17 agosto 2009

Completude - Dihelson Mendonça

Dedicado à aquele a quem considero meu segundo pai, um irmão, um sábio, cuja pureza de coração de um ser iluminado, lhe possibilita conversar com os pássaros da floresta: Haroldo Ribeiro.


Quero envelhecer da maneira mais pura e isenta de morte, quanto possível. Admitindo que todos podem ter razões, e que a verdade é como um pássaro que habita muitas árvores. Que há um ser supremo que eu não compreendo, porque não tenho inteligência para tal. Que julguei ter amigos que eram apenas fantasmas, e criei na minha imaginação exércitos de inimigos que nunca fizeram-me qualquer mal.

Que posso acrescentar ainda? volto ao pó de que eu um dia fui feito. Mas como foi boa e bela a minha estada! Quem dera meus irmãos da rocha viver apenas um de meus dias! Que poderia eu ainda querer após a minha passagem ? Serei tão arrogante que não sendo nada, tornaram-me gente, e hoje eu desejaria viver pelas portas da eternidade adentro?

Não!! Amei, sorri, vivi, lutei, perdi, venci. Aprendi que quando estamos mais convictos de algo é quase sempre aonde estamos absolutamente equivocados. Por isso talvez não precisássemos falar tanto sobre a vida. Nem questioná-la, talvez, pois ao expressarmos algo, sempre estamos a mentir sobre nós mesmos. Somos eternos mentirosos em relação à vida.

Desejei apenas olhar a folhagem em volta, exuberante. Ouvir, quem sabe, o canto mavioso de um pássaro. Sentir o calor da pele de outro ser humano. Aí sim, está a vida !?

O resto... o resto mesmo, não passa de vaidade debaixo do céu.

Dihelson Mendonça

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