xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 09/07/2009 | Blog do Crato
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VÍDEO - Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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09 julho 2009

ESCOLA DOM QUINTINO -Por Maria Otilia


Parabenizamos a postagem feita por Armando Lopes Rafael sobre o primeiro Bispo do Crato, Dom Quintino. A nossa escola vem resgatando a sua história, já que recebeu o seu nome como denominação( EEF Dom Quintino), homenageando assim o primeiro Bispo do Crato. Venha conhecer também o memorial sobre este grande homem, que se encontra no Colégio Santa Tereza de Jesus. Lembrando aos historiadores do Crato, que a Escola tem interesse em desenvolver um projeto, a nível de município, sobre a trajetória religiosa e pessoal sobre esta grande personalidade.
Texto e Postagem: Maria Otilia

Centenário de Patativa do Assaré - Por: Dimas Macedo / Emerson Monteiro

Nota do Editor: Essa posategm é kilométrica, mas de tal porte também é o homenageado: Patativa do Assaré. Saudemos esse gênio.

Nasci em 1956, na região Centro-Sul do Ceará, quase em confluência com o Cariri cearense e à relativa distância da cidade de Assaré, terra natal de Patativa. Sou produto, portanto, do grande sertão e acho, sinceramente, que fui ungido pelo signo que marcou a estréia de dois gigantes da literatura brasileira do século precedente.

1956, não podemos esquecer, é o ano da publicação de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, e de Inspiração Nordestina, de Patativa do Assaré. O que une estes dois escritores e o que os consagra é a originalidade com que recriaram, com linguagem nova, a ciranda das palavras, a partir da memória e da oralidade, valores com os quais o sertão sempre se reveste.

Se Riobaldo constitui o idioma poemático de Rosa e o engenho da sua versão encantatória do mundo, Patativa do Assaré é, ele próprio, um conjunto de engenhos e personas e de representações pragmáticas que empresta voz aos excluídos: um Riobaldo castigado pela inclemência das secas, a lapidar o ouro das palavras e a reconstruir o chão da esperança.
Assim como o autor de Sagarana, Patativa do Assaré inventou uma linguagem e um estilo literário próprios e criou um dialeto linguístico de raízes predominantementes sertanejas, ligadas à oralidade e ao cancioneiro, lembrando, neste ponto, a constituição da língua brasileira, fundada por José de Alencar. E nisto, com certeza, reside a genialidade múltipla e singular da sua produção artesanal.

Patativa é, a seu turno, a encarnação viva do sertão, a palavra enquanto instrumento de denúncia, a significação sinfônica do silêncio, a oralidade que mapeia e ordena a literatura e a gramática que se fazem, por fim, transmutadas ao campo da escrita.
Conta o poeta Patativa que, aos oito anos, ouvindo a melodia e o gorgeio dos pássaros, despertou definitivamente para os grandes sentidos da palavra e da sua existência no mundo, pois que a natureza possui uma lei eterna e infalível e que aos deuses e poetas é facultada a criação enquanto princípio de interpretação de todas as coisas existentes.

O homem, com certeza, não é grande pela sua erudição ou pela sua razão ou pela capacidade de domínio com que enfrenta as convenções e se adapta à liturgia do poder. Ele é eterno, ao contrário, pela fundação da sua verdade pessoal e pela formação do seu mito face aos desafios da realidade que lhe é circundante.

Se Rosa deu voz a Riobaldo e Riobaldo deu voz ao sertão dos tangedores de gado e bandoleiros do Meridional, Patativa do Assaré falou, com destemor e bravura, de homens e mulheres imantados ao chão do latifúndio e excluídos do processo político e social.

Não foi, como pensam certos setores da cultura livresca e acadêmica, um poeta ingênuo e apartado dos valores da língua e da gramática. Estudou manuais de versificação, soube aceitar a cegueira completa de um olho, aos cinco anos de idade, como sinal do destino ou da predestinação que faria dele uma espécie de Camões sertanejo ou, melhor dizendo, um Homero do semi-árido nordestino.

Em Castro Alves viu a expressão maior da poesia do Brasil. Apaixonou-se, desde cedo, pelo social. Tornou-se, com o tempo, um homem destemido e exasperadamente verdadeiro e sincero. Proclamou a verdade e a justiça como paradigmas. Foi atingido pela repressão e a censura. Foi detido por questionar, em versos de bom feitio literário, a legitimidade de certo gestor da sua terra. E foi um defensor exaltado da poesia como valor maior da sua passagem entre nós. Fez da denúncia o seu apostolado e dos seus recursos vocais e estilísticos a expressão maior do seu alto poder de criação.

Foi um prodigioso memorialista e um político sutil e maneiroso das reinvidicações da cearensidade e da nordestinidade sertanejas. Lutou pela Anistia e as Diretas, opôs-se ao poder oficial, e apoiou, no Ceará, a luta pela modernidade da política e do governo, fazendo, por fim, de Assaré, o maior e o mais astucioso atalho do sertão.

Memorizou e fez a melodia de quase uma dezena de poemas que foram musicados e que se tornaram bastante conhecidos no Brasil. Gravou, com a sua voz de passarinho, uma meia dúzia de discos e CDs. E se fez partícipe, como arranjador ou letrista, de outros cinquenta discos e compactos. Foi ator de novela e de cinema, declamador da radiofonia, cantador de viola, cordelista, sonetista e improvisador de apurada técnica literária.

Sobre ele foram escritos diversos livros e opúsculos e, bem assim, teve a sua obra estudada em variadas teses e ensaios. Mas Patativa, é certo, apesar de conhecer diversos estados do Brasil, sempre viveu em Assaré, onde nasceu aos 5 de março de 1909 e onde faleceu aos 8 de julho de 2002.

Teve não mais que quatro meses de escolaridade. Sobreviveu do plantio de grãos e da lavoura da terra. Sempre botou roças no inverno e, nos anos de seca, passou necessidades e agruras e militou, durante toda a vida, em soberano estado de pobreza. Quando largou a viola, em 1962, os emblemas da voz e da palavra ritmada passaram a ser o ganha-pão.
Não cantou os seus males pessoais, nem as suas desditas, nem o seu penar. E não vangloriou a sua condição de mito ou poeta de projeção nacional.

Rejeitado pela cultura letrada da Academia, tornou-se, em Fortaleza, nome de um Centro Acadêmico de uma Faculdade de Letras, no contexto da UFC. O seu nome não consta nos compêndios oficiais da literatura cearense, mas o seu cânon é um dos mais apreciados do Brasil. É um dos poetas que mais vendem livros entre nós, ao lado, talvez, de Castro Alvos e de Drummond. A Editora Hedra, de São Paulo, já republicou quase todos os seus livros. E a Editora Vozes, de Petrópolis, já reeditou uma quinzena de vezes o seu Cante Lá Que Eu Canto Cá, com milhares de exemplares vendidos em todos os recantos do Brasil.

A Academia Cearense de Letras não o elegeu para os seus quadros e o teve sempre na linha da poesia popular, julgada, pelos homens do fardão acadêmico, de extração inferior. As Universidades cearenses, inicialmente e durante toda a sua vida, se mantiveram longe do seu nome; mas, quando ele passou a ser traduzido e estudado em Universidades francesas e inglesas, resolveram lhe conferir honras acadêmicas. Se tornou Doutor Honoris Causa em quatro dessas instituições. Mas nesta ordem, necessariamente: primeiro os leitores, em seguida a mídia, depois as medalhas e o coroamento oficial e, por último, a distribuição das láureas acadêmicas.
Patativa, no entanto, é muito maior do que isto. É um gigante das letras e um grande poeta da tradição popular ocidental. A sua poesia se impõe. A sua expressão cultural sempre se levanta. E a sua melodia é a costura precisa com que ele se anuncia músico. E expõe a sua condição de oráculo. É o arauto maior do nosso povo e a síntese de tudo o que veio antes dele, em termos de cultura sertaneja e de representação dos excluídos que nunca poderam falar.

Antônio Gonçalves da Silva é o seu nome. O lugar em que nasceu chama-se Serra de Santana, a dezoito quilometros do centro de Assaré. Seus pais eram agricultores. Viviam do plantio e da lavoura da terra. E assim também seus irmãos e seus familiares. Casou-se com uma parenta, dona Belarmina Paes Cidrão, e tiveram, em comum, uma boa ninhada de filhos.
Aos vinte anos, levado por um primo, fez uma viagem ao Estado do Pará, onde viveu de cantorias e arribações, sendo, pelo folclorista cearense, José Carvalho de Brito, ali residente, cognominado de Patativa. Brito o devolveu ao Ceará, com carta de apresentação a Juvenal Galeno. Foi aplaudido em Fortaleza, mas o destino o levou de volta para o sertão do Ceará.

Recolheu-se na Serra de Santana e em Assaré entre 1930 e 1945, aproximadamente. Seu nome se espalhou pela serra e pelo vale, ganhou o sertão dos Inhamuns e desceu soberano pelas águas mansas do rio Jaguaribe. Cantou, de viola em punho, em cidades vizinhas e adotou, como pseudônimo, aquele pelo qual se tornou universalmente conhecido – Patativa do Assaré, tamanha a revoada de Patativas, nessa época, por todo o Ceará.
Em 1955, foi ouvido por um velho e bom intelectual do Ceará, radicado no Rio, José Arraes de Alencar, quando declamava, na Rádio Araripe do Crato, os seus poemas de expressivo gosto musical. Nasceu, a partir deste fato, o poeta com direito a livro publicado. Inspiração Nordestina, de 1956, é, portanto, o seu primeiro livro de poemas.
O segundo viria em 1970. Não um livro autoral do próprio Patativa, mas um conjunto de poemas organizado pelo folclorista J. de Figueiredo Filho – Patativa do Assaré: Novos Poemas Comentados.
Em 1978 vem a lume o seu livro mais conhecido – Cante Lá Que Eu Canto Cá, publicado pela Editora Vozes, de Petrópolis, em convênio com a Fundação Padre Ibiapina, do Crato, com apresentações de Plácido Cidade Nuvens e do Padre Francisco Salatiel de Alencar.
Ispinho e Fulô seria a sua próxima coletânea de poemas, organizada por Rosemberg Cariri e publicada em 1988, com apresentação e estudo-reportagem do próprio Rosemberg, que produziu, sobre o poeta, documentários importantes no campo das artes visuais.

O que veio em seguida, em matéria de livros, está condensado nos seguintes títulos: Aqui Tem Coisa, publicado em 1994, pela Secretaria de Cultura do Estado, e Cordéis (Fortaleza, Editora da UFC, 1999), reunião, em único volume, do básico que foi produzido nessa área pelo grande poeta cearense. Devemos a Gilmar de Carvalho, o maior estudioso da sua vida e da sua produção, a organização desse livro-monumento, que foi adotado, como livro-texto, em vestibulares da UFC.
A fortuna crítica de Patativa do Assaré é imensa e diversificada. Existem altos e baixos nessa produção. Aponto o volume de Plácido Cidade Nuvens – Patativa do Assaré e o Universo Fascinante do Sertão (1995) como ponto de partida, pois é um livro de comentários fabulosos e impressionistas onde se ouve a voz do coração. O livro segue a tradição dos estudos caririenses sobre o poeta, a começar por J. de Figueiredo Filho (1970) e que tem prosseguimento com Francisco de Assis Brito, com seu conjunto de ensaios – O Metapoema em Patativa do Assaré: Uma Introdução ao Pensamento Literário do Poeta (1984).

Outro roteiro interessante sobre Patativa é o que se acha condensado em O Poeta do Povo: Vida e Obra de Patativa do Assaré, de autoria de Assis Ângelo, acompanhado de um CD com poemas declamados pelo poeta (São Paulo, CPC-Umes, 1999). Este livro, de formato gráfico belíssimo, pode e deve ser lido paralelamente com o suporte da antologia de Sylvie Debs – Patativa do Assaré: Uma Voz do Nordeste (São Paulo, Editora Hedra, 2000), no âmbito da coleção Biblioteca de Cordel e cujo estudo que a antecede eu igualmente recomendo.

Gilmar de Carvalho publicou a melhor e a mais extensa entrevista concedida pelo poeta – Patativa Poeta Pássaro do Assaré (2000) e é autor do eruditíssimo e bem concatenado livro de ensaios e estudos – Patativa do Assaré: Pássaro Liberto, editado pelo Museu do Ceará, em 2002. Organizou também a melhor e a mais criteriosa antologia poética do autor, publicada em Fortaleza, em 2001, pelas Ediçoes Demócrito Rocha. Em 2000 deu à lume um precioso livro de bolso, contendo uma síntese didática e pedagógica em torno da vida e da obra do poeta.
Tadeu Feitosa, professor da UFC e jornalista, é o organizador do bonito álbum de textos e fotografias do poeta e do seu entorno sertanejo, publicado pela Editora Escrituras de São Paulo, em 2001. E é autor, por igual, do ensaio crítico-interpretativo do poeta, intitulado Patativa do Assaré: A Trajetória de um Canto, também da Editora Escrituras (2005), que é, no caso, a sua tese de Doutorado em Sociologia.

O livro de Cláudio Henrique Sales Andrade, As Razões da Emoção: Capítulos de uma Poética Sertaneja (Fortaleza, Editora da UFC, 2004), é o resultado de uma Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Trata-se de um ensaio instigante e muito bem fundamentado em torno da poética de Patativa e da sua grande autenticidade. Uma leitura crítica, por assim dizer, tecida com as luzes da razão e da sensibilidade, acompanhada de uma pesquisa de campo que nos encanta com a sua riqueza. Um livro para ser lido e intuido, pensado e degustado como todas as boas iguarias que somente o sertão sabe oferecer.
A despeito das reclamações de Gilmar de Carvalho, de que o poeta foi esquecido pelos reelaboradores da nossa historiografia literária, alguns passos, pelo menos, foram dados neste campo: Oswald Barroso e Alexandre Barbalho incluíram Patativa na antologia – Letras ao Sol (Fortaleza, Edições Demócrito Rocha, 1998), o que já é um avanço.

Em 2001, Patativa viria a figurar na coletânea – Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século, organizada por José Nêumane Pinto e publicada pela Geração Editorial, de São Paulo. E em 2006, passou a fazer parte da Coleção Os Melhores Poemas, da Editora Global, também de São Paulo, o que já é uma consagração. A antologia, organizada por Cláudio Portela, é uma das mais volumosas dessa coleção, e é antecedida de uma introdução bastante apressada e resumida, mas o roteiro de fontes, no final do volume, é razoavelmente bem pesquisado, apesar da confusão metodológica em que se enreda o organizador, que foi prejudicado, acredito, pelo suporte técnico e revisional da Editora.
Antes, em 1989, no meu livro A Metáfora do Sol, no âmbito do ensaio - “Sobre a Formação das Letras Cearenses” - , eu já havia, pioneiramente, arrolado o poeta Patativa qual um nome emblemático da literatura que se produziu no Ceará, isto é, da literatura cearense tomada a partir da sua evolução e abrangência histórica.
Ali divisei em Patativa a grande voz social da poesia cearense e também me referi à ressonância nacional da sua poesia. E registrei, ademais, que os seus livros “são atestados inequívocos da afirmação de um poeta de quem todo o Ceará se orgulha e em cuja obra o Ceará se vê também retratado”.
Por fim, faço minha as palavras de Gilmar de Carvalho, no sentido de que “Patativa do Assaré é a grande voz da poesia do Brasil”, não sei se “de todos os tempos”, mas, com certeza, a voz mais legítima, a mais expressiva e aquela em que a verdade e a justiça, a língua e a cultura melhor se encontram, em busca de um sentido novo para a identidade mais profunda do Brasil. Refiro-me ao Brasil que as elites tentaram dizimar mas nunca conseguiram, porque não somos, em essência, um Estado sem nação, e porque a nação é o pluralismo de suas etnias e o somatório das suas diferenças.

Dimas Macedo
( E-mail suprimido a fim de evitar spam )
Texto enviado por Emerson Monteiro

ASCENDENTES E DESCENDENTES

ASCENDENTES E DESCENDENTES por João Marni de Figueiredo
Uma das verdades dessa vida é que os avós são pais açucarados. Compete aos pais educar os filhos e aos avós cabe tudo, mas com tolerância máxima.
A regra é que os netos chegam na fase de nossas vidas em que estamos dormentes, exauridos por reclamar, apontar caminhos, - os guris preferem veredas, atalhos, - sonolentos ainda por noites mal dormidas num passado não distante, enfim, com o coração mais tolerante, mais contemplativo, ligado em coisas realmente mais importantes e belas, como observar o vôo dos beija-flores, o nascer e o por do sol, a luz do luar, um gesto de amizade..
Chegaram-nos lindos, apesar da miopia e da plesmiopia que já nos acometem.
Os avós e os netos são como arco-íris, onde a esquerda da parábola é a curva ascendente da vida e a direita a descendente, não menos bonita, ambas multicores e os extremos tocando o chão da inocência, juntos!
É por isso que os avós tratam os netos como coleguinhas de infância e aí haja traquinagens, boas gargalhadas e cumplicidade em tudo, até esconder dos titulares uma nota baixa na escola.
Estragamo-lhes os dentinhos com tantos doces que, se não nos impedem, ficariam ainda mais parecidos com a gente...!
A expectativa de vida atual permite-nos que sejamos bisavós ainda lúcidos. Lembro-me de meus quatro avós e cada um regou o meu coração com suas bondades. Faço a rima com saudade...
É assim que têm que ser os avós, lembrando que no final do arco-íris, não há um pote de ouro, mas algo muito mais valioso: um avô ou uma avó, loucos pelos netos.
A EXPOCRATO 2009 está chegando e será a ocasião perfeita para grandes encontros e encantamentos. O plano é reservar os trocados e curtirmos juntos em paz, ascendentes e descentes, com “monga” e tudo!

Crato.(Ce), julho de 2009.
João Marni de Figueiredo

A pobreza do primeiro bispo de Crato - por Armando Lopes Rafael

Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva
Foto do arquivo particular do Diácono Policarpo Rodrigues
Quem via Dom Quintino vestido com sua indumentária de bispo – batina preta com faixa roxa à cintura, casas dos botões na mesma cor; cruz peitoral e anel, ambos de ouro – não podia imaginar que por dentro daquela imponência habitava uma pessoa pobre e de hábitos simples. Ele assim se vestia para cumprir as orientações da Igreja, àquela época. Na verdade, Dom Quintino nunca aspirou a ser bispo (chegou a rejeitar a nomeação para a Diocese de Teresina), mas levava a sério a altíssima dignidade desse cargo.
Além do mais, sabia separar a função episcopal da sua pessoa. Tinha ciência de que a cruz peitoral e o anel episcopal não eram dele, enquanto pessoal, individual, e sim representavam símbolos da sacralidade da hierarquia, na Igreja Católica, da qual ele era um lídimo representante.
Sabemos que Dom Quintino era muito devoto de Santa Teresa de Jesus e se identificava com a espiritualidade carmelitana. Aí incluída a pobreza apostólica. No que consiste esta? Na imitação da pobreza de Cristo. Jesus foi pobre, desde o momento de sua concepção no seio da Virgem Maria. Depois, quis Ele nascer em Belém, na mais completa desnudez. E durante sua vida pública – conforme lemos nos Evangelhos – não tinha onde reclinar a cabeça, contentando-se, muitas vezes, com o dormir ao relento.
Todos os que escreveram sobre o primeiro bispo de Crato são unânimes em reconhecer em Dom Quintino uma pessoa desapegada dos bens materiais. Durante os quatorze anos, nos quais foi bispo, residiu numa casa alugada – pagava trinta mil réis mensais – a um rico proprietário de Crato, José Rodrigues Monteiro.
Padre Azarias Sobreira, no seu livro “O primeiro Bispo de Crato”, escreveu:
“A muitos que só o conheceram superficialmente parecerá um paradoxo. Mas é fora de dúvida que Dom Quintino viveu pobre e morreu paupérrimo. Tirante os móveis de casa e as insígnias episcopais, o seu único legado foram os livros e um cavalo de estimação, que o vigário de Saboeiro, Padre José Francisco, lhe havia oferecido.
“Dinheiro? Nem quanto bastasse para as custas do seu enterro. Propriedades? Nem sequer uma casa de palha. No entanto, S.Exa. passou quinze anos regendo a melhor paróquia do Estado (à época, Crato e Juazeiro reunidos), e outros tantos anos no governo de uma diocese brasileira.
“Quando vigário de Crato, segundo teve ocasião de me dizer, mandou, diversas vezes, à casa do milionário José Rodrigues Monteiro, tomar de empréstimo o dinheiro necessário para a feira da semana (...) Vendo-o entrar na velhice sem ter feito a mais pequenina reserva pecuniária, tomei, um dia, a liberdade de aconselhá-lo a fazer seguro de vida. Deu-me a seguinte resposta o homem de Deus:
“– Eu ainda não ouvi contar que um padre de boa vida morresse de fome.
“E continuou a só pensar na sua querida diocese e nos alunos do seminário diocesano, esquecido de si mesmo e dos seus pelo sangue”.

Quando ocorreu a morte de Dom Quintino, a Cúria Diocesana não dispunha de dinheiro suficiente para seu sepultamento. Um cidadão cratense, José Gonçalves, abriu uma subscrição e saiu a percorrer residências e estabelecimentos comerciais angariando doações para o funeral do grande bispo. Graças a essa iniciativa, foram realizadas as exéquias daquele que, nos últimos quatorze anos, fora o homem mais importante do Cariri...

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

Estradas, descasos! Por Pachelly Jamacaru

Lamentamos que só as vésperas de um evento do porte da EXPOCRATO um dos principais acessos a importantes pontos turísticos da Crato, como: Serrano Clube, Itaytera Clube, ABBEC, Floresta do Araripe, dentre outros, venha a ter benfeitorias!!!

Transcorre-se o ano inteirinho com este abandono e só por causa da EXPOCRATO é que se pensa em reparar nossa malha viária, para turísta ver!


Buracos enormes, perigo constante!
Fizeram ou desfizeram!!! Sempre que fazem encanações de águas, seja aqui ou na cidade, fica a lista do desserviço tapada com areia!!!

Mais um desserviço: Instalaram tubulações de águas deixando este desnível altamente perigoso, estreitanto ainda mais a via! Nunca ninguém se preocupou com isso!
Acostamento? Ou Buracos Negros, tenebrosos!

Sem-teto continuam acampados em frente ao apartamento de Lula

Nota: Por uma ironia do destino, enquanto o Presidente Lula recebe o seu prêmio, em favor dos humildes, temos essa desagradável notícia ( estraga-festa ) publicada hoje pela própria agência do governo, a Radiobras. Em outras oportunidades, essas pessoas com suas reivindicações seriam consideradas baderneiros do MST pelos governos anteriores. Resta a nós especularmos como hoje, os partidos vermelhos que antes apoiavam esses movimentos, o vêm, já que são agora, vidraça:


São Paulo - Cerca de 200 membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), segundo cálculos da Polícia Militar, permanecem acampadas em frente ao prédio onde fica o apartamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, na ABC paulista. Os manifestantes iniciaram o protesto na tarde de ontem (8) e reivindicam ser incluídos no programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.

Eles também pedem a desapropriação de um terreno ocupado pelo grupo em Sumaré, ameaçado de despejo; a regularização fundiária do assentamento Anita Garibaldi, onde estão mais de 2 mil famílias; a resolução da situação das famílias do acampamento Carlos Lamarca; e a participação do governo federal nas negociações do MTST em todas as regiões onde o grupo está presente.

De acordo com o membro da coordenação estadual do MTST, Guilherme de Castro, os manifestantes permanecerão acampados em frente à residência de Lula até que o governo atenda as reivindicações. “ Enquanto o governo não nos der atenção, vamos ficar aqui.”

Fonte: Agência Brasil - Radiobras

Fundação Sarney ganha R$ 1,34 mi da Petrobras; principal atividade é festa julina


Hoje na Folha Reportagem de Hudson Corrêa, publicada na edição de hoje da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL), informa que a Fundação José Sarney em São Luís (MA) tem como principal atração para o público, em vez de livros e o museu, uma festa julina idealizada pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). A fundação recebeu R$ 1,34 milhão da Petrobras entre o fim de 2005 e setembro passado para preservação de seu acervo.

De acordo com a reportagem, são realizados pela Associação dos Amigos do Bom Menino das Mercês, comandada por Raimundo Nonato Quintiliano Pereira Filho, funcionário do gabinete do senador Lobão Filho (PMDB-MA). Lobão é aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o criador da fundação.

A Petrobras informou que o dinheiro foi destinado à preservação do acervo da biblioteca e do museu. A reportagem da Folha visitou a fundação numa quinta-feira e foi informada que a biblioteca estava fechada e sem previsão de funcionamento. Entre as peças em exposição na fundação estão cartazes de campanha, caricaturas e quadros de Sarney.

O diretor da entidade Fernando Belfort, ex-funcionário do Senado e hoje no governo de Roseana, disse que a fundação vive do dinheiro do aluguel de um salão para reuniões ao custo de R$ 1.000 por dia. Afirmou que a Vale Festejar, idealizada por Roseana e patrocinada pela Vale, é a principal atração.

Outro lado

O senador José Sarney (PMDB-AP) disse ontem, via assessoria, que os recursos da Petrobras foram aplicados corretamente pela fundação que leva o seu nome.

A assessoria enviou à Folha documento com o timbre da Petrobras que, segundo o assessor, comprova a correta prestação de contas.

A Petrobras diz que a 'fundação comprovou a utilização dos recursos através de relatórios das atividades desenvolvidas e cumprimento de contrapartidas': 'Foi realizada a modernização dos espaços físicos da Fundação José Sarney, a fim de promover uma melhor distribuição e adequação das inúmeras peças do acervo'.

Fernando Belfort, diretor da fundação, afirmou que a biblioteca e o museu ficam abertos diariamente. Não explicou o motivo de a biblioteca estar fechada na quinta.

Raimundo Quintiliano Pereira Filho disse que é apenas voluntário na associação.

Suspeita de desvio

Reportagem publicada hoje no jornal "O Estado de S.Paulo" informa que ao menos R$ 500 mil dos recursos repassados pela Petrobras para patrocinar um projeto cultural da fundação teriam sido desviados para empresas fantasmas e e empresas da família Sarney. O dinheiro teria ido parar em contas de empresas com endereços fictícios e contas paralelas. O projeto nunca saiu do papel.

A reportagem informa que a justificação de um saque de R$ 145 mil foi foi feita com recibos da própria fundação. Outros R$ 30 mil foram para emissoras de rádio e TV da família Sarney para veicular comerciais sobre o projeto fictício.

Procurada pela reportagem da Folha Online, a assessoria de Sarney informou que a fundação comentaria o caso. Ao "Estado de S. Paulo", a fundação informou que foram "cumpridas todas as metas privilegiadas no contrato de patrocínio da Petrobras".

Leia reportagem completa na edição de hoje da Folha.

Fonte: Folha Online
Foto: Agência Brasil

Várzea Alegre: Lagoa São Raimundo Nonato - Primeira etapa de Obra é Inaugurada

Várzea Alegre

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Primeira etapa de urbanização da Lagoa de São Raimundo Nonato, em Várzea Alegre (Foto: Honório Barbosa)

Várzea Alegre. A primeira etapa das obras de urbanização da Lagoa de São Raimundo Nonato, nesta cidade, será inaugurada hoje, às 19 horas. O projeto representa um sonho de década dos moradores, a conservação ambiental do local e a melhoria do seu entorno, além de assinalar o crescimento do município. A solenidade contará com a presença do governador Cid Gomes, do prefeito Zé Hélder, além de outras lideranças políticas da região Centro-Sul.

A obra começou em janeiro de 2008, mas sofreu paralisações em face das fortes chuvas verificadas naquele ano. Foram investidos R$ 2,5 milhões, com contrapartida do município no valor de R$ 561 mil. A Lagoa de São Raimundo Nonato é o ponto referencial de origem da cidade. A expectativa do prefeito e dos moradores é de que o governador reafirme, na inauguração, o compromisso de liberar, até o fim deste ano, recursos para a realização da segunda etapa da obra. O projeto seria retomado em 2010.

No centro da lagoa, foi implantada uma imagem do padroeiro do município, São Raimundo Nonato, que pode ser vista no alto de um marco escultural. Do mirante, há uma bela vista do local. O município prestou uma homenagem ao ex-deputado Otacílio Correia, com uma estátua do político, no lado oeste do lago.

Considerada a obra do século para Várzea Alegre, a urbanização da Lagoa de São Raimundo Nonato, nas margens da rodovia CE – 060 (conhecida Estrada do Algodão), é um desejo antigo dos moradores. Além de permitir o saneamento do lago, o projeto permite mudanças na estrutura urbana, no tráfego de veículos, no acesso ao Bairro Vazante, criação de áreas de lazer cultural, religioso, esportivo e abre possibilidades de loteamento residencial.

O projeto faz parte do Monitoramento de Ações Prioritárias (Mapp) da Infra-Estrutura, Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Estado. O projeto é da empresa Novaes Arquitetura e foi executado pela empresa Teixeira Construções. Em sua fase completa, prevê a construção de três quiosques, 14 caramanchões, marco estrutural, estátua de São Raimundo Nonato, museu histórico, quadras esportivas, anfiteatro, plano de paisagismo, deck, um mirante, avenida, pavimentação e piso, além das instalações telefônicas, elétricas, hidráulicas e sanitárias.

Resgate histórico

Para o prefeito, o projeto de infra-estrutura é o maior presente que Várzea Alegre pode receber, já que o município nasceu no entorno do reservatório. “Esse é mais do que um projeto estruturante. É uma obra que resgata a história e a origem do município”.

Séculos passados, a área era denominada de vazante porque era totalmente utilizada para o plantio de arroz. O espaço assinala a origem da cidade, com o núcleo da família Bezerra. Mais tarde receberia a denominação de São Raimundo Nonato. Um dos objetivos da urbanização é a implantação de rede de esgotamento sanitário no local para despoluir a lagoa.

Mais informações:

Prefeitura de Várzea Alegre
(88) 3541.1337


Honório Barbosa
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=652914

Uma intensa agenda de reuniões para “salvar” o mundo? - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Praticamente quem se encontra vivo neste momento tem uma visão de mundo centralizada. Centralizada em alguns Estados Nacionais. Durante todo o século XIX e a primeira metade do século XX centrava-se no Império Inglês. Depois da segunda guerra mundial nos EUA e na União Soviética. A agora? Algo mudou.

Chegamos ao mundo multipolar? Provavelmente ainda não. Mas na esfera do comércio internacional, do sistema financeiro e da política entre nações o fato novo são os blocos econômicos sólidos em razão da vizinhança e por afinidades históricas; articulando-se na política internacional sobre a forma de Grupos. Nem sempre os grupos resguardam a integridade dos blocos, como por exemplo, o México que pertence ao bloco do NAFTA, toma assento no G5 (Brasil, China, Índia, África do Sul e México). Mas isso faz parte da difícil tarefa de recompor uma agenda mundial que interesse a todos. Para o bem ou para o mal.

Diante de uma crise financeira mundial, do problema climático e das bases para um comércio internacional mais justo; no geral, os países acordam, mas discordam no modo de implementar a agenda. Por isso mesmo, e até pela perplexidade com a crise mundial e pela percepção da queda de hegemonias no mundo globalizado, as nações se multiplicam em grupos. Cada um com seus interesses em processo de acerto, fugindo da agenda das grandes nações industrializadas. Não adianta mais, como ainda conseguia na década de 90, o G8 se reunir e ditar políticas. Agora a diversidade e as assimetrias são maiores e mais ativas politicamente.

Vejamos a velocidade da agenda mundial. Basta acompanhar a agenda internacional do presidente da República do Brasil. No mês passado e até início deste já participou de três grupos diferentes: BRICs; Reunião da África, G5 agora, incluindo contatos com o G8. Aliás, o título de nação convidada para o G8 não se aplica mais, o que vemos é o G5 confrontando sua agenda com o G8 no mesmo ambiente de reuniões. Esta coisa toda como tentativa de recompor uma ordem política mundial (as Instituições do Pós Guerra não dão mais conta do problema: FMI, ONU, Banco Mundial, etc.) agora se volta para a insuficiência de centrar esforços em pequenos grupos partindo-se para operar melhor no grupão do G20. Na verdade hoje não é mais possível esquecer Árabes (especialmente Arábia Saudita, Irã e Egito), esquecer a África aí incluindo Angola e a Nigéria; esquecer a Oceania e a Ásia com a Indonésia, Coréia do Sul e a Austrália e na América do Sul Argentina, Peru, Colômbia e Venezuela.

De fato como tudo se reinstitucionaliza pelas emergências da história e pelas crises de modelos em derrocada, já se despontam algumas agendas: a questão do aquecimento global; a questão de uma moeda de reserva internacional; a remodelação do sistema financeiro internacional; a pobreza; as guerras de toda natureza; a retomada do ciclo de Doha e o problema do armamento nuclear (tanto para os detentores da bomba quanto para quem tenta).

Amanhã tentaria levantar algumas questões sobre a agenda do aquecimento global.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa
09-07-2009
Meio Ambiente do Crato concorre ao Selo Município Verde

A Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano do Crato está concorrendo ao Selo Município Verde 2009. O Premio Município Selo Verde foi criado, para atestar os bons resultados das cidades cearenses que investem na gestão ambiental e na qualidade de vida da população. De acordo com Paulo Botelho, assessor do Secretário Nivaldo Soares, o relatório com as ações dos municípios deverá ser enviado até o dia 13 de agosto e ressalta que o Crato foi classificado em 2007 e 2008, sendo que de 184 municípios cearenses, apenas 39 obtiveram a classificação.

CAPS Crato realiza comemoração junina
O Centro de Atenção Psicossocial CAPS Crato realizou ontem sua festa junina. O evento reuniu um animado público composto pelos pacientes, quadro funcional, familiares e convidados. As comemorações contaram com barracas de comidas típicas, quadrilhas e apresentação da banda do CAPS.

No último dia 2, o CAPS Crato comemorou sete anos de vivência com uma passeata pelas ruas da cidade. A instituição conta com acompanhamento de psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras, enfermeiros entre outros profissionais, que assistem 700 pacientes.

Fonte: Assessoria de Imprensa
Governo Municipal do Crato
Fone/Fax - (88) 3521.7069
Mais informações:

http://www.crato.ce.gov.br
http://www.prefeituramunicipaldocrato.blogspot.com

Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde - Por: José Nilton Mariano


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix
Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura). Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula “por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos”.

Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje - anteriormente nenhum deles brasileiro - estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos. O Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimônia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz. Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula. Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, “o senhor assume novas responsabilidades na história”. Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa. Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. “Ambientalistas protestam durante premiação de Lula”, foi o título da página A7 do Estadão. O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e “reverteu o constrangimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório”. “O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem que ser realmente preservada”, afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras. “Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro”, afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas. A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace. Preferiu-se dar destaque na escalada e no noticiário à comemoração pelos quinze anos do Plano Real, promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula. Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia, a ponto de chegar a dizer que não lia mais jornais porque lhe davam azia. Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.“O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”, parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país. Valeu, Lula. Parabéns !!!

Autor: Ricardo Kotscho – Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

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