xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 09/03/2009 | Blog do Crato
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VÍDEO - ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Prefeito do Crato é escolhido um dos melhores prefeitos do Ceará pela PPE Eventos, em Fortaleza. ( 09-11-2017 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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09 março 2009

A volta da fogueira

Aborto, excomunhão e um bispo sem piedade

O que uma equipe de médicos e funcionários públicos mereceria ao salvar uma menina de nove anos de uma situação traumática?

No mundo racional das pessoas de bem, esta equipe mereceria reconhecimento, respeito e homenagem. Mas na compreensão e sem piedade do bispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, a equipe merece a excomunhão.
Estuprada pelo padrasto, a menina estava grávida de gêmeos e, para salvar sua vida os médicos da Maternidade Cisam, da Universidade de Pernambuco, no Recife, fizeram o que a lei e a ciência determinam: a pedido da mãe da menina, foi realizado um procedimento médico, através de medicamentos, que eliminou os fetos do ventre da criança.
Foram punidos com a excomunhão, uma punição muito grave para os católicos, que corresponde à expulsão da comunidade. O bispo extendeu a punição a todos os envolvidos no caso, poupando apenas a menina pelo fato dela ser ''de menor'', conforme suas palavras. Para ele, o estupro cometido contra uma criança de nove anos de idade é um crime menor e, por isso, deixou o padrasto fora da excomunhão.
O bispo Sobrinho não é um homem estúpido. Ele sabe que uma criança de nove anos de idade, com 33 quilos de peso, não tem estrutura física nem psicológica para suportar uma gravidez, ainda mais uma gravidez de gêmeos. Sabe também de todas as perversas consequências sociais que a criança e sua família enfrentariam se a gravidez fosse levada adiante. Mas nenhuma razão humanitária foi levada em conta pelo bispo para defender seus dogmas, que são desumanos e ofendem a compreensão de nosso tempo.
Não bastasse a iniciativa da excomunhão coletiva, um advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife, Márcio Miranda, anunciou que vai apresentar uma denúncia de homicídio contra a mãe da menina por ter autorizado o aborto. Como é um aborto amplamente amparado pela lei brasileira, só resta entender a iniciativa do advogado como uma ameaça inquisitorial.
A continuar sendo comandada por gente obtusa como o bispo Sobrinho, a igreja católica, que tem no seu currículo a Inquisição (hoje chamada Congregação para a Doutrina da Fé) e outras perversidades, como as já frequentes acusações de pedofilia, perderá cada vez mais o respeito e a voz diante da sociedade.
Em sua cruel e fora de época defesa dos dogmas da igreja, o bispo afrontou a sociedade, nostálgico talvez do remoto passado em que a voz dos púlpitos tinha força de lei para toda a sociedade. Mas, no caso, a reação foi imediata. O presidente Lula considerou a decisão do bispo lamentável; o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que ela foi ''radical'' e ''inadequada''. A médica Fátima Maia, diretora do Cisam, e que é católica, deu ''graças a Deus'' por estar ''no rol dos excomungados'', e que não se arrepende de ter ajudado a menina. Em Brasília, Valéria Melk, representante do movimento Católicas Pelo Direito de Decidir se declarou indignada pela atitude do bispo: ela é ''uma crueldade'', disse.
Como bem lembrou o jornalista Ricardo Kotscho: ''E pensar que esta mesma Arquidiocese de Olinda e Recife já foi ocupada por um homem como dom Hélder Câmara, o bispo que nos tempos mais sombrios da ditadura militar, arriscava a própria vida para salvar a vida dos outros''.
Fonte: Editorial do Portal Vermelho: www.vermelho.org.br

"Notívagos" - (Re)Descobrindo a Madrugada - Por: José Nilton Mariano Saraiva

O dia tem quatro períodos de 6 horas. Das 6h às 12h, a cidade trabalha. Das 12h às 18h, faz compras, busca filhos na escola, corre para casa. Das 18h às 24h, freqüenta escolas, faculdades ou cursos livres, namora, diverte-se. Sem falar naqueles que, em casa, continuam trabalhando. Mas o que fazer da meia-noite em diante? Por que não dormir em horários alternativos, como já fazem trabalhadores noturnos de fábricas, postos de saúde? Criar vida coletiva "madrugadeira". Faculdade pela madrugada. Cinema na madrugada. Esporte de madrugada. Novos horários para serviços "madruguistas". Em locais que não perturbem o justo sono dos outros. Redistribuição espontânea/induzida dos turnos existenciais.
Acordarei às 23h. Tomarei meu café "madrugal". Irei trabalhar. Ou estudar. Ou pagarei as contas nos bancos (abertos). Cuidarei de assuntos burocráticos.
Às 6 da manhã, almoçarei. Ao meio-dia, fim do dia.
Em casa, jantar... Descanso, família, amigos. Às 16h, cama, longe do rush.
Muitos notívagos se sentem inúteis nas chamadas horas mortas. Salvam-nos a internet, a tela da TV, a leitura. Insones, passarão a movimentar a madrugada urbana cheia de vida.
Se metade da população tiver opções "madrugadeiras", todos respiraremos melhor. Madrugada, palavra proveniente do latim vulgar maturicare, madurar, amadurecer mais cedo, antecipar-se ao caos. Em plena madrugada, haverá mais luzes acesas, mais transporte coletivo, o metrô circulará 24 horas, restaurantes, lanchonetes e lojas em geral de portas abertas. Haverá clientes sempre, em toda parte.
"Deus ajuda a quem cedo madruga", profetizaram os antigos. Essa idéia mesmo, aliás, fiquei mentando (a mente trabalha depois da meia-noite) às 4 da matina. Que a energia acumulada e perdida na madrugada venha à tona nos escritórios, academias de ginástica, serviço público, consultórios médicos, lugares de diversão. Quantos já não fazem da madrugada espaço e tempo vitais? Mais do que rodízio de automóveis, rodízio de gente. Digamos que 50% da população passe a acordar às 23h, depois de uma boa tarde-noite de sono. A outra metade estará colocando o pijama e sonhará com os anjos, sem ter vivido o pesadelo das ruas apertadas, das filas enervantes, da correria que mata.

Autoria: Gabriel Perissé (doutor em educação pela USP e escritor). Postagem: José Nilton Mariano Saraiva
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Notícias de Paracuru em 09-03-2009 - Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Hoje o sol é um verdadeiro insurgente. Durante a noite, quase com a perfeição da marcação de um campanário, a chuva badalou no telhado. A cada intervalo silencioso, acostumados à chuvarada intermitente, nosso espírito sentia-se oprimido e faltoso. É que tanta é a chuva nesta faixa de litoral que esquecemos o mar, esquecemos do azul do céu, das estrelas e desta lua que, indiferente por sobre a nuvens, teima em ficar cheia. Cheia como as poças d´água em qualquer depressão da planície litorânea.

Por isso o sol é um revolucionário neste ambiente cinza. Clandestino mesmo, através do descuido de alguma nuvem que se separe desta massa de fazer assombro a qualquer satélite que espie a superfície da terra. Ele mal consegue emitir um comunicado de poucos minutos e as nuvens o trancafiam imediatamente.

Há pouco ele transitou rápido através das pessoas nas ruas de Paracuru, mas nem a pele dos transeuntes aqueceu-se com seus raios, já estava novamente fora de circulação. Mas a mensagem estava posta. Ele volta, com sua força restabelecida, com seus raios ultravioletas, infravermelhos, com todo o espectro do arco-íris. Ih! Arco-íris não, isso só acontece quando há neblina no horizonte.

Desculpe sol. Mas por hoje economizamos no filtro solar. Nossos salários não se desmiliguiram correndo em tributo às multinacionais do câncer. Até sei da fraqueza de hoje quando não mais ousas as tuas entradas triunfais nas manhãs nordestinas. Aliás, não mais as vi em qualquer dia desta semana. Finalmente as chuvas nos revelaram a queda definitiva da majestade.

Por isso mesmo és um insurgente como qualquer pessoa do povo. Caístes do trono em que poetas e monarquistas tentaram perpetuar. Hoje, nós, tu sol inclemente de outrora, sabemos o quanto tudo neste rés do chão é passageiro. Passageiro e sujeito a coisas outras que não as antigas.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Projeto capacita jovens para programa de rádio

Os Jovens do Rádio

Ubaldo Solon idealizou o Radioatividade, que integra o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem), em parceria com as prefeituras (Foto: Juliana Vasquez). Capa de um dos CDs com o programa de rádio gravado ao final das atividades do projeto. Estudantes participam ativamente da produção dos conteúdos e locução. Jovens de 84 municípios cearenses já participaram das atividades do Projeto Radioatividade. Fortaleza. No início dos anos 1920, o rádio chegava ao Brasil para mudar definitivamente a vida das pessoas. Companheiro de todas as horas, o veículo passou a cumprir a função de entreter, informar e educar a população. Essa função educacional está presente até hoje em rádios comerciais e comunitárias, mas vem sendo potencializada por projetos da sociedade civil, nos quais o rádio é um meio de mudar vidas e comportamentos. É assim com o Projeto Radioatividade, que completa oito anos de atividades no Ceará em 2009. Idealizado e executado pelo jornalista e publicitário Ubaldo Solon, o projeto já passou por 84 municípios do Interior cearense, beneficiando cerca de 3.500 alunos. A idéia é simples: por cinco dias, adolescentes de 15 a 17 anos participam de capacitação sobre técnicas radiofônicas, incluindo conteúdos sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), drogas, meio ambiente, cultura e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao fim da semana, produzem um programa de 30 minutos, preenchido com música, notícias e entrevista. A produção é gravada em estúdio e apresentada em um local público, que pode ser uma praça, uma escola ou qualquer outro lugar da cidade. O Radioatividade integra o rol de capacitações do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem), financiado pelo Governo Federal, em parceria com as prefeituras municipais. Solon ministra os cursos depois de ser chamado pelos municípios, enquanto os alunos são escolhidos pelas respectivas secretarias municipais de Assistência Social. Aqueles em situação de vulnerabilidade social são privilegiados. Atualmente, o jornalista conclui capacitação no distrito do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, Região Metropolitana de Fortaleza. Em seguida, seguirá para Camocim, no Litoral Oeste.

Para auxiliar os alunos a fazerem as notícias, Solon lhes fornece cartilhas enviadas pelo Governo Federal, sobre os temas já citados. Também apresenta vídeos sobre a importância de preservar o meio ambiente, como o documentário “Uma Verdade Inconveniente”, do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. Além desses temas, um destaque é que os estudantes sempre fazem notícias sobre o cotidiano da cidade onde vivem. “Eles demonstram uma preocupação muito grande com a cidade onde vivem, ao modo como a cidade está sendo tratada”, ressalta o coordenador. Normalmente, em cada localidade, 25 alunos são selecionados para as capacitações. Daí, são divididos em grupos de cinco, onde cada adolescente tem uma obrigação. Locutor, repórter, produtor, redator e DJ são as funções. Com a experiência de mais de 30 anos de Comunicação Social, Solon ensina aos estudantes que os textos para rádio devem ser mais curtos que o dos jornais impressos, visto que os ouvintes devem absolver as mensagens de forma instantânea. Destaque também para os exercícios de entonação e pronúncia correta das palavras, que ajudam os jovens a falarem melhor e terem mais desenvoltura para se expressar em público. No caso da dicção, por exemplo, um erro comum é a pessoa engolir o “s” das palavras no plural. Tornar os jovens mais comunicativos é um dos principais ganhos do projeto, na opinião de Solon. “Muitos alunos tiram a timidez com o curso, melhoram a auto-estima”, atesta. O jornalista diz que, por exemplo, alguns estudantes passam a participar mais das aulas na escola. “Eles ficam desinibidos, perdem a vergonha, alguns chegam até a recitar poesias”.

Em toda o programa, o uso da linguagem local e a manutenção do sotaque é estimulado por Solon, por tratar-se de respeito à cultura regional. Na parte cultural do programa, fugir do circuito comercial da música e levar composições de qualidade produzidas por artistas locais, como Fagner, Belchior e Ednardo, são um princípio do Radioatividade. Nomes consagrados da Música Popular Brasileira (MPB), como Chico Buarque de Holanda; do forró, como Luiz Gonzaga; e até da música internacional, como os Beatles, completam a programação radiofônica.

FIQUE POR DENTRO
Unir comunicação e ação social é o objetivo

A idéia de criar o projeto Radioatividade foi da esposa de Ubaldo Solon, a assistente social Gláucia Porto. Segundo conta o marido, a mentora da idéia queria criar um projeto que deixasse algum legado para quem participasse dele. Assim, a assistente, que hoje supervisiona o projeto, pensou em algo que unisse comunicação e ação social. O nome foi dado por Solon, com a idéia de se referir à radiação, mas também a atividade no rádio. Juntos, elaboraram uma apostila, com conteúdo de comunicação e cultura, e tentando usar uma linguagem o mais simples possível. Na época, Gláucia era assistente social em Viçosa do Ceará e levou a idéia para a Prefeitura local. Depois de executar a capacitação com sucesso, Solon começou a receber convites de outros municípios. ´Fui em todas as cidades da Serra da Ibiapaba´, narra. Depois, prefeituras de outras regiões também convidaram o jornalista a repetir o feito. Nesse meio-tempo, o programa recebeu a chancela do antigo Projeto Agente Jovem, que hoje tem o nome de Projovem. ´Já tenho proposta até de ir para Goiás´, diz.

PARCERIA COM MUNICÍPIOS
Programa gravado em CD encerra atividades

Fortaleza. Alguns jovens que participam das capacitações do Projeto Radioatividade mostram tamanho talento que acabam enveredando pelo caminho do rádio de uma vez. Segundo o jornalista Ubaldo Solon, muitos deles foram contratados como locutores de rádios comerciais das cidades onde vivem. O contato com as rádios é um elemento do projeto, já que o programa produzido pelos jovens ao fim da semana de capacitação é gravado em CD e apresentado em uma rádio local, cujo espaço é viabilizado pela respectiva prefeitura. Assim, muitos dos neo-radialistas acabam despertando atenção das emissoras. Caso a cidade não tenha rádio ou o espaço não seja viabilizado, um dos mecanismos adotados para exibir a produção ao público é a rádio-escola, que consiste na distribuição de caixas de som em um determinado local — uma escola ou uma praça, por exemplo — para a audição do público. Já o CD do curso é gravado em estúdio e entregue a cada um dos participantes como recordação, incluindo capa com foto dos comunicadores. Além do CD, os alunos recebem um certificado para comprovar o conhecimento adquirido. Assumir a profissão de radialista, provavelmente, não é o que acontecerá com a estudante Jéssica Rodrigues, 17 anos, que participou das capacitações em 2008, no Pecém, em São Gonçalo do Amarante. Não por falta de talento, mas porque o seu objetivo é ser advogada após a conclusão do Ensino Médio. E a experiência do Radioatividade já foi um passo de Jéssica para ser uma futura advogada competente, na opinião dela mesma. “O projeto me ensinou como me comunicar mais com as pessoas. Antes, eu era tímida, mais calada, parecia até um pouco chata. Como eu poderia ser uma advogada se eu não falava nada?”, indaga-se. “Aprendi a me soltar mais”, completa a jovem.

Um ponto destacado pela estudante foi o aprendizado sobre como falar de forma correta. Graças ao formato da capacitação, diz que aprendeu mais sobre o próprio Estado e o próprio País. “Não é só um programa para divertir as pessoas. Ensina e mostra o que ocorre na localidade onde moramos”.

Mais informações:
Prefeituras interessadas no Projeto Radioatividade devem entrar em contato com o jornalista Ubaldo Solon (85) 8755.9073

ÍCARO JOATHAN
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

MIDEM ou como a indústria do disco está perdida - Por: Dr. José Flávio Vieira


Fria, chuvosa, mas com uma comida ótima, Cannes abriga, desde o último sábado, o Midem, uma das mais importantes feiras relacionadas aos negócios da música. O evento pode ser dividido em dois: o Midem em si, tradicional, com estandes de gravadoras, distribuidoras, agências, empresas de tecnologia etc., onde executivos estão atrás de oportunidades (traduzindo: dindim); e o MidemNet, onde debates e conversas tentam esclarecer como está e para onde vai a relação entre música e internet. O MidemNet é, sem dúvida, o que mais interessa. Ali debatem gente ligada ao Google, ao MySpace, a empresas de telefonia, a selos indies, além de analistas de tendências e especialistas em mercados como China, Rússia, Malásia, Japão, Leste Europeu etc. Muitas das conversas são interessantes, apresentam fatos e opiniões relevantes, mas incomoda um certo papo com gosto de requentado. Por exemplo: gente ligada a editoras ainda sem saber como ganhar dinheiro com downloads. Estamos em 2009, já passamos por Napster, Audiogalaxy, Soulseek, o iTunes é uma realidade, há serviços de downloads legais até no Brasil, e ainda assim as editoras (empresas que detêm o direito autoral de uma canção) continuam perdidas e intransigentes.
Em várias mesas essa questão foi discutida, mas sem que os participantes chegassem a um consenso. Um fato curioso: a Apple, dona da maior loja de downloads do mundo, não está no Midem. Por quê? Porque a Apple é vista mais como um inimigo do que um parceiro pelas gravadoras e editoras. Certo ou errado, um exemplo: "Não acho que os artistas recebam remuneração justa [do iTunes]. Steve Jobs se deu bem em cima de nós, assim como havia ocorrido com a MTV", disse Tim Clark, empresário de artistas como Robbie Williams.
As gravadoras brigam com os provedores de internet. Querem que esses controlem com mão de ferro os usuários que fazem download; as editoras querem que os portais paguem licenças para esses downloads. Essa é a posição de Geoff Taylor, da British Phonographic Industry (BPI), órgão que reúne as gravadoras britânicas. Nicholas Lansmann, representante das empresas de internet, contra-argumentou, dizendo que é muito difícil, quase impossível, conseguir licenciar músicas pelo atual sistema desenvolvido pelas editoras. Ele sugere que se faça uma "licença padrão", um preço fixo, para determinadas regiões, como a Europa.
O problema, que existe há algum tempo, é esse. As editoras querem acordos caso a caso, enquanto os portais lutam por licenças simplificadas. E, assim, fica mais fácil procurar música em torrent.
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David Eun, vice-presidente do Google, em uma das mesas mais concorridas, chamou a atenção para o You Tube. Afirma que a ferramenta deve ser encarada pelas gravadoras e editoras como "oportunidade de capitalização", e não como algo maléfico. E lembrou da Warner, que retirou do site os vídeos de seus artistas. Para ilustrar seu ponto de vista, Eun citou o Weezer, cujo vídeo de "Pork and Beans" já foi visto por mais de dois milhões de pessoas. Por meio de uma ferramenta chamada Insight, o Weezer e a gravadora checam a origem do tráfego para o vídeo, onde estão seus fãs e, assim, poderiam planejar ações de marketin e itinerários de turnês.
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Música e celular: união que não tem como dar errado. Assim foi centrada a palestra de Jim Balsille, da Blackberry. Ele enfatizou as "diversas ferramentas" que surgiram com a tecnologia 3G de celular, e citou como exemplo uma parceria entre a Blackberry e a Ticketmaster, que possibilita aos usuários do fone comprar ingressos de shows de forma "rápida" e "fácil". E disse ainda que a Blackberry vai lançar, em março, um portal de música. "Daqui a alguns anos, a indústria fonográfica será totalmente diferente de como a conhecemos hoje", afirmou.
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Outro papo que já está meio passado, mas que muita gente insiste em ignorar, é o da aproximação entre músicos e fãs. Um exemplo é ele, Kanye West, que mantém um ativo blog em que costuma alardear seu ego diariamente e indicar bandas que gosta. "É totalmente autêntico, é ele quem escreve os posts. Você não pode pagar para colocar coisas ali, e já teve gente que tentou pagar", disse Bryan Calhoun, da Sound Exchange, que trabalha com Kanye.
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E entre todos os estandes do Midem, sabe qual é um dos mais populares?: O do Guitar Hero...

Escrito por Thiago Ney às 16h47

Para Socorro Moreira


Os dias felizes estão entre as árvores, como os pássaros;
viajam nas núvens,
correm nas águas,
desmancham-se na areia.

Todas as palavras são inúteis,
desde que se olha para o céu.

A doçura maior da vida
flui na luz do sol,
quando se está em silêncio.

Até os urubus são belos,
no largo círculo dos dias sossegados.

Apenas entristece um pouco
este ovo azul que as crianças apedrejaram:

formigas ávidas devoram
a albumina do pássaro frustrado.

Caminhávamos devagar,
ao longo desses dias felizes,
pensando que a inteligência
era uma sombra da beleza.

( Da série "Adivinhem o autor" )

Dedicada a Claude Bloc


Escuto a chuva batendo nas folhas, pingo a pingo
Mas há um caminho de sol entre as núvens escuras.
E as cigarras sobre as resinas continuam cantando.

Tu percorrerias o céu com teus olhos nevoentos,
e calcularias o sol de amanhã,
e a sorte oculta de cada planta.

E amanhã descerias toda coberta de branco,
brilharias à luz como o sal e a cânfora,
tomarias na mão os frutos do limoeiro, tão verdes,
e entre o veludo da vinha, verias armar-se o cristal dos bagos.

E olharias o sol subindo ao céu com asas de fogo.
Tuas mãos e a terra secariam bruscamente.
Em teu rosto, como no chão,
haveria flores vermelhas abertas.

Dentro do teu coração, porém estavam as fontes frescas,
sussurando.
E os canteiros viam-te passar
como a nuvem mais branca do dia.

( Da série "adivinhem o Autor" )

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