xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 28/06/2009 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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28 junho 2009

A magia da vaidade feminina - Por: Claude Bloc



Você sabe o que fere uma mulher?
O que move sua alma desvairada
Quando mexida na sua íntima vaidade
Quando o furor das sombras lhe apetece
De chorar e bradar o gosto e o sumo
Da tristeza e do desencantamento...
Você sabe da sanha desumana
Que machuca e fere os sentimentos
Que corroi o sorriso deslumbrado
Dos sabores adocicados de hoje e ontem...

Não se toca numa mulher impunemente...
Não se deve toldar seu deslumbramento
É pecado toldar-lhe o encantamento
Com as cores da clara covardia...

Você sabe o que fere uma mulher?
Por Claude Bloc

Os governos das Américas e o Golpe Militar de Honduras

Hoje um grande teste para o momento original que vivem as Américas. Com Barack Obama nos EUA, os presidentes de Esquerda pela América Latina. Além do mais eleições para alternância de poder, derrotas e vitórias. As Américas vivem de fato um novo tempo?

Então vem o golpe de Honduras. Irá se sustentar? Sabemos que nenhum golpe de Estado se sustenta sem apoio de Nações Estrageiras fortes. Durante a noite vamos observar as falas dos presidentes das repúblicas nos três continentes. Amahã vamos sentir as medidas práticas.

O grande teste é o seguinte: se de fato os golpistas mantiverem o poder e ele não for restaurado ao presidente eleito, tudo o mais se reverte. Em saltos da história não é possível conviver simultaneamente com a afirmativa e a negativa na mesma frase.

Ensaio Fotográfico - Dihelson Mendonça


TARDE, CIDADE, AMIGAS

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NOTA:

Por uma EXTREMA falta de compreensão dos reais desígnios da Arte, nem da minha visão enquanto fotógrafo, que não se presta a qualquer papel de ressaltar belezas humanas nem retirá-las de quem quer que seja, fui alertado de que há nas ruas do Crato, pessoas debochando das fotos que fiz ontem das minhas amigas Claude Bloc, Socorro Moreira e Edilma Saraiva, e resolvi a total contragosto, retirá-las do ar, para evitar constrangimento para elas. As pessoas não estão preparadas para entender de arte como eu vejo. Pensam em fotografias como meio de eliminar rugas e defeitos. Rugas são marcas do tempo, da experiência, que só alguns privilegiados podem se dar ao luxo de possuírem. Uma pessoa com rugas denota a vida, a altivez de uma existência, o ápice de uma vida. E a arte fotográfica, com seu realismo que ressalta essas qualidades individuais, não está nem aí para convenções humanas de pé de penteadeira...

Sendo assim, para evitar o constrangimento, ainda que eu considere algumas das mais naturais e melhores fotos que já fiz em minha vida, resolvi retirar do ar, bem como prometo também não fotografar mais nenhuma foto de mulher acima dos 45 anos. Deixemos para os que já tem nome como Picasso e Van Gogh, que podiam retratar os maiores horrores humanos e até deturpar ao bel prazer, e serem aplaudidos e justificados, como alguém me disse hoje pela manhã: "PICASSO PODE..."

No Crato, infelizmente, algumas pessoas não estão aptas a apreciar a a arte em todas as suas manifestações. Que reinem os photógrafos de Photoshop. Dihelson Mendonça não usa photoshop para enaltecer nem denegrir imagens de ninguém.

Procuro como Diógenes e sua lanterna, as pessoas que verdadeiramente se assumem. O traço mais difícil da personalidade humana: O ASSUMIR-SE. Assumir o que é, assumir as qualidades e os defeitos. Assumir a cafonice, assumir a feiúra, a beleza interior e exterior, assumir a idade. Graças te dou, ó minha avó Isaura, do alto dos seus 92 anos, que mostra aos visitantes as suas cicatrizes uma por uma. Os seios caídos que amamentaram uma geração. As rugas de quem têve por quem lutar na vida, não sendo estéril. Os cabelos brancos de preocupação pelos filhos e as muitas madrugadas acordadas para benefício do mundo! Amo a tua feiúra carnal com todas as minhas forças. Cada traço de ruga, pois és autêntica, venceste a meninice das vaidades, e soube amadurecer. És IDOSA, mas não és VELHA. Amo-te, minha avó Isaura, por ser tão boa, tão santa, tão pura, tão meiga e tão verdadeira. E nada há mais lindo em ti do que tuas muitas cicatrizes, tuas rugas, teus defeitos, que para mim, são teus troféus, tuas maiores qualidades! Procura-se gente que se assume neste mundo. Mais raro do que ouro. Mais raro do que Petróleo. És uma aula viva para o mundo. Um mundo que vive de farsas e de aparências. Mas afinal, Ó Isaura, nem tudo é perfeito! É preciso existir também o extraordinário.

Mas a Arte é soberana!
A Arte não respeita meras vaidades humanas !

Dihelson Mendonça

E as Notícias de Hoje, Domingo ?


Meus amigos, leitores do Blog do Crato,

É tanta gente ligada no Blog do Crato hoje em dia que seria uma crueldade da nossa parte, não passar para vocês que o Blog hoje anda meio parado simplesmente porque ontem, dia 27, Sábado, foi comemorado o aniversário da nossa querida amiga Claude Bloc,, com tudo que tem direito, lá na residência do nosso prezado Roberto Jamacaru. Foi o que se pode dizer de uma verdadeira "festa de arromba", regada a muita música de qualidade, poesia, piadas, anedotas, AMIZADE. Lá estavam uns 40 participantes do Blog do crato, CaririCult, e Zoomcariri.

Gente como: Claude Bloc, Socorro Moreira, Dr. José Flávio Vieira, João Marni, Prof. Hermógenes, Luiz Carlos Salatiel, Blandino, Dihelson Mendonça, Abidoral Jamacaru, Pachelly Jamacaru e Socorro, Roberto e Fanka, Ninha, Edilma Saraiva, Prof. Ulisses Germano, Jayro Starkey, Cantor Peixoto, e dezenas de outros que estavam lá. Parecia uma festa no Céu...tantos amigos...

Foi uma noite como nunca mais havia tido, com toda a "nata" da intelectualidade Cratense, gente que produz, que escreve, que compõe, que representa essa cidade no Brasil e no Mundo, sempre e sempre, presente, passado e futuro. Foram feitas declamações de inúmeros poemas, cantamos, tocamos... à beira da piscina azul maravilhosa do Roberto jamacaru, que apelidamos de Roberto Cabral, em homenagem ao jornalista Huberto Cabral.

Centenas de fotos foram feitas da reunião, e mais tarde serão postadas aqui no Blog do Crato, por mim, por Claude, por Pachelly...

Outra noite dessas será difícil, pois reunir todo esse povo, em que cada um é um universo de arte dentro do Cariri, será difícil. Aproveitei a reunião, para distribuir os primeiros exemplares do meu CD "A Busca da Perfeição", que em breve estará nas Lojas de Cds, livrarias e afins. O meu mais profundo agradecimento ao casal Roberto e Fanka, por esse feliz aniversário de Claude Bloc ( de 16 anos, rs rs ), e que essa data se repita por longos e longos anos...

Dihelson Mendonça

História que ouvi contar- Por Zilberto Cardoso

S.C.C do Fuinha

Durante muitos anos o garçom apelidado de “Fuinha” trabalhou nos principais restaurantes e clubes sociais do Crato. Em um determinado período de sua vida, passou por sérias dificuldades financeiras e o que ganhava não era suficiente para sustentar sua à sua família que era numerosa. Procurando resolver a sua situação que não era nada boa, encontrou uma solução bem criativa. Sempre que apresentava a conta a seus fregueses, antes do total estavam as iniciais S.C.C e uma determinada importância que o valor dependia da cara do freguês. Mas um dia desconfiado da astúcia de Fuinha, um cliente exigiu uma explicação:

“Que diabo é isso aqui que não sei o que é e nem muito menos pedi? ”

Respondeu calmamente o Fuinha:
Bem, SE COLAR, COLOU!
Desta vez infelizmente Fuinha não recebeu a gorjeta extra.

Zilberto Cardoso
Fortaleza, 27 de junho de 2009

Como (não) comprovar uma falsificação

Ontem, num dos comentários que postamos, referimo-nos aos cuidados que se deve ter quando da interpretação de dados publicados no jornal Folha de São Paulo (e na revista Veja) por jornalistas (???) "corajosos", "amadores", "curiosos" ou simplesmentes "pagos" (pelo Daniel Dantas, por exemplo) para tal mister (dispostos ou não a assinar a própria matéria). Hoje, no seu respeitabilíssimo site, o Luis Nassif nos mostra o "modus operandi", o "jeito de ser" vigente naquele jornal (que já foi um dos melhres do país, diga-se de passagem, como a Veja também o foi). Precisa dizer mais alguma coisa ???
José Nilton Mariano Saraiva
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É impressionante a dificuldade da Folha em dar o braço a torcer, no caso da ficha falsa de Dilma Rousseff. O reconhecimento da fraude sai aos poucos e sempre com ressalvas. E o jornal chega a uma conclusão que revoluciona de vez o exercício do jornalismo: só se pode comprovar que um documento é falso se houver o original para ser comparado. É uma revolução newtoniana no jornalismo. A fraude é facilmente comprovável, sem necessidade de laudo pericial nenhum, a partir do seguinte raciocínio óbvio e acessível a qualquer pessoa com um mínimo de honestidade intelectual:
1. A Folha recebeu a ficha por e-mail. Apresentou como se fosse a ficha de Dilma Rousseff no DOPS paulista. A partir daí, bastaria ir ao Arquivo Público, onde se encontra o material do DOPS e conferir se a ficha existe ou, pelo menos, se o modelo de ficha é o mesmo do spam.
2. Na carta da Ministra ao jornal (que publiquei) é mencionada a afirmação taxativa do diretor do Arquivo Público, de que aquele modelo de ficha nunca existiu no DOPS. O laudo reitera essa afirmação e menciona a inexistência de fotos no arquivo no período 1967 a 1969. Em vez de se render aos fatos, a Folha diz que “poderia” existir esse modelo, foto ou ficha, nos anos posteriores. Então mostre. Mas não vai atrás do Arquivo Público para comprovar a suspeita ou desmentir a acusação. Limita-se a desqualificar as provas em cima de bobagens inacreditáveis (os peritos se basearam na foto que saiu no Blog do Azenha, por estar mais legível, sendo que o Blog é crítico da mídia). Cáspite!
Sinceramente, não sei o que está por trás. Ou se mantém o fantasma pendente para uso posterior. Ou tenta se livrar a todo o custo a cara de quem armou essa jogada. Ninguém da redação mereceria essa solidariedade, do jornal se expor ao ridículo para salvar a cara do autor desse feito. É evidente que o autor não frequenta a redação.
Como muitos pândegos escreveram na época, a partir dessa maluquice da Folha ficam aceitos todos os spams falsos, inclusive todas as falsificações se não se dispuser do documento original falsificado para comparar. (28/06/2009 - 09:26)
Fonte: site do Luis Nassif
Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

Juazeiro entre a “Farsa” e o “Milagre” (1) – por Renato Casimiro


Ainda hoje há quem assegure que Juazeiro do Norte, não obstante a sua visível e incontestável hegemonia regional no Cariri, é o produto legítimo de uma farsa, de um embuste, resultante da ação nada pastoral de um farsante e embusteiro, o cidadão cratense de nome Padre Cícero Romão Baptista, que responde a milhões de nordestinos pelo codinome de Padim Ciço. Na semana passada me mandaram algumas considerações e cinco questões que até arriscaria responder, sem correr o risco de manifestar a minha “apoplexia”.

Quem as escreveu, as rotulou de “pertinentes”. Pelo limitado espaço, vou fracionando estas alinhavadas, para não lhes encher a paciência. Vejamos:

1) São sérios e merecedores de alguma credibilidade “milagres” anunciados com antecedência? A indagação se diz pertinente porque “...no dia 7 de julho de 1889, por iniciativa do reitor do Seminário do Crato, uma romaria levou até Juazeiro 3.000 fiéis para ver a transformação da hóstia em sangue, fato que não agradou às autoridades eclesiásticas, a ponto de o então bispo do Ceará, dom Joaquim José Vieira, solicitar ao padre Cícero Romão um relatório sobre o acontecido”.

Relevamos que entre 06.03 e 07.07.1889, o fenômeno aconteceu várias vezes, conforme o registro histórico, documental, expresso no Processo, onde se lê o depoimento do Padre Cícero: “Durante o tempo quaresmal d’aquelle anno e principalmente às quartas e sextas-feiras de cada semana observaram-se aquelles phenomenos; o que deu-se, uma vez também no sabbado da Paixão do mencionado anno, depois do que passaram a ser diarios até a Ascenção do Senhor. Na festa do Preciosissimo Sangue reproduziram-se os phenomenos de que me occupo.”

Que mal havia em se afirmar que ele poderia acontecer mais uma vez? Ora, se os padres lazaristas do Seminário da Prainha já tinham firmado posição que este mesmo Jesus Cristo, redivivo e glorioso, não deixava a Europa para fazer milagre no miserável local do Joazeiro, é até mais lógico descrer que o fenômeno não se repetisse e que parte da charada já estava solucionada: era tudo balela.

Mas, tal não houve. Submetido a tantas leituras rigorosas, mais atualizadas, não obstante a persistência de um barulhento sectarismo e fanatismo cientificista, o fenômeno resistiu e até se converteu em objeto direto de avaliação acadêmica. É intrigante que, desprovidos de melhores argumentos, alguém ainda perca tempo ao sustentar a hipótese de farsa.

Tinha gosto de farsa e embuste a cena ridícula do antigo professor de religião, dos anos 50, pelo menos, que a propósito de desmascarar esta farsa, rotulando-a de embuste, e “química marroquina” da forma mais autoritária possível, escolhia um cristão, de preferência juazeirense, ao qual submetia ao vexame de, perante todos da sala, viver a experiência pífia de salivar uma partícula não consagrada, impregnada de fenolftaleina. Como se sabe, ao contato com meio aquoso, alcalino, o rubro sanguíneo ali aparece, “como por encanto”, instantaneamente.

Ocorre que, para tal, o indivíduo em questão tinha que bochechar solução de bicarbonato de sódio para alcalinizar a mucosa. Pelo menos numa destas vezes, ou não se bochechou o suficiente para o “milagre” ou o cidadão tinha saliva muito ácida. Como o teste falhou, a sala reagiu em estrepitosa vaia que, a rigor, nem serviu mais para consagrar o canastrão professoral. Tantos anos depois, por estes dias de hoje, Juazeiro do Norte é o verdadeiro milagre. A quem enganar mais? Somos, assim, tão ingênuos?

(*) Renato Casimiro, Químico Industrial, Engenheiro Químico, Doutor em Microbiologia de Alimentos, escritor, historiador e memorialista.

No reino da informática - Por: Emerson Monteiro

No filme 2001: Uma odisséia no espaço, o computador de bordo (protótipo de máquina inteligente (Hal 9000, abreviatura de Hardware Abstract Layer, ou Camada de Abstração de Hardware) de uma nave especial resolve, de iniciativa própria, confrontar seus operadores, no que, ao ser descoberto e desligado, antes elimina um dos dois tripulantes.

A propósito dessa película famosa de Stanley Kubrick, em face do acidente momentoso do voo 447, da Air France, percurso Rio de Janeiro - Paris, ao custo de mais duas centenas de vidas, a humanidade presencia hipótese semelhante, de máquina que quebra a linha do resultado previsto, porquanto uma possível pane dos computadores de bordo da aeronave, precedente dos mais perigosos, acha-se no meio das conjecturas que deram causa à ocorrência.

No caso, a possibilidade de falha humana não se descarta, contudo a falha mecânica, ou eletroeletrônica, merece urgente consideração. Enquanto isto, milhares de aviões, a todo instante, alimentados pelos dados e circuitos de tais preciosidades da técnica, circulam o alto dos céus, dentro de condições idênticas às do fatídico voo.

E como abordar esse personagem indispensável do cenário contemporâneo, computador, a onisciência da informática, que tomou o lugar das limitações humanas? Aonde chega o antigo projeto da liberdade, demanda dos sonhos inúmeros da multidão laboriosa?

Isso traz à baila alguma abordagem quanto ao domínio da máquina sobre o ser humano, recorrência da ficção científica desde as primeiras horas da cibernética.

Os comuns adoradores da oitava maravilha tecnológica bem que reconhecem, as melhores máquinas tendem a desobedecer (não por maldade, num juízo de valor) às leis da robótica e, frias, sofisticadas, imperam no mundo percentual dos riscos mínimos inesperados, haja vista série de fatores, porquanto perfeição absoluta ainda inexiste, nas variáveis da ciência e da técnica.

Por refinadas que se proponham peças e equipamentos, margem inelutável de erro persiste, no horizonte do provável.

Os chamados paus das máquinas vez por outra impõeem graves danos às corporações, mais dia, menos dia, conclusão salutar, devido à exaustão dos materiais, às condições atmosféricas, ao inesperado seqüencial do desenvolvimento dos sistemas, dentre outros, e à ação do homem, seu genial criador.

Visto quando na terra, vá lá que se possam reparar os impasses. Contudo nas alturas ou nas profundezas oceânicas, implicariam noutras interpretações e sequelas por vezes drásticas. De tanto ceder território a esse império das máquinas, a história demonstra assim o grau da dependência extrema da civilização a geringonças, no altar do fetichismo, o que reduz as margens da segurança de todo o esforço de geração à cômoda opção de rendição total à inconsciência. A submissão de tais pressupostos conduzirá a sociedade a um comando central (ao Grande Irmão, de George Orwell), ou significará o início da jornada coletiva em prol da consciência clara do que se fará da fabulosa produção capitalista dos objetos industriais.









O Modernismo sob a ótica
De Peter Gay - Por Marcos Leonel


Mais uma vez a editora paulista Companhia das Letras é responsável pela publicação de uma verdadeira obra de arte contemporânea, através da completa acepção da palavra pertinência. Agora a editora celebra a cultura em um calhamaço de 578 páginas sobre a origem e expansão do Modernismo, escritas pela competência e erudição do respeitadíssimo historiador alemão Peter Gay, autor de obras consagradas como “O Estilo na História” e “Freud: uma vida para o nosso tempo”.

“Modernismo – O Fascínio da heresia - de Baudelaire a Beckett e mais um pouco” é o extenso título desse livro urgente para aqueles que vivem de aparências, imprescindível para aqueles que necessitam de uma alimentação saudável e fundamental para quem tem sua parcela de culpa, direta ou indireta, em nosso quadro universal do fracasso escolar, terra em que a pilantragem é matéria farta para teses de doutorado e o exibicionismo de títulos é a legitimação da mediocridade indelével. Nessa obra basilar, Peter Gay despiu a linguagem da cosmética teórica e assumiu corajosamente suas particularidades e preferências.

Dos incontáveis códices estéticos que servem “cientificamente” para fundamentar o arcabouço artístico do Modernismo, Peter Gay se utiliza, de forma minimalista, praticamente de dois axiomas: a heresia estética – como ele chama a transgressão aos cânones artísticos estabelecidos desde o período clássico até a famigerada era vitoriana – e o intenso mergulho psicológico da abordagem da existência do ser e do estar, em que pesem aí a descontinuidade do discurso e a fragmentação da realidade. Para tanto, o autor desvenda com muita habilidade e proficiência, como a história forneceu os motivos e os elementos que proporcionaram uma mudança tão radical, que foi o Modernismo, na forma de conceber, produzir e vender a arte.

“Modernismo – O Fascínio da heresia - de Baudelaire a Beckett e mais um pouco” é um magistral compêndio histórico de segmentos artísticos, de autores e de obras que perfazem a práxis modernista, abarcando de uma só vez literatura, teatro, artes plásticas, música, balé, cinema e arquitetura. Mesmo sem a pretensão de ser uma história social do Modernismo, Peter Gay não deixa de aprofundar as implicações da história, das ciências, da política e da economia, com todos os seus desdobramentos no cotidiano das relações sociais, na formação do paradigma modernista.

O que isso significa, bem como o que isso sugere, o leitor descobre através de uma leitura extremamente agradável e prontamente alertada para outras abordagens complementares, afinal de contas são galáxias complexas para caberem totalmente em um universo de apenas 578 páginas. Já na tomada inicial, quando o autor estabelece a presença de Charles Baudelaire como uma das pedras fundamentais nessa guinada estética, o leitor mais atento sente que um detalhamento do ambiente da segunda revolução francesa, de 1848, fornecerá muito mais subsídios para a aceitação da importância toda do maldito das flores do mal. Nesse caso, se o leitor tiver em mãos o livro “O Velho Mundo Desce aos Infernos”, de Dolf Oehler, também da Companhia das Letras, a festa será repleta de transversais.

A erudição e o refinamento das idéias de Peter Gay nos remetem diretamente à leitura de outros livros cheios de contigüidade tais como “A Emoção e a Regra”, com organização de Domenico de Masi, da editora José Olympio, que aborda os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950 e atesta para o leitor que o paradigma modernista nãos se restringiu apenas a arte; e “Pós-Modernidade: a lógica cultural do capitalismo tardio”, de Fredric Jameson, da editora Ática, que mostra para o leitor os desdobramentos culturais, políticos e econômicos que vieram depois do Modernismo. A leitura desses outros livros não indica uma deficiência no livro de Peter Gay, muito pelo contrário, comprovam a envergadura e complexidade dessa obra magnífica.

Seria enfadonho esboçar aqui uma lista de autores e obras, bem como de tendências e peculiaridades expostas por Peter Gay ao longo de sua obra. É bem mais profícuo afirmar que até o mais perdulário dos imbecilóides reacionários, após a leitura desse livro, retirará das suas fuças o ar de parvo e a atitude de beócio diante de um quadro de Kandinsky ou de uma composição de Varèse. Mas se o incauto leitor não souber quem é nenhum dos dois nomes citados é melhor continuar acreditando que questão de gosto não se discute.

Munido de um conhecimento espetacular Peter Gay esmiúça com seu escafandro intelectual como o ódio à burguesia tornou-se um dos instrumentos que solaparam os quadrantes da estética conservadora rumo aos caminhos tortuosos e abismados da arte pela arte, até chegar ao litígio completo com o senso comum, passando pelo viés anarquista do desconstrucionismo das vanguardas, traduzido dramaticamente pela negação da própria arte em obras desconcertantes, como as sátiras prolíferas de um Marcel Duchamp, por exemplo.

Vale ressaltar que uma obra com uma temática dessa desnatureza jamais fugiria da polêmica. Sendo assim, a obscuridade e o enigma, que são próprios do desfazer modernista, se apresentam na obra de Peter Gay justamente através de algumas ausências inesperadas. É paradoxal atribuir uma importância descomunal à poesia de T. S. Eliot, sem fazer nenhuma menção à genialidade poética de Ezra Pound, o verdadeiro mestre do Modernismo e do próprio T. S. Eliot, ou até mesmo nenhuma referência às vertigens abissais de Fernando Pessoa.

Também é surpreendente como o autor alemão detalha o atonalismo musical até Schoenberg, passando por John Cage, sem abranger o concretismo eletrônico de Karlheinz Stockhausen. Outras tangências irremediáveis dizem respeito a nenhuma citação de Jorge Luís Borges e José Saramago, quando Peter Gay constrói uma cádetra justa a outro mestre do Realismo Fantástico, que é Gabriel Garcia Marques. Mas isso é o de menos. O saldo é muito mais superior em informações do que em formações, o que torna essa obra um verdadeiro antídoto à picaretagem, à ignorância e ao achismo provinciano.

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