13 setembro 2009

Histórias e Estórias do Crato de Antigamente - Por Ivens Roberto de Araújo Mourão

A seguir, algumas estórias que são próprias da cidade naquelas décadas tranqüilas.

Um Crato bem antigo. Em destaque a Igreja da Sé, o Seminário e parte do Colégio Diocesano. Abaixo a casa da heroína Bárbara de Alencar, absurdamente demolida.

Acima: Casa que pertenceu a Dona Bárbara de Alencar

Foto muito rara do espaço onde hoje existe a Praça da Sé. Eu ainda alcancei, pois ela foi construída para a festa do Centenário (1953). Neste espaço, segundo o Padre Gomes, citando João Brígido iniciou o aldeamento do Miranda, embrião da cidade: “A fixação (do aldeamento) foi feita em uma pequena eminência, justamente onde se encontra o Quadro da Matriz do Crato. Tudo, sob a suprema direção, espiritual e temporal, dos Capuchinhos da Penha do Recife, aqui, pessoal e superiormente chefiados por Frei Carlos Maria de Ferrara.” Também, foi palco de momentos históricos na cidade. Segundo J. Figueiredo Filho: “A 3 de maio de 1817, o Crato aderiu à revolução soprada de Pernambuco, proclamada em frente à Matriz, pelo Sub-diácono José Martiniano de Alencar (futuro pai do escritor José de Alencar), coadjuvado pela família, tendo à frente sua genitora Bárbara Pereira de Alencar, e por vários patriotas cratenses.”Aí se reuniram as tropas cratenses que foram lutar pela Independência do país contra as tropas portuguesas no Piauí e Maranhão. Antes, em 1º de setembro de 1822, do prédio da Câmara Municipal (de onde foi colhida esta foto) houve uma proclamação de independência precursora ao sete de setembro. Segundo J. Figueiredo Filho: “Em gesto de altivez, ordenou a Câmara Municipal de Crato que se procedessem as eleições que iriam votar nos representantes da Comarca para a Constituinte Brasileira.” Nesse mesmo local ficaram acantonadas as tropas enviadas pelo Governo do Estado para combater os jagunços do Floro Bartolomeu.

Praça da Sé Antiga

Praça da Sé, com o busto do primeiro bispo, Dom Quintino.

Praça da Sé atual
Outro ângulo da Praça, colhido por mim.

JORNALEIROS

No Crato, nas décadas de 40 e 50, as notícias provinham do rádio ou de jornais, que eram ansiosamente aguardados com a chegada do trem, embora com atraso de um dia. É difícil, nos dias de hoje, quando as notícias de qualquer parte do mundo são ao vivo, entendermos esta morosidade. Uma maneira de você saber que o trem havia chegado, sem ir à estação, era ouvir os jornaleiros apregoando, em altas vozes, os nomes dos jornais de Fortaleza: Correio do Ceará, Unitário e O Povo. Um desses jornaleiros, com certeza analfabeto, pronunciava o nome dos três jornais da seguinte forma:

- “Morreu, enterra o povo!!!”

JUMENTA NO CIO

A feira do Crato era setorizada. Cada quarteirão era especializado em determinado produto. Assim, havia o trecho dos cereais, das cordas, das roupas, dos calçados, das frutas, das lamparinas, das redes, das carnes etc. Os produtos de barro (quartinhas, panelas, potes etc) ficavam no trecho ao lado da Associação Caixeiral. A Igreja de São Vicente ficava próxima e à sua esquerda, “estacionavam” dezenas de jumentos. Todos amarrados aos troncos das árvores, no meio da rua, o que lhes proporcionava uma agradável sombra.


Prédio da Associação Caixeiral onde se ensinava Contabilidade. No trecho da Rua Dr. João Pessoa entre o prédio e a Praça 3 de Maio funcionava a feira das “loiças”. Os jumentos sempre achavam de correr para este setor, onde o estrago era grande... Na foto, observa-se uma lavadeira com uma trouxa de roupa na cabeça, dirigindo-se para o Rio “das Piabas”. A poluição ainda não tinha chegado...

Naquele magote de animais sempre tinha uma jumenta no cio. E também o jumento que se excitava, o que era facilmente percebido por todos... Logo a meninada tratava de facilitar aquele “encontro amoroso”. Sorrateiramente, um menino desamarrava o jumento, que se dirigia para a jumenta no cio. Um outro menino soltava a jumenta, identificada por ficar agitada, querendo fugir do “garanhão”. Logo se iniciava a perseguição. E na correria, às vezes atravessando por dentro da Igreja de São Vicente, acompanhada pela gritaria da meninada, o “casal” achava de correr justamente pela feira dos utensílios de barro. O estrago de quebrar as “loiças” era imenso...

Uma cheia do Rio Grangeiro em 1930, ainda não poluído.

Local do “estacionamento” dos jumentos. A Igreja está à esquerda. Existiam mais árvores e não eram podadas, proporcionando um maior sombreamento.

Continua..

Fonte: Livro: "Só no Crato", de Ivens Roberto de Araújo Mourão - Diretos de postagem concedidos ao Blog do Crato pelo autor - Todos os Direitos Reservados, inclusive fotográficos.

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