09 outubro 2009

Cientistas espanhois criam chip que monitora milhares de genes ao mesmo tempo

Dispositivo será usado no diagnóstico e no tratamento de bactérias e de doenças como o câncer.

Uma equipe de pesquisadores espanhois desenvolveu um chip capaz de monitorar a atividade de milhares de genes e enzimas ao mesmo tempo, um dispositivo que servirá para o diagnóstico e o tratamento de doenças como o câncer. A partir da síntese de 2.500 moléculas, o dispositivo fornece uma visão em tempo real do metabolismo de qualquer célula ou organismo vivo e consegue estabelecer uma espécie de atlas metabólico e diferenciar por meio da impressão digital metabólica cada amostra analisada. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (8) na revista Science. Ela foi elaborada ao longo de cinco anos e coordenada pelo cientista do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) Manuel Ferrer, em colaboração com pesquisadores do Centro Nacional de Biotecnologia e a Universidade de Oviedo, na Espanha, além dos laboratórios da Alemanha, Itália e Reino Unido.

O metabolismo é o conjunto de milhares de reações bioquímicas interrelacionadas em processos físico-químicos que ocorrem em uma célula ou conjunto de células. Esses complexos processos são a base da vida nas moléculas e permitem as diversas atividades das células: crescer, se reproduzirem e manter suas estruturas. A comunidade científica estima que quando alguma destas funções é danificada ocorrem alterações transitórias ou permanentes que afetam o metabolismo celular, podendo causar doenças como o câncer.

Um organismo realiza de 1.000 a 5.000 reações bioquímicas. Por isso, segundo os autores do estudo, avaliar a presença ou ausência das mesmas resulta quase impossível pelos métodos de análise convencionais usados até o momento. O novo chip oferece uma "oportunidade sem precedentes já que pode monitorar a atividade de milhares de genes e enzimas ao mesmo tempo", disse Ferrer.

- É possível diferenciar células normais das que foram danificadas.

Para desenvolver o dispositivo, os pesquisadores sintetizaram 2.500 moléculas, que constituem os substratos iniciais, finais e intermediários da grande maioria das reações biológicas conhecidas em organismos vivos. Depois, eles depositaram as moléculas em um chip e acrescentaram sobre elas um extratato de proteínas para estudar a presença ou ausência de reações biológicas a partir da emissão de uma sonda fluorescente. Ferrer explica que "ainda é cedo para prever o potencial do chip, mas como pode analisar qualquer tipo de célula humana sem a necessidade de conhecer seu genoma, será de grande ajuda para futuros diagnósticos e no tratamento de doenças". O estudo abre também novas expectativas na identificação de enzimas terapêuticas para o tratamento de bactérias causadoras de doenças infecciosas, assim como para identificar alterações metabólicas causadoras, por exemplo, do câncer.

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Fonte: R7

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