xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 01/03/2009 | Blog do Crato
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VÍDEO - CONVERSA FRANCA - O DESCASO NO CRATO - Dihelson Mendonça ( 30-11-2017 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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01 março 2009

A Pergunta que não quer calar.......................

E a Rádio da URCA que não sai nunca ??


Sabe-se há muitos anos que a URCA - Universidade Regional do Cariri possui uma concessão para a instalação de uma emissora de Rádio. O projeto parece estancado e conta-se nos bastidores que isso se deve a picuinhas e interesses contrariados dentro da URCA. Até que ponto essa informação é verdade, e porque até agora essa Rádio da URCA, que seria de enorme benefício para a população do Crato não consegue sair do papel ?

Com a Palavra algum representante da Urca, quem sabe o nosso magnífico Reitor ?

Por: Dihelson Mendonça

Solidariedade ao José Milton Arraes - Por: Mônica Araripe e Dihelson Mendonça



Quero me solidarizar com o meu grande amigo José Milton Arraes, que amanhã estará realizando uma cirurgia cardíaca em hospital de Fortaleza, para a colocação de pontes de safena. Ao mesmo tempo, quero lhe desejar a mais pronta recuperação e retorno das suas atividades. Nossa fé inabalável no criador e nosso otimismo nos permitem acreditar que tudo dará certo ao final, e estaremos unidos numa corrente de solidariedade, palavra tão em moda hoje em dia, mas dificilmente exercida em toda a sua plenitude. Sendo assim, quero desejar ao nosso querido José Milton Arraes toda a felicidade, e a graça divina, que ele merece, por ser um grande ser humano, dotado das mais altas qualidades que se pode esperar de alguem que haja caminhado pela superfície do planeta, e ao mesmo tempo, ficarmos juntos à sua família aguardando e torcendo positivamente pela sua rápida recuperação.

Mônica Araripe
Dihelson Mendonça

Começa os festejos de São José

De hoje até o dia 19 deste mês, acontecerão novenas e movimentações no Seminário São José, são as celebrações ao Santo Padroeiro. A festa também é conhecida como a Festa da Pitomba.

Parque de diversões já estão em atividades.


Fotos: Pachelly Jamacaru
"direitos reservados"

Eu Adoro Voar - Clarice Lispector - Por: Mônica Araripe

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo. Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos. Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso. Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.Já tive crises de riso quando não podia.Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE! Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector
Uma boa semana para todos.

Por: Mônica Araripe

São Quantos os "Paninhos", Afinal ??? - Por: José Nilton Mariano Saraiva


Pronto, agora a coisa tende a deslanchar, e com a celeridade de um turbinado Fórmula 1: é que o jornal O Povo, aqui de Fortaleza, na sua edição de hoje (domingo, 01.03.09), dá como uma das manchetes de capa que foi "Descoberto novo pano do “MILAGRE DA HÓSTIA", seguindo-se o texto: "120 anos após o primeiro episódio do "milagre da hóstia", o Padre José Venturelli encontra mais um dos panos que pode ter sido usado para limpar o sangue da boca da beata Maria Araújo". (detalhada matéria, de página inteira, à folha 10). Preparemo-nos, pois, porque como quem manda é o “vil metal” (e a respeitável Igreja por ele tem verdadeira adoração), dentro em breve deverá ser criado um santuário específico para abrigá-lo (o pano), que naturalmente será devidamente patenteado e transformado em um novo local de peregrinação obrigatória (quem sabe, já na próxima romaria). Pena que, na mesma matéria, a irmã belga Annete Dumoulin, estudiosa da religiosidade do Cariri, moradora de Juazeiro há 34 anos e voluntária da Diocese, literalmente tenha “entregue o ouro aos bandidos”, ao ressaltar que “...OS PANINHOS VÊM REAPARECENDO DESDE QUE O PROCESSO PARA REABILITAÇÃO DO PADRE CÍCERO FOI RETOMADO” (mais clara e transparente, impossível). A pergunta que não quer calar: QUANTOS SÃO OS “PANINHOS”, AFINAL ??? Reaparecerão de quanto em quanto tempo ??? Até quando vamos ter que agüentar essas baboseiras, veiculadas por uma mídia que de há muito perdeu o senso do ridículo ??? Respeito é bom e todos nós somos merecedores.

Autoria e Postagem:
José Nilton Mariano Saraiva
Foto - Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Mensagem de Domingo - Enviada por Mônica Araripe


Está mensagem é para te alegrar e te dar forças para enfrentar esta fase, que está sendo tão difícil de encarar. Faça de seus pensamentos a força de que está precisando. Esqueça as coisas ruins e limpe a mente cultivando somente bons pensamentos. Acredite no sucesso total, não imagine obstáculos na sua mente. Tudo que uma pessoa é capaz de planejar, ela é capaz de realizar. Tenha fé, otimismo e ação. Sua vida só você a vive. Portanto goste mais, acredite mais, e seja mais feliz. Procure plantar sementes de amor e otimismo na sua vida e você colhera sempre maravilhosos frutos.

( Autor desconhecido )


Texto enviado por Mônica Araripe

Notícia de Vital Importância para os Cratenses: O Caldeirão será revitalizado !


Nota do Blog do Crato:

Uma Notícia de vital importância para o Crato! A revitalização do Sítio Caldeirão, com a preservação da nossa história e desse importante acontecimento que teria levado ao massacre de mais de 400 pessoas na década de 30. Fala-se inclusive em bombardeio aéreo sobre o local, a fim de destruir uma comunidade que ousou enfrentar a dura realidade climática do local, transformando-o num verdadeiro oásis, onde a fartura era o prato do dia, e isso se tornou uma afronta aos governantes da época que não viram com bons olhos a idéia de comunidade organizada e comandada pelo beato Zé Lourenço. É portanto, de suma importância e até louvável que a administração atual do Crato esteja dando esse passo firme na restauração e preservação de uma parte importante da nossa história, auxiliado por tantas outras pessoas que durante muitos anos lutaram para ver isso tudo acontecer, dentre eles quero ressaltar a pessoa de Wilton Dedê e de Rosemberg Cariry, que inclusive filmou o seu clássico "O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto" preservando em película, os fatos e a história ocorridos no local. A matéria é do Diário do Nordeste edição de hoje, Domingo, 29 de Fevereiro de 2009.

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Igrejo de Santo Inácio Loyola é um dos poucos equipamentos já recuperados no Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (Foto: Elisângela Santos)

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Morador Raimundo Batista mostra local onde será construído o museu no Caldeirão, atrás da casa construída, na época, pelo beato José Lourenço. Recuperação do Parque Histórico Caldeirão da Santa Cruz do Deserto começará ao fim da quadra invernosa.

Crato. O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto marcou a história com um grande massacre. Oficialmente, 400 pessoas mortas pelas milícias do Exército Brasileiro e Polícia Militar do Estado. Extra-oficial, mais de mil pessoas, entre mulheres e crianças. Agricultores que tinham como armas os seus instrumentos de trabalho. Enxadas e foices. A barbárie de patrocínio oficial, acontecida há 74 anos, teve maior amplitude na sua divulgação somente nos anos 70. Mas o local passará a ter uma nova visibilidade, com o projeto de Revitalização do Parque Histórico do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto.

Hoje, resta um pequeno sítio sem fartura, em uns confins de terra no Crato, com os caldeirões, abastecidos das chuvas da insipiente quadra invernosa, e a igreja que tem como padroeiro Santo Inácio de Loyola, onde há missa uma vez por ano, em 22 de setembro, desde que foi criada a Romaria do Caldeirão. Também um muro de lajes, por trás da pequena igreja, onde foi construído o cemitério, a casa do morador, erguida na época do beato líder, José Lourenço, e, no alto, as ruínas da casa do mentor da primeira ação de extermínio e ataque aéreo da História do Brasil.

A primeira parcela para investimento na obra já foi liberada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura. São R$ 300 mil com contrapartida de R$ 60 mil da Prefeitura do Crato. Segundo a secretária de Cultura do município, Danielle Esmeraldo, a perspectiva é que as obras sejam iniciadas no próximo mês de abril ou logo que a quadra invernosa se encerre.

Várias visitas técnicas já foram realizadas no local e outras estão programadas, a fim de colher vestígios. A secretária diz que o trabalho de intervenção terá acompanhamento minucioso de historiadores e arqueólogos. “Teremos todo o cuidado para não interferir nas edificações históricas. O objetivo é justamente preservar o pouco que ainda resta”, diz. E isso é preciso mesmo. A capela onde é celebrada a missa em memória das centenas de pessoas mortas e os corpos desaparecidos está em boas condições, mas dois vãos da única casa que resta desabaram. O morador Raimundo Batista de Lima, 63 anos, há 13 reside no Caldeirão. Disse que chegou ao local e tudo estava abandonado, mas como não tinha outro lugar para ir com a esposa e 14 filhos, decidiu morar ali. O projeto original de construção do parque foi idealizado pelo cineasta e ex-secretário da Cultura de Crato, Rosemberg Cariry, que fez o filme sobre o massacre: “Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” . Avaliado em mais de R$ 1 milhão, a idéia prevê melhores condições de acesso, pois até o local são mais de 30km do Centro do Crato, 12 em estrada carroçável.

Os registros históricos narram que o massacre aconteceu no dia 10 de setembro de 1936. Mas no dia 22 de setembro, período da Romaria ao Caldeirão, quando uma multidão vai ao local, será inaugurada a primeira fase do projeto. Um grande espetáculo para reconstituir a tragédia histórica está sendo planejado pela secretaria. Junto a isso, haverá um trabalho de conscientização da comunidade sobre a realidade histórica, envolvendo moradores do assentamento 10 de abril, área vizinha.

MASSACRE OFICIALIZADO
Cova dos mortos é local desconhecido

Crato. Um terreno fértil. Um local onde não havia necessidade de comércio. O regime era comunitário. O lema de fé e trabalho preponderava. Era uma vida diferente de todos os sítios existentes na região. Um foco de resistência para o governo. Mas para os agricultores analfabetos, homens, mulheres e crianças que procuravam o jeito certo de viver, nem de longe se sabia de teorias. Era calo na mão. Diziam que para lá eram mandados os degredados que chegavam ao Juazeiro. E o povo pobre do Nordeste tinha notícia da fartura do Caldeirão. Um chão enriquecido com suor de um povo trabalhador. Uma década depois, molhado com o sangue de uma gente que até hoje continua esquecida, sem reparação do governo. As famílias inteiras mortas foram enterradas num valado. Ninguém até hoje sabe onde. Suspeita-se que num local chamado de Mata dos Cavalos, na Serra do Cruzeiro, na região, ou no próprio Caldeirão. Para tentar minimizar os erros do passado e fazer justiça, o advogado Otoniel Ajala Dourado, diretor da organização SOS Direitos Humanos e membro da Comissão de Defesa e Assistência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), entrou com uma ação contra o Governo Federal e pede que o Exército brasileiro informe o local da vala coletiva na qual os camponeses foram enterrados.

José Lourenço chegou a fugir para Pernambuco, onde morreu aos 74 anos, de peste bubônica, tendo sido levado por uma multidão para Juazeiro, onde foi enterrado no Cemitério do Socorro. O beato era considerado líder santo. Homem dedicado à oração e ao trabalho. Remanescentes falam da sua postura íntegra.

Desabamento

O morador Raimundo Batista diz que desde a sua chegada no Caldeirão procurou preservar o que ainda havia ali. A igreja estava cheia de formigueiro e a casa onde mora, a única que sobrou da época, foi recuperada. Só que parte desabou no inverno do ano passado. Por trás da casa será construído o museu. A notícia que tem do beato vem dos próprios pais. Na época, moravam em terras vizinhas do Caldeirão, no Monte Alverne. De lá, chegavam notícias do homem de muita fé e que ajudava os outros.

Para o morador, nunca houve o menor receio de residir na área. No alto e de frente para a igreja, estão as ruínas da casa que pertenceu ao beato. O local deverá ter um cuidado especial, conforme a secretária de Cultura, Danielle Esmeraldo. O projeto justifica a urgência em se resgatar todos os registros que permanecem vistos no local, com a finalidade de reintegrá-lo ao cotidiano da população. Vários trabalhos científicos já foram feitos por pesquisadores do Brasil e exterior. Seu Raimundo diz que as visitas ao local são constantes. Quase toda semana aportam turistas e estudiosos na área. A meta é fornecer uma estrutura com atrativos culturais, turísticos e históricos, trazendo como elemento a memória histórica da experiência vivenciada.

Mais informações:
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural do Araripe, S/N
Crato - Ceará
(88) 3523.2365
www.crato.ce.gov.br

ELISÂNGELA SANTOS
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste


Entre Pães, Limonadas e Lembranças de um velho Padeiro - Por: João Carlos Holanda Cardoso

Não posso dizer que tenha conhecido meu avô Cirilo. Em 1970, quando ele faleceu em um domingo, dia 01 de março, eu possuía meros cinco anos de idade. Amanhã, coincidentemente um domingo, 01 de março, completam-se 39 anos que Antonio Correia de Oliveira (Antonio Cirilo) se foi. Hoje, aos 44 anos, sua lembrança é para mim, como se fosse a recordação de um filme que assisti, ou a de um conto que li. São lembranças muito distantes e vagas as de um garoto desta idade.

Puxando, um pouco, pela memória recordo algumas imagens daquela infância vivida no Crato: lembro-me da Rua Nelson Alencar, esquina com Padre Sucupira, onde nós morávamos; lembro-me do nascimento de meu irmão Crisanto; das aulas de catecismo e da Primeira Comunhão, feita juntamente minha irmã e uma prima; dos deliciosos e desejados picolés de Corina, dona ou empregada (não sei, bem) de uma bodega próxima; da bicicleta que ganhei numa data próxima ao carnaval e dos passeios até Juazeiro ou Barbalha, no bagageiro de uma Variante adquirida por um tio. São todos acontecimentos que me vêem como flashes do passado. As recordações de um garoto são diferentes das de um adulto. São lúdicas, recobertas por um material diferente que são as imagens e sensações, e não pensamentos ou julgamentos. E é bom que seja assim!

Começo a ter estes pensamentos sobre um tempo tão distante enquanto converso com o meu pai Zilberto Cardoso, aqui em Fortaleza, onde moramos, e no momento em que lhe presenteio com um rádio de ondas curtas, antiga paixão de um passado cratense em um Brasil sem televisores e internet. Conversa vai, conversa vem e a lembrança do meu pai sobre o seu pai vai tomando corpo. Suas lembranças são vivas e carinhosas e, momentaneamente, me envergonho de não possuí-las. Do vovô lembro-me pouco, como já disse. Sei dele, sobretudo a partir do relato de meus parentes, que era um senhor cordato e moralmente austero, que possuía enorme influencia sobre os filhos e que gozava, junto destes, de enorme admiração. Vovô Cirilo é ou foi para mim um conjunto de imagens construídas por relatos. A casa da Pedro II onde viveu e que ainda hoje pertence à família ajuda-me a lembrá-lo como um velho senhor vestido de branco, sentado em uma cadeira de balanço, de vime, ao lado de minha avó Inês Cardoso de Oliveira, Vovó “Coração”, na varanda do antigo quintal que sei que não mais existe da forma como era antes.

O Vovô e a Vovó, no quintal na casa da Rua Pedro II: esta é a mais forte lembrança que tenho deles! Morávamos um pouco distante, e as visitas aos avós paternos eram acompanhadas por certa expectativa. Lembro-me, acima de tudo, da enorme quantidade e variedade de objetos e coisas naquele quintal avarandado e com um jardim central, repleto de roseiras, entre elas um enorme limoeiro. Lembro-me de uma cacimba rasa, de um galinheiro cheio de aves e da mistura de cheiros de tudo o que se possa imaginar que existe em um local assim. Recordo, por fim, do cheiro e do sabor do refresco de limão, feito por minha avó, que até hoje procuro reencontrar. Limonada que era bebida acompanhada de pão sovado ou pão doce, e que eram feitos na padaria da própria família. Meu avô, padeiro Cirilo, minha avó, Coração, responsável pela feitura da melhor limonada que já tomei até hoje; e aquele quintal que era um mundo a ser desvendado e é, ainda hoje, um universo feliz de lembranças lúdicas de um passado que hoje, 39 anos depois, retorna.

Em homenagem ao meu avô e a minha avó vou tentar, neste domingo, fazer, eu mesmo, uma boa e natural limonada, comprar um bom pão sovado e sentar com meus filhos para comer e beber. Vou falar do bisavô Cirilo, da Bisavó Coração, aproximá-los um pouco mais de minha família e, assim, fazer seguir o ciclo da vida.

João Carlos Holanda Cardoso



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