06 setembro 2009

Fim ao Capitalismo ! - Postado por : J. Flávio Vieira


Michael Moore pede o fim do capitalismo em seu novo filme em Veneza

NEUSA BARBOSA
Especial para o UOL, de Veneza, Itália*

A passagem do documentário "Capitalism: A Love Story", de Michael Moore repercutiu com toda a força que se poderia esperar do engajado diretor de "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 11 de Setembro". Sua primeira sessão para a imprensa no Festival de Veneza, onde concorre ao Leão de Ouro, nesta noite de sábado (5), teve fila começando mais de meia hora antes de seu início, empurra-empurra e dezenas de jornalistas voltando para trás, assim que a lotação da Sala Perla (450 lugares) se esgotou.


Michael Moore em cena de "Capitalism - A Love Story" (2009)

Ao final, o filme foi bastante aplaudido. Em todo caso, o filme é polêmico e tem a marca marqueteira de Moore, embora não lhe falte contundência. Ao seu final, o diretor simplesmente faz uma profissão de fé contra o capitalismo -que, segundo ele, "não pode ser regulado, tem de ser simplesmente eliminado e substituído por um sistema mais justo." O foco do filme é a grande crise econômica que abalou os mercados mundiais ao final de 2008, provocando a quebra de instituições financeiras e a falência não só de empresas, como de pessoas físicas -milhares delas perderam suas casas, nos EUA, por não poderem pagar suas hipotecas, que haviam sido refinanciadas para adquirir novas casas. Como de hábito nos filmes de Moore, a pesquisa é consistente e registra casos impressionantes, que visam retratar a ganância dos bancos e o resultado trágico, segundo ele, de uma desregulamentação do sistema financeiro. Além de acompanhar o despejo de alguns inadimplentes com as hipotecas, Moore denuncia verdadeiros crimes, como empresas que fazem apólices de seguro em favor de seus empregados e beneficiam-se delas, no caso de sua morte, em prejuízo das famílias dos mortos. O filme não se furta a indicar mesmo os nomes de diversas grandes empresas norte-americanas que usaram ou ainda usam este expediente.

Uma das sequências mais provocadoras de "Capitalism: A Love Story" está em seu final -quando o próprio cineasta percorre diversos bancos em Nova York com um saco de pano na mao, com a intenção declarada de "recuperar" dinheiro subtraído aos contribuintes. Impedido de fazer esta "coleta", Moore arranja então um rolo da fita normalmente usada pela policia norte-americana para isolar cenários de crimes, passando-a pela porta dessas instituições. Ao final, o cineasta propõe que cada uma das pessoas que assistir ao filme também se rebele, seguindo os exemplos de trabalhadores que ocuparam indústrias desativadas ou alguns moradores que reocuparam suas casas, desobedecendo às ordens de despejo. Moore diz claramente que os EUA hoje "não são" o país que o falecido presidente Franklin Roosevelt propunha, mas que ele não irá deixá-lo. Moore repropõe, ao que parece, a boa e velha desobediência civil. Com tantos assuntos bombásticos, a coletiva do filme de Moore, marcada para a tarde de domingo, promete.

*Neusa Barbosa escreve para o site Cineweb

Um comentário:

  1. Bom Domingo, Dr. José Flávio, amigo.

    Eu pessoalmente, considero os últimos filmes de Michael Moore como a grande revelação do cinema americano. Ele introduziu um tipo de cinema/documentário que traz questões cruciais para os Americanos e para o mundo, e gerou um sem fim de adeptos nessa nova escola.

    Afinal, quem não quer produzir um filme à la "Tiros em Columbine" ? que por sinal, é incrível...

    O sempre polêmico Moore nos traz facetas do Ser humano que pareciam despercebidas aos nossos sentidos. Não sei qual o grau de perseguição política a que ele é submetido por isso, mas o seu colega Alex jones , outro grande cineasta do estilo, é bastante "vigiado" pelas autoridades.

    Mas esse pessoal está certíssimo, questionar as coisas, o modo de vida decadente que levou o mundo a este estado caótico em que o Ser Humano vive atualmente. Questionar se não há outros meios, outras soluções possíveis.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça
    PS - Na pressa, como falei no outro comentário, a receita veio errada. Estou me valendo de uns poucos que uma amiga me arrumou até terça-feira. Eu pedi bromazepam 3mg, e veio escrito diazepam 5mg.

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