xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 26/02/2009 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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26 fevereiro 2009

Cinzas - Por: Dr. José Flávio Vieira


Despertou com aquele gosto arenoso na boca, como se tivesse ingerido todas as cinzas da quarta-feira ingrata. Os sons metálicos de um frevo distante e agora quase que ininteligível se dissolviam no ar. As ruas se recobriam com os últimos espólios da guerra dos quatro dias. Confetes e serpentinas se misturavam ao lixo comum , agora já sem asas e magia. Até os rapapés febris dos passistas do “Bacalhau do Batata”, o soldado de Pompéia da folia, pareciam já longínquos e perfeitamente obsoletos.O mundo em volta ia pouco a pouco perdendo seu ar de festa e a vida crua, aguda como a ponta do punhal, voltava a preencher o espaço com um insuportável clima de normalidade. Os homens começavam a arrancar suas máscaras fictícias e, paulatinamente, iam cobrindo a face com aquelas outras mais reais e duradouras. Arlequins sem Colombinas, Catirinas viúvas de seus Mateus , Super-Heróis sem espinafre, amolecidos pela Kriptonita cotidiana, perambulam sem destino num planeta estranho e desconhecido. A La Ursas matracam em compasso ternário as suas matracas. Papangus já sem a proteção do anonimato retornam para casa a fim de prestar contas a suas patroas da fuga do presídio doméstico por tantos dias . Caboclos de Lança fazem a viagem de volta à roça agora já sem o luxo cerimonialista da túnica multi-espelhada e da farta cabeleira multicolor. Como se o ritmo da vida se marcasse agora pelo toque cadenciado, em mantra, do seu chocalho. Os Maracatus, respeitosamente, silenciam seu baque virado e retornam, religiosamente, aos terreiros.

Cuspiu no chão aquele gosto de cabo de guarda-chuva e ficou matutando : a vida se resumia exatamente àquilo : à Festa, à Celebração. A chama acesa e em brasa da existência se consubstanciava no anarquismo inocente do Carnaval. Perdidos todos , sem saber de onde viemos e para onde marchamos, passamos a comemorar a esta louca e misteriosa viagem. Travestidos todos dos nossos desejos mais impenetráveis, abraçando desconhecidos, dançando com figuras aparentemente estranhas e beijando línguas que jamais teremos capacidade de saborear outra vez. Tocamos outros corações com a vara de condão do etéreo e do fugaz e imprimimos um volátil ar de eternidade nos nossos sentimentos. A festa nos abre, quase que imediatamente, a perspectiva sombria do fim-de-festa. O pistão que ataca metalicamente o “Vassourinhas” é o mesmo que logo depois entoará o Toque de Silêncio. A vida se vai escoando assim mais entre bemóis que sustenidos. E adiante, por mais efervescente e estupenda que tenha sido a festividade, as máscaras cairão por terra, as serpentinas perderão sua sinuosidade ofídica e a vida terminará por cobrir-se daquela substância que preenche as gargantas e as quartas-feiras : Cinzas !

J. Flávio Vieira

O papel sujo da Folha de São Paulo - Por: Dr. José Flávio Vieira


Urariano Mota - postado no blog Sapoti da Japaranduba


Em 17 de fevereiro, quando publicou o editorial Limites a Chávez, a Folha de São Paulo não imaginou o ciclone imenso que provocaria. É que lá no texto ela escreveu “...Mas, se as chamadas ‘ditabrandas’ - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça...”, de passagem, como se nada fosse, substituindo Ditadura por Ditabranda. E fez mais: ao receber, dias depois, mensagens dos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides, que protestaram contra o insulto à memória histórica, a Folha de São Paulo assim respondeu:
“...Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente cínica e mentirosa”.
Para quê? Essa qualificação, de indignação cínica e mentirosa, aplicada às palavras de dois intelectuais honrados, provocou o gancho, acordou as forças de todo o mundo culto e democrata do Brasil. Com 2.381 assinaturas, lideradas pelo crítico literário Antonio Cândido (2.381 às 16 horas deste 25.2.2009), corre um abaixo-assinado de protesto, que pode ser acessado em http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/signatures-1.html
Então começaram a voltar à tona histórias e História, do passado da Folha de São Paulo, que contavam, relatavam o seu mais que apoio, a sua participação nos crimes da ditadura militar. Das histórias, todas com dolorosos depoimentos de humanidade e denúncia, a da jornalista Rose Nogueira mais chama atenção, pelo caráter particular da sua posição no tempo. Rose era funcionária do jornal, repórter da Folha, quando foi presa em 1969. No entanto, ela descobriu 27 anos depois que foi punida
“não apenas pela polícia toda-poderosa, pela justiça militar. Ao buscar nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no Deops, incomunicável, 'abandonei' meu emprego de repórter do jornal. Escrito a mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra 'i' da CLT abandono de emprego'. Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me 'esqueceram´por um mês na cela'. Todos sabiam que eu estava lá. Isso era – e continua sendo – ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, se estivesse trabalhando, eu estaria em licença-maternidade" (Do seu artigo "Em corte seco", no livro "Tiradentes um presídio da ditadura", coord. Alípio Freire, Izaías Almada e J.A. de Granville-Ponce – Scipione Cultural – 1997).
E lembrou mais a jornalista, no mesmo texto:
“Cacá nasceu em 30 de setembro, no Hospital 9 de julho, em São Paulo. Fórceps. Uma cirurgia por rotura da parede da bexiga e uma sonda me obrigaram a ficar mais de vinte dias internada. Quando a polícia chegou, o bebê tinha 33 dias e estávamos em casa havia mais de uma semana....
O leite que eu tirava do seio ainda insistia em vazar e minha blusa cheirava a azedo. A febre aparecia todo dia. O leite me fazia pensar que, enquanto estivesse ali, brotando, eu estaria ligada ao meu filho. Dias depois veio o diminutivo do dia me buscar para depoimento. Empurrava-me pela escada, enquanto gritava: ‘Vai, miss Brasil! Sobe essa escada logo, sobe!’
Miss Brasil era o nome de uma vaca leiteira que havia sido premiada. E na sala para onde me levou, o ‘inho’ chamava os outros: ‘Olha a miss Brasil, pessoal! Tá cheia de leite! É a vaca terrorista!’ “.
Ela nunca mais pôde ter outro filho, em consequência das torturas. A parte boa dessa história é que Rose Nogueira continua exercendo a profissão de jornalista. Ela conseguiu dar a volta por cima, trabalha hoje em televisão, e continua a ser útil para o seu filho e para outros filhos do mundo. Apesar do jornal-patrão, apesar do título de Miss Brasil em 1969.


(Também no Direto da Redação, http://www.diretodaredacao.com/)

PATATIVA - Poeta do Brasil


Complemento da postagem de Rosemberg Cariry, com subsídios para pesquisa,
sobre Patativa do Assaré.


FILMOGRAFIA DE PATATIVA

Patativa do Assaré – Um poeta Camponês. Super 8. 42 minutos. Direção: Rosemberg Cariry. Fotografia Luiz Carlos Salatiel, Rosemberg Cariry e Jackson Bantim. Produção: José Wilton Dedê e João Teófilo Pierre. Fortaleza – 1999.

Patativa do Assaré – Um Poeta do povo. 16mm e 35mm. 17 minutos. Direção de Jefferson de Albuquerque Jr. e Rosemberg Cariry. Fotografia de Hermano Penna. Fortaleza – 1984.

Patativa do Assaré – Vídeo documentário realizado pelos estudantes de comunicação Social da UFC. Produção TV Educativa. Fortaleza – 1984.

Seca D’Água. Criação coletiva. Video Clip a partir de poema de Patativa. Canção interpretada por grandes nomes da música popular brasileira. Produção Raimundo Fagner. Rio de Janeiro – 1985.

O Vôo da Patativa. Vídeo. Média metragem. Direção de Oswald Barroso. Fotografia de Ronaldo Nunes. Produção TV Ceará. Fortaleza – 1995

Patativa – Documentário e desenho animado. Colorido. 35mm. Direção: Ítalo Maia. Fortaleza – 2001.

Assaré – Sertão da Poesia. Vídeo documentário. Média metragem. TV Cultura. São Paulo – 2000.

Romance da Terra da Água. Documentário. Colorido. 35mm. Direção: Jean Pierre Duret. Produção: Andréa Santana. Paris - 2001.

Antonio Gonçalves da Silva, a trajetória. Vídeo documentário. Média metragem. Direção de Jackson Bantim. Crato – 1997.

Patativa do Assaré – Ave Poesia. Documentário, Longa-metragem. 84 minutos. Direção de Rosemberg Cariry. Fotografia: Jackson Bantim, Hermano Penna, Luiz Carlos Salatiel, Beto Bola e Ronaldo Nunes. Produção de Petrus Cariry. Fortaleza – 2007.

Patativa do Assaré – O Poeta Cidadão. Documentário realizado pela TV Legislativa. Núcleo de documentação; Ângela Gurgel. Produção: Ana Célia, Clara Pinho e Janaina Gouveia. Fortaleza – 2007.

Passarim de Assaré. Vídeo clip. Vídeo digital. Direção Rosemberg Cariry. Fotografia: Kim. Música: Fagner e Fausto Nilo. Cantores: Fausto Nilo, Fagner e Amelinha. Fortaleza – 2009.

A Montanha Mágica. Ficção/documentário. Curta metragem. Colorido. 35mm. Direção Petrus Cariry. Fortaleza – 2009.


DISCOGRAFIA DE PATATIVA DO ASSARÉ

Ø Luiz Gonzaga – Triste Partida – 1964.
Ø Raimundo Fagner – “Manera Fru-Fru”, 1972 (faixa Sina), parceria com Fagner e Ricardo Bezerra.
Ø Patativa do Assaré – Poemas e Canções, 1979.
Ø Raimundo Fagner – “Raimundo Fagner” 1980 (faixa Vaca Estrela e Boi Fubá).
Ø Quinteto Agreste – (Seu dotô me conhece) - Compacto em vinil com a música vencedora do 1 Festival Credimus da Canção, parceria de Patativa do Assaré com Mário Mesquita, 1980.
Ø Massafeira Livre. Patativa do Assaré, disco 1, lado B (faixa “Senhor Doutor”), gravado ao vivo no Theatro José de Alencar, em 1979. lançado pela CBS, 1980.
Ø Patativa do Assaré – “A Terra é Naturá”, produção de Raimundo Fagner. Gravadora CBS, 1981.
Ø Som Brasil - Participação de Patativa do Assaré, gravada ao vivo no Programa Som Brasil, dia 30 de novembro de 1981.
Ø Quinteto Agreste – “Quinteto Agreste” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Patativa do Assaré – “Patativa do Assaré”, 1985 (Projeto Cultural do BEC).
Ø Criação coletiva – “Seca D’Água”, 1985, a partir de poema de Patativa, interpetada por grandes nomes da música popular brasileira. Produção de Fagner.
Ø Alcymar Monteiro – “Rosa dos Ventos”, 1987 (faixa “Sofreu”).
Ø Patativa do Assaré – “Canto Nordestino”, Produzido por Rosemberg Cariry, 1989.
Ø Patativa do Assaré – “80 anos de Luz” 1989.
Ø Joãozinho do Exu – “Lembrando você”, 1983 (faixa – “A natureza chora”).
Ø Patativa do Assaré – “85 anos de poesia”, 1994.
Ø José Fábio – “José Fábio”, 1994 (faixas “Vaca Estrela e Boi Fubá”, “Menino de Rua”, “Lamento de um nordestino” e “Estrada da minha vida”).
Ø Mastruz com Leite – “O Boi Zebu e as Formigas” 1995 (faixa título).
Ø Sérgio Reis – “Marcando Estrada”, 1995 (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Cícero do Assaré – “Meu passarinho meu amor”, 1996 (faixas “Meu passarinho meu amor” e “Lamento de um nordestino”).
Ø Mastruz com Leite – “Em todo canto tem cearense, inclusive neste cd” (faixa “Sem Terra”). Fortaleza.
Ø Fagner – “20 Super Sucessos II” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Pena Branca e Xavantinho – “Cio da Terra”, 1996 faixa (“Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Gildário – “Sou Nordestino” (faixas “Saudade”, “Tenha pena de quem tem pena”, “Assaré Querido” e “Sou Nordestino”).
Ø Cláudio Nucci e Nós & Voz – “É boi” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Alcymar Monteiro – “3º Circuito de Vaquejadas”, 1997 (faixas “Ingém de Ferro” e “Nordestino sim, nordestino não”).
Ø Renato Texeira e Pena Branca e Xavantinho – “Ao Vivo em Tatuí” (faixa “vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Gildário – “Agora” (faixas “A tristeza”, “Saudação a Juazeiro”, “Morena e Mastruz com Leite”).
Ø Baby Som – “Quente e Arrochado – volume 2” (faixa “Ao rei do baião”).
Ø Alcymar Monteiro – “Eterno Moleque” (faixa “Minha Viola”).
Ø Daúde – “Daúde”( faixa “Vida Sertaneja”).
Ø Abidoral Jamacaru – “O Peixe”, 1997 (faixa título).
Ø Simone Guimarães – “Cirandeiro, 1997 (faixa “Sina”).
Ø Cantorias e Cantadores 2 – Pena Branca e Xavantinho (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”). Kuarup Discos, s/d.
Ø José Fábio – “José Fábio canta Patativa do Assaré, 1998.
Ø Notícias do Brasil – Myrlla Muniz canta Casinha de Palha. Cariri Discos. Fortaleza/Brasília - 2007.
Ø Caixa do Patativa. Músicas e poemas de Patativa interpetados por Téti, Fernando Néri, Abdoral Jamacaru, Gildário, Cícero de Assaré, Myrlla Muniz, Calé Alencar, Gylmar Chaves, Cainã Cavalcante, Edmar Gonçalves, Palhoça das Artes, Banda de Pífanos dos Irmãos Aniceto, Pingo de Fortaleza, Pachelly Jamacaru, Ricardo Guilherme, Quinteto violado, Geraldo Amâncio, Zé Maria de Fortaleza, Quarteto Musiart. Produção: Calé Alencar e Gylmar Chaves. Realização: Cariri Discos e Equatorial Produções. Fortaleza – 1999.


BIBLIOGRAFIA DE PATATIVA DO ASSARÉ

v O matuto Cearense e o Caboclo do Pará. José Carvalho. Reedição. Edições UFC. Fortaleza - 1973
v Inspiração Nordestina, Rio de Janeiro, Borsoi Editor, 1956.
v Inspiração Nordestina – Cantos do Patativa. Rio de Janeiro, Borsoi Editor, 1967.
v Patativa do Assaré. Novos Poemas Comentados. J. de Figueiredo Filho, Fortaleza, Imprensa Universitária, 1970.
v Cante lá que eu canto cá. Editora Vozes. Petrópolis, 1978.
v O Metapoema em Patativa do Assaré: Uma Introdução ao Pensamento Literário do Poeta. Francisco de Assis Brito. Crato, Faculdade de Filosofia, 1984.
v Ispinho e Fulô. Fortaleza. Editado por Rosemberg Cariry. IOCE, 1988.
v Balceiro. Patativa e outros poetas de Assaré. Organizado por Patativa do Assaré e Geraldo Gonçalves de Alencar. Editado por Rosemberg Cariry. Fortaleza, SECULT/IOCE, 1991.
v Filosofando com Patativa. Jesus Rocha. Fortaleza, Stylus Comunicações, 1991.
v Cordéis do Patativa. Caixa com 13 folhetos. Juazeiro do Norte, Lira Nordestina (edição da Secult com apoio da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte).
v Aqui tem coisa. Fortaleza, Secult/IOCE, 1994.
v Nordestinos. Coletânea poética do Nordeste brasileiro. Organizada por Pedro Américo de Farias. Lisboa, Editorial Fragmentos, 1994.
v Patativa e o universo fascinante do sertão. Plácido Cidade Nuvens. Fortaleza, Unifor, 1995.
v Letras ao Sol. Antologia da Literatura Cearense. Organizada por Osvald Barroso e Alexandre Barbalho. Fortaleza, Fundação Demócrito Rocha, 1998.
v Patativa do Assaré – Um Clássico. Plácido Cidade Nuvens. A Província Edições. Crato – 2002.
v Patativa do Assaré - Pássaro Liberto. Gilmar de Carvalho. Edição Museu do Ceará, Fortaleza, 2002.
v Patativa Poeta Pássaro do Assaré – Gilmar de Carvalho. Editora Inside Brasil. Fortaleza, 2000
v Patativa do Assaré – Uma voz do Nordeste. Sylvie Debs. Editora Hedra. São Paulo, 2000.
v Patativa – A trajetória de um canto. Luiz Tadeu Feitosa. Editora Escrituras. São Paulo, 2003.
v Patativa do Assaré – Antologia Poética. Org. Gilmar de Carvalho. Edições Demócrito Rocha, Fortaleza, 2001.
v Patativa do Assaré – As razões da emoção. Cláudio Henrique Sales Andrade. Editora UFC, Fortaleza, 2004.
v Balceiro 2 – Org. Patativa do Assaré e Geraldo Gonçalves de Alencar. Edições Secult/Terceira margem, Fortaleza/São Paulo, 2001.
v Patativa do Assaré – Digo e não peço segredo. Org. por Tadeu Feitosa. Editora Escrituras, São Paulo, 2001.
v Melhores poemas de Patativa do Assaré. Seleção e apresentação de Cláudio Portela. Global Editora. Rio de janeiro, 2006.
v O poeta do Povo: vida e obra de Patativa do Assaré. Assis Ângelo. São Paulo, CPC-UMES, 1999.
v Ao pé da mesa, motes e glosas. Patativa do Assaré e Geraldo Gonçalves de Alencar. Terceira Margem./ Secult. São Paulo/Fortaleza, 2001.
v Poésie du Nordeste du Brésil, de Jean-Pierre Rousseau – Coletânea de de poetas eruditos e populares cearenses, traduzidos para o francês. Ilustração de José Leite Mesquita – Edição Cahiers Bleus. Paris - 2002.

Por que Rua Coronel Teófilo Siqueira? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Aos oito anos de idade, eu passei a residir numa rua de calçamento novo, construído com muito esmero em pedras de paralelepípedos rejuntadas com uma argamassa gorda de cimento e areia, recoberta com uma espessa camada da mesma argamassa. O calçamento, bem trabalhado, dava a todos a impressão de ladrilhos de concreto. A rua resumia-se apenas a um quarteirão no prolongamento da Rua das Laranjeiras, como se chamava antes a Rua José Carvalho. Mas naquele trecho situado a partir de onde hoje se localiza o final da Rua Pedro II ou Beco dos Calangos, a rua em que eu morava recebia o nome de Rua Coronel Teófilo Siqueira. Por que esse nome tão esquisito para uma rua? Eu não sabia quem teria sido esse tal Teófilo Siqueira e acredito que a maioria dos moradores daquela rua também não sabia. O meu pai me disse que Teófilo Siqueira era um farmacêutico antigo do Crato. Somente depois de adulto é que fiquei sabendo que seu Teófilo era um autêntico humorista que viveu no Crato no final do século XIX e metade do século passado. Aos poucos fui tomando conhecimento das muitas anedotas por ele protagonizadas. Segundo Lindemberg de Aquino, seu Teófilo nasceu em Palmares - Pernambuco e passou a residir no Crato aos quatro anos de idade, ai pelos idos de 1873, quando seu pai fora nomeado juiz da nossa cidade. Aqui ele cresceu, estudou e estabeleceu-se como farmacêutico licenciado. A extraordinária memória do professor José Alves de Figueiredo Filho, posta à prova em seu excelente livro “Meu mundo é uma Farmácia” nos deu a conhecer muito da personalidade do seu colega de profissão. Com muito entusiasmo e uma profunda admiração, Figueiredo Filho revela que o Coronel Teófilo foi um homem dedicado ao trabalho e com elevada preocupação com os mais humildes, a quem tratava com muita consideração, sem nada lhes cobrar. Daí ser merecedor da homenagem que os cratenses lhe dedicaram, com o nome em uma rua. Mas seu Teófilo era também um humorista de alta qualidade, contador de anedotas e a quem muitos simulavam alguns casos encenados pela sua inteligência impar. Além de farmacêutico, Teófilo Siqueira era profundo conhecedor do código civil e por isso, exercia também a profissão de advogado provisionado. Certa vez foi advogar num júri na cidade de Quixará, hoje Farias Brito. A viagem naqueles anos era algo imaginável nos dias atuais. Durava um dia inteiro em lombo de cavalo. Em Quixará, Teófilo foi acolhido pelo chefe político local, o Coronel Pimentel que lhe hospedou em sua casa. Na noite da chegada, o jantar servido tinha galinha e uma deliciosa paçoca. Seu Teófilo fartou-se daquela iguaria e passou a elogiar a cozinheira: “Se o presidente da República souber de uma comida dessas, manda buscar a senhora para cozinhar pra ele no Rio de Janeiro”. Com esse elogio, a mesa do visitante nos dias que se seguiram foi a mais caprichada possível, não faltando a deliciosa paçoca. Encerrada a temporada de júri que durou uma semana, o Coronel Teófilo partiu cedinho para o Crato, em seu cavalo. Ao meio-dia estava em Dom Quintino, indo almoçar na casa do chefe político local. Ao bater à porta deste, disse: “Me acuda Coronel Raimundo Chicô, que estou morrendo de fome. Passei uma semana na casa do Coronel Pimentel lá no Quixará, só comendo paçoca. Estou com paçoca saindo até pelos ouvidos.” O dono da casa prontamente mandou matar um capão gordo e depois do almoço, oferceu-lhe rede limpa para o descanso, enquanto o sol declinava um pouco. Continuou sua viagem lá pelas duas e meia da tarde, chegando ao Crato já à noite. Dois ou três dias depois, recebeu a visita de um jovem furioso, armado até os dentes. Era o filho do Coronel Pimentel do Quixará, que veio cobrar satisfação pelo que dissera do tratamento recebido na sua casa, quando de passagem por Dom Quintino. “Como é que o senhor disse umas inverdades dessas? Foi muito bem acolhido na nossa casa e é assim que paga o tratamento que teve?” “Calma rapaz!” Respondeu-lhe seu Teófilo. “Você acha que se eu não tivesse inventado uma mentirinha daquelas, o Raimundo Chicô, miserável como ele é, iria me dar um prato de comida?” Essa extraordinária presença de espírito do seu Teófilo, salvou-o do aperto e o filho do Coronel Pimentel soltou uma sonora gargalhada. Deste dia em diante, os dois ficaram muito amigos.
Segundo o primo Huberto Cabral me assegurou, numa segunda-feira, uma senhora da zona rural levou a filha ao Doutor Teófilo. “Doutor, essa menina está muito indisposta, todo bocado que põe na boca, depressa ela bota pra fora. Queria que o senhor tratasse dela.” Seu Teófilo olhou rapidamente para moça e tascou o diagnóstico: “Minha senhora, sua filha está grávida.” “Num pode ser, seu doutor, ela é moça de famia.” E saiu furiosa, descompondo o nosso farmacêutico. Na segunda-feira seguinte, a aflita mãe voltou ao doutor Teófilo: “Doutor, é verdade, ela confessou o que fez com o namorado, mas disse que foi por riba do lençol. Será que num tem um jeito?” “O único jeito que tem é que a senhora vai ter um neto coado!”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

PINGOS DE CERTEZAS - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Tantas certezas amolecem e dão lugar a outras que minha vida fica um tanto quanto sobre o pântano (no sentido não do cheiro, mas do insustentável). É que certezas podem ser forjadas, como um ferreiro forja um estribo. Com o qual subimos até a sela (sem dicionário fiquei entre o “c” e o “s”, este português é muito cheio de passados do latim). Sem contar que certezas podem se compor como um medicamento, uma pílula com fórmulas, cujas substâncias são as leituras iconográficas com as quais nascemos ou adquirimos. Enfim, já dizia alguém numa manhã plena de novidades, não tenha tantas certezas assim. Elas são como os dentes, ficam cariadas, sujeitam-se às doenças da gengiva.

Mas não venha me pegar desprevenido. Sem certezas meu corpo nu não suporta os raios do sol, sofrerá um câncer de pele. Por isso já se aproxime sabendo que tenho um balaio de certezas, verdadeiros cachos, como aqueles de pitomba, com folhagem, talo e o fruto maduro. Enquanto nos sentamos sob este teto de trepadeira das flores vermelha, eu vou chupando minhas certezas, depositando as cascas numa lixeira ao lado e cuspindo os caroços chupados como se fosse uma metralhadora.

Ao final encontrarás meus dentes adoecidos por tanto ácido das frutas e não tarda que sairemos de baladeira em punho à busca de novas certezas. Aí já serão certezas compartilhadas por nós. Podem ser salgadas para uso futuro, podem ser consumidas ainda frescas, mas certamente se estenderão sobre o varal para secar ao sol destes vastos sertões. E virão como certezas curtidas, tão profundamente curtidas que parecerão mitos de uma longa história dos povos.

Sim, mas existem certezas que são ludibrios. Fazem parte como de uma performance grupal, em que os acadêmicos desfolham teses e novidades, rodapés de páginas, longos conflitos de escolas, uma esgrima mental para a conquista da alma. Estas certezas costumam se escrever, como verdades em última análise. Aí se tornam troféus de algum metal pesado que podem ser arremessados contra o adversário no calor de alguma opinião trocada.

Tenho certezas estéticas, éticas, etílicas (se o produto é ruim uma ressaca desaba ao amanhecer), filosóficas, religiosas (ou atéias), certezas como se vê, embaladas em alguma caixa tetra pak, próprias para a conservação de longa vida. Mas podem azedar, podem talhar, é possível um doce de leite caroçudo, que se adoça numa noitada desprovida de novidades.

Portanto que seja, para Socorro Moreira e Claude Bloc, como a tantos em nosso horizonte, as certezas é melhor tê-las, com a certeza que amanhã elas mudam de face, ou de aspecto, ou de significado. Como um broto que vira flor, um caroço que se torna uma árvore ou nós que devemos nos encontrar onde deveremos nos encontrar. Um dia se teu genro ou tua nora, ou teus filhos advogarem um isolamento pretensioso, que o façam por si mesmos, só não contem contigo, pois o território só de cada um é o limite.

Praça de reunião é melhor lá se encontrar. Quem haverá de censurar nossa presença? Sempre contemos com o AMOR DO CENSOR.


José do Vale Pinheiro Feitosa

Professor Alderico de Paula Damasceno.

Hoje cedinho, estive na Rua Cícero Pinheiro 225 no Pimenta. Esta rua homenageia o avô de Maria Gloria, colaboradora dos Blog do Crato e do Sanharol. Fiz uma visita ao meu dileto professor e amigo Alderico de Paula Damasceno. O encontrei alegre, feliz, risonho, e como sempre, muito lúcido. Lembrou e perguntou por todos esses seus alunos que se encontram no Blog do Crato. Não vou nominá-los para não causar ciúmes. Foi muito bom encontrar e conversar um lero com o meu professor. Depois de um bom suco de goiaba me despedi. Estou feliz porque o convenci a acessar o nosso Blog do Crato. De hoje em diante teremos mais um escritor, colaborador e leitor de excepcional qualidade e valor. Sair lamentando não ser um Rui, um Bilac ou um Jose do Patrocínio para fazer essa saudação ao professor Alderico a altura do seu merecimento. Com certeza os amigos do Blog do Crato farão. Como moramos pertinho um do outro as minhas visitas serão constantes.
Postado Por A. Morais


CRATO: Ibama apreende 37 aves silvestres no Cariri - Por: Antonio Vicelmo


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Comércio ilegal aves silvestres ainda são vendidas ilegalmente pelas feiras na região do Cariri. Multa por cada animal apreendido é de R$ 500 (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Aves apreendidas seriam vendidas na feira do Crato. Trabalho do Ibama deve ser intensificado na região

Crato. Uma equipe da Companhia de Polícia Ambiental do Estado do Ceará (CPMA) resgatou 37 aves silvestres procedentes do Estado de Pernambuco que seriam vendidas na feira do Crato. A operação foi realizada no Sítio Belmonte, descida da Serra do Araripe, com o apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que conduziu as aves para o escritório do Crato.

Os pássaros eram transportados em duas motos dentro de caixas de papelão pelos agricultores Élcio Santos Barbosa e Antônio Girlânio Quintino, que foram presos em flagrante como traficantes. A venda de aves silvestres é considerada ilegal. Além da prisão, cada traficante vai pagar uma multa de R$ 500 por unidade de ave apreendida, totalizando R$ 37 mil.

Espécies
Entre as espécies apreendidas estão 19 galos de campinas, cinco alusões, cinco jesus-meu-deus, dois sabiás, uma graúna, dois caboclinhos, dois sofreus, 13 abre-fechas, seis caretinhas, 18 golas e uma viana. Todos esses animais serão repassados a uma reserva natural autorizada para serem libertados. A venda de animais silvestres é proibida e considerada crime ambiental. Mesmo assim, ainda acontecem feiras clandestinas na região do Cariri para a venda dessas aves.

O chefe do escritório do Ibama no Crato, Francisco Sales, informou que esse comércio ilegal ocorre nas primeiras horas da manhã, antes do sol aparecer. Como é constante a venda de aves silvestres, Sales acrescentou que, a partir deste momento, a fiscalização será intensificada na região, com o objetivo de diminuir ou erradicar esta prática.

São consideradas aves silvestres todas as espécies que possam viver em liberdade na natureza, sem a interferência do homem. Consideram-se também como silvestres aquelas que, apesar de existirem em estado de domesticação, criadas pelo homem em cativeiro, também possuem populações que vivem livremente no ambiente, inclusive aquelas que se adaptaram aos ambientes antrópicos, como cidades, fazendas e lagos artificiais.

As aves nativas são aquelas que vivem normalmente em território nacional podendo, por sua vez, ser subdivididas em dois subgrupos: aves nativas residentes, aquelas que completam todo o seu ciclo de vida e reprodução no território nacional. As aves nativas migratórias são aquelas que passam parte do seu ciclo de vida no Brasil, normalmente durante as estações da primavera e do verão.

Elas completam o seu ciclo reprodutivo geralmente em outros países, migrando todos os anos entre as áreas de reprodução e de inverno, conforme as estações climáticas.

MULTA
37 mil reais é o valor total da multa que será cobrada aos dois traficantes pelas aves apreendidas. Por cada animal eles pagarão R$ 1 mil, conforme a legislação dos crimes ambientais

ANTÔNIO VICELMO
Repórter


Mais informações:
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
Pç. Joaquim Fernandes Teles, 10
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Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Show do gênio da Música Toots Thielemans fecha o festival em Guaramiranga


Nota:
A Arte e a Cultura serão sempre grandes temas do Blog do Crato. E quando se fala em Arte e Cultura, não faço restrições ao universal nem ao regional. Estive na cidade de Guaramiranga-CE, onde na época do carnaval, acontece há 10 anos o Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga, promovido pela empresa Via de Comunicação. Na última terça-feira tive o imenso prazer de assistir ao show de um dos maiores ícones do Jazz de todos os tempos: O gaitista belga Toots Thielemans, nome que qualquer conhecedor do gênero, há de louvar como um verdadeiro DEUS da música. Estive no Teatro e inclusive fiz um ensaio fotográfico com o grande "Toots", que publicarei posteriormente aqui no Blog do Crato. No ensaio aberto ocorrido na parte da tarde, encontramos diversos jornalistas, inclusive o Dalwton Moura, que assim escreveu sobre Toots Thielemans para o jornal "Diário do Nordeste":

Dihelson Mendonça

Jazz & Blues

Improvisação e elegância

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Com um repertório bastante acessível, Toots Thielemans fez questão de celebrar a música brasileira com familiaridade (Foto: SILVANA TARELHO)

Toots Thielemans fez um show antológico fechando o Festival Jazz & Blues. Hoje ele sobe ao palco do TJA

Não era apenas a consciência de se ter presenciado uma apresentação de um dos maiores nomes da história do jazz que movia os aplausos acalorados, por volta da meia-noite da terça-feira de Carnaval, no Teatro Rachel de Queiroz, em Guaramiranga. Não era somente a noção da importância do belga Jean Baptiste Frederic ´Toots´ Thielemans, para a gaita como instrumento bem além da restritiva classificação de ´miscelânea´, à qual foi confinado pelos norte-americanos, para se tornar um veículo de várias outras possibilidades sonoras. Nem a celebração dos 10 anos do festival que inseriu Guaramiranga no mapa da música brasileira e cresceu a ponto de comemorar seu aniversário trazendo a uma cidade de cinco mil habitantes do interior do Ceará um músico reverenciado internacionalmente.

A música, acima de tudo, é que cativou o público e justificou todo o entusiasmo. Aos 87 anos por completar em abril próximo, Toots Thielemans mostrou-se literalmente em grande forma, esbanjando criatividade e elegância nos improvisos, ansioso para criar em cima de cada tema, arriscando muito, atirando-se com disposição à tarefa de revelar novos caminhos melódicos, mas sempre mostrando uma impressionante consciência, calcada na harmonia. Claro que as boas doses de simpatia, humildade e reverência à música brasileira ajudaram a estabelecer, desde o Ensaio Aberto na tarde de terça-feira, uma intensa empatia com o público. Mas nem por todos esses elementos favoráveis o autor de ´Bluesette´ deixou de justificar a ansiedade em torno de sua apresentação. Um show de um notável harmonicista, mas, principalmente, de um grande músico.

Fazendo a cama harmônica para os solos do veterano gaitista e também mostrando muitas virtudes próprias, músicos como o baterista Bruno Castelucci, brilhando tanto no jazz quanto na bossa, garantiram que Toots se sentisse à vontade para percorrer os temas e neles compor, de momento, outras melodias. A escolha de notas surpreendentes, a desenvoltura nos ´bends´ e fraseados e a disposição constante para improvisar arrancaram aplausos de gaitistas e aficionados, mas também da platéia ´não iniciada´. Com um repertório acessível servindo de base para as interpretações, o show agradou a ambos os públicos.

Aberto em clima bem jazzy, ressaltando a banda afiadíssima, com os músicos bem próximos entre si, o show entra na balada de improvisos, com a elegante gaita de Toots puxando os aplausos do público. Passando por temas como ´The days of wine and roses´ e ´Summertime´ e brincando com quem escolheria para solar na seqüência, o gaitista também sensibiliza o público ao levantar, ele mesmo, para apanhar os óculos que caíram ao chão. Mais um motivo de brincadeira para o músico, que segue batendo no peito, ressaltando a emoção do momento e o amor à música brasileira.

Paixão exemplificada pelo ´Samba de uma nota só´, que ganhou, além de uma bela releitura completa, outras menções ao longo do show. Sempre simpático, Toots pediu para ao público cantar junto. Em ´Wave´, nem precisou; a platéia se encarregou de providenciar o coro, sensibilizando o gaitista que, em entrevista ao longo da tarde, chegou a chorar ao falar de sua arte ´entre o sorriso e a lágrima´ e de sua identificação com a personalidade emotiva dos brasileiros. No palco, a ´grande revolução da Bossa Nova´ também mereceu comentários de Toots, que lembrou as gravações feitas com músicos como Chico Buarque, Djavan, Caetano Veloso e Ivan Lins, de quem interpretou ´Velas´, mais uma vez com notável entrega na improvisação, além de citações de ´Dindi´ e do ´One note samba´.

Hora dos standards americanos, com ´Stella by starlight´ - segundo o gaitista, uma sugestão do baterista Bruno Castelucci. ´Está quente aqui´, comentou Toots, que várias vezes recorreu a um lenço contra o suor na testa. Como antes de lembrar o pianista brasileiro Luizinho Eça, com uma bela versão para ´The dolphin´, e de pontuar meio de passagem seu ´Bluesette´, precedendo uma bela rendição ao clássico maior do belga Jacques Brel: aplausos incontidos para ´Ne me quitte pas´.

Em um momento solo, o clássico escolhido é de Thelonius Monk. ´Round midnight´ mantém a platéia silenciosamente atenta. Ao final, Toots brinca que vai jogar a gaita para o público. ´Que pena que ele não jogou!´, comentou o gaitista brasiliense Pablo Fagundes, que abriu o festival no sábado e continuou com presença constante em todas as atividades do evento - no show do colega belga, era só entusiasmo.

O trio volta ao palco para Thielemans, depois de homenagear a África como a grande matriz do blues e do jazz, emprestar sua gaita a ´What a wonderful world´, celebrando Louis Armstrong. ´Foi dele o primeiro disco que comprei´, destacou. No bis, já na madrugada de quarta-feira de cinzas, ´Garota de Ipanema´ fechou a apresentação, com o público de pé. O Brasil deu o tom.

DALWTON MOURA
Enviado a Guaramiranga

“Muito obrigado, Brasil”

Sem cerimônia e com muita simpatia. Foi assim que Toots Thielemans, principal atração internacional do Festival Jazz & Blues, conquistou o público em Guaramiranga. A produção não dispensou os cuidados compreensíveis diante de um músico de sua idade, mas Thielemans fez questão de se colocar em diálogo com o público. Como no Ensaio Aberto, realizado com atraso na tarde de terça-feira, quando o harmonicista conversou sobre as especificidades de seu instrumento e, principalmente, sobre sua paixão pela música brasileira.

Dando ´canjas´ de músicas como ´O futebol´, de Chico Buarque (infelizmente, não tocada no show), o gaitista estava no palco quando o público foi autorizado a entrar no Teatro Rachel de Queiroz para conferir a passagem de som. Arriscando algumas palavras em português e mostrando muito carisma, Toots evidenciou mais uma vez essa enorme influência. ´Não sou brasileiro, mas toco música brasileira, com meu sotaque de jazz e da Bélgica´, destacou, ressaltando a chance de tocar pela primeira vez no Nordeste. ´É a primeira vez que eu toco não em São Paulo, não no Rio. Vocês sabem o que eu quero dizer´.

Em outros momentos, Toots, que teve no acordeom seu primeiro instrumento, também citou Sivuca como um instrumentista brasileiro cujo trabalho admira. Lembrou a primeira gaita, comprada há 60 anos, na Bélgica. ´Por dois dólares´, acrescentou, falando sobre a escolha da harmônica cromática e beijando a querida gaita. ´Além de tudo, também é uma ótima companhia. Ontem à noite, estava tão cansado que não conseguia dormir, e ela estava no meu quarto, comecei a tocar. Com um trombone, seria impossível´.

Thielemans ainda traçou um paralelo entre a história da música popular no Brasil e nos EUA. ´O jazz é a linguagem que surgiu da vinda dos escravos para a América. Parecido com a música brasileira. Sem a África, não haveria Gilberto Gil, nem Louis Armstrong, nem Billie Holiday´. Citando os discos ´Brasil Project´, fez questão de entregar o porquê de sua paixão pela música brasileira. ´Os compositores brasileiros são fantásticos, dão aos músicos caminhos para procurar e encontrar improvisações interessantes´. E concluiu: ´Muito obrigado, Brasil´.

Mais informações:
Show de Toots Thielemans e banda. Hoje, 21h, no Theatro José de Alencar. Ingressos: R$70,00/ R$35,00 (meia). Sábado, às 14h30, o músico belga volta ao TJA para uma apresentação somente para alunos e professores da rede municipal de ensino (mediante apresentação de documento). Contato: 3262-7230.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Vexame na Ribalta - Por: Zilberto Cardoso



Vexame na Ribalta

O Talentoso ator conterranêo, José Correia Filho contracenava com a consagrada comedinate Nóca Barros. O primeiro fazendo o papel de Cristo. A segunda, o papel de Madalena. No momento da crucificação, José Correia costumava usar um sungão afim de encobrir a parte do corpo nu. Mas certo dia já na cruz Zé correia havia esquecido o sungão e estava somente com o lençol branco à semelhança do Cristo teria usado na cruz. Foi quando Madalena (Nóca Barros) entra e ajoelha-se aos pés de “jesus” a pedir perdão pelos seus pecados de mundana. Olhou para cima e rapidamente baixou a cabeça, Amarilho Carvalho o ponto manda que Nóca olhe para cima e fale com (Jesus).

-não posso, respondia Madalena. Amarilho a insistir, olha para cima e fala e fala Nóca...não posso, então resolve falar Nóca Barros... “JESUS ESTA NU...”

abraços,

Por: Zilberto Cardoso.
24/02/2009

Carta do leitor - Francisco Ribeiro

Sou pesquisador e descendente da linhagem do Padre João Ribeiro que habitou esta cidade por volta de 1817. Época da Revolução de 1817. Parabéns pelo excelente blog.

Francisco Ribeiro

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