04 outubro 2009

NA ONDA DO RONDA - Por: Antonio Paiva Rodrigues


Com comentários venturosos sem sirenes, mas com noções lucilentes sempre fomos a favor de uma polícia bem estruturada, com feições homéricas, mas com pilotis de dinamismo auferindo suas ações. Sem estardalhaços para atingir seus objetivos, principalmente o político, visto que para termos uma polícia cidadã a publicidade não deveria interferir no ego dos policiais. Todo governo na ânsia de aparecer pode transformar o positivo em negativo. Perguntem aos policiais mais antigos se algum deles foi a favor da criação e implantação do “Ronda do Quarteirão”? A nomenclatura além de soar mal, transparece ser de uma polícia especial com regalias discriminatórias. É uma polícia nova no écran de uma antiga, maltratada, e sem os cuidados necessários do Chefe Supremo desta milícia. Muita coisa de errada, sem ações impulsionadoras, já transparecia que o fracasso estava calcetado, e os dias contados. Era só esperar para ver e crer. A estrutura atual do “Ronda do Quarteirão” foi idealizada sem o necessário conhecimento e planejamento. Que digam os ex-comandantes da Polícia Militar no tempo em que a IGPM (Inspetoria Geral das Polícias Militares) exercia uma fiscalização mais rigorosa, e mesmo a Décima Região com seu profícuo trabalho em prol da segurança interna e externa brasileira.

A primeira visão era turva, principalmente no aspecto mais preliminar, o fardamento. Depois as pomposas viaturas contrastando com as demais velhas e caindo aos pedaços. Não adianta enfeitar a casa se os moradores estão passando por dificuldades. O secretário da Segurança Pública jamais pode ser pseudo e a escolha deve ser feita a dedo, com muito estudo e dentro de uma ótica multifária. À extinção do Batalhão de Policiamento de Trânsito (Bptran) no governo do Sr. Tasso Jereissati, soou como uma paulada na moleira, transformando o trânsito da capital cearense num caos. A AMC (Autarquia Municipal de Trânsito) não disse o porquê da sua criação, e qual a sua atribuição fundamental, pois a única ação que imantaram foi a de multar. É uma verdadeira fábrica de moeda, chegando a se igualar ao BC (Banco Central). A capital triplicou a população e o efetivo continua estagnado. Um treinamento eficaz do pessoal faz-se necessário e a hierarquia e disciplina precisa ser restabelecida. Não se coloca homens na rua para garantir a segurança da população com seis meses de treinamento.

É público é notório que a cada recrutamento um percentual muito grande desiste, e o dilema continua. A polícia cearense está carente de qualidade e de quantidade. Que se complete os claros existentes, mas com responsabilidade, pagando-se bem, e que os novos policiais estejam com a bússola imantada para a vocação e não façam à opção daninha da última opção de emprego. Sem policiais vocacionados jamais sairemos da inércia e do ócio que enfrentamos no momento. Outro câncer foi à exterminação da Academia de Polícia General Edgard Facó, que teve suas atividades no Planalto da Cultura encerradas para dar lugar a Feira de Eventos. A mente doentia dos nossos governantes jamais terá impulsos de felicidades. Com a exterminação da APM (Academia de Polícia Militar) resolveram criar uma academia única. Vai ser uma psicosfera de bagunça e o tiro poderá sair pela culatra. O que foi desfeito poderá ser construído novamente. Jamais poderemos trocar o sério pelo menos sério. Outras ações daninhas para a Segurança Pública já aconteceram e os resultados negativos ainda repercutem.

Mídia local estampa em Caixa Alta: “Bastidores do Ronda” – Exclusivo> O Ronda do Quarteirão, maior aposta do governo do Ceará na área da Segurança Pública, está sob investigação sigilosa. “O Povo descobriu que há 210 denúncias de violação de direitos do cidadão e, casos comprovados, de destruição de computadores das Hilux”. O Mau Exemplo - “denúncias investigadas: extorsão, espancamentos, abuso de autoridade, invasão de domicilio”. Um dos casos de espancamentos está sendo apurado pelo Ministério Público Estadual. Numa comunicação interna, o secretário Roberto Monteiro (SSPDS), tratou como “atos de vandalismo” à avaria de equipamentos cometida por PMs. Duzentas e dez sindicâncias contra PMs do “Ronda” foram abertas na Corregedoria dos Órgãos de Segurança, desde que o programa foi iniciado. Há 12 casos apurados de destruição de HDS. O equipamento é a central de dados da viatura.

Grava áudios e vídeos da ação policial nas ruas. Não concordamos com a mídia epigrafada quando afirma que o “Ronda” veio para fazer contraponto ao modelo viciado de se fazer polícia de rua e segurança pública no Ceará. Se este modelo viciado existe não partiu dos policiais, alguém deve ser nominado como o pai da criança. No site do governo estão as políticas governamentais que nem sempre correspondem com a realidade, assim como o jornal afirma que existe um modelo viciado de se fazer polícia, podemos afirmar o mesmo quanto ao jornalismo midiático da Terra alencarina. Primeiro senhores que fazem à mídia cearense vamos verificar onde se instalou o câncer para depois dar-lhe o tratamento certo e esperado. Não é com sensacionalismo que iremos resolver os problemas cruciais que atingem política e políticos, polícia e policiais, governo e governadores, assembléia e deputados, câmara e vereadores e assim sucessivamente.

Tem muita coisa errada pairando no ar, começando pela cabeça e terminando nos dedos dos pés. É uma verdadeira metástase implantada na política brasileira. “Saco plástico e papelão eram usados para danificar os computadores”. A polícia nunca foi e jamais será local de meliantes, baderneiros e de péssimos policiais. Que punam os culpados com a expulsão se for o caso, mas fica o aviso: mais rigor no recrutamento, um respeito aos bons policiais e aos seus familiares. Que a população cearense, seja ela de classe pobre, média, ou abonada tenha a segurança que merece. Uma Corporação com mais de 150 anos de serviços prestados a comunidade precisa de um tratamento melhor dos governadores. O que vemos atualmente é tão somente o sol sendo tampado com a peneira. Não se respeita o que estabelece a ONU (Organização das Nações Unidas), a Constituição Estadual e Federal, pisoteá-las todos os dias é crime com direito a punições.

Achamos que o “Ronda do Quarteirão” não emplacou e nem irá emplacar, pois os policiais antigos que fazem o mesmo policiamento com honradez e risco de morte, reclamam todos os dias da discriminação que passam. Outra situação que prejudica a credibilidade da Polícia Militar, mas que ninguém fala é a estressante escala de serviço, a que são submetidos os policiais, péssimos aquartelamentos, alimentação inapropriada para uma tarefa cansativa, uma ação social que inexiste, uma assistência médica exposta ao caos, às condições de moradias são as favelas, e as Associações sob rígido rigor da Secretaria de Administração e Fazenda, paradas e sujeitas a falência, visto que estão impossibilitadas de descontar em folha de pagamento, e o interland em termos de segurança maltratado e abandonado. Precatórios surrupiados falta de preparação física, lazer e direito a cidadania inexistente. Os clubes que são os pólos de lazer estão decaindo dia a dia. O que fazer My god?

Senhores (as) autoridades de nosso Estado não coadunamos com ações daninhas de qualquer viés ou matiz, mas desejamos um tratamento mais humano, vemos como tristeza companheiros de caserna deixando o mundo material e a família desesperada a procura de uma mão amiga para amparar-se. O Policial quando falece é automaticamente retirado de folha, e o suplício da família vem com a luta pela nova implantação, enquanto essa não ocorre à fome, os suplícios fazem companhia a estes seres humanos. Seria de bom alvitre que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e os Direitos Humanos adentrassem ao rol das Polícias, civil e militar e fizessem um estudo minucioso e circunstanciado de como vivem os policiais, quais suas necessidades prementes, e se o écran em que vivem e trabalho são perniciosos ou não, se suas vidas são humanas ou insanas. Depois desse estudo, levem as soluções para o Comandante Maior da Segurança Pública. Tem muita coisa errada “como dantes no quartel de Abrantes”, não só na Segurança, mas na educação, na saúde, na prefeitura, no governo do Estado, no Brasil que precisam ser revistas com bons olhos. Jamais o sujo poderá falar do mal lavado. (Todos os grifos são nossos). Pensem nisso!

ANTONIO PAIVA RODRIGUES
JORNALISTA/MEMBRO DA ACI-DA ALOMERCE E DA AOUVIRCE
Colaborador do Blog do Crato
Foto: Dihelson Mendonça

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