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25 maio 2009

Reflexões sobre a Guerrilha - por Elmano Rodrigues Pinheiro


Reflexões sobre a Guerrilha!
DE CONFRONTOS E EXTREMOS

En Passant: Pablo Emmanuel

Há uma passagem no “Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano”, escrito por Marighella, que certamente tenha tido sua base nas observações de Che, em seu livro “A Guerra de Guerrilhas”, que, aliás, é interessante do ponto de vista estratégico, segundo as experiências de Guevara na revolução cubana. Discorre sobre como provocar uma ditadura até que ela monte um extenso aparato de repressão sobre a sociedade, a fim de que esta se volte contra o governo por se sentir alijada de garantias fundamentais. Assim, como afirma Che, a ditadura se desmascara, mostra-se como ela é. O que vem a gerar um descontentamento popular que poderia auxiliar as operações da guerrilha. O general Médici, que, conforme muge o cabo Anselmo, era um “bonachão”, teve a perspicácia de manter a violência e, ao mesmo tempo, acelerar o desenvolvimento dependente e antinacionalista da economia, baseado na oferta de bens de consumo duráveis. Com a copa de 70, estava tudo perfeito. A anestesia para o povo foi daquela de deixá-lo praticamente em coma. Durante a guerrilha urbana, ninguém da favela se levantou, preferindo a malandragem do samba na esquina, onde até uma caixinha de fósforos servia de percussão. O proletário estava com sono.
A classe média queria dirigir um Maverick e ver TV a cores. E pronto. Com a mídia amarrada, o governo lançou uma campanha terrível e eficiente de aniquilação moral da esquerda armada. Enquanto isto, braços paramilitares do Poder Executivo cometiam crimes tão brutais quanto as SS nazistas. Não vivi aquele tempo, embora tenha nascido durante os eventos mais dramáticos, mas me arrisco a um palpite.

Talvez se, a partir de 1970, toda a guerrilha urbana se desmobilizasse das cidades para se infiltrar nas selvas do país, poderia formar um corpo muito maior e mais coeso do que o composto dentro das cidades, onde a luta era mais difícil e compartimentada. Por outro lado, a guerrilha não dispunha de armamento de longo alcance. Para combate em selva, o fuzil é imprescindível. Um bom fuzil. Onde estava a Mãe Rússia que não mandou para os guerrilheiros do Brasil seus maravilhosos Kalashnikovs? Que conspiração comunista era essa afinal, em que os supostos principais interessados na posse do Brasil, que seriam os soviéticos, segundo a acusação de muitos na época, não se moviam um centímetro?

Dentro da cidade, eu concordo com o que disse Marighella sobre o uso de pistolas, revólveres e pequenas metralhadoras, enfim, armas curtas para ações rápidas. Seria preciso assaltar pelo menos uns 20 quartéis no país para levar a fuzilaria toda, granadas, morteiros etc. Isso estava fora de cogitação, ainda mais depois que Lamarca deu um chão no arsenal de um regimento em Osasco. A vigilância se tornou implacável. O pessoal da rede urbana talvez não tivesse condições para empreender longas marchas dentro das selvas, movimentar-se com rapidez. Talvez não tivéssemos a astúcia dos vietnamitas, por exemplo, que colocavam a resistência total como o princípio básico da sobrevivência dentro das matas, numa desenvoltura impressionante que tornou lendária a tática de guerras daquele povo.

Sei lá. Provavelmente, as Forças Armadas utilizariam bombas de fragmentação e NAPALM à larga se todas as guerrilhas fossem concentradas na Amazônia, sobretudo se Lamarca estivesse por lá, treinando militantes e camponeses que quisessem engajamento. Segundo a tática maoísta, as cidades deveriam ser esmagadas por um cinturão formado pela guerrilha popular, sufocando, estrangulando, atacando os meios de comunicação. No Brasil não tinha gente o bastante para isto. Como arrebanhar da noite para o dia um jeca-tatu que está lá nos rincões fumando a palhinha dele, com as unhas pretas de terra e as mãos grossas como lixas?

A teimosia e a lamentável mania que a esquerda tinha de acusar outros grupos disto ou daquilo, fazendo juízos entre certos e errados, de modo dogmático, atomizavam seu aparato ideológico e militar. Havia vários raciocínios para um só objetivo, que nunca é alcançado quando um raciocínio se ocupa da destruição de um outro. Imagino outra hipótese: a da participação armada dos trotskistas, se estivessem a fim mesmo. Na verdade, eles se abstiveram. Como seria a relação entre a linha de frente treinada em Cuba e o pessoal de Trotsky? Eu quase tenho certeza de que, no final, os trotskistas seriam acusados pela derrota da esquerda e terminariam mortos como fizeram os comunistas contra os anarquistas na guerra contra Franco. Um banho de sangue entre as Brigadas Internacionais em uma das mais belas páginas da história da humanidade. Que desgraça! Ramon Mercader, bandido stalinista que rachou a cabeça do velho judeu no México, por ordem do crapuloso Big Brother, terminou seus dias na ilha, sob a égide de Fidel. Provavelmente, trotskista não seria gente bem-vinda para o combate, de tal forma que esta facção se limitou a lutar através de jornais clandestinos, até criticando quem estava no combate aberto. Alguns acusavam a ALN, por exemplo, de cair num tipo de terrorismo vulgar, de desvinculação das massas trabalhadoras, de lutar sem elas etc. [Por falar na ALN, recordo-me da entrevista do infame cabo Anselmo que defende a tese segundo a qual o grupo de Marighella nada mais era do que o braço armado do PCB; que o Partidão não tinha ficado “neutro” na luta e que o rompimento de Marighella com o partido através daquela famosa carta era tudo farsa para que o PCB ficasse intacto e a ALN pudesse descer a madeira...]

Não há como intuir sobre o passado. Ninguém sabe que rumo tomaria a luta armada se ela fosse essencialmente rural, sem braços nas cidades, onde ninguém quis se levantar para aderir. De minha parte, eu não sei como procederia se vivo fosse naquelas condições. Acredito que não teria a energia [nervosa] necessária para enfrentar aquele aparato todo. Tenho respeito por aqueles que tiveram essa energia e morreram. Reflito sobre a possibilidade de revolução, que acho ser remota aqui no Brasil, quase impossível, mesmo via eleições. Não sei até que ponto um companheiro meu não estaria disposto a me matar somente porque discordei de alguns questionamentos que foram lançados. Não sei até que ponto estaria seguro ao lado de alguém que só seria meu amigo enquanto pensasse politicamente como eu.

Eu sou comunista, não cultivo valores absolutos do stalinismo nem do trotskismo, e entendo ser melhor morrer ao lado de homens que são justos do que tomar um chão pela injustiça de um camarada de armas. É uma honra aceitar esse tipo de morte. Porque, a rigor, a luta só é justa enquanto der combate às injustiças. Os danos psicológicos do passado permanecem até hoje, para nossa desgraça.

Escrito por Luiz Aparecido

Da Série Perguntas Incríveis...

Alguém escreveu ali no Mural ao Lado "reclamando" que HÁ asfaltamento. Há certas coisas que realmente não consigo compreender porque as pessoas agem desta forma. Ao invés de elogiar o asfaltamento que está sendo feito disse assim:

"gostaria de saber pq foi asfaltado uma rua quando ha tantas sem calçamento... "


Resposta:

Foi asfaltada a rua porque temos asfalto para isso e a rua já tem o devido saneamento executado. No Crato, começou o tão sonhado saneamento da cidade. A SAAEC está quebrando o centro do Crato para trocar 15 Km de tubulação. Se tivéssemos pedras, teríamos feito calçamento. A verba que vem para um projeto de asfalto é outra completamente diferente de calçamento. Em administração Pública o povo tem muito o que aprender. Que não se pode pegar por exemplo, uma verba que vem para comprar merenda e gastar com asfalto, ou uma verba que vem para o asfalto e gastar com calçamento.

Dihelson Mendonça

Verdade inconveniente - Por: Alessandra Bandeira


Prezados amigos e amigas,

Nunca fui de me calar diante do que considero injusto, muitas vezes me vi sozinha lutando por aquilo que acredito, mas nunca me arrependi de minhas lutas, de minhas convicções. Acredito na igualdade entre as pessoas, em justiça para todos. Obviamente todos devem estar se perguntando o motivo de tal desabafo, mas e que sinceramente cansei, não tenho mais força, o sistema me matou. Há 10 anos moro no Crato e , há 10 anos assisto como alguns cratenses são xenofóbicos, se fecham em um grupinho e se sentem donos da verdades e da moral e dos bons costumes, se intitulam intelectuais e artistas mas nem se quer se vê estes a lutar pelo espaço de mostrar sua arte ou seu intelecto.

Quando a Gaby criou o OLHAR Casa das artes, fez por que queria que os artistas tivessem lá um apoio, uma casa , um espaço onde pudessem se apresentar, , alguns acreditaram nisso e lá estão até hoje, outros só foram lá para tirar dinheiro e visto que a proposta não era essa , zarparam. Mas ai vem a pergunta teria o OLHAR casa das Artes sofrido tantas perseguições, descaso, se fosse conduzido por esse grupo de iluminados, alguns até bradam que são imortais??

Acredito que não, pois, assim como eu , Gaby e de fora, viemos com outros conceitos de cultura e mundo e só queremos dar ao Crato , aquilo que recebemos, pela sua radiante beleza geográfica, aquilo que recebemos de pessoas como Josenir Lacerda , Bastinha, Tranquilino Ripuxado , Aécio Ramos e até mesmo do carinhosamente apelidado Tio Dihelson. Não é o fato de fecharem o bar do Olhar, mas e o fato de vocês que se dizem tão iluminados, nunca terem dado atenção a casa das artes, onde tem propostas de cursos, tem toda uma estrutura, mas não temo o apoio, o investimento.

Isso cansa , desanima, você começa a ver o quão tacanha são essas pessoas que se seguram e seus sobrenome de família, que acham que tem o direito sobre a cidade, e sinceramente nada fizeram ou fazem pela democratização e acesso a cultura, musica , arte. Infelizmente vejo que essa e a mais dolorosa verdade , pois venho aqui denunciando a poluição sonora causada pela igreja da Sé e ninguém foi lá verificar, mas sobre o OLhar houve uma perseguição, uma coisa de agirem de má fé, sinceramente, está ai a prova do que digo sobre o xenofobismo, sobre a hipocrisia, a falsa moral os dois pesos e duas medidas, cadê SEMACE? Cadê Secretaria de meio ambiente?

Cadê a zona de silêncio????

E me desculpem mesmo pelo desabafo, sei que aqui tem pessoas que sentem o mesmo, só não tem coragem de por para fora, de protestar contra essa realidade, essa triste injustiça. Só quero deixar claro que essa e minha opinião, e não do OLHAR ou da Gaby. Sinceramente espero que a sociedade acorde para ver o grande projeto que é o olhar casa das artes , o mais breve possível!

Por: Alessandra Bandeira

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