04 agosto 2009

Cariri - Novos padres são motivados a falar sobre o ´Padim´ - Reportagem: Antonio Vicelmo

Mesmo diante da crise vocacional registrada pela Igreja Católica, tem crescido o número de candidatos a padre no Seminário São José, no Crato (Foto: Antônio Vicelmo).

No dia em homenagem aos padres, o Cariri ganha novos sacerdotes, que receberam orientações sobre o Padim

Crato. A Diocese de Crato comemora, hoje, o Dia do Padre com a ordenação de dez novos diáconos permanentes e cinco sacerdotes. Os novos padres estão saindo do Seminário São José do Crato, agora administrado pela Companhia dos Padres do São Sulpício, com uma nova orientação sobre o Padre Cícero. De acordo com o padre colombiano Norbayro Rondoño, diretor espiritual do Seminário, "o representante da Igreja Católica na Diocese é o bispo dom Fernando Panico, que tem manifestado seu apoio ao Padre Cícero e às romarias de Juazeiro. É dentro dessa perspectiva que os novos padres são formados". O padre Norbayro esclarece que ainda existem reações por parte dos padres mais idosos. Em uma de suas cartas pastorais, o bispo diocesano, dom Fernando Panico, faz um apelo à sua Igreja e à sociedade civil para que a Diocese do Crato assuma com amor e dedicação eclesial as romarias de Juazeiro e que não se confunda a Pastoral da Romaria com o turismo religioso. "Nosso povo exige e tem o direito a uma visibilidade de tudo aquilo que, em seu nome ou no nome do Padre Cícero, fazemos ou fazem, não importa qual boa intenção ou razão", afirmou dom Fernando. A mensagem do bispo é o rompimento com a orientação tradicional do Seminário, quando os seminaristas eram proibidos de falar no nome do Padre Cícero. Naquela época, com cerca de 200 alunos matriculados, o Seminário complementava a rede de estabelecimentos de ensino particular e estadual, que era insuficiente. "Hoje, o Seminário conta apenas com 54 seminaristas. São jovens vocacionados que optaram pelo sacerdócio", diz o padre Norbayro.

É o caso do seminarista Arileudo Machado. "Estou atendendo a um chamado de Deus para servir à Igreja e aos mais necessitados". Ao justificar sua presença no Seminário, ele complementa: "É o padre, que por meio do Evangelho, leva os homens a Deus, pela conversão da fé em Cristo. Por isso, são pessoas que nascem com esse dom e logo cedo ou no momento oportuno, ouvem o chamado de Deus para se consagrarem a servir à comunidade, nos assuntos que se referem a Ele".

O seminarista Paulo Evangelista pretende seguir o mesmo caminho de São Paulo, o santo que inspirou seu nome. "Assim como São Paulo que, no caminho de Damasco atendeu o chamado de Deus, o sacerdote deve ser um evangelizador, à semelhança de Cristo que amou e deu sua vida ao povo pobre, simples e marginalizado".

Crise nas vocações

Recentemente, o cardeal Cláudio Hummes, ex-arcebispo Emérito de Fortaleza e agora prefeito da Congregação para o Clero, enviou uma carta aos padres do Brasil advertindo-os que o número das vocações sacerdotais caiu. "Diminuiu também o número dos presbíteros, seja pela falta de vocações seja pelo influxo do ambiente cultural em que vivem", comentou.

"A ordenação de diáconos casados, ou permanentes, é uma forma de suprir esta carência", diz o padre Rocildo Lima Filho, acrescentando que a Igreja está restaurando uma antiga tradição. Restaurado pelo Concílio Vaticano II, o diaconato permanente trouxe de volta uma prática adotada pela Igreja desde os tempos dos apóstolos.

O diácono permanente recebe o primeiro grau do sacramento da ordem, conferido, hierarquicamente, a padres e bispos. A estola, usada diagonalmente da esquerda para a direita por cima da túnica, significa que ele não possui poder total. Diaconia significa serviço. Eles são ministros ordenados que servem à Diocese, ministrando os sacramentos do matrimônio, batismo, exéquias, celebrando a Palavra, dando bênçãos ou orientação espiritual.

Enquanto a Igreja lamenta da redução do número de vocações, os padres casados defendem o direito de exercerem o ministério sacerdotal. O professor Eugênio Dantas, que foi padre no Crato, na década de 60 e deixou a batina para se casar, lembra um velho preceito da Igreja que diz: "Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedec". No entanto, a Igreja insiste nesta posição de não permitir a volta dos padres casados aos altares.

Por causa desta imposição, segundo o professor Eugênio, "quanta gente boa que poderia estar na Igreja exercendo o ministério teve de sair. Quanta mão de obra preparada! Quanto prejuízo para a Igreja que tanto investiu na formação desta gente! Quanta incoerência também! Um diácono casado pode exercer muitas funções sacramentais. Porém eu, padre, por ter casado, não posso".

O professor Eugênio também retoma a discussão em torno do celibato ao lembrar que aprendeu no seminário que "o padre é padre até no inferno". "A Igreja exige de seus sacerdotes que abracem o celibato. Ora, o celibato é um carisma, isto é, um dom que Deus dá a quem ele quer. Da mesma forma o sacerdócio, pois ninguém deve querer ser sacerdote, mas somente quem for chamado como Aarão", comentou.

O padre Rocildo Lima que, na função de representante do clero diocesano, acompanhou alguns encontros nacionais de padres, diz que a hierarquia da Igreja é contra a volta dos padres casados aos altares. Eles podem voltar ajudando as paróquias com agentes pastorais, complementa o padre, sem maiores comentários.

O dia do padre é celebrado oficialmente em 4 de agosto, data da festa de São João Maria Vianney, desde 1929, quando o papa Pio XI o proclamou "homem extraordinário e todo apostólico, padroeiro celeste de todos os párocos de Roma e do mundo católico". Padroeiro é o representante de uma categoria de pessoas.

Mais informações:

Seminário São José do Crato
Rua Padre Lemos, |S/N
Bairro do Seminário
(88) 3521.1228

ANTÔNIO VICELMO
Repórter do Jornal Diário do Nordeste

Colaborador do Jornal Chapada do Araripe

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