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01 Julho 2009

Joe Jackson na perspectiva da exploração social e econômica - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Imagino que seja do conhecimento geral a cruel exploração que a indústria da diversão faz dos artistas. Por isso é tão fácil aplicar o decalque do urubu de carniça na figura de Joe Jackson. Seu olhar castanho, seu rosto de velhice, seu corpanzil de “explorador”. Joe se adapta ao figurino, inclusive no tom aproveitador quando anuncia a fundação de uma nova gravadora diante da comoção pela morte do filho Michael Jackson.

Esta personalização é antes de tudo uma apreensão defeituosa e alienada da realidade, pois não se presta para a crítica ao verdadeiro processo em que a exploração e o horror de montanha russa que deseja uma emoção nova a cada minuto. Quando tantos vêm na figura de Joe Jackson um misto de promotor que inventou o Jackson Five com a exploração dos filhos até o limite da tortura física e psicológica, certamente enxerga como a indústria do show business funciona.

Se a crítica a Joe Jackson se resumir ao seu papel de pai perverso e não colocar esta perversidade na perspectiva de um modelo de exploração econômica que tem por base o vencedor e o derrotado, tudo permanece no mesmo charco da impossibilidade. A imanência da alienação da realidade no concurso da vida cotidiana não é, no entanto, uma mera elaboração individual. Parece uma repetição e o é, mas a verdade é que existe uma dinâmica de formação de mentalidade, de percepção da realidade, que aliena as pessoas em massa e esta é dirigida por uma ideologia que tem por mote o pessimismo e a manutenção das coisas como estão por absoluta possibilidade de ser diferente.

A alienação dirigida, desejada, continua sendo um grande veículo do sistema de ensino, da mídia corporativa, das religiões e da cultura de um modo geral. Por isso sempre se clamou por uma pedagogia que retomasse a consciência da realidade; que permitisse a crítica do processo social e econômico; que elaborasse a liberdade como apreensão de que outro mundo é possível: sem destruição das pessoas, sem miséria, estimulante da diversidade como forma de construção de possibilidades humanas, um mundo mais humano e menos mecanicista de uma economicidade de acumulação.

Atualmente dois discursos existem para manter as coisas como estão, um discurso pessimista e alienante que tem por base a ira contra a utopia e o apego à crítica dos regimes que tentaram e geraram enormes problemas como o comunismo na União Soviética e na China. O pessimismo não é um discurso novo, o niilismo inclusive se encontra na raiz filosófica do Nazifascismo. Já o apego à crítica aos regimes comunistas que caíram ou foram reformulados nas duas nações continentais, é a novidade que desvia o principal de uma realidade que precisa se transformar ou uma espécie de senha: não adianta mesmo, tentaram e só deu problema.

José do Vale Pinheiro Feitosa

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