xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 21/05/2009 | Blog do Crato
.

VÍDEO - Em breve, estaremos de volta com as novas transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, alguns programas ao vivo ). O modelo será mais ou menos como no vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos em que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 25.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

21 maio 2009

A SOCIEDADE DE CULTURA ARTÍSTICA DO CRATO, PONTO DE CULTURA DO BRASIL - MINISTÉRIO DA CULTURA, EM PARCERIA COM A ACADEMIA DE ARTES E BALLET CAROLINA ROCHA
APRESENTA


LOCAL: Teatro Rachel de Queiroz, dias 22 e 23 de maio de 2009 - sexta-feira e sábado

A singeleza e a arte de que se reveste esse espetáculo demonstrarão a capacidade e a cultura próprias do corpo de baile, não só formado de jovens como também de crianças.
A direção é de Carolina Rocha - Professora de Ballet Clássico da Sociedade de Cultura Artística do Crato - SCAC.
Alunos e familiares da SCAC estão convidados. Os amigos e admiradores da arte, os Pontos de Cultura do Ceará não podem perder a oportunidade de participar de um momento de encanto, beleza e magia refletida nos passos clássicos de bailarinos reconhecidos que conduzem o espetáculo.

Entre o Bordeaux o Aluá - Por: J. Flávio Vieira


Em Matozinho, um vereador fez levar à votação um projeto simplesmente fantástico: tornar todos os cidadãos do município pensionistas, a partir da promulgação da lei, recebendo proventos mínimos de R$ 2000,00 ao mês. Na justificativa, nosso legislador fazia-se enfático: o projeto imediatamente acabaria com a miséria em Matozinho , faria o comércio prosperar e , mais, legaria aos munícipes condições para o lazer e a sobrevivência sem que ninguém precisasse lascar-se de tanto trabalhar e sair por aí suando mais que tampa de chaleira. A idéia parecia brilhante e inventiva, como ninguém ainda havia pensado nisso ? Viver às expensas da viúva desde o nascimento até o Cemitério! Tudo ia às mil maravilhas até que um cri-cri resolveu fazer a pergunta fatal. Feitos os cálculos iniciais, os gastos com a nova lei sobrepassavam os recursos totais de Matozinho em mais de dez vezes. Quem pagaria a conta ?
Esta pequena história, “lá de nós”, vem bem a calhar quando acabamos de apagar as vinte velinhas no aniversário do rapaz. Pois é, o menino já nasceu meio despombalizado, anêmico, zambeta e com bico de papagaio. Teve todas aquelas mazelas de infância que chegaram a preocupar os pais e depois vieram as crises típicas de uma adolescência complicada com rebeldias e caras trombudas. É, amigos, mas agora , o menino se diz dono das ventas, estampa o primeiro buço e uma barbicha meio desalinhada. Os pais não parecem satisfeitos, no entanto. Esperavam mais dele , que já tivesse independência financeira e tomado tento na vida. Mas a paternidade não é sinônimo de paciência e esperança ? O Susto, talvez, venha exatamente porque a criança, por similiaridade semântica, foi batizada exatamente de SUS.
Conseguimos avanços ? Sim, avançamos significativamente. Priorizamos uma Medicina Preventiva ao invés da Terapêutica, como anteriormente. Aproximamos a população das equipes de saúde, com o PSF, melhorando o acesso como jamais ocorrera na história brasileira. Organizamos o Sistema de Saúde Nacional em termos de planejamento estratégico, trabalhando cientificamente os dados epidemiológicos, tendo sido criado um Banco imenso de Dados, alimentado regularmente por todas as Secretarias de Saúde Brasileiras. Melhoramos imensamente os Indicadores Epidemiológicos, com vacinação em massa, diminuição impactante da Mortalidade infantil e das doenças infecto-contagiosas. Então, por que tantas denúncias de desatendimento , de omissão de socorro, de negligência no SUS que a todo momento explodem na mídia ? Por que ninguém está satisfeito com o SUS? Nem os profissionais de saúde, nem os gestores e muito menos os usuários do sistema ? Por que ? Vamos tentar dar algumas respostas pessoais à questão, nós que participamos do parto da criança e acompanhamos seu crescimento e desenvolvimento.
O SUS foi a realização de um sonho de toda uma geração de idealistas do Sanitarismo Brasileiro. Esta utopia se fez presente na Constituinte de 1988, quando na Carta Magna, no Artigo 196 estampou-se a saúde como um direito de todo cidadão brasileiro e um dever do estado. E mais : que este dever era Universal, para todos os brasileiros; Integral, contemplando todas as nossas necessidades de saúde e mais: seria distribuído com Equidade, contemplando mais quem mais dele necessitasse. O sonho era vultoso, não muito diferente do sonhado pelo vereador de Matozinho. Criar um Plano de Saúde gigantesco que contemplasse , hoje, quase 200 milhões de brasileiros , desde o atendimento a um simples “Pano Branco”, até à mais complexa Cirurgia Neurológica. E mais, um projeto de saúde gestado com uma visão socialista, bebida em águas gramscianas, devia ser implantado num universo totalmente dispare, de marcantes cores neo-liberais.
Pois bem, o certo é que , quem sabe intencionalmente, nunca se pôs dinheiro suficiente para alimentar um sonho tão gigantesco. Hoje gastamos em torno de 7,6% do PIB com a saúde no Brasil, aí envolvidos todos os investimentos públicos e privados no setor. Só para se comparar os EUA empregam 15% do PIB, a Alemanha 11%, o Canadá 10% e a Argentina 9 %. Só que no Brasil apenas 45% deste valor é do setor público, mais da metade são de investimentos privados, dos Planos de Saúde. Só que os Planos gastam mais para atender 40 milhões de brasileiros do que o Estado para atender os outros 150 milhões. Em 2007, empregamos pouco mais de mil dólares per cápita para atender todos os brasileiros, os Estados Unidos investiram em torno de U$ 7500,00 por habitante. E sempre é bom lembrar que a saúde tem demandas tecnológicas crescentes, com novos medicamentos, novos equipamentos, novas terapêuticas e estes gastos nos EUA duplicaram na última década. O professor Bosi Ferraz da UNIFESP resume bem o problema : O Brasil precisa satisfazer as demandas de 2009, com investimentos de 1980 e problemas de saúde ainda de 1960.

Com pouco dinheiro disponível para financiar um sonho tão grande é previsível a catástrofe. O lençol ,curto demais, foi puxado para cobrir a atenção primária ( a cabeça do Sistema) e a Atenção Secundária terminou descoberta: o frio é inevitável. O interessante é que grande parte dos que sonharam o sonho estão agora na gestão do sistema e vivendo as agruras terríveis do monstro que ajudaram a dar à luz. Em casa que falta pão, como diz o populacho, todos brigam e ninguém tem razão. O Ministério da Saúde, há alguns anos, fez um grande movimento pelo estabelecimento de remédios genéricos, de preço mais acessível e com bioequivalência testada. Pois bem, todas as prefeituras que conheço, só compram os famosos similares, também chamados de B.O. , simplesmente porque são mais baratos, embora não tenham qualidade comprovada. Incentivam-se medidas como as Farmácias Populares, o Parto Domiciliar, a Alimentação Alternativa, aparentemente por serem mais baratas, como substitutivo a uma terapêutica científica. Fico desconfiado, porque não vejo profissional de saúde tratar o filho com pneumonia com chá de olho de goiaba; nem presenciei casais de ginecologistas preferirem ter o filho em casa e também nunca vi nenhum empresário importante chegar em restaurante e solicitar farofa de casca de banana. Estas medidas só servem para pobres ?

Recentemente chegou ao Supremo Tribunal Federal um debate crucial: o Estado deve assegurar medicamentos caros para todos ? Explique-se : pacientes que necessitam de medicamentos dispendiosos para tratamento de câncer ou doenças degenerativas, sendo negado o fornecimento pelas Secretarias de Saúde, entram na justiça e conseguem por via judicial. As ações têm sido crescentes e só no ano passado foram mais de duas mil, envolvendo um montante de R$ 52 milhões de gastos com estes medicamentos. As secretarias se sentem prejudicadas, pagando medicamentos caros para poucos e , às vezes, impossibilitados pelos gastos, de dar os medicamentos básicos e baratos para muitos, e recorreram ao STF. Primeiro é importante lembrar que só as classes mais favorecidas têm acesso à justiça e os pobres, mais uma vez, levam desvantagem. Por outro lado, muitas vezes o uso destes medicamentos significa morte impedida ou adiada e só quem entende disto é quem tem um problema em si mesmo ou numa pessoa querida. Depois, R$ 52000,00 , em um ano, não é tanto, não é ? Apenas menos de um terço do que o juiz Lalau conseguiu desviar. Mais uma vez , batemos no mesmo problema: não há dinheiro suficiente e se partimos de premissa errada ( ou seja com uma mixaria é possível dar saúde para duzentos milhões de brasileiros) nunca chegaremos a conclusões verdadeiras. Vamos rasgar junto com o STF a Constituição que tão duramente construimos ?

O SUS vive um momento ímpar. Convidamos milhões de pessoas para uma festa onde seriam servidos caviar e vinho Bordeaux. Quando quebramos o porquinho, descobrimos que só há grana suficiente para oferecer mungunzá e aluá. Ou conseguimos verbas extras para cobrir os gastos do evento sonhado ou reconvidamos todos para uma festinha simples , sem muitos riquififes, umas bolachinhas Maria e uma tubaínas para não entalar.

J. Flávio Vieira

Esclarecimento sobre MISAEL - Rita Guedes

Prezado Dihelson,

Como leitora assídua dos artigos publicados no blogdocrato, aproveito o ensejo para parabenizar seus dirigentes pela iniciativa e ressaltar que, além de um acervo cultural de alto nível, ele atua no ego dos cratenses saudosos de uma forma peculiar, atualizando-os e ao mesmo tempo os sensibilizando. Há porém artigos que deixam a desejar: refiro-me ao que foi escrito por Zilberto Cardoso de Oliveira que cita “estorinhas” sobre o meu querido avô Misael Lopes de Andrade, dono da antiga Pensão Misael. Desconheço a sua intenção, mas seria, por acaso, a de se servir da figura do ente querido para o identificar com a do personagem de um eventual quadro de humor que esteja pretendendo introduzir no blog? Saliente-se que o meu avô não era analfabeto. O certo é que as pessoas que tiveram a oportunidade de falar sobre ele no seu blog (refiro-me também a Socorro Moreira) foram, senão maldosos, pelo menos omissos ao deixarem de lhe tecer os elogios a que fez jus pela pessoa simples, íntegra, honesta e caridosa que foi. Talvez essas pessoas só tenham tido olhos para o jocoso. Talvez essas pessoas desconheçam o grande homem que ele foi e quão grande era o seu coração.

Misael acolheu no seu lar (Pensão Misael) muitas pessoas que em sua porta batiam em busca de abrigo, famintas e sem condição de lhe pagar a diária. Inclusive estudantes que, graças à sua generosidade, hoje são formados. Quando Crato sofreu a desolação da seca de 32 Misael socorreu muita gente, matando a sua sede e fome, comprando carradas de alimentos para lhes doar. Essas boas ações sim.devem ser reveladas. E há tantas outras qualidades a serem lembradas! Solicito a delicadeza de respeitarem a memória de meu avô que, ao longo da vida, muito contribuiu direta ou indiretamente para o desenvolvimento da nossa Crato. Suas piadas revelavam apenas o seu sadio senso de humor, tendo como característica principal estar de bem com a vida, ser bom filho, bom esposo, bom pai, amigo fiel e também excelente avô, digno do respeito de todos. Gostaria que, mediante a publicação desta contestação, me fosse dado o direito de defesa que constitucionalmente me é assegurado. Desde já envio-lhe meus agradecimentos.

E AINDA:

Prezado Dihelson,

É lamentável: Com tantos temas instrutivos existentes que podem ampliar o cabedal de conhecimentos, seja tão focado o meu avô Misael. Saliento que se existiu afastamento da família com medo de se contagiar com mentiras deve ter sido por parte do lado mais pobre da família, por ignorância ou mediocricidade. Tenho idoneidade para falar pois estou com 62 anos atualmente e tenho registrado na memória momentos sublimes em companhia do meu avô Misael em número de 10 netos, hoje todos formados, em sua acolhedora Pensão. Aguardo ansiosa a publicação da minha carta ao leitor. Sujestões de temas para o Esmeraldo, Zilberto e Socorro. - Porque os Interurbanos feitos para Crato vem na conta Telefônica como sendo DDD do Juazeiro do Norte? - Será que o nosso Crato vai se transformar num Bairro de Juazeiro? - Crescimento Econômico e Cultural do Crato - Não use Drogas - ... ( sugestão de temas ).

Grata pela atenção e um forte abraço. Parabéns pelo lançamento do CD.

Atenciosamente,

Rita Guedes

Nota do Blog do Crato:

Olhaí, pessoal. Muita gente às vezes escreve coisas achando que ninguém vai ler...aí está a neta do Misael, e é bom alguém fazer algum esclarecimento sobre isso.

Abraços,

Dihelson Mendonça


Misael, somos todos mentirosos? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Recentemente, o amigo Zilberto Cardoso, um cratense da “gema, da clara e da casaca grossa” como ele próprio se intitula, nos relembrou uma figura histórica do Crato e suas lorotas inacreditáveis. Os mais jovens talvez não se lembrem da Pensão Misael, uma modesta hospedaria na Praça de São Vicente. O seu dono, o senhor Misael recebeu a terrível fama de maior mentiroso do Crato. Na realidade, ele era um caçador, que nas horas vagas contava histórias mirabolantes, apenas para divertir os hóspedes de sua pensão e brincar com as crianças, crédulas, como eram as daquela época.
Há muitos anos, eu ia numa das "sopas" do Crato para o São José pela estrada velha, pois não havia a bonita avenida que hoje interliga as cidades do Crato e Juazeiro. O passageiro do meu lado tinha um olho cego, carregava uma espingarda e uma sacola de caçador. Puxei conversa com aquele velhinho simpático e ele me mostrou um relógio de algibeira, dizendo que era um relógio fêmeo e, que em uma de suas caçadas esquecera aquele seu relógio numa “espera” na Serra do Araripe. Uma semana depois retornou ao local e o seu relógio havia parido sete reloginhos que ele deixou crescer e posteriormente vendeu na feira do Juazeiro. Falou com tanta convicção, que eu achei que fosse verdade. Perguntei pelo seu nome e ele me disse ser o famoso Misael, dono da pensão de mesmo nome.
Contaram-me que um motorista de caminhão, hóspede da Pensão Misael, sabendo da fama de mentiroso do seu hospedeiro, numa das rodas de conversas que se formavam na calçada da pensão todas as noites, contou que acabara de chegar de Araripina. E que na viagem, um motociclista vinha atrás do seu caminhão comendo poeira. Tentava ultrapassar de todos os modos e ele não dava passagem, somente para deixá-lo na poeira. Se a moto entrava à esquerda, ele fechava a sua passagem, se tentava pela direita, ele desviava o caminhão para o mesmo lado. Durou mais de meia hora essa peleja entre os dois, até que na descida da serra ele foi surpreendido por um vôo rasante da motocicleta, passando por cima do caminhão, sumindo ladeira abaixo. “Não vi mais aquele motociclista doido.” Disse o caminhoneiro, nisto obtendo uma pronta resposta do seu Misael: “Então foi você que me fez comer tanta poeira? Pois você está falando agora com aquele motociclista corajoso!”
Hoje eu sei que as mentiras do Misael eram uma forma simples e alegre que ele descobriu para se comunicar com os outros e se fazer notável. Sei também que esse hábito por ele cultivado, criou na família o receio de que fosse uma herança genética, de modo que as crianças da família, até a quarta geração eram orientadas a não mentir para não adquirir a mesma fama. Mas as mentiras do Misael não eram desculpas educadas e nem prejudicavam ninguém. De certa forma, todos nós, ditos "educados" somos uns grandes mentirosos. Quem ao ver um amigo após tantos anos não diz: "Você está do mesmo jeito!" Ou então: "Como você não envelhece!" A mais pura mentira.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O "BISPO LUGO" DOS CARIRIS - por José do Vale Pinheiro Feitosa e José Libório Cavalcante

Nem sob tortura no presídio de Guatánamo, nem sem água da moringa, confesso o nome do personagem motivador do drama. Era uma espécie de Bispo Lugo do Seminário São José. O personagem motivador, pois o centro era uma servente do seminário, bonita, diferente daquela nossa “caboclisse caririzeira”. Muito alva e dos olhos azuis, igual àquelas imagens de Jesus. Não tem quem esqueça: era o alvo do desejo dos jovens seminaristas, com seus hormônios a ferver-lhes o sangue no pleno da puberdade. Agora retornando ao drama.

Uma janela para o presente e para a distância. O seminarista em seu leito de dormir, ouvindo, em sons fugidios, a Amplificadora Cratense. Uma nostalgia da terra distante, uma solidão, embora no coletivo, um desamparo de quem saiu para apenas retornar a cada final de semestre. Sem telefones, sem rádio e televisão, raros mensageiros, telegramas onerosos e cartas censuradas. Ao mesmo tempo, era a ponte com a novidade musical da época. Naquela noite, toda a vida estava sob um fio de navalha.

Com a cabeça no travesseiro, olhando para as tesouras de madeira que sustentavam o teto do dormitório, uma cama ao lado da outra, ele, chocado, recordava-se do imenso e descontrolado evento. E tudo começara com o casamento da servente com um trabalhador de engenho. Na mesma noite, no crescei e multiplicai-vos do casamento, ele levanta a pergunta: quem desvirginou tu? Ela, com olhar de pavor, insistia em respostas negativas. Ainda era virgem e assim casara-se.

Ele não estava aí para conversa. Tinha certeza que a moça não era mais virgem e sacou de peixeira que lhe apontava para o peito. Diga agora mesmo, quem foi, ou faço besteira já já! Os olhos azuis da moça sobressaiam na alvura de seu rosto, a palidez acentuava-se sobre o peso da ira do marido. Mais que um peso, a ponta aguda da peixeira cobrando-lhe os atos do passado. Ninguém, em circunstância igual, se nega a dizer o que sabe, e ela disse: foi ...
No dia seguinte, apenas um cadáver ensangüentado dentro da rede e um assassino com promessa de vingar-se também do autor. A notícia, como não poderia deixar de ser, funcionou como riachos tributários que se encontram num rio caudaloso: o drama envolveria um padre e a pobre servente. Do pré-anexo ao sexto ano, nem o barro batido do campo de futebol desconheciam-se tais fatos.

A questão migrou para o assunto da segurança do lente. Ameaçado e aterrorizado, escondia-se do jeito que os esconderijos permitiam: o acesso ao seminário passou a ser vigiado constantemente. Nas noites escuras, o prédio brilhava igual à via láctea, com todas as suas luzes internas e externas acesas. Era o Crato de então já beneficiário da luz contínua e intensa de Paulo Afonso.

O cenário inusitado não perdeu a ironia do nosso grande Ramiro e sua verve ferina. Subindo a ladeira do seminário pelo lado de seu Zacarias Sapateiro, ao ver o espetáculo de luzes comentou:
- Ói lá: será o Titanic afundando de novo?

José do Vale Pinheiro Feitosa e José Libório Cavalcante.

Edições Anteriores:

Setembro ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30