xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 08/03/2009 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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08 março 2009

Eu, mulher - Por: Claude Bloc

Foto-montagem por Claude Bloc

Diluir-me
Contemplar-me
Perder-me em mim
Eu, racional
Eu, emoção...
Posso ser terra
e serenar
Ser mar
e derramar-me
nas fendas da vida.
Posso ser júbilo
Ou pranto
Ser previsível
Ou espanto
Ser única ou diversa
Imersa em pensamentos
Ou livre em meus vôos
Tresloucados...
Sou assim, mulher
Inacabada e confusa
Ao mesmo tempo
Forte e decidida:
Unicamente mulher.

Por: Claude Bloc

O leiteiro Pai Velho - Por: Pedro Esmeraldo

No decorrer da década de 30 do século passado, apareceu um senhor gordo, estatura mediana, tez branca, para trabalhar como agregado na agricultura. Vindo da Paraíba, naturalmente da cidade de Princesa Isabel, no período de 1910, para se estabelecer em Juazeiro do Norte.
Era homem de feição atlética, destemido, astucioso, constituído de humildade espetacular, deixava todo mundo admirado pela sua capacidade de trabalho.
Participou de lutas armadas nos períodos áureos das revoltas sanguinárias do Nordeste. Pertenceu à falange do senhor José Pereira, o revoltoso conhecido no Nordeste. Lutou com bravura na Sedição de Juazeiro, ao lado do doutor Floro Bartolomeu. Quando terminou a revolta dessa cidade, o senhor Severino Moreira dos Santos, conhecido no meio das revoltosas, tornou-se nômade, até quando chegou ao engenho do meu pai e obteve o oficio de leiteiro. Devido a sua astúcia e honestidade, com muita capacidade de trabalho, foi um senhor respeitado e querido pelo meu pai. No início, gostava de tomar uns porres exagerados, mas meu pai o chamou à atenção, fazendo com que ele suspendesse a bebida até o fim da vida, a não ser com pequenas doses em períodos festivos. Permaneceu por cerca de mais de 20 anos na venda de leite, sem faltar um dia sequer, até mesmo nos períodos mais críticos das épocas chuvosas. Como era o mais velho da turma de venda de leite, recebeu carinhosamente o apelido de Pai Velho, apelido esse que permaneceu até o final de sua vida.
No ano 1948, acometido de fortes dores, causadas pelo reumatismo, teve de abandonar a venda de leite, indo morar no vizinho estado de Pernambuco, na cidade de Bodocó. Lá comprou uma gleba de terra e foi trabalhar na agricultura no cultivo de algodão.
Jamais se afastou do meu pai. Foi um exímio agricultor, trabalhando sem parar até perto de sua morte, no ano 1986, com quase 100 anos de idade.
Pai Velho foi um senhor muito dedicado aos amigos, nunca deixou dúvidas; sabia separar o joio do trigo; atendia às necessidades de todos, quando era preciso. Brincalhão, fleugmático, não se zangava por qualquer brincadeira, mas sabia retribuir aos amigos com palavras jocosas, com muita sinceridade.
Pai Velho foi um cidadão que serve de exemplo para a juventude de hoje. Foi um esteio que demonstrava dar bons exemplos às pessoas que seriam engrandecidas, através de comportamento exemplar.
Humilde, perseverante, homem dessa estirpe é difícil encontrar, nos tempos de hoje, no meio das camadas desvairadas do século XXI.

POR PEDRO ESMERALDO

M de Mulher.............. Por: Mônica Araripe


Seus Malabarismos Mágicos Manipulam Marionetes.
Meninas, Mães, Madres, Marquesas e Ministras.
Madalenas ou Marias.

Marinas ou Madonas.
Elas são Manhãs e Madrugadas.
Mártires e Massacradas.
Mas sempre Maravilhosas, essas Moças Melindrosas.
Mergulham em Mares e Madrepérolas, em Margaridas e Miosótis.
E são Marinheiras e Magníficas.
Mimam Mascotes.
Multiplicam Memórias e Milhares de Momentos.
Marcam suas Mudanças.
Momentâneas ou Milenares, Mudas ou Murmurantes,
Multicoloridas ou Monocromáticas, Megalomaníacas ou Modestas,
Musculosas, Maliciosas, Maquiadoras, Maquinistas,
Manicures, Maiores, Menores, Madrastas,
Madrinhas, Manhosas, Maduras, Molecas,
Melodiosas, Modernas, Magrinhas.
São Músicas, Misturas, Mármore e Minério.
Merecem Mundos e não Migalhas.
Merecem Medalhas.
São Monumentos em Movimento, esses Milhões de Mulheres Maiúsculas.

( Autor desconhecido )

Minha homenagem ao Dia Internacional da Mulher
Mônica Araripe, 08 de Março de 2009

Ser Mulher - Por Mônica Araripe


Mulher
Semente...
SER-mente...
SER que faz gente,
SER que faz a gente.

Mulher
SER guerreiro, guerrilheiro, lutador...
multimidia, multitarefa, multifaceta, multi-acaso...
multi-coração...

Mulher
SER que dá conta,
que vai além da conta,
que multiplica,
divide, soma e subtrai, sem perder a conta,
sem se dar conta, de que esse século foi seu parto,
na direção de seu espaço,
de seu lugar de direito e de fato,
de seu mundo que lhe foi usurpado e que agora é por ela ocupado.

MULHER...
Esse SER florado,
esse SER adorado,
esse SER adornado,
que nos poem em um tornado,
nos deixa saciado e transtornado,
que nos faz explodir e sentir extasiado.
SER admirado...

MULHER...
Nesse final de milénio, faça a transição.
Tire de seu coração a semente que vai mudar toda a gente
levando o mundo a ser mais gente...
Um mundo mais feminino,
mais rosado e sensibilizado,
mais equilibrado e perfumado...

PARABENS MULHER !!!
Não pelo oito de marco,
nem pelo beijo e pelo abraço,
nem pelo cheiro e pelo amaço.
Mas por ser o que és...
Humus da humanidade,
Raiz da sensibilidade,
Tronco da multiplicidade,
Folhas da serenidade,
Flores da fertilidade,
Frutos da eternidade...
Essencia da natureza humana.

Parabéns...

( Autor desconhecido )

Por: Mônica Araripe em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Um Gênio completa 100 anos - Cobertura Fotográfica - Wilson Bernardo

Por ocasião das comemorações dos 100 anos de Patativa do Assaré, o também poeta e fotógrafo Wilson Bernardo realizou cobertura fotográfica do evento, que ora publicamos aqui no Blog do Crato. Justas homenagens rendidas por artistas, intelectuais e autoridades que lá estiveram, prestigiando o aniversário do poeta maior da cultura popular. Vê-se, pelas lentes de Wilson Bernardo que Patativa do Assaré sobrevive na alma da gente simples, e que seu legado será sempre uma bênção, e constante referência para todos aqueles que buscam as verdadeiras raízes e a cultura do povo nordestino.

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Acima: Casa do poeta Patativa do Assaré, restaurada por ocasião do seu centenário.

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O vice-prefeito do Crato, Raimundo Filho esteve na comemorações do centenário de Patativa do Assaré, representando a cidade de Crato. Na foto acima, Raimundo Filho ao lado da família do grande poeta do nordeste.

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Objetos pessoais que pertenceram ao grande poeta.

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Autoridades como o Vice-governador do estado, e o secretário Auto Filho estiveram presentes às festividades.

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Placa comemorativa do evento

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Grandes artistas da música popular vieram prestigiar o evento...

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...assim como a música dos mestres da cultura universal fundiu-se à cultura regional, de forma a demolir todas as fronteiras

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Acima: Casa do poeta Patativa do Assaré, construída no final do século XIX, e restaurada por ocasião da passagem do centenário do poeta. Inaugurada em 05 de Março de 2009.

Viva Grande Patativa do Assaré ! Gênio maior da cultura Nordestina.

Fotos: Wilson Bernardo
Texto: Dihelson Mendonça

A Origem do Dia Internacional da Mulher - Por: Antonio Morais

No dia 08 de Março de 1857, operárias de uma fabrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fabrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução da carga diaria de trabalho para lo horas, as fabricas exigiam 16 horas diarias, equiparação de salario com os homens, as mulheres ganhavam 1/3, e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violencia. As mulheres foram trancadas dentro da fabrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas num ato totalmente desumano. Somente em 1910, durante a conferencia da Dinamarca ficou decidido que 08 de março passaria a ser o dia Internacional da Mulher, oficializado pela ONU em 1975.

Aos 12 de Outubro de 1958, a decima terceira junta apuradora da Justiça Eleitoral da comarca de Quixeramobim declarava encerrada a apuração dos votos para o cargo majoritario no municipio sertanejo situado a 206 Km de Fortaleza. O extrato da ata geral anunciava Aldamira Guedes Fernandes vencedora do pleito para o poder Executivo local. Com maioria absoluta de votos, exatos 59%, comemorava a conquista, sendo empossada aos 25 de Março do ano seguinte. No Brasil pela primeira vez, uma mulher assumia o cargo por meio do voto livre. Aldamira Guedes Fernandes a primeira prefeita do Brasil. Foto recente. Ofereço o video para minha esposa Nair, as filhas Claudia Daniela, Ana Micaely e Ana Claudia e para minha neta Ana Thais. Dedico a todas as mulhres, neste seu dia, que Deus as faça felizes.

Por: Antonio Morais - Fonte: Blog do Sanharol

ARTE BRUTA DO CARIRI - Mostra do imaginário popular - DN

Mostra do imaginário popular

Mateu, personagem do reisado, é presença de destaque diante da alegria que transmite (Foto: Elizângela Santos). Figura do príncipe Ribamar, o poético insano, também está na exposição. Uma homenagem a um personagem quase que totalmente esquecido. São flandeiros, uma arte quase em extinção na região do Cariri, e os xilógrafos de Juazeiro que ganham espaço. Juazeiro do Norte. A arte pura do Cariri em exposição. Com o título “Genuinamente arte, arte bruta do Cariri”, estão expostos diversos trabalhos de artistas da região no Centro Cultural Banco do Nordeste, neste município. São artistas pouco divulgados, mas que agora têm um olhar lançado sobre a arte determinantemente de uma região que envolve um contexto amplo de criatividade artística. Durante a exposição, a homenagem especial é voltada para o príncipe Ribamar da Beira Fresca. Um visionário, considerado louco, ou um louco visionário. José Gomes Menezes se intitulou dessa maneira, poético como ele. Já teve sua forma de ver o mundo descrita pelo ator juazeirense, José Wilker.

O professor Titus Riedl, um dos organizadores da exposição, diz que a meta é levar ao público, até abril, um trabalho de artistas que estão fora da rota do mercado, em que outros artistas da região já estão inseridos. São flandeiros, uma arte quase em extinção na região, e os xilógrafos de Juazeiro que ganham espaço. Um espaço de anjos, floristas, escultores. O Mateu, um personagem do reisado, é uma presença importante e imponente diante da alegria que transmite. Uma festa tradicional em Juazeiro e que ainda sobrevive ao tempo. Nas áreas das periferias da cidade há quem resgate a tradição de render a fé a São Lázaro, protetor dos cães. São servidas refeições, num grande festejo, a esses animais. Todos se servem num grande banquete preparado especificamente para os mais abandonados. São os vira-latas que têm vez principalmente. Ao meio-dia o almoço é servido, não só para os cães, mas gente também faz parte da comilança. O personagem de Príncipe apaixonado por Gioconda, de Da Vinci, rodou as ruas de Juazeiro à espera de sua amada, que iria atravessar o Atlântico. Construiu o aeroporto, firmou tratado de paz, com projetos infindáveis, fez nascer das suas imaginações esquizofrênica fábricas de desentortar bananas ou até de fumaça. O homem, de profissão carpinteiro, surtou após a perda da irmã e da mãe. Bem vestido como ele só, o ar solene, e a foto da amada, o noivo prometia a chegada do amor à sua terra. Sempre brincavam com ele, era motivo de risos e chacotas. De tanto atormentarem e cobrarem a chegada da noiva Gioconda, sempre levada nas mãos, para mostrar ao público a cara de sua futura esposa, o Príncipe Ribamar, sempre altivo, com sua pasta cheia de projetos e diplomas, cartas imaginárias e dinheiro falso, decidiu que ela não viria mais de navio. Uma viagem demorada demais. Seria mesmo de avião. Ele tinha todos os comprovantes da viagem. Mas, como chegar a Juazeiro sem um aeroporto. Isso não era problema para Ribamar, com roupas cheias de medalhas, guarda-chuva branco, que sempre aparecia de lugar nenhum e partia para nenhum lugar, como bem descreve Wilker, que conheceu pessoalmente o homem insano e poético que percorria as ruas da terra do “Padim” nos anos 50 e 60. Juntou equipe que passou a trabalhar de forma acelerada para o pouso imaginário. E foi no mesmo local onde hoje está construído o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes. Por justiça, diz o ator José Wilker em seu texto, o mais poético e que traduz a personagem de Beira Fresca, o nome do aeroporto deveria ser Príncipe Ribamar da Beira Fresca.

Titus Riedl classifica o Príncipe Ribamar como o personagem mais rico de Juazeiro. Está no esquecimento. O visitante assíduo do Banco do Brasil chegou até a ser homenageado com nome de rua. “Não deixou marcas e nem é lembrado, por isso a homenagem poética da exposição”, diz ele. O trabalho pode ser uma forma de também chamar a atenção para o abandono social de pessoas que sofrem de algum problema mental, que não têm um acompanhamento.

Elizângela Santos
Repórter

Mais informações:

Centro Cultural Banco do Nordeste
Rua São Pedro, 337
Centro do município de Juazeiro do Norte
(88) 3512.2855


Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Dia Internacional da Mulher - Homenagem a Jaqueline


Nota do Blog do Crato:

"Aproveito esta postagem do Elmano, que presta homenagem à Jaqueline, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, para estender essa corrente de solidariedade às famílias de todas as mulheres, vítimas de de assassinatos e outros delitos que são cometidos contra as mesmas, nossa fonte maior de vida e torrente inesgotável de toda a generosidade humana. Que neste dia 08 de Março, possamos aprender a valorizar mais o papel da mulher na sociedade, não só rendendo-lhe homenagens, que antes de tudo, sempre serão justas, mas obtendo-se a conscientização no sentido da valorização da pessoa humana. Este é o verdadeiro papel do Dia Internacional da Mulher, e a elas, o Blog do Crato rende-lhe estas singelas, porém sinceras homenagens."

Dihelson Mendonça


Bons tempos aqueles...


Gesta - Por: Dr José Flávio Vieira


Era uma terra diferente, de hábitos e costumes excêntricos. Desde tempos imemoriais alguns homens olhavam exclusivamente para o chão e outros tinham, eternamente, os olhos fixos no firmamento. Talvez, por isto mesmo, os telúricos e os celestes, naquele país, se compreendessem tão mal. Aqueles viviam absortos demais com as pendências terrestres e os celestes, fixos no céu , sonhando com outros mundos e outras galáxias, não tinham tempo suficiente para cuidar das questões mais concretas e mais rasteiras. Os corpos se tocavam, utilizando uma linguagem Braille, mas as almas, sobrevoando planetas tão díspares, jamais se encontravam. O convívio dos seres telúricos e celestes previa-se conflituoso. Em verdade como que se mostravam habitantes de dois planetas distintos.O estado guerra era inevitável. Mais afeitos à vida concreta , com os pés fincados no chão, os telúricos tomaram conta do país. Ocuparam todos os espaços possíveis e até inimagináveis, usufruíam das benesses do solo e viviam zombando dos seres celestes: de olhos distantes, sonhando com estrelas inalcançáveis. Com o tempo, os celestes se organizaram , buscando lutar por uma nesga da terra tomada pelos telúricos . Para tanto começaram a usar espelhos , em feitio de retrovisores, buscando obter uma visão limitada do chão. Forçaram tanto os pescoços que um dia passaram a ter a visão da terra que lhes faltava e, assim, empreenderam uma luta titânica em busca do tempo perdido. Passaram a ocupar lotes e mais lotes, vilas, campos e montanhas. Só um dia perceberam, depois de muitos anos e muitas batalhas vencidas, que haviam perdido a visão privilegiada do céu e que já não podiam contemplar os astros , o relâmpago, a lua e as estrelas riscantes . Haviam perdido o bem maior dos celestes: a capacidade de voar nas asas do sonho.
Engraçado é que mesmo com esta mudança de hábito dos celestes, os conflitos com os telúricos não diminuíram . As almas não comungaram no mesmo altar. É que agora eles todos eram parecidos demais: olhos fitos no chão, os mesmos rasteiros objetivos a alcançar. Diz a lenda que ,numa manhã azul, um meteoro gigante caiu no país, dizimando toda a população, sem que ninguém ao menos, hipnotizado pelo chão, tenha percebido a catástrofe previsível.
Veio-me à mente esta parábola no Dia Internacional da Mulher. Como o menino que deixa o pastel para degustar por último na festinha de aniversário, assim o fez o criador.Depois de tantos e tantos borrões, debuxou sua obra prima. Deu-lhe asas e a fez celeste, abriu-lhe todas as comportas da sensibilidade para que pudesse ler todos os mistérios da criação no mais minúsculo dicionário das coisas pequeninas e mais simples. Dotou-a ainda da capacidade única de gestar, de continuar toda a obra do gênesis, dia após dia.Desconfio que foi a mulher e não o homem que o Criador fez à sua imagem e semelhança. Esta sensibilidade à flor da pele permitiu à mulher direcionar todos os rumos da humanidade, sem que aparecesse nos livros de história, trabalhando na coxia, nos bastidores, penetrando, sorrateiramente, nas clareiras mais inacessíveis do espírito humano.Não traçaram a história do mundo os grandes guerreiros, os estadistas habilidosos. Há uma pena mágica e matriarcal que escreveu cada página da história, sem que ninguém sequer se apercebesse.É que a mulher tem o segredo do cofre do coração onde ficam depositados as grandes aspirações , as tempestuosas pulsões e os espinhos do desejo.
Um dia a mulher , senhora dos céus, inebriou-se com a beleza concreta e fugaz da terra.Como os outros seres celestes, vendo os homens proprietários de tantos castelos de areia, quis , também, construir os seus. Imaginou que possuía o sagrado direito de trilhar o mesmo caminho do homem, enganosamente atapetado de flores. Sequer perguntou aonde aquele caminho ia dar, se findava em luz ou treva. Assoberbada pelas tarefas domésticas, pela agora irregular criação dos filhos, buscou a dignidade de um trabalho que ajudasse no sustento da casa e que não a deixasse na rua da amargura se o casamento um dia arrefecesse. Caiu no redemoinho do mercado de trabalho e hoje já não acompanha o crescimento dos rebentos e, como todos os telúricos, tornou a mágica experiência da vida uma mera planilha contábil, uma tabela de Deve-Haver. Pés fincados no solo, afasta-se de relacionamentos mais duradouros, como o cão da cruz . Já não olha para o firmamento, pois o arco-iris dos telúricos brilha como um mero Código de Barras. Junta sua ilha de solidão ao arquipélago de todas as solidões. O caminho incerto é palmilhado , seguindo os passos dos homens, aportando de quando em vez na ilha do enfarte, na montanha da ansiedade, no abismo da depressão: únicos pontos turísticos desta viagem do não sei-de-onde para não-sei-prá-onde.
Perdoe-me, a mulher, estas elocubrações numa data tão festiva.Não pretendo turvar de pessimismo as comemorações deste dia , com aquilo que pode parecer um machismo disfarçado. O homem ,com o corpo lambuzado de chão, já não tem futuro. Vocês representam o ponto ômega da criação, são mais verdadeiras, mais destemidas. A sensibilidade de todas vocês mostra-se como a única esperança deste mundo, a possibilidade derradeira de refazer o gênesis separando a luz , da treva , a vida do caos.Fitem o céu ! O Dia de vocês é também o dia de todo o planeta.

Por: J. Flávio Vieira

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