28 junho 2009

Como (não) comprovar uma falsificação

Ontem, num dos comentários que postamos, referimo-nos aos cuidados que se deve ter quando da interpretação de dados publicados no jornal Folha de São Paulo (e na revista Veja) por jornalistas (???) "corajosos", "amadores", "curiosos" ou simplesmentes "pagos" (pelo Daniel Dantas, por exemplo) para tal mister (dispostos ou não a assinar a própria matéria). Hoje, no seu respeitabilíssimo site, o Luis Nassif nos mostra o "modus operandi", o "jeito de ser" vigente naquele jornal (que já foi um dos melhres do país, diga-se de passagem, como a Veja também o foi). Precisa dizer mais alguma coisa ???
José Nilton Mariano Saraiva
*************************
É impressionante a dificuldade da Folha em dar o braço a torcer, no caso da ficha falsa de Dilma Rousseff. O reconhecimento da fraude sai aos poucos e sempre com ressalvas. E o jornal chega a uma conclusão que revoluciona de vez o exercício do jornalismo: só se pode comprovar que um documento é falso se houver o original para ser comparado. É uma revolução newtoniana no jornalismo. A fraude é facilmente comprovável, sem necessidade de laudo pericial nenhum, a partir do seguinte raciocínio óbvio e acessível a qualquer pessoa com um mínimo de honestidade intelectual:
1. A Folha recebeu a ficha por e-mail. Apresentou como se fosse a ficha de Dilma Rousseff no DOPS paulista. A partir daí, bastaria ir ao Arquivo Público, onde se encontra o material do DOPS e conferir se a ficha existe ou, pelo menos, se o modelo de ficha é o mesmo do spam.
2. Na carta da Ministra ao jornal (que publiquei) é mencionada a afirmação taxativa do diretor do Arquivo Público, de que aquele modelo de ficha nunca existiu no DOPS. O laudo reitera essa afirmação e menciona a inexistência de fotos no arquivo no período 1967 a 1969. Em vez de se render aos fatos, a Folha diz que “poderia” existir esse modelo, foto ou ficha, nos anos posteriores. Então mostre. Mas não vai atrás do Arquivo Público para comprovar a suspeita ou desmentir a acusação. Limita-se a desqualificar as provas em cima de bobagens inacreditáveis (os peritos se basearam na foto que saiu no Blog do Azenha, por estar mais legível, sendo que o Blog é crítico da mídia). Cáspite!
Sinceramente, não sei o que está por trás. Ou se mantém o fantasma pendente para uso posterior. Ou tenta se livrar a todo o custo a cara de quem armou essa jogada. Ninguém da redação mereceria essa solidariedade, do jornal se expor ao ridículo para salvar a cara do autor desse feito. É evidente que o autor não frequenta a redação.
Como muitos pândegos escreveram na época, a partir dessa maluquice da Folha ficam aceitos todos os spams falsos, inclusive todas as falsificações se não se dispuser do documento original falsificado para comparar. (28/06/2009 - 09:26)
Fonte: site do Luis Nassif
Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.