30 setembro 2009

Liberdade e Igualdade – As Lições de Bobbio

“Os valores últimos nos quais se inspira a democracia, com base nos quais distinguimos os governos democráticos dos governos que não o são, são a liberdade e a igualdade. A Declaração Universal dos Direitos do Homem começa, como todos sabem, com estas sacrossantas palavras: “Todos os seres humanos nascem livres em dignidade e direitos”. A verdade é que os seres humanos, ao menos a sua grande maioria, não nascem nem livres, nem iguais. Seria muito mais exato dizer: “Os homens aspiram a tornar-se livres e iguais”. A liberdade e a igualdade não são um ponto de partida, mas sim um ponto de chegada. A democracia pode ser considerada um processo, lento mais irrefreável, no sentido de aproximação dessa meta. Mas a meta é na sua plenitude inatingível, por uma razão intrínseca aos dois princípios mesmos da liberdade e da igualdade. Esses dois princípios são entre si, em última instância, quando levados às suas extremas conseqüências, incompatíveis. Uma sociedade na qual estejam protegidas todas as liberdades, neles incluída a liberdade econômica, é uma sociedade profundamente desigual, não obstante o que digam sobre ela os fautores do mercado. Mas, ao mesmo tempo, uma sociedade cujo governo adote medidas de justiça distributiva tais que tornem os cidadãos iguais não apenas formalmente ou diante das leis, como se diz, mas também substancialmente, é obrigada a limitar muitas liberdades. A experiência dos últimos cinqüenta anos, dominados pela oposição irredutível entre as sociedades capitalistas e as sociedades coletivistas, mostrou, para além de qualquer previsão, a realidade dessa incompatibilidade, cuja solução, sempre provisória e continuamente submetida a revisões e ajustamentos temporários, jamais definitivos, só virá através da adoção de medidas de compromisso”. (Teoria Geral da Política, de Norberto Bobbio, página 422)

***********************************
“Não é verdade que os seres humanos nasçam livres e iguais. Os seres humanos não nascem livres, mesmo que assim pensasse Rousseau, mas sim “acorrentados”, mais do que nunca acorrentados, desde o seu nascimento: e muito menos nascem iguais, ainda que em relação apenas aos seus dotes naturais, sem mencionar as condições sociais e históricas. Mas essa expressão não deve ser tomada ao pé da letra, devendo ser interpretada. E, uma vez interpretada, vemos que já não é assim tão óbvia. Que os seres humanos nasçam livres e iguais significa, na verdade, que os seres humanos devem, em verdade, ser tratados como se fossem livres e iguais. A expressão não é a descrição de um fato, mas a prescrição de um dever”. (Teoria Geral da Política, de Norberto Bobbio, página 486)
Fonte: Teoria Geral da Política (Norberto Bobbio)
Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

4 comentários:

  1. Parte I

    Desde que isso aqui é um comentário sobre uma postagem, e como tal, a expressão do pensamento individual, eu gostaria de dizer que concordo em parte com o autor, e sempre defendi que os Seres Humanos não nascem livres e muito menos Iguais. Isso é a maior BALELA que Rousseau escreveu, na declaração universal dos direitos humanos. E aqui questiono o autor do texto, se é mesmo válido perseguir essa "igualdade".

    Gostaria de ressaltar fatos científicos que jogam por terra o pensamento de que os homens são iguais, quando hoje sabemos que as diferenças genéticas são fator fundamental na diferenciação física e psíquica.

    Sem defender o nazismo de forma alguma, é preciso ressaltar os trabalhos feitos por seus seguidores, e precursores do movimento na europa do século XIX, quando tiveram um papel fundamental também nesta fundamentação, uma vez que por exemplo, a SS, tropa de Elite de Hitler, não era somente uma tropa comum, eram os cidadãos que iriam construir a nova órdem do mundo.

    Para entrar na SS, por exmeplo, não bastava ser Alemão, era preciso fazer o levantamento da família daquela pessoa, e descobrir se não tinha algum tipo de doença genética como Diabetes, Casos de Esquizofrenia em família e outros ( hoje sabe-se que isso é genético ), pois o objetivo fundamental era a Eugenia, ou seja a purificação da raça humana, constantando-se que grupos de pessoas portadores de doenças hereditárias estariam a se proliferar, e consequentemente, poluir o Ser Humano, e que se não fosse tomada alguma providência no sentido de estancar aquela semente ali, a raça humana estaria contaminada através da mistura de raças.

    Difere-se a Eugenia positiva e a Eugenia Negativa. A Eugenia positiva é quando você estimula o casamento e a procriação entre pessoas étnicamente puras, ou que não tenham qualquer traço de problemas hereditários. Isso faria com que aos poucos a raça humana fosse se livrando das doenças hereditárias e o homem do futuro, voltando lentamente à saúde perfeita ( Mais ou menos como muitos cientistas pretendem fazer hoje, quando num futuro breve, se poderá escolher se deseja que seus filhos não nasçam com alguma deformidade genética - E portanto, um controle PRÉ-NATAL, uma Eugenia Pré-NATAL ).

    Os eugênicos queriam remeter a raça humana aos primórdios de pureza entre as raças, por isso veneravam a resistentência, a virilidade que os artistas gregos tanto gostavam de retratar em suas esculturas. A uma época em que o homem ainda era mais puro e sadio.

    Com o tempo, viu-se que a eugenia positiva não era suficiente para competir com a grande proliferação de casais deficientes e doentes, pelo fato de que muitas famílias doentes geneticamente, tinham por exemplo, 20 filhos, então por mais que se tentasse procriar os mais sadios, os outros iriam se sobressair.

    Os Alemães partiram para a chamada Eugenia Negativa, que era a erradicação de pessoas consideradas "doentes" genéticos. Esse foi o primeiro grande erro do nazismo, tentaram inicialmente, controlar a procriação, a proliferação, com a esterilização de doentes mentais, psicopatas, e outros tipos.

    Dizia Hitler:

    "Enquanto pessoas de bem, de boa saúde, tem uma vida dificultosa, trabalham para manter uma família, muitos vivem em condições ainda sub-humanas, os homens criam verdadeiros Palácios ( asilos ) para os loucos e dementes, como a reverenciar a loucura e a doença".

    ResponderExcluir
  2. PARTE II

    Posteriormente, passou-se à solução final, que foi o extermínio em massa dos indivíduos portadores de alguma deformidade. Loucos e psicopatas foram exterminados.

    Um dos maiores erros do Nazismo, e isso foi um levantamento estatístico médico, foi atribuir que a maior raça portadora de doenças eram os Judeus, e que outras raças mais puras estariam ameaçadas enquanto os nômades Judeus estivessem se pproliferando no seio da sociedade.

    Dizia Hitler:

    "Os Judeus não tem lugar definido. Eles se infiltram dentro das populações como ratos, suga o que de melhor eles possuem, procriam, e trazem aquela imensa quantidade de doenças genéticas, resultado de séculos de degeneração, para contaminar as populações do mundo."

    Creio que o grande erro dos partidários de Hitler foi promover a eugenia negativa e atribuir a degeneração genética do homem como proveniente de uma única raça: Os Judeus, quando outros levantamentos seriam necessários para se saber quais raças são portadoras de maior quantidade de doenças genéticas, antes de qualquer Miscigenação ( mistura de Raças e de Famílias ). E, claro, JAMAIS promover qualquer tipo de extermínio entre os miscigenados.

    vendo sob outro prisma de visão, a opinião de Hitler sobre o Brasil deveria ser das piores: Um País miscigenado, em que todas as raças aqui se misturaram. Trouxeram doenças dos 7 continentes, assim como vieram pessoas de inúmeros países na colonização, e ainda há o fato de que ao Brasil eram enviados os psicopatas da Europa, como se isso aqui fosse uma prisão.

    Portanto, nem todos os homens NASCEM IGUAIS. De forma alguma. A simples carga genética, tão estudada por nossos cientistas, já é um fator que os diferencia física e mentalmente, e sem falar nos fatores sociais que irão definitivamente provar que nem todos SÃO IGUAIS quando adultos.

    Agora, qual o tratamento que a sociedade poderá dar às desigualdades ? Poderemos tratar o Psicopata como um Ser humano normal ?

    Podemos praticar os princípios de igualdade, quando sabemos que toda a raça humana é desigual por natureza ?

    A própria natureza é estratificada, e prevê diferenciações e uma hierarquia entre os diversos elementos. Não serão leis meramente humanas que mudará o caráter hierárquico do todo.

    Dihelson Mendonça

    ResponderExcluir
  3. Dihelson,
    Trata-se de um pequeno aperitivo do contido no livro "Teoria Geral da Política", de Norberto Bobbio, Editora Campus, 717 páginas.
    São muitas as lições ali contidas, daí o recomendarmos.

    ResponderExcluir
  4. Zé Nilton,

    Você "conseguiu" ler meus 2 comentários anteriores completos, sobre essa questão de "nascermos iguais" ?

    Um abraço,

    Dihelson Mendonça

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.