10 outubro 2009

AMOR DE TICA - Por: Mundim do Vale


Deca de Lourival Tôta
Cavador de cacimbão
Enrabichou feito a gota
Por Tica Mata-Borrão.
Tica uma loira formosa,
Rabuda e reboculosa
Que a gente vê e diz: - Vixe!
Até o velho Herimita
Dizia: - Aquela cabrita
È clone da Vera Fícher.

Tica usava de um facete
De andar se requebrando
Que parecia alfinete
Dos dois lados futucando.
Deca chamava : -Quindim,
Minha Mata-Borrãozim,
Meu Chouriço de castanha.
Prometeu disco da Sula,
Fazendo assim que nem Lula
Quando tava na campanha.

Deca era doido por Tica
E Tica queria Deca,
Mas em termo de futrica
O Resultado era neca.
Deca esperava nas brenhas
Tica ia buscar lenha
Mas andava acompanhada.
E nessa dificuldade,
Nada de oportunidade
Para uma Deca/Ticada.

Deca marcou num monturo
Que tinha atrás de um quintal
Mas Tica foi para o muro
Da casa paroquial.
Dizem que amor de Tica
É amor que sempre fica
Se tiver alisamento.
Mas foi só uma pegadinha
Que nem jogo de pretinha
Em calçada de sargento.

Chegou o circo Real
Armou a lona na praça
Com um macaco imoral
E um palhaço sem graça.
O macaco era Sukita,
O palhaço Tiririca,
Não sei qual o mais tarado.
Toda noite Tica ia
E depois quando saía
O palhaço ia de lado.

Eu disse: - Meu camarada
Você tá errando o traço,
Tica tá muito assanhada
Pro lado desse palhaço.
Até o padre Caseca
Chamou a atenção de Deca
Pra botar pingo nos Í.
Mas Deca não sei porque
Tava igualzim o P.T.
Quando não quer C.P.I.

Tiririca perguntava:
- E o palhaço o que é?
A meninada gritava:
- É um ladrão de mulher!
Assim que o circo fechava
Duas sombras se agarrava
No curral de Seu Ramiro.
E Tica sempre escondendo,
Igual o que estão fazendo
Com o caso Waldomiro.

Na hora que Tica entrava
Para assistir do poleiro,
Tiririca já chamava
Tica para o picadeiro.
Nesse fica mais não fica,
De Tica com Tiririca,
Tica desapareceu.
Deca desmoralizado,
Ficou muito mais calado
Que o ministro Zé Dirceu.

O circo foi viajando
Tica com muito cansaço
Todo tempo reclamando
Das mudanças do palhaço.
Só por isso Tiririca,
Deu a demissão de Tica
Sem direito adquirido.
Coisa que fez muita pena
Foi como Heloísa Helena
Sendo expulsa do partido.

Deca ainda na lembrança
Daquela antiga paixão
Tinha um resto de esperança
Em Tica Mata-Borrão.
Estava apagando brasa,
Quando escutou:- Ou de casa!
Quase dentro da conzinha.
Era Tica na janela,
Com o bucho na goela
Trazendo um Tiririquinha.

Mundim do Vale
Várzea Alegre-Ceará

4 comentários:

  1. Parabéns, Mundim!

    Eu adoro essa sua forma de fazer poesia misturado com os eventos da nossa política.

    Um abração,

    Dihelson Mendonça

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  2. ParaBÉNS mUNDIM
    É ASSIM QUE SE FAZ UMA COISA BONITA, FAZ-SE A CRÍTICA POLÍTICA SEM FERIR A NINGUÉM.
    A INTELIGÊNCIA É UM DOM DIVINO.

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  3. Obrigado Elmano, eu aprendi a fazer
    versos assim lendo o cordel do seu irmão, que meu amigo Osmundo me deu de presente.
    Abraço.
    Mundim do Vale.

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  4. Obrigado Dihelson, gostei da ilustração gráfica.
    Abraço.
    Mundim do Vale.

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