muito bem, nem Cristo poderia montar uma base aliada mais limpa do que a que ele mesmo construiu.

O encerramento da entrevista também nos interessa:

FOLHA - É o que explica o sr. ter reatado com Collor, apesar do jogo baixo na campanha de 1989?

LULA - Minha relação com o Collor é a de um presidente com um senador da base.

FOLHA - Dá aperto no peito?

LULA - Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. Quando se chega à Presidência, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno.

Assim como os adversários que se sentem generosos quando elogiam o presidente da República por sua notável competência de articulador, Lula parece sentir como uma grandeza de sua parte a capacidade de tolerar os vícios pré-históricos dos que lhe dão sustentação. Ao declarar indiretamente sua grandeza ("você não tem o direito de ser pequeno"), o entrevistado se outorga o perdão que a ele tanta falta faz. A outros, a expressão "você não tem o direito de ser pequeno" poderia significar "você não tem o direito de ter princípios", mas não é isso que conta agora. Para Lula, o fundamental é que o sujeito não tem o direito de ser inflexível. E não vamos discutir aqui se ele tem ou não tem razão nisso, pois aí a discussão seria política, e sairia dos registros estritos dos sentidos que se descolam do discurso concreto.

Só o que se quer demonstrar aqui é que, também agora, o discurso fala pelo avesso. Diz o contrário do que aparentemente pretende dizer e, também aí, diz a verdade – mas uma verdade invertida. Lula diz a verdade quando afirma que o sujeito não tem o direito de ser pequeno. Como isso, diz – o que é incontestável – que precisou sacrificar suas "pequenezas" para conseguir fazer política. Tanto assim que nem Jesus Cristo poderia fazer diferente. Ele fala como quem está convencido de que não pecou, mesmo que ninguém o tenha acusado de pecado.

Prosseguindo, outra vez é preciso afirmar que, também aqui, há ainda outras verdades (invertidas ou não) dentro do mesmo discurso. Outra vez, não vamos delas nos ocupar.

** Eles não sabem o que fazem

Falando em Jesus Cristo, que entrou nessa história mais ou menos como Pôncio Pilatos entrou naquela outra, a que chamam "Credo", ele talvez dissesse ao que chamava de "Pai": "Perdoai-os, eles não sabem o que fazem". Ou: "Perdoai-os, eles não sabem o que falam". Não sabem mesmo. Não sabemos. Ninguém sabe inteiramente, por definição, o que comparece à sua própria fala. A fala é falha, amalgamada de erros, saltos, atos falhos. Somos seres ideológicos não por acalentarmos uma carta de valores que pretendemos traduzir em realidade, não porque queiramos "mudar o mundo" (por favor, não é por isso), mas porque não sabemos o que fazemos ou falamos. Ou por que fazemos. Ou como falamos. E, no entanto, fazemos. E falamos.

Ao falarmos, deixamos no ar as nervuras abertas do manto de palavras embaixo do qual gostaríamos de nos esconder. Queremos nos esconder de quem?

Falemos ainda um pouco da genialidade posta como interrogação.

Há aqueles que se destacam porque parecem ter parte com as leis da natureza e realizam proezas impossíveis aos comuns. Lula sabe o que não sabe que sabe e, por sabê-lo, age como um craque. Age, talvez, por não se preocupar em saber – porque o saber, talvez, o aprisionasse. Seu espírito político sabe – sua fala apenas rasteja ao redor do que seu espírito sabe.

Vamos comparar, porque é inevitável: parece que Garrincha também era um craque – mas que não lhe pedissem para explicar planos táticos, armações de meio campo, contra-ataques e polivalências. Ele seria incapaz de explicar. Sabia fazer, mas não sabia dizer nada das fundamentações do que fazia. Ele sabia, no corpo, que a bola obedecia aos seus comandos, mesmo que tivesse de desafiar a lei da gravidade. Ia lá e... fazia. Pelo menos é o que contam.

Bem, a metáfora esportiva é sempre a pior possível – sobretudo aqui, neste texto, onde não existe uma única letra que goste de futebol – e, não obstante, é com ela que caminharemos para o final. Penso que justamente por explicar tão mal o jogo político que conduz tão bem é que Lula se diferenciou dos concorrentes. Nele, a política é natural. Como se fosse pré-lingüística. Como se fosse infra-lógica. Isso é possível? Não sei – e não importa.

A sua fala cheia de ranhuras, de imperfeições, de quebras sintáticas e anacolutos abissais acaba servindo de comprovação do que nele começa a tomar a forma de uma genialidade atípica. É a prova cabal de que o melhor que ele sabe ele o sabe apenas intuitivamente. O que nos outros é cálculo estudado, nele é reflexo filtrado e refiltrado por uma sabedoria indecifrável. É assim que o que ele fala tem cada vez mais interesse. E é cada vez mais fascinante tentar decifrar. Mesmo quando a gente não consegue.

Por Eugênio Bucci - Observatório da Imprensa

Edições Anteriores:

Abril ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30