O Crato que habita em mim, sua áurea e precursores da mídia escrita e falada que contribuíram para os escritores de hoje.Esta semana tive o prazer de encontrar um artigo na Revista da Cultura, publicação da Livraria Cultura, edição de Junho de 2009, instalada em Recife no Bairro do Recife Antigo, espécie de reduto para cultivadores da leitura, artigo de título: Morte (em vida) Sertaneja, onde neste é citado a inspiração do médico e dramaturgo Ronaldo Brito, nascido em Saboeiro, tendo se mudado para o Crato aos cinco anos de vida aonde permaneceu até aos dezessete.
Bastante interessantes e ricas as citações sobre a cultura cratense na década de 1960, sua áurea cosmopolita, sua diversificação cultural, onde a relação com o exterior passava pelas ondas das Rádios Educadora e Araripe e a exibição dos filmes pelos cinemas Educadora, Moderno e Cassino, sendo comparada pelo dramaturgo acima à província italiano de Rimini, cidade natal de Frederico Fellini.
De fato, como não se alimentar da cultura reinante em nosso município nas décadas de 1960/1970, onde tínhamos o privilégio de conviver com ícones da cultural nacional, como o poeta Patativa do Assaré, Mestre Luiz Gonzaga, ouvir crônicas do escritor J. de Figueiredo Filho, lidas ao meio dia pelo locutor Vicelmo, assistir apresentação de maneiro pau, reisado, aboio dos vaqueiros durante a exposição, assistir as vaquejadas, curtir o frio do mês de Julho, tomar banho de chuva nas bicas das casas, também de água corrente na nascente, desfrutando ainda como menor, de imagens das ninfetas de vida fácil que para lá eram conduzidas para também usufruírem das belezas do Crato e com suas vestes íntimas transparentes fazerem a garotada sonhar. Como era gostoso acordar sob os acordes dos pássaros e poesias declamadas pelo mestre Eloi Teles. Viver com a constante imagem da chapada do Araripe.
Acredito que estes ingrediente, catalisados pelo instinto de sobrevivência dos pobre de posses e ricos de sonhos, onde a salvação é a educação e cultura, tendo também a participação fundamental de bons professores que lecionavam mesmo em escolas públicas como Colégio Estadual Wilson Gonçalves, fazem a diferença dos profissionais filhos naturais ou adotivos desta terra chamada Crato e não se esquecem de bem falarem da mesma, gerando sempre ótimos artigos.
A tradição do Crato continua, pois que beleza esta Rádio Chapado do Araripe, que beleza este Blog do Crato, ricos na coletânea de músicas que parece habitarem no nosso âmago e este vastíssimo time de escritores que com certeza beberam da fonte CRATO.
Por: João MENDES Filho








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