xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 12/09/2009 | Blog do Crato
.

VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 24.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

12 setembro 2009

Acreditei numa Mentira por 25 anos - Brasil, Mar de Corrupção !


Acreditei numa Mentira por 25 Anos...


Meus pais me ensinaram grandes valores. Ensinaram-me a ser uma pessoa honesta, batalhar com o suor do meu rosto pelas coisas em que eu acreditava. Meu pai ensinou-me o trabalho, o estudo e o patriotismo. Amar o meu País. Servir à minha Pátria de todas as formas. Foram longos anos de estudo, de luta e de formação de conceitos. Pertenço a uma geração que teve que conviver com soldados no poder, e crer não neles, mas em pelo menos uma coisa que rezava na sua cartilha: A de que o meu país é o meu lar. E de que eu tenho que ser fiel à minha Pátria, honrá-la e respeitá-la. Vivi em tempos de uma ditadura militar, de perigosos anos 70, quando não se podia falar a palavra "comunista" porque poderia ser prêso no Brasil. Já no fim da década, começaram a surgir movimentos para tentar livrar o povo Brasileiro do jugo daqueles a quem todos considerávamos "criminosos", que um dia promoveram o infame AI-5. Surgiu o Partido dos Trabalhadores. Na época, pensei: "Que maravilhoso! Um partido feito por aqueles que trabalham, que realmente constróem o Brasil, que dão o seu suor para sustentar a pátria querida!" . A cada dia, o partido se agigantava e eu me espelhava naquelas pessoas que caminhavam com bandeiras vermelhas, simbolizando o sangue, líamos livros estranhos que falavam em Lenin, Chê Guevara, adorávamos Guevara e tínhamos posters de "Hay que endurecer-se sin perder la Ternura jamás" nas paredes sem mesmo nunca tê-lo visto. Honrávamos as barbas do revolucionário Fidel Castro, dentre tantas coisas. Éramos jovens e puros.

Vieram várias campanhas, dentre as principais, a das "DIRETAS JÁ". Todos juntos, oposição reunida. Lutamos com o coração, ainda que sem pisar como muitos, nos gramados do Congresso Nacional, torcendo debaixo de uma bandeira sob a chuva, que simbolizava o fim de uma era de terror para o Brasil. O Fim de assassinatos, aguardando por "tanta gente que partiu num rabo de foguete", exilados ou auto-exilados por tentar defender as liberdades e garantias individuais do nosso humilhado povo.

E como vibrávamos naquela manhã ! Sentíamos na alma de Brasileiros o doce calor dos novos tempos, dos rostos de cara pintada, dos jovens que éramos, ingênuos, muitas vezes, acreditando e tentando acreditar que nossa pátria estaria finalmente livres de toda a corrupção que nela havia. Veio a morte de Tancredo Neves, que era a esperança para muitos de um Brasil decente. Como nos causou comoção, ver a repórter Glória Maria, em edição extraordinária na TV Globo anunciar que finalmente, Tancredo Neves estava morto!

E ao longo do tempo, os nossos partidos de esquerda ganharam espaço e simpatia no coração do povo Brasileiro. Não de todos. Alguns, surgidos talvez das velhas práticas da antiga ARENA - Aliança renovadora Nacional, se transformaram em PDS, PFL, etc. Esses tais depois pularam de partidos, assumiram a gerência da nação Brasileira, e começamos a ficar desapontados com os novos rumos que o nosso país tomava: Inflação descontrolada, Corrupção descontrolada, escândalos de toda espécie eram comentados nos bastidores, sempre denunciados por nossos partidos de esquerda, como o Partido dos Trabalhadores, o PT, que muito lutamos para que crescesse, ostentando o brasão da ética, da moral e da verdade para o Povo Brasileiro.

Batalhamos muito para que um dia pudéssemos nos livrar das "elites" que dominaram o Brasil desde as já tão longe "diretas já". Após os últimos Presidentes do regime militar, um deles, o João Batista de Figueiredo, que era dado a gostar de cavalos, eram sempre apoiados pela TV Globo, que promovia espetáculos para iludir o povo do Brasil, chegando até a mostrar reportagens sobre cavalos, que o presidente deveria apreciar bastante... Depois, vieram Presidentes estranhos, como SARNEY, ...um cara que usava um topete ridúculo e paquerador, por nome ITAMAR FRANCO, e depois um episódio inédito na política brasileira: Um outro que veio das Alagoas, por nome Collor de Melo, falando de forma enfática, como Hitler, olhando nos olhos, sem titubear, conseguiu nos iludir mais uma vez. O candidato do PT, o nosso Lula, disputou eleição com o Collor, mas perdeu. Entramos pelo cano mais uma vez. Deixamos de acreditar nas "propostas de um trabalhador que veio do Nordeste num pau-de-arara, gente humilde que desde os anos 80 trazia o estandarte da luta contra a corrupção", para acreditarmos na retórica brilhante de um Collor.

Passado algum tempo, vimos que fizemos péssima escolha. O Homem Colorido era um tremendo vigarista. Foi preciso muito esforço e uma campanha de Impeachment envolvendo todo o povo brasileiro para vê-lo saindo pelos fundos do palácio da alvorada num helicóptero, mas ainda assim, de cabeça erguida. Estava fora o caçador de marajás, ele mesmo um dos grandes, que havia oferecido festas nababescas para os seus amigos nas dependências dos palácios de Brasília. Livrávamos naquele instante, de um grande gênio do mal, odiado por todo o povo Brasileiro.

Depois surgiu em cena, um professor. Veio da Sourbone, todo falante, dizia saber muito; Que sabia tirar o país da situação em que se encontrava. O povo Brasileiro, ingênuo, acreditou nos planos mirabolantes desse professor. Só que o professor gostava mesmo era de viajar. Alguns apelidaram-no de Viajando Henrique Cardoso. Este lutou também contra o nosso Lula nas eleições. Assistimos pela TV como desde os anos 80, o Lula mais uma vez disputando, agora bem mais velho, tentando se eleger contra uma "elite podre" que muito dinheiro possuía e que eram "amparados pelas oligarquias de São Paulo" - é o que se dizia. Enquanto isso os trabalhadores faziam piquetes nas portas das fábricas, ostentavam bandeiras vermelhas, gritávamos palavras de órdem, alguns davam seu sangue ( literalmente ), como o Chico Mendes para livrar o País do clima de injustiça e submissão que reinava. Mais uma vez, o mêdo havia vencido a esperança! - "A esperança equilibrista" - na ânsia de que um dia poderíamos ficar livres de vez das muitas mazelas de nosso país. Nossa esperança nessa época, eram os partidos de esquerda, como o PT, o PDT de Leonel Brizola, que era um caudilho, mas que falava com propriedade. Dizia Brizola: "O primeiro ato do meu governo, no dia primeiro, na primeira hora de mandato, é assinar um decreto quebrando o monopólio da Rede Globo de Televisão", empresa criada nos anos 60, com apoio do grupo americano Time/Life e que se prestou a ser o Jornal da Ditadura, mas que após a transição para os governos civis, passou para o outro lado, estando sempre do lado do poder e do dinheiro.

Enfim, o homem da Sourbone e do Neo-Liberalismo, criou coisas aparentemente boas, inventou um tal "Plano Real" que a princípio foi bom, mas depois se mostrou desastroso para o nosso país. Inúmeros escândalos explodiam, e ao final, o Brasil estava pior do que antes, à beira do Caos em todos os sentidos.

Novamente, e imbuídos do mais puro sentimento de patriotismo, voltamos às velhas barricadas daqueles tempos imemoriais, quando em cada eleição, procurávamos trazer aquele que esteve conosco desde os anos 80, falando em todos os meios de comunicação que um governo do PT seria incrivelmente diferente dos anteriores. O nosso "Lulinha" agora estva mais "Paz e Amor". Aquela prepotência, a Arrogância tão características suas, haviam passado, e de cabelo arrumado e paletó engomadinho, se adaptava mais ao perfil que a mídia moderna exigia para uma campanha que pudesse dar certo.

Era talvez a chance de "passar o Brasil a limpo", de ver "se a esperança vencia o medo", de acreditar que pudéssemos nos livrar de toda a roubalheira que sabíamos existir na era FHC de privatizações, que era denunciada pelo Lula e pelos partidos de esquerda.

Vieram as eleições. E novamente, fomos às ruas. Muitos de nós organizaram verdadeiros comitês pela internet, - tempos modernos -, refutando todas as acusações contra nosso líder maior e barbudo. Tínhamos agora acesas em nosso peito aquele restinho de esperanças de ver um Brasil mudado, de ver que num governo de esquerda, não haveria corrupção, pois passamos 20 anos a esperar por esses tais dias.

Eleições concretizadas. Qual não foi a surprêsa para todos os Brasileiros, ao ver que finalmente "A esperança havia vencido o Medo". Lula havia ganho as eleições. Nossos corações vibravam. Éramos um povo feliz. Poderíamos enfim, testar os conceitos daqueles que sempre haviam sido a pedra da vidraça por 25 anos. Poderíamos enfim, por em prática os planos de socialização. A luta pela moralização do país, a luta contra toda a corrupção que existia...mas...


Infelizmente, para nossa imensa decepção enquanto brasileiros, mais uma vez, os nossos guardiães da moralidade, aqueles a quem demos as nossas forças, o nosso suor, o nosso sangue, nos traiu escandalosamente. Começaram a aparecer dados muito concretos de escândalos absurdos, como o Caso Celso Daniel, Escândalo dos Grampos Contra Políticos da Bahia, Operação Anaconda, Escândalo dos Bingos, Expulsão de Políticos do PT, Uso dos Ministros dos Assessores em Campanha Eleitoral de 2004, irregularidades na Bolsa-Escola, Escândalo de Cartões de Crédito Corporativos da Presidência, Escândalo dos Correios, Escândalo da Usina de Itaipu, Caso Daniel Dantas, Escândalo do Mensalão, Escândalo da Quebra do Sigilo Bancário do Caseiro Francenildo, escândalos de corrupção envolvendo ministros no Governo Lula, e muitos e muitos outros. Eram tantos escândalos e até essa data, que são difícieis de enumerar.

Ao ver tudo isso em retrospectiva, vi que fomos enganados por mais de 25 anos acreditando numa lenda. Vi no poder, pessoas em que eu acreditei como sendo os maiores guardiães de um Brasil livre de corrupção cometendo crimes graves contra a nação e ficando na Impunidade. Vi gente como Zé Dirceu acusado de fazer grandes trambiques na sala ao lado do Cacique maior, vi gente como Delúbio na CPI do mensalão mentindo descaradamente, babando e sorrindo, porque sabia que dali sairia uma bela Pizza. Vi Marcos valério e vi muitos outros. Vi gente transportando dólares em Malas e Cuecas. E senti-me triste como brasileiro. Como todos nós que depositamos a esperança num quadro de ética e de moral que era apenas fumaça, mais um engodo para levar gente mesquinha ao poder.

E compreendi que fomos usados e violados no mais profundo senso da vileza humana e deprimente, que é usar-se da boa fé de um povo. Não com meras promessas de uma campanha passageira, como os outros fizeram, mas enganados por um plano ardiloso que já durava 25 anos, sempre nos apresentado como o supra-sumo dos tempos modernos, de um futuro deslumbrante que poderia se descortinar, se colocássemos os partidos de esquerda no poder.

Em nenhum momento deixamos de saber que nos governos anteriores existiu corrupção. Nunca negamos como brasileiros, que essa era a verdade. Nunca deixamos de saber que FHC, Sarney, Collor, Maluf, ACM, não eram homens de todo corretos. Haviam falhas enormes em todos eles. E por essa exata razão é que pensávamos que se elegêssemos aquele que se portou de guardião dos bons princípios que devem nortear a democracia com suas grandes virtudes, pudéssemos reverter todo esse quadro de verdadeira bandalheira que existia e que existe no Brasil.


Mas estávamos errados. Quão profundamente errados! Votamos nos partidos de esquerda como uma espécie de tábua de salvação, de último recurso ao Brasil, e o que ganhamos ? Recebemos o troco pela nossa grande ingenuidade. Estupraram a consciência dos brasileiros com inúmeros escândalos, mais corrupção, e agora mesmo, de forma escancarada. Nem é preciso mais esconder os crimes. Não se precisa nem mais negar. Os homens do poder, podem fazer o que bem quiserem e sair pela porta da frente, sem o menor temor. Negam-se até a depor. Conseguem documentos para isso. Temos um Congresso comprado, loteado, corrupto, que segue as leis de mercado daqueles que pagam mais. Não todos os congressistas, felizmente. Mas as manchetes pipocam todos os dias em TODOS os Jornais do país.

A "esperança equilibrista" que sonhamos para o nosso país, o conjunto de grandes valores morais e éticos ensinados por nossos pais, mais uma vez foram esquecidos. Elegemos aqueles que nos traíram não por uma mera eleição, não por um mandato apenas, mas por toda uma vida. Tiraram dos nossos olhos o brilho da nova esperança para o Brasil. Arrancaram de nossos corações o desejo de lutar e de ainda acreditar que possam existir ainda nesse país homens de boa vontade ( mas sabemos que existem ). Enfim, soterraram sob uma pilha de escombros, os nossos mais sublimes sonhos. Os sonhos de todo um povo de ver gente feliz e soberana, de ver nossas crianças acreditando que nossos ideais de esperança, de honestidade, de educação,, de cultura, e de todas as outras virtudes, seguirão adiante com um futuro certo e de gente limpa. Mancharam e tripudiaram da nossa alma de povo altivo. Cuspiram na nossa honra verde-amarela. Rasgaram a nossa bandeira de luta em troco de mensalões e mensalinhos.


Em que pode o povo Brasileiro HOJE acreditar ?

Em qual político dessa imensa balbúrdia, todos conluiados se pode crer ?
Quando se reuniram num mesmo caldeirão aqueles que passamos a vida lutando contra, tais como Sarney, Collor, Renan, e outros e outros mais... Estão todos aí, estão todos numa boa, estão todos usufruindo do calor da fogueira dos nossos sonhos, do nosso suor, do nosso sangue, e da nossa esperança, que nunca foi de fato concretizada, e que mais uma vez nos trouxe do abismo, aquele que sempre foi de fato o nosso único e eterno "companheiro":



O MEDO !

Todos os Atores desse imenso Circo de Horrores Reunidos:

Todos, Farinha do mesmo Saco!


"Ri! Coração, Tristíssimo palhaço..."

Por: Dihelson mendonça

Imagens do Crato agora a tarde. Pachelly Jamacaru

Coleção milionária de obras de Andy Warhol é furtada nos EUA

Uma coleção original do artista plástico Andy Warhol avaliada em milhões de dólares foi furtada de uma residência no oeste de Los Angeles. A polícia local informou sobre o caso nesta sexta-feira (11).Uma recompensa de US$ 1 milhão é oferecida por informações que levem à localização dos quadros.As obras incluem dez peças do fim da década de 1970 representando atletas famosos da época, incluindo Pelé, o boxeador Muhammad Ali e o ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson.A governanta da propriedade do colecionador de arte Richard Weisman notou a falta de várias peças no dia 3 de setembro, segundo o detetive Donald Hrycyk, da polícia local, que disse que a porta da casa não foi arrombada.Weisman, amigo de Warhol, estava fora da residência há um dia, quando a governanta percebeu que suas obras não estavam mais lá e, por isso, não seria possível saber exatamente quanto o roubo aconteceu.A dezena de retratos furtados fazia parte de uma coleção exposta nas paredes da casa e outros quadros de Warhol que estavam em outras partes da casa não foram levados. Por enquanto não há pistas que levem a possíveis suspeitos, segundo Hrycyk.
Fonte: G1

Onde o PIG é mais PIG.

Livro "A ditadura da mídia", de Altamiro Borges. Segundo o Portal Vermelho: "Na apresentação do livro o autor fala que a mídia hegemônica vive um paradoxo, pois nunca foi tão poderosa no mundo e no Brasil, em decorrência dos avanços tecnológicos nos ramos das comunicações e das telecomunicações, do intenso processo de concentração e monopolização do setor nas ultimas décadas e da criminosa desregulamentação do mercado que deixou livre de qualquer controle público. A obra “A ditadura da mídia” tem o objetivo colaborar com este debate. Não é uma obra acadêmica, mas uma peça de denúncia política. Ela não é neutra nem imparcial, mas visa desmascarar o nefasto poder da mídia hegemônica e formular propostas para a democratização dos meios de comunicação. O livro foi prefaciado pelo professor Venício A. de Lima, um dos maiores especialista no tema no país, e apresenta também um comentário do jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Estará sendo vendido por R$ 20,00 na audiência no local do lançamento. Na venda de cotas para entidades sindicais e populares o valor unitário fica por R$ 10,00. Para adquirir a cota é preciso escrever para: aaborges1@uol.com.br".

Para acessar o Blog do Miro, clique aqui.

O Talento do Violonista e Compositor Chico Pinheiro, e as Novas Cantoras da Música Brasileira

Arte & Cultura Musical

( Hoje dedicado a Alessandra Bandeira, Gaby e Mônica Araripe )

Hoje trago o festejadíssimo violonista e compositor Chico Pinheiro, nome conhecido internacionalmente e com razão. Chico é uma das maiores revelações da Música Brasileira em décadas. Sua forma de compor, com harmonias e melodias exóticas é de uma beleza sem par. Trago aqui apenas alguns exemplos:

Passagem
Intérprete: Tatiana Parra





Na Beira do Rio:
Intérprete: Luciana Alves





Se Depender de Mim
Com a intérprete: Luciana Souza




E aqui vai uma música que muitos ouvintes da Rádio Chapada do Araripe está a escutar com bastante Ênfase. Chama-se: "AQUELA". Uma composição do Chico César, que foi magistralmente reharmonizada e construído um arranjo belíssimo. A intérprete, Tatiana Parra, é de uma finesse e maestria incomparável, nos intrincados caminhos da melodia incrível de "Aquela":





O Talento de Chico Pinheiro


Considerado um dos artistas mais expressivos da música brasileira contemporânea, o guitarrista, compositor e arranjador Chico Pinheiro, nasceu em São Paulo. Autodidata, começou tocando violão e piano aos 7 anos de idade e passou a atuar profissionalmente aos 15 anos. Formado pela Berklee College of Music, em Boston, Chico é hoje celebrado como excepcional instrumentista e compositor único, de extrema originalidade e maturidade, e já reconhecido por Edu Lobo, Moacir Santos, Brad Mehldau e Cesar Camargo Mariano como uma das novas referências, um novo sopro na música brasileira. Seu primeiro cd, Meia Noite Meio Dia (Sony, 2003) - com participações de Luciana Alves, Lenine, Ed Motta, Chico César e Maria Rita - foi incluído pelos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de São Paulo e O Globo em suas listas de melhores do ano.

Em 2005, lançou pela gravadora Biscoito Fino o cd Chico Pinheiro, festejado por imprensa e público e incluído novamente na lista dos “Melhores do ano” pelos três maiores jornais do país, além de receber críticas extremamente positivas na Europa. O cd teve participações de João Bosco, Luciana Alves e Tati Parra.

No mesmo ano, Chico figura como único artista brasileiro solo a se apresentar no palco Jazz do TIM Festival, ao lado de Brad Mehldau, Nancy Wilson, Dave Holland e Birelli Lagrene.
Em dezembro de 2007 lança seu 3º cd, 'NOVA' (inaugurando também o selo 'Buriti') , em parceria com o guitarrista e compositor americano Anthony Wilson ( Diana Krall), disco que novamente foi incluído entre os melhores do ano pela crítica especializada no Brasil, e obtev excelentes críticas nos EUA, inclusive 4 estrelas na revista DOWNBEAT.

Aos 34 anos, já dividiu projetos, gravações e apresentações com Rosa Passos, Luciana Souza, Dori e Danilo Caymmi, Chico César, Cesar Camargo Mariano, Cachaíto Lopez (Buena Vista Social Club), Eddie Gomez, Claudio Roditi, Fleurine, Brad Mehldau, Mark Turner, Chris Potter, Esperanza Spalding, Duduka da Fonseca, entre outros. Tem como letristas mais frequentes Chico César, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, José Miguel Wisnik, Guile Wisnik, Paulo Neves. Chico e sua banda vêm excursionado Europa e Estados Unidos, onde se apresentam nos mais diversos e renomados teatros e Festivais de música brasileira e Jazz.

Dihelson Mendonça

3D é Sensacional ! - Up é melhor ainda... - Por: Demétrius Silva


Em 1994, quando assisti "O Rei leão" da Walt Disney, foi minha primeira experiência numa sala de cinema, inesquecível. Tinha nove anos e me emocionei com a fascinante adaptação de Hamlet incorporados em leões e outros animais da selva. Sem falar naquele telão e aquela imagem diferente do que via na televisão. Aquela imagem de película, textura, tudo isso ajudou para mais tarde eu me apaixonar de vez pelo cinema.


15 anos se passaram, e a Walt Disney já apresenta (desde 1986, encabeçado por John Lasseter) um reforço de peso vinda da empresa de Steve Jobs, a indústria de sonhos chamada Pixar. Brindado com uma tecnologia de ponta e inovadora surgida um ano depois do nosso clássico do Simbad (em longa-metragem, já que desde 1984 se trabalha com animação em computação gráfica), Toy Story mudou mais uma vez a história do cinema, sendo um dos filmes mais rentáveis de 1995. No próximo ano, é bom frisar que Toy Story 3 estará nas telonas no formato 3D também.


E é sobre o 3D que quero falar. Quando você coloca aqueles óculos de papel com um lado azul e o outro vermelho, você termina o filme com uma dor de cabeça, que te faz dizer:

- Pô, legal, mas não quero ver filme assim tão cedo, fico com a cabeça cansada.

E você se prejudica na diversão que o 3D propõe.
O Shopping Via Sul, situado na Washington Soares (para quem quiser conhecer o cinema em férias ou algo parecido) dispõe de 5 salas de cinema convecionais e uma (espetacular aos meus olhos) sala de cinema em 3D da Centerplex.


Os óculos são entregue na entrada, cadeiras enumeradas, poltronas lindas e confortáveis (não teve como tirar foto, esqueci a máquina em casa) e um clima agradável, não tão frio ao ponto de você se incomodar, e nem quente demais no estilo CineCariri.


O filme que acabei vendo, era o filme mais esperado (pelo menos por mim) do ano. Como disse no começo, A Pixar nos brinda todos os anos com algo surpreendente e único de experiência.

Up - Altas Aventuras, tem um "Q" cearense, dublado por Chico Anysio, Carl Fredricksen é o personagem desta estupefaciante estória de um senho de 78 anos que vai em busca de seu sonho de infância depois da morte de sua amada. Afetado por um acidente que o fazem ir para um asilo, Carl da noite para o dia enche vários balões (bola de assopro viu) fazendo a sua casa voar até o "Paraíso das Cachoeiras", localizado na América do Sul.



Brilhante, filme de abertura no Festival de Cannes deste ano, trata uma realidade da solidão de um idoso, de um amor permanente, que nunca morre, da busca de seu sonho, de não ter idade pra realizá-lo, da busca incansável do prazer da vida, da liberdade de encontar sua verdadeira experiência de vida. O garoto Russel, um menino e 8 anos que falta uma medalha para ser um super escoteiro, se vê prisioneiro na casa voadora de Carl, transmitindo uma pureza de amor paterna que Russel dificilmente viveu. A exclusão dos pais nas vidas de seus próprios filhos é mostrado sem piegas e com gags irrevogáveis. Um cachorro esperto que ajuda o Carl a encontar o lado certo da cachoeira (sem contar muitos detalhes para eu não cometer o erro de contar muito) e a Kevin como é batizada por Russel, uma ave exótica e rara que se torna pivô no filme. Nem o canastrismo de Chico Anysio atrapalhou (não, falando sério, Chico é o próprio Carl Fredricksen, está ótimo).

Sentimental, lindo com o visual tridimensional fabuloso, sprite bem geladinha, sua namorada no lado e o melhor da qualidade cinematográfica em projeção (superior e muito ao cinema convencional que costumamos assistir), tudo isso faz com que UP seja o melhor filme de 2009. Como "O Rei Leão", será inesquecível.

Nota: 10
Por: Demétrius Silva - Editor da Sessão Cinema do Blog do Crato.

Cid e deputados trocam insultos

NE - Por essa, você esperava?

O governador Cid Gomes, ontem, mandou que se retirassem do seu gabinete os deputados federais Pedro Ribeiro (PMDB) e Vicente Arruda (PR), após uma áspera discussão entre ele e o deputado Pedro Ribeiro, que cobrava do governador os recursos das emendas que Cid teria prometido aos deputados federais. Vicente Arruda reclamou respeito do governador ao seu colega Pedro Ribeiro e a discussão evoluiu para palavrões.

Como os dois deputados não saíram da sala de despachos do governador, ele próprio retirou-se para o banheiro. Alguns instantes depois, todos os deputados se retiraram para uma sala vizinha, tentaram acalmar os ânimos dos dois colegas e resolveram todos deixar o Palácio Iracema, tentando demonstrar tranqüilidade. A Assessoria do Governador, no início da noite, procurada para falar sobre o assunto demonstrou surpresa com a abordagem e disse desconhecer o problema.

Tudo aconteceu logo após o início da reunião que seria para tratar de questões relacionadas com a distribuição dos royalties pela exploração de petróleo, a contribuição social para a saúde, a liberação dos recursos das emendas de bancada, a Lei do Orçamento da União para o próximo ano e a indignação do governador com o descaso das estradas federais no Ceará. Dos 22 deputados federais e três senadores estavam lá apenas 12 deputados e um senador.

Emendas

O fato começou com a indagação do deputado Pedro Ribeiro ao governador sobre quando ele (Cid) iria liberar os recursos das emendas que prometera aos deputados federais. Cid não teria respondido satisfatoriamente e o deputado insistiu indagando se o governador não iria cumprir com a palavra. Cid não teria gostado e pediu respeito ao deputado que recebeu a solidariedade do colega Vicente Arruda, reprovando a atitude do governador Cid Gomes.

Os ânimos se exaltaram mais ainda e passaram para a troca de palavrões com o governador ordenando a retirada dos dois deputados que se negaram a sair. O próprio Cid Gomes deixou o espaço onde estavam reunidos e se trancou no banheiro.

O constrangimento foi geral e todos terminaram saindo do gabinete e se confinaram em uma sala ao lado, oportunidade que tentaram acalmar os dois deputados e definirem a estratégia de deixar o recinto sem que os jornalistas, postados na entrada do Palácio Iracema, tivessem conhecimento do ocorrido. O deputado José Guimarães, coordenador da bancada, escalado para falar sobre o que deveria ter sido uma reunião, descreveu o que eles teriam conversado antes do entrevero, sem qualquer menção ao fato.

Estavam lá: Inácio Arruda, José Guimarães, Flávio Bezerra, Mauro Benevides, Paulo Lustosa, Eunício Oliveira, Raimundo Matos, Ariosto Holanda, Eugênio Rabelo, Chico Lopes, Gorete Pereira e os dois deputados federais envolvidos.

Fonte: Diário do Nordeste

A maldição da pressa.

As análises políticas costumam descartar fatores psicológicos ou emocionais. Como se a política fosse exercida por super-homens desprovidos de sentimentos, subjetividades ou fragilidades. Como se a disputa pelo poder – objetivo prioritário da competição partidária – fosse dominada exclusivamente pela racionalidade, pela coerência programática e pelo desprendimento pessoal.Não é, nunca foi. Principalmente em ambientes e sociedades onde o confronto de ideias e as próprias ideias são permeadas por paixões, contradições, reversões e improvisações – caso brasileiro. Nossa política raramente tem alguma lógica, dominada pela ilógica, pelos espasmos, estalos e voluntarismos.Uma avaliação psicanalítica dos grandes momentos da nossa vida política – sobretudo em tempos sobre os quais temos informações mais precisas – ofereceria um fascinante repertório de neuroses, delírios, depressões, ciclotimias, vacilações e até covardias. A um ano das eleições presidenciais, quando o tabuleiro de xadrez já deveria estar arrumado e minimamente ordenado, o ambiente psicológico parece ainda tumultuado e precário. Protagonistas agem como coadjuvantes e estes mal cabem em seus papeis. Sequer completaram o ciclo de ensaios.Impera a pressa. A afobação é péssima conselheira e, não obstante, comanda o espetáculo. O problema, na verdade, está no próprio espetáculo, concebido por obrigação, sem criatividade, com jeito de reprise, falta de inspiração.O dono da bola, senhor absoluto da situação, neste exato momento parece a reboque dela. O presidente Lula iniciou o ano empunhando a batuta e abancado no pódio. Sua partitura parecia perfeita, minuciosamente arranjada, tudo previsto, ponderado. Galantemente rejeitara a ideia do terceiro mandato e, em compensação, esmerou-se em reunir um formidável arsenal de armas para fazer o seu sucessor, ou sucessora. Tinha uma bandeira (o PAC, Programa de Aceleração do Crescimento), uma imbatível base política (o PMDB), gozava de uma privilegiada situação econômica (num mundo assolado por uma das piores crises dos últimos 100 anos), era dono de um tesouro submarino (as reservas petrolíferas do pré-sal) e gozava de uma extraordinária popularidade. Inclusive no âmbito internacional.Lula era indiscutivelmente “o cara”. Moedas, porém, são instáveis, quem era cara agora é coroa. O script desandou: na pressa perdeu as sutilezas e sem sutilezas passou a ser executado na base de simplificações. Visível e previsível. O exercício político reclama algum mistério e discrição, magia. Ilusionistas e prestidigitadores adoram aplausos, mas não podem ceder à vaidade, é proibido expor os truques enquanto são executados.A sedução pelo PMDB foi tão alardeada ao longo da Crise Sarney que pareceu fingida e suspeita. A base aliada deveria ser cimentada em torno do PT, o partido do governo, mas o PT hoje é menos festejado do que o PRB ou o PP. A idéia do crescimento acelerado foi convertida numa difusa tabela de obras sem nexo e bandeiras. O prometido canteiro de obras empolga por enquanto apenas os convidados para as inaugurações das placas. Sua façanha maior foi a de atropelar a ala dos ambientalistas chefiada por Marina Silva. Ninguém lamentou a perda, ser governo ensinou ao Partido dos Trabalhadores a dolorosa técnica de engolir o choro e desfazer-se em silêncio dos seus ativos morais mais valiosos.Tudo sai pela culatra, parece até combinado. A tão ansiada compra da frota de supersônicos que merecia ser apresentada como opção de um Estado maduro, moderno e responsável acabou convertida numa quermesse de trabucos, atabalhoada e capipira.Culpa do roteiro ambicioso, culpa de um calendário de repente encurtado, culpa do excesso de palpiteiros, culpa do divã. Ou melhor, culpa da falta de um divã onde as almas abrasadas pela pressa e pela onipotência possam ser submetidas a algum tipo de descompressão. Para ajudar o PAC conviria adotar o PDE, Programa de Desaceleração dos Espíritos. Em altas velocidades, a fadiga dos materiais é mais evidente.

Fonte: Alberto Dine

A Cachaça dos Intelectuais e a Imprensa

A FÁBULA PETISTA E O DEMÔNIO TOTALITÁRIO


“Tudo o que é bom para o PT é ruim para o Brasil.” Não é a primeira vez que escrevo sobre a frase que mais me rendeu protestos. Até alguns “conservadores” fizeram um muxoxo: “Cheira a preconceito.” E daí? O preconceito também é uma realidade discursiva definida por marés influentes de opinião. Não ter alguns corresponde a reforçar outros. Vejam dom Tomás Balduíno, que trocou a Teologia pela Escatologia da Libertação. Ele acredita que lugar de auto-intitulados sem-terra é quebrando o Parlamento ou tungando propriedade alheia. Opor-se a tal prática seria preconceito.

Um “progressista” tem de estar afinado com os deserdados profissionais dos padres, das ONGs e do Chico Buarque. Os “conservadores” preferem ficar no armário, praticando uma ideologia que não ousa dizer seu nome. Ou vão para a fogueira. A esquerda leva vantagem na guerra de valores. Jornalistas acham normal ter como fonte um ladrão - sobretudo se ele roubar em nome da causa -, mas fogem de um “reacionário” ou “direitista”. Supostas maiorias teriam mais direito a preconceitos do que um indivíduo. Com efeito, não existiria totalitarismo sem as massas e suas rebeliões - aprendi com Ortega y Gasset, antes ainda de começar a fazer a barba. Sou tentado a defender o direito que todos temos de ter alguns “preconceitos”. Um sujeito cem por cento tolerante é desprovido de moral pessoal e imprestável para uma ética coletiva. É preciso dizer em certos casos: “Isso não!” Um homem sem preconceitos é um empirista empedernido, uma besta, um monstro amoral.

Há um quarto de século toleramos a ladainha petista sobre “um outro mundo possível”. Até há pouco, os petistas nos vendiam um certo “socialismo democrático”, binômio antitético que a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) ressuscitou em entrevista ao programa Roda Viva. A propósito: ela afirmou lá que apenas 17% das terras agriculturáveis do país são cultivadas. Seria mentira ainda que Marina Silva derrubasse a floresta amazônica e secasse o Pantanal para plantar soja. Não foi contestada em sua logorréia narcotizante. Uma bobagem choca; uma penca delas paralisa os sentidos, especialmente se vêm embaladas naquela cascata de disparates reiterados por sinonímias vertiginosas.

Nunca houve socialismo democrático ou marxismo cristão. Quem acata essas bobagens ou está comprometido com a causa ou procura ser simpático com os “progressistas”. Não ambiciono a ração de boa vontade de adversários. O socialismo matou quase 200 milhões para criar o “novo homem”, e sua primeira vítima foi a liberdade. Tentam pôr no meu colo os mortos das ditaduras de direita. Dispenso-os. Façam como eu: joguem todas elas no lixo. Esquerdistas, no entanto, não reconhecem em Fidel Castro um facínora e têm num homicida compulsivo como Che Guevara um herói, ainda a render filmes e rococós sentimentais. Entronizam um bufão como Hugo Chávez no posto de futuro mártir das causas populares. “Mártir”? Eu e minhas esperanças…

Que bom se a esquerda light e a socialdemocracia estivessem certas, e tudo isso cheirasse à naftalina da guerra fria, sepultada sob os escombros do Muro. Mas estão erradas, e a metáfora é óbvia demais. No Brasil, as seduções do demônio totalitário estão ativas e plasmadas no PT, que segue o figurino do Moderno Príncipe gramsciano. É confortável para os covardes a suposição de que a lenda lulo-petista se esgota no clepto-stalinismo dos quarenta quadrilheiros. É uma forma de colaboracionismo.

Essa lenda contamina as instituições e busca mudar a natureza da democracia. Leiam o texto a seguir:

O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar seu poder ou para opor-se a ele. O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume.

É como Gramsci queria o “partido” que faria a transição para o socialismo aproveitando-se das fragilidades da democracia. Leninismo e fascismo em pacote único. Ele já havia aposentado as ilusões armadas na Europa, mas não a tara totalitária. O PT também arquivou as ambições socialistas - embora financie tropas de assalto à democracia -, mas não a vocação para submeter a sociedade a um ente de razão partidário.

Os sem-preconceito e liberais de miolo mole vêem o partido de Lula seguindo a bula dos mercados e o supõem convertido. Será? O que antes era “criminoso” passou agora a ser “virtuoso” na medida em que “tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe”. Ele é capaz de “subverter todo o sistema de valores intelectuais e morais”. E até os ju ros reais mais altos do mundo se tornam variantes de um “imperativo categórico”.

A trama criminosa é só entrecho de narrativa mais ambiciosa. Nem a eventual derrota de Lula poria fim a essa história. Se vitorioso, o PT tentará perpetuar-se no poder mudando as regras do jogo: o caminho é tornar irrelevantes as eleições como meio de alternância de poder. E pode fazê-lo fingindo obediência ao rito democrático. É de sua natureza. Se derrotado, a “Al-Qaeda” - rede presente nos três Poderes, sindicatos, fundos de pensão, igrejas, estatais, imprensa, movimentos sociais e ONGs - tentará emparedar o próximo governo por meio do confronto e da chantagem. O que fazer? Dizer não ao demônio totalitário. Outras divergências são secundárias.

Tudo o que é ruim para o PT é bom para o Brasil.

(Artigo publicado em O Estado de S. Paulo em 19 de junho de 2006)

Reinaldo Azevedo

Torneiro-mecânico.

Chrage de Bessinha para A Charge Online.

Morre no Rio o escritor Antônio Olinto, da ABL

RIO DE JANEIRO - Morreu na madrugada deste sábado, aos 90 anos, o escritor Antônio Olinto, no Rio de Janeiro. O velório está previsto para começar na manhã deste sábado, na Academia Brasileira de Letras (ABL).Olinto estava em casa, em Copacabana, e teve falência múltipla dos órgãos. Segundo informou a ABL, o enterro está marcado para as 16 horas, no Mausoléu Acadêmico, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.O escritor era viúvo e não tinha filhos. Coincidentemente, Olinto morreu no mesmo dia em que tomou posse na ABL, 12 anos atrás. Ele ocupava a cadeira de número 8, e nela foi sucessor de Antonio Callado.Autor dos romances "A Casa da Água", "O Rei de Keto", "Trono de Vidro", entre outros, Olinto era diplomata e nasceu em Ubá, Minas Gerais. Seus livros foram traduzidos para 19 idiomas.

Fonte: Últimas Notícias

Dica: Um sonho de liberdade – Por Beto Fernandes

Hoje fiquei surpreso ao ler a seguinte manchete no G1: “Desempregado, assassino foragido invade cadeia e pede para ser preso”. O fato aconteceu em Sorocaba onde o homem, de 41 anos, pulou o alambrado de uma prisão e pediu para ser preso. Os guardas e policiais desconfiaram da atitude, mas ele pediu para avaliarem sua ficha corrida alegando ser assassino e desempregado, além de estar sendo ameaçado de morte.

Esse fato curioso aconteceu no dia 10, quinta-feira. Contra ele havia um mandado de prisão na cidade de São Caetano do Sul condenado que foi por homicídio culposo (sem intenção de matar) em regime semi-aberto. Em 2008 ele teria ligado para PM em circunstância parecida pedindo para irem lhe prender.

Leia mais CLICANDO AQUI:

Mas e o que tem essa informação com o título da postagem? É que lembrei do ótimo filme Um Sonho de Liberdade, cujas estrelas principais são Tim Robbins e Morgan Freeman (foto). A película (é o novo) conta a história de Andy Dufresne (Robbins) um banqueiro acusado de assassinar a esposa e o amante em 1946. No presídio ele faz amizade com Ellis Boyd Redding (Freeman) e passa por experiências desagradáveis além de colaborar falsamente com roubos do diretor da prisão, enquanto arquiteta o seu plano de fuga que acaba sendo bem sucedido.

Existem histórias paralelas a principal e uma delas é a de um condenado que teme a liberdade. Ele já estaria familiarizado com a rotina do presídio e dentre outras coisas temia o preconceito da sociedade. Sentindo-se excluído acaba cometendo o suicídio quando vê negado o seu pedido de retornar a prisão. Ellis Boyd que também teme a liberdade um dia define a situação ao dizer que depois de passar tanto tempo na cadeia existe uma certa acomodação e chega a ser possível ver os demais detentos como uma família. Boyd, contudo, não fica desorientado quando sai do presídio e encontra o parceiro Andy que com outra identidade curte não sonho, mas a realidade da liberdade.

Quem já assistiu sabe que estou falando sobre um dos melhores filmes. Quem não assistiu ainda deve fazê-lo e não se deixar iludir por um início de narrativa lenta, mas que vai chamando a atenção à medida que Robbins fica frente a frente com o medo e descobre que pode haver humanidade no que a grande maioria das pessoas acha que é um inferno.
Ficha técnica:

Um Sonho de Liberdade
1994 – Estados Unidos
Gênero: Drama
Duração: 142 minutos
Título original: The Shawshank Redemption
Direção: Frank Darabont
Elenco:
Tim Robbin, Morgan Freeman, Bob Gunton, James Whitmore, Gil Bellows, William Sadler, Mark Rolston, Larry Brandenburg, Clancy Brown, Jeffrey DeMunn.
Sinopse:
Em 1946, Andy Dufresne é um jovem e bem-sucedido banqueiro, que tem sua vida radicalmente alterada quando é mandado para uma penitenciária para cumprir prisão perpétua por ter assassinado sua mulher e o amante dela. No presídio, faz amizade com Ellis Boyd Redding, um prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado paralelo do presídio.

Foto: Divulgação

O Plano D de Dilma.

As pesquisas de opinião ao longo dos anos, na época das eleições presidenciais, como sempre procuram “empurrar” o candidato que conta com o apoio do presidente em exercício para os melhores índices. Neste ano, as coisas não poderiam deixar ser diferentes. A sra. Dilma Rousseff tem o forte apoio do companheiro de partido, o Presidente Lula, às eleições presidenciais de 2010. Embora com tão significativo amparo – quem está no poder usa a máquina pública a seu favor e isso pesa na disputa presidencial – a posição da ministra Dilma no ranking entrou numa fase de estagnação depois de um sucessivo crescimento nas pesquisas de opinião. Esse pit stop deixou seus colegas do Partido dos Trabalhadores que estão no governo em estado de alerta. A parada foi efeito da operação mal-sucedida perpetrada pelo PT no salvamento do presidente do Senado, o senador José Sarney. A origem deste deslize governamental foram declarações (por sinal muito seguras, apesar de não concludentes) da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira sobre uma possível conversa com a ministra Dilma no sentido que a primeira agilizasse a fiscalização da Receita sobre as empresas dos Sarney, provavelmente de forma a não surgirem denúncias que pudessem de vez defenestrar o bigode maranhense do controle do Senado Federal.

O Partido dos Trabalhadores durante anos mirou as benesses que obteria caso um dia chegasse a Brasília e assumisse o controle deste transatlântico de luxo chamado Brasil – país cheio de impunidades e falcatruas. Este sonho de consumo se fez realidade e o partido, por meio de seu ícone (o presidente Lula), assumiu o leme e foi em frente. Ocorreram inúmeras denúncias de tráfico de influências, de desvios de recursos públicos envolvendo integrantes do governo e, na maioria das vezes, o presidente afirmou não saber de nada. Para quem não sabe, todo presidente, em qualquer país, dispõe de um serviço de inteligência e informações que o alerta e esclarece sobre tudo o que está acontecendo em seu governo, “do alfinete ao foguete”. Vamos fingir que acreditamos que ele nunca sabia de nada. E o PT, apesar dos vários desgastes em sua reputação, como todos os outros partidos, não quer deixar o Palácio do Planalto de forma alguma, perpetuando-se no poder. O oásis é tão bom, por que abandoná-lo? Desta premissa, que podemos dizer indigna, o PT pretende continuar no governo vencendo as próximas eleições presidenciais, para isso emprega a figura de Dilma Rousseff, uma ex-guerrilheira cuja vida pregressa no momento não cabe maiores comentários nesta abordagem.
Muito embora o presidente Lula envide esforços no sentido de tornar elegível sua candidata predileta podemos perceber que há um grande abismo em seu caminho. A candidatura de Dilma Rousseff corre o risco de não resistir até 2010, fato observado pelos integrantes do PT e por partidos concorrentes. A sociedade brasileira gosta de nos surpreender nas urnas, elegendo o azarão, mas no caso de Dilma isso pode não acontecer. A maioria conhece Dilma Rousseff dos jornais televisivos. Ela é uma pessoa visivelmente arrogante, agressiva com a mídia e colegas políticos, bem como de uma hipocrisia no que tange o plano político, demonstrando falta de compromisso com a verdade. O povo brasileiro não é contra mulheres no poder, pelo contrário, entretanto, não se percebe acolhimento da maioria da opinião pública de uma mulher no controle supremo. Imagine uma mulher com a alma de um coronel da extinta Gestapo no controle do país. Não queremos uma Margaret Thatcher renascida das cinzas por aqui. Diante dos predicados da candidata, nocivos à imagem do futuro Presidente da República, alguns integrantes do PT sugeriram como substituto o nome de Antônio Palocci (PT-SP), que foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal da acusação de ter participado da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, mas devido ao desgaste sofrido a sua imagem pelo referido escândalo, sua indicação foi descartada. A falta de opções dentro do PT levou o Presidente Lula e o próprio partido a deliberarem pelo investimento na candidatura de Dilma, até mesmo porque, pelo avançar da corrida eleitoral, tornou-se muito tarde uma troca de candidato. Daí a ideia do Plano D, de Dilma, pelo fato do PT e o presidente não terem uma alternativa.
Com tudo que sabemos do passado e do comportamento da candidata do PT, será que o povo brasileiro vai engolir Dilma Rousseff? Esperemos o futuro.


Fonte : Sanharol

Esclarecimento preciso – Por: José Nilton Mariano Saraiva

Particularmente, na condição de católico não praticante (embora já excomungado por alguns mais afobadinhos), entendemos que é preciso que se acabe, no Brasil, com essa lenda de que os milenares e conservadores dogmas da Igreja Católica não possam ou não devam ser questionados ou contestados, e que ela, Igreja, detém o poder e o privilégio da inatingibilidade conceitual.
A Igreja Católica, aqui, em Roma, na China ou em Israel, é composta por homens e mulheres normais, de carne e osso, seres pensantes, desprovidos da infalibilidade, passíveis de pecados, equívocos, enganos, devaneios e, até, parcialidades (sobre alguns dos seus integrantes, inclusive, pesa a suspeita grave de um passado não condizente com os princípios católicos, como o enigmático alemão Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, acusado de ter, na adolescência, integrado um certo batalhão da juventude nazista).
Assim, por reconhecidamente ser uma instituição poderosa e que influencia o debate público no mundo inteiro, a Igreja Católica não deveria estranhar que os que pertencem aos seus quadros (presentes ou não aos seus cultos), aqueles que já pertenceram (e de lá se mandaram por alguma desilusão) ou até mesmo quem nunca pertenceu (por discordância conceitual), têm, sim, o inalienável direito de opinar sobre suas políticas, suas decisões, suas idiossincrasias.
É incompreensível, pois, que aqui no Brasil, onde há a separação entre Estado e Igreja, os religiosos católicos se julguem no direito de criticar decisões baseadas em leis estabelecidas (como a permissão de aborto de uma criança estuprada por um marginal), imiscuindo-se em assuntos que fogem à sua alçada.
Ora, ora, se os integrantes da Igreja Católica se acham no direito de meter sua colher na sopa do vizinho e de discordar das regras do Estado laico e democrático (vide artigo abaixo), certamente que podem, também, ouvir críticas e contestações aos seus dogmas e às suas regras.
José Nilton Mariano Saraiva
Post Scriptum: A reflexão acima tem a ver com algumas críticas que nos foram endereçadas (por telefone e e-mail) em razão de um nosso recente questionamento em relação ao Padre Cícero e ao tal “milagre da hóstia” (aqui veiculado e que reafirmamos).
*****************************
IGREJA, ESTADO LAICO E PODER
O ato de separar as atividades de governo das de natureza religiosa sempre esbarrou no fato de que as crenças organizadas e institucionalizadas consistem em estruturas de poder que serão levadas, inexoravelmente, a disputar espaço com as demais, buscando algum tipo de influência, mesmo quando a hegemonia não é mais possível. O latifúndio espiritual da sociedade foi e continua sendo disputado pelas ideologias laicas e sacras, que agem no mesmo território da formação e desenvolvimento das consciências. Encontrar um equilíbrio nesta matéria consiste em um desafio.
No Brasil colonial (1532-1822) e no Império (1822-1889), o Estado e Igreja se fundiram em uma quase única unidade. O poder político e administrativo era compartilhado por ambos. O catolicismo era a religião oficial de Estado e obrigatória para todos, ou quase. As relações entre a Igreja e os escravos foram problemáticas e inspiradas na ordem social hegemônica do país. Em nome do catolicismo, organizou-se a escravidão dos índios e dos africanos chegados aqui por meio do tráfico.
Veio a República (1889) e instaurou-se a separação entre Estado e Igreja, retirando-se desta as funções típicas de governo, tais como o registro civil (nascimentos, óbitos e casamentos) e impedindo-se a influência clerical nos negócios de governo, bem como a influência do Estado nos negócios religiosos. Começou a vigorar o Estado laico formal, não sem inúmeras contradições e omissões.
A laicidade brasileira foi e continua sendo, do ponto de vista social - relativa - até porque as classes mais ricas sempre gostaram da ostentação católica, demonstrada, por exemplo, no domínio das cerimônias de casamento, de batismo e no controle de grande parte dos cemitérios. Nas classes pobres, a pregação sistemática dos padres e a existência de uma estrutura física e humana impressionante manteve, até bem recentemente, a hegemonia católica inconteste.
Do ponto de vista político, as relações entre Estado e Igreja oscilaram ao longo do século XX. Durante a era Vargas (1930-1964), os interesses da segunda se coadunaram com o primeiro, com poucos conflitos, prevalecendo a colaboração e o entendimento. O formalismo da laicidade brasileira chegou ao seu apogeu. A Igreja pôde participar do pacto político nacional, defendendo os seus interesses específicos, bem como sua postura ideológica internacional.
Durante muito tempo, os padres eram os guardiões do pensamento conservador e da idéia de que o mundo não podia mudar, mesmo que seus problemas incomodassem e fossem por demais evidentes. Guardavam a moral, os costumes e o ponto de vista conservador. A tradição internacional da Igreja de Roma foi, sem nuances e até a ruptura do Concílio do Vaticano II (1962), a de estar do lado dos ricos e poderosos daqui e de toda parte. São bem conhecidas as antigas e profundas relações entre o Vaticano e o nazifascismo.
No Brasil, as autoridades religiosas apoiaram o elitismo reacionário da república cafeeira, a ditadura Vargas e inúmeros governos de direita do século XX. Quando veio o Golpe Militar de 1964, a Igreja dividiu-se em duas alas: uma crítica e militante contra o novo governo, tendo alguns dos seus membros levado isto às últimas conseqüências; outra conservadora e aliada do poder. O primeiro grupo, minoritário, que depois veio a se chamar Teologia da Libertação, fez a opção pelos pobres, retomando e se baseando em uma leitura revolucionária que misturava Marx aos evangelhos e se aplicava aos imensos problemas sóciopolíticos brasileiros. O segundo, majoritário e estático, fez o jogo do poder, colaborando com as ignomínias dos governos militares.
No mundo urbano, a sociedade brasileira se modernizava e deixava de acreditar nas verdades das gerações anteriores. A partir dos anos sessenta, a santidade do casamento e a interdição do sexo antes das núpcias passaram, pouco a pouco, a serem coisas do passado, bem como a visão tradicionalista em relação à contracepção e à liberdade de escolha dos parceiros. Pouco a pouco, alguns mitos católicos foram sendo derrubados em nome das profundas alterações das relações sociais, como um resultado do próprio desenvolvimento do capitalismo. A revolução sexual de 1968 encontrou-se com um mundo diverso, urbano e aberto às novas experiências. O adultério, em um exemplo, perdia seu caráter pecaminoso, sendo integrado às possibilidades vivenciais dos casais em situações difíceis. Aceitava-se nas consciências o que já existia na prática real da vida. As mudanças foram mais fortes entre as classes médias e ricas. Entre os mais pobres, a tradição continuou forte, pelo menos no plano das crenças. O latifúndio espiritual continuou a ser hegemonizado por idéias do passado.
Nas últimas décadas, o mesmo latifúndio se tornou mais complexo com o imenso desenvolvimento alcançado pelas igrejas evangélicas que, no mundo urbano, tomaram grande parte do lugar da antiga Igreja. O materialismo pragmático das mesmas, que alia a fé ao sucesso e ao consumo, pôde preencher espaços deixados pela rigidez católica. A resposta da velha Igreja vem sendo o movimento carismático que, grosso modo, copia algumas das técnicas e do estilo do movimento pentecostal. O movimento conhecido como Teologia da Libertação perdeu fôlego progressivamente devido a forte pressão desarticuladora de Roma, bem como o refluxo dos movimentos sociais urbanos das últimas duas décadas. O fim das ditaduras, o eclipse do socialismo realmente existente, a vitória da penetração do consumismo e de perspectivas individualistas das classes médias aos mais pobres, a derrota das experiências revolucionárias latino-americanas, com exceção de Cuba, dentre outros, ajudam explicar a montagem conservadora das novas ondas religiosas.
Neste contexto, o problema da laicidade se coloca como importante e bastante grave. As forças sociais progressistas devem pressionar o Estado para que mantenha seu compromisso laico, de não aceitar, em nenhuma instância, qualquer interferência nas questões públicas. Não se pode aceitar que, em nome de uma religião, não se ensine a teoria da evolução. O mesmo se aplica ao que se refere à história do Brasil que deve ser vista de modo crítico e com todas suas mazelas. Não se pode permitir que se impeça a difusão de modos de pensar racionais e libertos de uma ossatura eivada de preconceitos religiosos. A liberdade religiosa não deveria ser confundida com a difusão, por exemplo, pela televisão (uma concessão pública) de charlatanismos que misturam religião à medicina e outras irracionalidades. Esta liberdade é um direito de cada pessoa de acreditar no que quiser e de cada religião poder expor o que pensa livremente, sem constranger a outrem.
As crenças preenchem vazios políticos e culturais que, não raro, reduzem o saber a meia dúzia de informações e a respostas manipuladoras. Acredita-se sem duvidar, porque não se foi exposto a outras formas de pensar. Portanto, a verdadeira liberdade religiosa existe, se é possível acessar ao saber e se fazer escolhas. Se isto não é possível, o que há é a escravidão ideológica, a dominação da mente por forças capazes de manipular. O verdadeiro sentido da laicidade seria o de proteger também qualquer religião, desde que ela não se intrometa e queira impor suas concepções conservadoras para além dos seus templos, usando para isto técnicas manipuladoras.
Quem opta por não ter ou praticar qualquer rito religioso deve ser igualmente protegido, em nome da mesma liberdade de pensamento de quem acredita em seus deuses e santos. Juízes, parlamentares, médicos, professores e outros funcionários públicos podem ter a religião que quiserem, só não deveriam usar de seus cargos para tentar favorecer os partidários de suas crenças. Caso contrário, a laicidade é uma burla. Outro sentido correlato da laicidade é o de esperar que as religiões não sejam instrumentos políticos das elites e dos interessados na manutenção da ignorância. Deveriam observar as necessidades de seus crentes e não manipulá-los. As religiões deveriam participar no debate político para além dos domínios estritos de seus templos, isto porque o mundo não termina nas paredes de suas instituições. Não se deseja uma laicidade usada para inibir ou reprimir qualquer sentimento religioso. Ao contrário, a laicidade desejada é a que convida a todos - leigos e crédulos - a refletir sobre suas vidas e suas crenças.
Autor: Luís Carlos Lopes (professor) - Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

Deputado questiona loteria criada pela Prefeitura de Juazeiro do Norte

O deputado estadual Heitor Férrer (PDT) está provocando o Ministério Público Estadual para que a Instituição ingresse com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra lei aprovada pela Câmara Municipal de Juazeiro do Norte (Região do Cariri), em julho último.
A lei autoriza a Prefeitura a instituir uma loteria municipal, estipulando que a renda é para investimento em projetos sociais. Segundo Heitor Férrer, a medida compete “privativamente’ à União legislar sobre sistema de consórcios e sorteios.
O parlamentar adianta que há súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal considerando inconstitucional qualquer ato que disponha sobre bingos e loterias municipais. Nessa provocação está também o tucano Vasques Landim.


Fonte: Eliomar

A “Gaiola das Loucas da América Latina” tem novidades


Presidente Evo Morales quer futebol estatizado na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, quer levar ao extremo a presença do governo no futebol do seu país. Descontente com o desempenho da seleção boliviana, que recebe o Brasil no próximo mês, nas eliminatórias sul-americanas (está na penúltima posição e já sem chance de garantir uma vaga na Copa do Mundo da África do Sul), o político disse ser a favor da estatização da modalidade.

"O futebol tem um caráter privado, mas tem que ser estatizado para ter uma representação digna", disse Morales na cidade de Cochabamba. "Lamentamos o desempenho da nossa seleção nas eliminatórias. O futebol até agora foi dirigido por personalidades esportivas, mas não dá resultados", completou o presidente. Morales, porém, reconhece a dificuldade na intervenção, que pode fazer até com que a Fifa exclua o futebol boliviano das competições internacionais.

Não é de hoje que o político boliviano coloca o futebol como assunto de Estado. Além de ser o principal opositor à tentativa da Fifa de proibir jogos internacionais na altitude, Morales já abriu os cofres públicos para o futebol. Primeiro, comprou os direitos de televisão dos jogos do país pelas eliminatórias para uma emissora estatal. Isso, segundo ele, para permitir que a população rural e os indígenas espalhados pelo país pudessem ver a seleção nacional. Com o apoio do presidente, a Federação Boliviana de Futebol escapou de perder sua sede principal, em Cochabamba. Segundo a Receita Federal boliviana, a FBF devia cerca de US$ 3 milhões em impostos não pagos desde 1994. O órgão governamental queria leiloar a sede da entidade esportiva para pagar a dívida. Mas, com o apoio de Morales, os cartolas renegociaram a dívida, que caiu para US$ 2 milhões e foi dividida em suaves parcelas, e seguem com o prédio.

Fonte: Folha de S.Paulo

Vice-presidente de Cuba morre aos 82 anos de idade

O vice-presidente do Conselho de Estado de Cuba, Juan Almeida Bosque, morreu na noite desta sexta-feira (11), em Havana, vítima de uma parada cardiorrespiratória, informou a imprensa oficial do país."Com profunda dor, a direção do Partido (Comunista de Cuba) e do (Conselho de) Estado comunica ao povo" o falecimento de Almeida, também comandante da revolução e membro do birô político da ilha, escreve o diário "Gramma".
O governo cubano decretou luto oficial no domingo.
As autoridades cubanas convidaram a população a prestar uma última homenagem a Almeida em atos programados para acontecer na capital e em outros pontos da ilha.
O corpo do vice-presidente cubano, que não será exposto, segundo sua última vontade, vai ser enterrado com honras militares em data ainda não especificada.Até esta sexta-feira, Almeida era um dos únicos três dirigentes ainda vivos a ostentarem o título de Comandante da Revolução, junto com Ramiro Valdés e Guillermo García. Era também vice-presidente do Conselho de Estado, membro do poderoso Birô Político e do Comitê Central do PCC, além de deputado.Nascido em 17 de fevereiro de 1927, Juan Almeida acompanhou os irmãos Fidel e Raúl Castro durante mais de meio século de revolução, marcando presença da população negra e de caráter popular no mais reduzido círculo de poder da ilha.Pouco depois do golpe de estado que em 10 de março de 1952 instalou a ditadura de Fulgencio Batista, Almeida, então um pedreiro de 25 anos, conheceu o advogado Fidel em uma reunião organizada para preparar a luta.Atirador hábil, estava junto a Fidel Castro no frustrado assalto ao Quartel Moncada em 1953, depois na prisão, no exílio no México e na expedição do iate Granma (1956) para lutar na Sierra Maestra.Principal assessor de Fidel na guerrilha, foi o terceiro - depois do argentino Ernesto Che Guevara e de Raúl Castro - a quem o líder revolucionário entregou os graus de comandante rebelde."Sempre vi Fidel como um líder indiscutível, que nos guiou e preparou para que a revolução não se detivesse. Raúl foi como um irmão mais novo, somos companheiros de luta, irmãos de sentimento, amigos de coração", declarou em uma entrevista ao jornal Granma no ano passado.Almeida teve nove filhos de três casamentos. Sua primogênita, Beatriz, vive nos Estados Unidos desde 2005, e um dos rapazes, Juan Juan Almeida García, foi detido em maio passado quando tentava imigrar ilegalmente para Miami para se reunir com sua esposa. Acusado de espionagem, publicou um livro contando sua experiência.
Fonte G1

Coisas do Brasil - Desempregado, assassino foragido invade cadeia e pede para ser preso


Ameaçado, ele procurou prisão na quinta (10), no interior de SP.Não é a primeira vez que faz isso: em 2008, ligou para PM para prendê-lo.Alegando ser assassino, desempregado e ameaçado de morte, um homem de 41 anos pulou um alambrado, invadiu uma prisão em Sorocaba, a 100 km de São Paulo, e pediu para ser preso. De acordo com a polícia da cidade do interior do Estado, o caso curioso ocorreu na quinta-feira (10). Ainda, segundo a polícia, num primeiro momento os agentes do Centro de Detenção Provisória (CDP) desconfiaram da história do homem, mas o prenderam após ele pedir para pesquisarem sua ficha de antecedentes criminais.Os agentes então perceberam que o homem se tratava de um procurado pela Justiça. Havia um mandado de prisão contra ele feito em São Caetano do Sul, no ABC. O homem em questão havia sido condenado por homicídio culposo (sem intenção de matar) em regime semiaberto. Ao ser preso, o homem agradeceu aos agentes e disse que se sentia mais seguro atrás das grades do que livre nas ruas. Segundo informou a polícia de Sorocaba, ele tem medo de ser morto por causa de desavenças com inimigos.Não é a primeira vez que o homem que se diz assassino se entrega porque quer ser preso. Em agosto de 2008, ele ligou para o telefone 190 da Polícia Militar, deu seu nome e pediu para verificar se era procurado pela Justiça. Assim que o PM confirmou, o homem deu seu endereço e pediu que um carro da polícia fosse buscá-lo. Como havia sido condenado ao regime semi-aberto, não ficou na prisão.

Fonte: G1

Grupo de parlamentares federais já pensa em reajuste salarial

“Um grupo de deputados quer pegar carona no aumento salarial aprovado esta semana pela Câmara para os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e colocar em discussão um projeto que equipara os salários dos três Poderes. Os parlamentares articulam nos bastidores a elaboração de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para assegurar que os vencimentos da Suprema Corte sejam repassados para deputados, senadores e para o presidente da República.Se a proposta de reajuste do STF também for aprovada pelo Senado, os ministros vão passar a ganhar R$ 25.725 –logo após aprovação– e R$ 26.723 a partir de fevereiro de 2010. Atualmente, o salário dos ministros é de R$ 24.500, uma diferença de R$ 7.988 para o salário dos deputados, que é de R$ 16.512, e de R$ 13.080 para o vencimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é de R$ 11.420.Os deputados, no entanto, ainda não entraram em acordo sobre quando esta PEC deveria constar na pauta de votações da Câmara. Uma das ideias é que a equiparação só tenha validade para os parlamentares e o presidente que tomarem posse em 2011. Outros avaliam que a matéria pode ter efeitos práticos na contas deles já em 2010.”

Fonte: Eliomar

Deixe estar jacaré a lagoa vai secar!!!

Tudo certo, sala de vídeo pronta, filme "Anjos e Demônios" locado, pão de queijo tradicional receita mineira quentinho, coca-cola e fanta uva, rodízio de pizza e de sobremesa um belíssimo petit gateau.
Todos prontos, casal de amigos carioca e sua filha chegam, Duda, Pirose,Francisco, Tiago, Lorenzo e Gaby e essa pessoa que vos escreve ansiosos para ver o filme mas paciente esperando a chegada daquele que sempre atrasa, mas vem Dihelson Mendonça, 22h nada dele, 23h nem sombra, 24h nem um telefonema.
Mas deixa para lá ....
Pode ter certeza que perdeste um grande filme e um ótimo banquete!!!
A tristeza dessa história e porque estávamos lá para comemorar o termino de uma ardúa semana, de recomeço , e principalmente por ter terminado o orçamento da sala de jazz de Dihelson.
Mas tudo bem! Deixe estar jacaré a lagoa vai secar!!!

Crato - BLOGurgente: Motorista evita tragédia em acidente com universitários! - Por Wilson Bernardo.


N
este exato momento, precisamente as 09:oo da manhã de Sábado, alunos da Cidade de Milagres do curso de Biologia da Univ. Regional do Cariri(URCA), se deslocavam para aula de campo na Chapada do Araripe, na subida da conhecida ladeira do Matadouro em Crato, e provavelmente, por falha mecânica e freios o ônibus, por pouco não causa uma tragédia anunciada, justamente pelas condições de conservação, que é uns dos problemas graves na região do Cariri, mas devido a habilidade do motorista e um divino poste de eletrificação evitou assim, conseguências maiores...O blog informa aos familiares, que passado o susto, todos estão bem.


Eis o poste Salvador.



Wilson Bernardo (Texto & Fotografia)

Ceará 2010: o melhor dos mundos

Segundo o nosso Presidente Luís Inácio Lula da Silva, em suas recentes declarações em sua passagem meteórica e midiática pelo Estado do Ceará, em breve teremos uma Refinaria Premium de Petrobrás, processando óleo do Pré Sal da Bacia de Campos, uma mega Siderúrgica da Vale do Rio Doce, produzindo chapas de aço planas, uma Mina e Indústria de Processamento Uranio em Itataia, uma Central de Energia Nuclear, uma base de lançamento de foguetes transferida de Alcantara, no Maranhão para cá, a maior Usina de Energia Solar do mundo, nos Sertões dos Inhamuns e além disso a Ferrovia Transnordestina ligando os cerrados do Sul do Piauí ao Pecém, na qual ele fará a primeira viagem de Missão Velha no Cariri à Fortaleza.

Nota do blogueiro: sem esquecer que serão investidos 9,4 bilhões em reais em Fortaleza, para preparar esta cidade como uam das subsedes da Copa 2014. Haja folego para acreditarmos em tanto messianismo.

Comandante da Aeronaútica pediu para sair

O Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, pediu demissão do cargo na segunda-feira passada por causa das declarações de Lula decidindo a compra dos 36 caças franceses antes mesmo que a própria Aeronáutica terminasse a análise das propostas. Lula contornou a ressaca da crise e Saito resolveu ficar.

Fonte: Lauro Jardim/ Veja

Programa Globo Universidade destaca natureza e cultura do Cariri


O Globo Universidade desta semana vai ao Cariri, no sul do Ceará, para mostrar duas riquezas regionais, sendo uma delas natural, outra cultural. A repórter Bianca Rothier vai ao Geopark Araripe acompanhar um dia de trabalho de campo de alunos de Geologia que viajaram mais de dois mil quilômetros para pesquisar numa das áreas de maior concentração de registros fósseis do mundo. Enquanto isso, o repórter André Curvello vai a Juazeiro do Norte, terra de Padre Cícero e um dos maiores centros de romaria do Brasil, ver como o trabalho de uma professora está ajudando a transformar em patrimônio nacional o que já é consagrado pela fé popular.

Uma aula ao ar livre normalmente já é bem mais interessante que uma aula entre quatro paredes. Imagine, então, uma aula para estudantes de Geologia num geopark com evidências geológicas da pré-história e que é considerado um dos maiores depósitos de fósseis do período Cretáceo (120 a 80 milhões de anos atrás) do mundo. Pois é exatamente essa experiência que o professor Ismar de Souza Carvalho, do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), proporciona a seus alunos de graduação e que a repórter Bianca acompanha de perto. O Geopark Araripe, no Crato, ocupa uma área de mais de 5 mil quilômetros quadrados e tem registro fóssil muito preservado, além de uma enorme densidade e diversidade. Ter acesso a esse tipo de prática de campo ainda na graduação é fundamental na formação dos futuros geólogos. A expedição começa com explicações gerais sobre o contexto paleogeográfico em que eles se encontram: “O Araripe ficava na parte mais interna do Continente Gondwanico. As rochas que se originaram nesta região têm uma relação direta com o momento em que a América do Sul e a África vão se separar”, diz Carvalho. Na sequência, os alunos são separados em grupos menores com o objetivo de multiplicar as chances de encontrar fósseis. Depois de horas coletando amostras, fazendo registros fotográficos e construindo perfis geológicos, alunos e professores se reúnem para apresentar as conclusões do dia de trabalho e, assim, trocar experiências. “O grande desafio dessa nova geração de geólogos que a gente está formando é: como fazer a prospecção dos bens minerais e fazer a conservação das paisagens naturais e do nosso planeta como um todo”, conclui Carvalho.

Renata Marinho Paz, professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri (Urca), desenvolve, desde 1992, várias linhas de pesquisa na área de cultura popular da região. Recentemente, foi coordenadora do Projeto Cariri, uma parceria entre a universidade e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), cujo objetivo foi fazer um inventário dos bens imateriais da região do Cariri. Entre os mais de 50 bens imateriais levantados estavam a obra do escultor juazeirense Manoel Graciano; a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio; e os lugares sagrados das romarias de Juazeiro do Norte. Um dos locais que André visita nesta edição do Globo Universidade é o Centro de Cultura Popular Mestre Noza, um dos principais centros de produção de artesanato do Nordeste. “A produção do Manoel Graciano é interessante porque ele mescla um pouco do imaginário da cultura popular da região do Cariri, elementos indígenas e consegue expressar isso com uma beleza muito singular em suas obras”, explica Renata. Em outra reportagem, André acompanha a professora à Colina do Horto, um dos pontos de maior devoção das romarias de Juazeiro do Norte e até do Brasil. Ponto de parada obrigatória dos romeiros, é lá que fica a enorme estátua de Padre Cícero. “Se você tem contato com esta religiosidade, vai perceber uma riqueza imensa. Aos olhos das pessoas que não conhecem este espaço especificamente aqui na Colina do Horto, ele é muitas vezes percebido como local de fanatismo, de exploração. Mas aqui é também um espaço de profundas manifestações devocionais populares, de uma riqueza simbólica que se materializa, mas que também é quase imperceptível para aquelas pessoas que não têm a sensibilidade para compreender”, diz a professora. “Às vezes, a gente fica muito fechada ‘nas Torres de Marfim da Academia’, e esse contato com essa expressão (...) faz com que a gente repense um pouco nossos valores.”
O Globo Universidade, exibido aos sábados, às 7h15, na Rede Globo, leva ao ar reportagens sobre ensino, pesquisa e projetos científicos realizados no meio acadêmico. O programa é reprisado no mesmo dia na Globo News, às 13h05, e às quartas-feiras no Canal Futura, às 16h30. As edições também estão disponíveis na íntegra aqui, no site do Globo Universidade.

Crato - Escritor Ronaldo Correia de Britto visita cidade natal - Reportagem: Antonio Vicelmo

Em visita ao crato, o escritor Ronaldo Correia de Britto fala de um sertão que nada tem a ver com a visão lírica dos regionalistas, nos entremeios do local e do global (Foto: Antônio Vicelmo)

Crato. O escritor Ronaldo Correia de Britto, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura com o romance "Galiléia", encontra-se no Crato visitando familiares. É uma volta às raízes, ou melhor, à cidade onde ele fez o curso primário na Escola de Ensino Fundamental Francisco José de Brito e um exame de admissão, ginasial e científico no Colégio Diocesano, lembra. O Cariri, segundo Ronaldo, o impressiona pelas suas potencialidades e exuberância, apesar da crescente destruição ambiental. Cearense de Saboeiro, radicado em Recife, o médico de 58 anos nunca se afastou de sua aldeia, de seu lugar. Ma o sertão onde ele viveu já não é mais aquele do passado, destaca sem nenhum saudosismo.

Cara de matuto, cabeça chata de cearense, descendente de índios jucás, Ronaldo não se considera um sertanejo no sentido lírico da palavra. Ele diz que, mesmo morando no Crato, vivia antenado com o mundo. "Naquela época, o Crato era uma cidade luminosa", recorda. Ronaldo não se considera um regionalista. Na entrevista que concedeu ao Diário do Nordeste, Ronaldo diz que tem três referências: o sertão dos Inhamuns, onde ele viveu até os cinco anos, o Crato, onde estudou, e o Recife, onde mora atualmente. O escritor afirma que, ao contrário de outros autores, ele desmistifica o imaginário que existe sobre o sertão, com um outro olhar para esta paisagem tão presente na literatura brasileira. O sertão que Ronaldo descreve é a periferia das cidades, um sertão em que as pessoas falam para o mundo através de celulares e outros equipamentos de comunicação.

Nascido no mesmo sertão onde está fincada a fictícia fazenda Galiléia, o contista, dramaturgo e roteirista conhece profundamente o cenário escolhido para ambientar seu primeiro romance. Hoje, as cidades sertanejas, segundo ele, estão cheias de lan houses e cyber cafés, com toda uma problemática da globalização. É dentro deste contexto que o livro "Galiléia" foi escrito. A história gira em torno de três primos que atravessam o sertão cearense para visitar o avô Raimundo Caetano, patriarca de uma família numerosa e decadente que definha na sede da fazenda que dá nome ao livro. Ismael, Davi e Adonias passaram parte da infância ali, mas fizeram o possível para cortar os laços com a terra de origem. Fazem parte de uma geração que largou o campo para nunca mais voltar, mas que ainda guardam ligações profundas com o sertão onde nasceram.

"O meu sertão é a paisagem através da qual eu interpreto o mundo, o de hoje, o globalizado, o que rompeu com as tradições. Interessa-me a decadência, a dissolução. Meus personagens migram, sofrem o embate com as outras culturas", define. O escritor explica que a mudança é inevitável. Ele conta que, uma vez, ao assistir o trator passar por cima de casas velhas, abrindo estrada, ficou revoltado. Depois, concluiu: "É a realidade, é o progresso".

"O livro fala das questões do nosso tempo, os conflitos de cultura, as migrações, a dissolução da família tradicional. Jogo na mesa os conflitos insolúveis entre cidade e campo", explica ele. Considerado um dos melhores escritores de sua geração, Ronaldo, no entanto, é visto como um hóspede comum no hotel onde está hospedado. Nem mesmo a atendente sabe quem é aquele médico que foi convidado para ensinar numa universidade da Califórnia e tem dois contos para serem transformados em minissérie da TV Globo. No momento, está terminando dois livros e "alinhavando" o próximo romance.

FIQUE POR DENTRO

Conheça a trajetória do escritor cearense

Ronaldo Correia de Brito nasceu na cidade de Saboeiro, no sertão dos Inhamuns. Quando tinha cinco anos, a família mudou-se para o Crato, na região do Cariri. Aos dezessete anos, foi estudar em Recife, tendo se formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Desenvolveu pesquisas e escreveu diversos textos sobre literatura oral e brinquedos de tradição popular, além de ter sido escritor residente da Universidade da Califórnia, em Berkeley, no ano de 2007. Escreveu os livros de contos "As Noites e os Dias" (1997), "Faca" (2003), "Livro dos Homens" (2005) e a novela infanto-juvenil "O Pavão Misterioso" (2004). Dramaturgo, é autor das peças "Baile do Menino Deus", "Bandeira de São João" e "Arlequim". Escreveu durante sete anos a coluna Entremez, da revista Continente Multicultural. Atualmente, assina uma coluna semanal na revista Terra Magazine, do Portal Terra. Em 1975, fez o filme longa-metragem "Lua Cambará", em parceria com Assis Lima, Horácio Carelli e Antonio Madureira. Seguem-se curta-metragen e documentários para televisão.

Mais informações
Galiléia
Autor: Ronaldo Correia de Brito
Editora Alfaguara
Preço: R$ 34,90


ANTÔNIO VICELMO
Repórter do Jornal Diário do Nordeste
Colaborador do Jornal Chapada do Araripe

Edições Anteriores:

Abril ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30