01 julho 2009

O "Giro-da-Roda" (IV) - Por: José Nilton Mariano Saraiva

Por terra, o percurso Crato a Fortaleza normalmente é feito de “ônibus” (coletivo) ou “carro” (particular), por grande parte da população; já pelo ar, se você dispõe de um pouco mais de grana e pretende refazer a mitológica “viagem ao mundo em 80 dias” (em suas merecidas férias), irá utilizar essa maravilha da vida moderna, o “avião” (mesmo sujeito às “turbulências” da vida e a um indesejado mergulho no oceano); já no interior de pequenas fábricas de periferia ou nas grandes indústrias existentes nos mais variados rincões desse Brasilzão fabuloso (competentemente administrador por um “trabalhador” igual ao mais humilde mortal-comum, ou seja, aquele que não possui graduação superior), as “máquinas” não param de incessantemente girar, produzindo riquezas; enquanto isso, na nossa colossal usina hidroelétrica de Itaipu, suas gigantescas “turbinas” freneticamente movem-se, diuturnamente, na produção da tão necessária energia para suprir essas mesmas fábricas; enquanto isso, se você vai ao mercadinho da esquina (e após o sufoco de uma fila que teima em não andar), terá que usar o prosaico “carrinho” para transportar sua feira, do caixa até o carro, no estacionamento.
O que uma coisa tem a ver com a outra ???
Não é necessário que sejamos nenhum observador detalhista para constatar que o que há em comum no carro, ônibus, avião, máquinas, turbinas e o carrinho do mercadinho é um utensílio banal, simplório até, que ninguém dá muita importância (talvez por sua longevidade), já que inventado há milhares e milhares de ano (na verdade, desde a era primitiva): referimo-nos à cafona (nunca mudou de forma) e prosaica “RODA”.
Queiramos ou não, a “roda” é um dos maiores inventos da humanidade, se não o maior deles, simplesmente porque imprescindível em qualquer atividade humana (você já observou como o sábio pescador põe sua jangada ao mar, deslizando-a sobre “toras” de madeira que rolam ??? ou que o “danado” do computador (capaz de nos apresentar cálculos trigonométricos num átimo de segundo), só funciona porque em seu interior minúsculas rodas, rolamentos ou roldonas movimentam sua complicada engrenagem ???). Portanto, há que se propiciar as condições necessárias para que a rode gire.
Na Economia, a “coisa” também funciona assim; o “giro-da-roda” é sinal de avanço, progresso, desenvolvimento; e, se você não oferece condição para que a roda gire, já era, babau, até nunca mais !!!
A condição para que a rode gire sem que sofra qualquer solução de continuidade se nos apresenta sob duas facetas: a pública e a privada. Na pública, a opção política de um governo em investir pesado em uma determinada localidade é condição “sine qua non” ao seu deslanche rumo ao avanço, ao progresso, ao desenvolvimento; é o que aconteceu no nosso Ceará, quando o mandatário estadual de plantão (Tasso Jereissati, no primeiro governo ???) determinou que Sobral, ao norte, e Juazeiro, ao sul, seriam os receptores preferenciais das benesses governamentais (os critérios utilizados em tal escolha são desconhecidos); na esteira de tal decisão, posteriormente, dada a infra-estrutura construída pelo Estado, o Governo Federal seguiu a mesma rota, centrando suas ações e suas representações naquelas cidades.
Em termos de iniciativa privada, desde a elaboração de um certo e crucial documento intitulado “projeto”, todos sabemos que o objetivo maior é o lucro, daí a tendência de “minimização dos custos”, de par com a “maximização das receitas”; para redução dos custos, entra em cena o fator (ou agente) político: uma bancada legislativa forte e representativa (estadual e federal), trabalhando em uníssono, servirá e funcionará como “isca” (via conchavos políticos ou tráfico de influência), para atrair a bendita “presa” (empreendimentos de médio e grande porte), enquanto o poder municipal encarregar-se-á de, devidamente maquiado, complementar o processo de “sedução”, oferecendo toda espécie de facilidade: doação do terreno, renúncia tributária por um determinado período, dação de alguns insumos complementares e por aí vai (quando a roda se pôr a girar, os dividendos gerados cobrirão tais renúncias, via empregos, pagamentos de tributos, aproveitamento de matérias primas regionais, etc).
Especificamente em relação ao Crato, a partir de um certo momento da história (primeiro governo Tasso Jereissati ???) fomos abandonados e relegados a segundo ou terceiro plano pelo Governo Estadual (sem que houvesse qualquer cobrança do “porque” de tal decisão, por parte das autoridades constituídas do município), enquanto sua população, irresponsavelmente, parece nunca ter-se preocupado da importância em eleger gente “da terra, genuína” para representar a cidade nas casas legislativa estadual e federal (é só observar a incrível “dispersão” ou “pulverização” de votos em tais eleições); além do que, o candidato do governo sempre leva, fácil, fácil. Deu no que deu...
No tocante à escolha de um chefe do executivo municipal comprometido e dotado do imprescindível “espírito público”, basta citar duas “historinhas” veiculadas na cidade: 1) eleito, um determinado candidato teria (vejam que, a partir daqui, o tempo do verbo está no “condicional”) sido procurado por representante de uma instituição de ensino superior (IES) que pretendia instalar-se no município; a contrapartida da prefeitura seria apenas e tão somente a doação do terreno respectivo; pois bem, tal proposta não teria (olha o verbo aí de novo) sido aceita, porque a “educação não é importante” (em compensação, essa mesma figura teria vendido - superfaturado, é claro - um terreno de propriedade da família, encravado no meio do mato, à prefeitura, a fim de construir o sonhado hotel municipal, até hoje inexistente); 2) um outro escolhido pelo povo, teria negociado um terreno dele (pessoa física) para a prefeitura (via prefeito ou ele próprio), evidentemente que também superfaturado, para que fosse construído ali um revolucionário shopping center; hoje, silenciosas, abandonadas, desnudas e carcomidas pela voragem do tempo, as fundações de tal shopping se nos apresentam como testemunha silente e envergonhada de tal descalabro.
E assim, enquanto Juazeiro cresceu economicamente e expandiu-se territorialmente à sombra de um “falso milagre” (exploração desumana dos romeiros) tonificando-se pelo componente político de uma decisão (desonesta) do governo estadual (o “desvio” do campus da UFC, do Crato para Juazeiro, nos dias atuais, é emblemático de como a coisa funciona de há muito) perdemos o bonde da história em razão da inconcebível irresponsabilidade do nosso povo ao colocar, no “trono” municipal, pessoas partidárias e atuantes do “bloco do eu sozinho”, comprovadamente despreocupadas com a "coisa pública".
Chegamos ao “fundo do poço” ??? Ou ainda tem jeito ???
Tentaremos elaborar algo a respeito (se nos deixarem), numa próxima postagem.
Autoria e postagem: José Nilton Mariano Saraiva


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