
Com a Palavra algum representante da Urca, quem sabe o nosso magnífico Reitor ?
Por: Dihelson Mendonça


Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo. Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos. Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso. Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.Já tive crises de riso quando não podia.Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE! Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!
Pronto, agora a coisa tende a deslanchar, e com a celeridade de um turbinado Fórmula 1: é que o jornal O Povo, aqui de Fortaleza, na sua edição de hoje (domingo, 01.03.09), dá como uma das manchetes de capa que foi "Descoberto novo pano do “MILAGRE DA HÓSTIA", seguindo-se o texto: "120 anos após o primeiro episódio do "milagre da hóstia", o Padre José Venturelli encontra mais um dos panos que pode ter sido usado para limpar o sangue da boca da beata Maria Araújo". (detalhada matéria, de página inteira, à folha 10). Preparemo-nos, pois, porque como quem manda é o “vil metal” (e a respeitável Igreja por ele tem verdadeira adoração), dentro em breve deverá ser criado um santuário específico para abrigá-lo (o pano), que naturalmente será devidamente patenteado e transformado em um novo local de peregrinação obrigatória (quem sabe, já na próxima romaria). Pena que, na mesma matéria, a irmã belga Annete Dumoulin, estudiosa da religiosidade do Cariri, moradora de Juazeiro há 34 anos e voluntária da Diocese, literalmente tenha “entregue o ouro aos bandidos”, ao ressaltar que “...OS PANINHOS VÊM REAPARECENDO DESDE QUE O PROCESSO PARA REABILITAÇÃO DO PADRE CÍCERO FOI RETOMADO” (mais clara e transparente, impossível). A pergunta que não quer calar: QUANTOS SÃO OS “PANINHOS”, AFINAL ??? Reaparecerão de quanto em quanto tempo ??? Até quando vamos ter que agüentar essas baboseiras, veiculadas por uma mídia que de há muito perdeu o senso do ridículo ??? Respeito é bom e todos nós somos merecedores.
Igrejo de Santo Inácio Loyola é um dos poucos equipamentos já recuperados no Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (Foto: Elisângela Santos)
Morador Raimundo Batista mostra local onde será construído o museu no Caldeirão, atrás da casa construída, na época, pelo beato José Lourenço. Recuperação do Parque Histórico Caldeirão da Santa Cruz do Deserto começará ao fim da quadra invernosa.
Crato. O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto marcou a história com um grande massacre. Oficialmente, 400 pessoas mortas pelas milícias do Exército Brasileiro e Polícia Militar do Estado. Extra-oficial, mais de mil pessoas, entre mulheres e crianças. Agricultores que tinham como armas os seus instrumentos de trabalho. Enxadas e foices. A barbárie de patrocínio oficial, acontecida há 74 anos, teve maior amplitude na sua divulgação somente nos anos 70. Mas o local passará a ter uma nova visibilidade, com o projeto de Revitalização do Parque Histórico do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto.
Hoje, resta um pequeno sítio sem fartura, em uns confins de terra no Crato, com os caldeirões, abastecidos das chuvas da insipiente quadra invernosa, e a igreja que tem como padroeiro Santo Inácio de Loyola, onde há missa uma vez por ano, em 22 de setembro, desde que foi criada a Romaria do Caldeirão. Também um muro de lajes, por trás da pequena igreja, onde foi construído o cemitério, a casa do morador, erguida na época do beato líder, José Lourenço, e, no alto, as ruínas da casa do mentor da primeira ação de extermínio e ataque aéreo da História do Brasil.
A primeira parcela para investimento na obra já foi liberada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura. São R$ 300 mil com contrapartida de R$ 60 mil da Prefeitura do Crato. Segundo a secretária de Cultura do município, Danielle Esmeraldo, a perspectiva é que as obras sejam iniciadas no próximo mês de abril ou logo que a quadra invernosa se encerre.
Várias visitas técnicas já foram realizadas no local e outras estão programadas, a fim de colher vestígios. A secretária diz que o trabalho de intervenção terá acompanhamento minucioso de historiadores e arqueólogos. “Teremos todo o cuidado para não interferir nas edificações históricas. O objetivo é justamente preservar o pouco que ainda resta”, diz. E isso é preciso mesmo. A capela onde é celebrada a missa em memória das centenas de pessoas mortas e os corpos desaparecidos está em boas condições, mas dois vãos da única casa que resta desabaram. O morador Raimundo Batista de Lima, 63 anos, há 13 reside no Caldeirão. Disse que chegou ao local e tudo estava abandonado, mas como não tinha outro lugar para ir com a esposa e 14 filhos, decidiu morar ali. O projeto original de construção do parque foi idealizado pelo cineasta e ex-secretário da Cultura de Crato, Rosemberg Cariry, que fez o filme sobre o massacre: “Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” . Avaliado em mais de R$ 1 milhão, a idéia prevê melhores condições de acesso, pois até o local são mais de 30km do Centro do Crato, 12 em estrada carroçável.
Os registros históricos narram que o massacre aconteceu no dia 10 de setembro de 1936. Mas no dia 22 de setembro, período da Romaria ao Caldeirão, quando uma multidão vai ao local, será inaugurada a primeira fase do projeto. Um grande espetáculo para reconstituir a tragédia histórica está sendo planejado pela secretaria. Junto a isso, haverá um trabalho de conscientização da comunidade sobre a realidade histórica, envolvendo moradores do assentamento 10 de abril, área vizinha.
MASSACRE OFICIALIZADO
Cova dos mortos é local desconhecido
Crato. Um terreno fértil. Um local onde não havia necessidade de comércio. O regime era comunitário. O lema de fé e trabalho preponderava. Era uma vida diferente de todos os sítios existentes na região. Um foco de resistência para o governo. Mas para os agricultores analfabetos, homens, mulheres e crianças que procuravam o jeito certo de viver, nem de longe se sabia de teorias. Era calo na mão. Diziam que para lá eram mandados os degredados que chegavam ao Juazeiro. E o povo pobre do Nordeste tinha notícia da fartura do Caldeirão. Um chão enriquecido com suor de um povo trabalhador. Uma década depois, molhado com o sangue de uma gente que até hoje continua esquecida, sem reparação do governo. As famílias inteiras mortas foram enterradas num valado. Ninguém até hoje sabe onde. Suspeita-se que num local chamado de Mata dos Cavalos, na Serra do Cruzeiro, na região, ou no próprio Caldeirão. Para tentar minimizar os erros do passado e fazer justiça, o advogado Otoniel Ajala Dourado, diretor da organização SOS Direitos Humanos e membro da Comissão de Defesa e Assistência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), entrou com uma ação contra o Governo Federal e pede que o Exército brasileiro informe o local da vala coletiva na qual os camponeses foram enterrados.
José Lourenço chegou a fugir para Pernambuco, onde morreu aos 74 anos, de peste bubônica, tendo sido levado por uma multidão para Juazeiro, onde foi enterrado no Cemitério do Socorro. O beato era considerado líder santo. Homem dedicado à oração e ao trabalho. Remanescentes falam da sua postura íntegra.
Desabamento
O morador Raimundo Batista diz que desde a sua chegada no Caldeirão procurou preservar o que ainda havia ali. A igreja estava cheia de formigueiro e a casa onde mora, a única que sobrou da época, foi recuperada. Só que parte desabou no inverno do ano passado. Por trás da casa será construído o museu. A notícia que tem do beato vem dos próprios pais. Na época, moravam em terras vizinhas do Caldeirão, no Monte Alverne. De lá, chegavam notícias do homem de muita fé e que ajudava os outros.
Para o morador, nunca houve o menor receio de residir na área. No alto e de frente para a igreja, estão as ruínas da casa que pertenceu ao beato. O local deverá ter um cuidado especial, conforme a secretária de Cultura, Danielle Esmeraldo. O projeto justifica a urgência em se resgatar todos os registros que permanecem vistos no local, com a finalidade de reintegrá-lo ao cotidiano da população. Vários trabalhos científicos já foram feitos por pesquisadores do Brasil e exterior. Seu Raimundo diz que as visitas ao local são constantes. Quase toda semana aportam turistas e estudiosos na área. A meta é fornecer uma estrutura com atrativos culturais, turísticos e históricos, trazendo como elemento a memória histórica da experiência vivenciada.
Mais informações:
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural do Araripe, S/N
Crato - Ceará
(88) 3523.2365
www.crato.ce.gov.br
ELISÂNGELA SANTOS
Repórter