01 junho 2009

CPI foi presente da oposição para o PMDB - Por Tales Farias

Na terça-feira esta coluna publicou entrevista com o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), na qual o peemedebista falava do interesse do partido em apoiar a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, oferecendo até o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), como vice da chapa. Mas o líder cobrava do PT a contrapartida de apoio nos estados. Ao longo da semana o PT, na figura do presidente da legenda, Ricardo Berzoini, veio a público dizer que estava disposto a negociar e abrir mão de algumas posições regionais em favor do PMDB para ter o apoio do partido à candidatura Dilma. Os problemas são mais ou menos conhecidos. Em Minas Gerais, o PMDB tem hoje o candidato mais bem colocado para governador: o ministro das Comunicações, Hélio Costa, mas o PT tem dois nomes fortes: o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro Patrus Ananias. A situação é delicada, porque ainda tem o atual governador, Aécio Neves, que deve sair para o Senado e a quem o governo quer adular para não fazer forte oposição à candidatura de Dilma Rousseff, e o ex-presidente Itamar Franco, um fortíssimo nome para senador. Ou seja, se quiser ajudar Dilma Rousseff em Minas, o PT terá que abrir mão da candidatura a governador e convencer Patrus e Pimentel de que só um deles pode sair para o Senado. No Rio, a retirada da candidatura do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, em favor da reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB), não é lá muito difícil. Já está próxima de se concretizar. No Pará, também não é impossível costurar para que a governadora Ana Júlia (PT) apoie a candidatura do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) ao Senado. Em Mato Grosso do Sul, a ideia é convencer o PT a apoiar a reeleição do governador André Puccinelli e convencer o PMDB local a destinar as duas vagas de uma eventual aliança local para o Senado aos petistas Zeca do PT e Delcídio do Amaral. PMDB e PT têm outros problemas nos estados para a composição de vagas do Senado. No Piauí, por exemplo, o peemedebista Mão Santa deve disputar a reeleição para senador contra o atual governador, Wellington Dias (PT). Em Sergipe, Almeida Lima (PMDB) enfrentará o ex-senador e presidente da BR Distribuidora José Eduardo Dutra (PT). Na Bahia, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), não aceita apoiar a reeleição do governador petista Jaques Wagner se o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, concorrer contra ele ao Senado. No Paraná, o problema é o governador Roberto Requião (PMDB), que será candidato ao Senado, e gostaria de não concorrer com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT). Enfim, são problemas, mas não são insolúveis. Seriam mais difíceis se o PT de hoje fosse o partido de antigamente, mais intransigente. Os tempos mudaram, e a legenda está mais sob as rédeas do presidente Lula do que jamais esteve. Cederá na maior parte dos pontos acima. E, onde não der para ceder, o PMDB compreenderá. Mais do que nunca, os dois partidos têm interesse em se acertar. Não tanto pelo peso eleitoral que o PMDB tenha no apoio a Dilma Rousseff. Como bem lembrou ontem o sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, em artigo no jornal Correio Braziliense, o PMDB, como legenda, só encanta a 5% do eleitorado. Não se sabe quantos destes estariam dispostos a votar para presidente em um nome de outro partido sugerido por peemedebistas. Ou seja, o PMDB estaria dando muito pouco voto para um esforço tão grande do governo. Mas não é pelo peso eleitoral do PMDB que Lula e o PT querem o apoio do partido. Em 2002, os peemedebistas uniram-se no apoio formal à candidatura do tucano José Serra a presidente, e quem se elegeu foi o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Lula e Dilma querem o apoio do PMDB, porque o partido é forte no Congresso. Se os peemedebistas quiserem tumultuar na Câmara e no Senado, aí, sim, terão um forte poder. E isso poderia refletir-se nas eleições. É o caso da CPI da Petrobras, por exemplo. PSDB e DEM deram ao PMDB um verdadeiro presente de Natal ao lutarem pela criação desta CPI. Os peemedebistas tornaram-se ainda mais necessários, a ponto de ressuscitarem o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL). Agora, serão adulados pelo PT e pelo governo até outubro de 2010. No mínimo.
Postado por A. Morais


Um comentário:

  1. Morais,

    Você, mais que ninguém, sabe que prá se militar na política há que se ter "estômago de avestruz", tantas são as safadezas presentes.
    (num primeiro momento, engolir sapo é café pequeno, ante os tubarões que se há de digerir, no futuro). Quem diria, por exemplo, que Lula e Collor um dia ainda sequer citariam o nome um do outro, quanto mais viriam a se aliar ??? O que dizer do pseudo-moralista Ciro Gomes que, depois de "escrachar" com FHC, com a cara mais lisa do mundo compareceu em Palácio para tentar obter vantagens, "em nome do Brasil" ??? E Brizola e Lula, que viviam trocando farpas ??? Não foi o Ciro Gomes que garantiu que o Lula era um "despreparado e incendiário", às vésperas da última eleição e, depois, tornou-se ministro do próprio, passando a reconhece-lo e considerá-lo um estadista ??? Não foram os irmãos-siameses (Tasso/Ciro) que, depois de o esculhambarem, só não cairam no "colo" do Collor (em troca da Sudene, BNB e tal) porque o Mário Covas não aceitou compor ???
    Sarney e Collor não vivem hoje uma autêntica "love story", depois de quase chegarem às vias de fato no passado ??? E Maluf X Quércia ???
    Ciro X ACM ??? Tasso X Moroni ???
    E tantos outros.
    E porque razão todos eles se irmanam, hoje, e, divergências à parte, saem em defesa do banqueiro-bandido Daniel Dantas ??? Em nome do Brasil ???
    O mais incrível nisso tudo é que, mesmo sabendo disso, nós, pobres mortais-comuns, na condição de animais políticos, vivemos a nos digladiar, a nos indispor um com o outro; alguns, a querer que aquele que nos comanda não aceite fazer qualquer tipo de acordo com desafetos do passado, como se isso fosse possível; outros, adaptando-se à realidade e em nome de uma tal "governabilidade". tendo que engolir em seco a convivência com marginais.
    E não venhamos com a história que esse é um problema brasileiro.

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