09 maio 2009

Mais uma vez, saudade! - Por Claude Bloc

Casa da Serra Verde - Pintura a óleo de Claude Bloc

...... Eis-me em silêncio, numa dessas fraturas de um tempo de aceitação. Aceito essa saudade que me chega em meio aos sargaços da idade...Essa saudade que é fruto da minha lembrança, e que vai aos poucos embaraçando-se em tantas e tantas fugas, cicatrizes, contrapontos... Saudade que me enlaça nesse imenso azul me abordando sutilmente, abrindo as comportas dos sentimentos e o tropel silencioso das horas insólitas...

...... A saudade não me causa fadiga: ela me acerta e me completa. Com o refluir do tempo, ela acaba sendo para mim a súmula de tudo para se tornar a essência do meu canto.

...... A saudade não subjaz ao simples acaso de um verso. Ela faz pulsar a arte nos desconcertos da poesia...

...... A saudade, a minha saudade, inscreve-se no silêncio, como uma órbita revelada em metáforas. Rompe a crosta que a separa do encantamento e vai concentrar-se nos vazios da alma...

...... A saudade do Crato é outra história. A minha!

Por Claude Bloc

15 comentários:

  1. A gente olha de longe, pressente:Sentir saudade do Crato como se conhecesse a rua dos Cariri, as ladeiras da Vilalta. Ou o descer das Guaribas depois de tantos anos(Vixi que bolo na boca do estombo!). Isso é afogar saudades ou nela se afogar(acho que tanto faz).

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  2. Viajei na tela.Parece fotografia.
    Você é poesia nas tintas e rimas.

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  3. Tudo muito lindo! Uma coisa se completou na outra!
    Taí, este lado de artística plástica, eu não conhecia!
    Abração.

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  4. Parabens. Muito Bonito. Senti-me outra vez neste lugar ao lado dos seus pais.

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  5. Eis algo de uma dimensão do indiviso. Mas ao mesmo tempo tão dissemidado, que se universaliza. Dizem que a palavra saudade só existe em português. Naquela beira de oceano em que os contemporâneos desapareceram em vida para nunca mais voltarem. E quando voltaram, foi como uma vela de duas faces: uma de cara para o reencontro e a outra para separação d´além mar.

    Por isso é que a saudade em Claude se faz no silêncio. Quando ela se imanta nela mesma. Nela a costelação dos outros, dos momentos, dos sons, da música e agora, vê-se, pela pintura.

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  6. Claude,

    Tomamos a liberdade de "tomar de empréstimo" as palavras do grande Pachelly Jamacaru (na pauta do preciso; nada mais precisa ser dito).

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  7. Saudade do Crato, até os que vivem por aqui sentem. Sinto saudade do Crato da minha infância, do Crato da minha juventude e do Crato de outrora, que sonheço muito bem por livros, contos, causos, poesias e fotografias.

    Belas telas, Claude, pois o seu texto é uma aquarela viva.

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  8. Negrito,

    Para matar a saudade, nada melhor do que percorrer todos esses trajetos de que nos lembramos, e sem vacilar um segundo, deixar as lágrimas regarem todas as saudades acumuladas...

    Eu me concentro no Pimenta... mas deixo o Crato inteiro fluir em minhas lembranças...

    Abs.

    Claude

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  9. Socorro,

    De uns tempos para cá as palavras tomaram as vezes das tintas... Nunca mais pintei. Falta-me a genialidade, pois só sei retratar aquilo que me encanta ou me desencanta...

    Fotografo meus momentos e vibro com as cores... as cores das palavras.

    Abs.

    Claude

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  10. Pachelly,

    Meu amor à fotografia, à imagem é ainda mais antigo que a minha expressão do belo através das palavras...
    Mas... sou apenas uma amadora, em busca de dao à cor o meu sentimento...
    Artista é você!

    Abs.

    Claude

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  11. Antonio Morais,

    Sinta-se em casa. Quem viu minha tela ao vivo, me disse que me coloquei de corpo e alma na cena.
    Quem conhece a casa sabe que é verdade.

    Abraço...

    Quem sabe um dia desses iremos lá de volta com Nair e Socorro Moreira.

    Bons ares sopram por aí...

    Claude

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  12. José do Vale,

    Nosso universo pessoal guarda sempre as luzes (e o pó) das estrelas... Nós as usamos quando uma lembrança cintila, quando uma saudade se amofina, quando uma palavra faz desencadear essa falta que nos vem do "além mar"...

    Por isso somos levados a introjetar os sentimentos de perda e/ou as sempre possíveis possibilidades de dirrimir a lacuna imensa que alguém ou que a nossa terra nos faz...

    Só então pintamos, damos cores a essas lembranças tão profusas.

    Abraço,

    Claude

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  13. José Nilton,

    Agradeço suas sempre gentis palavra de incentivo. Leia, ´por favor, o que respondi a Pachelly.

    Abraço,

    Claude

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  14. Carlos,

    Feliz com suas palavras aqui. Você expressou com poesia como percebeu o meu texto e também minha tela.

    Pena que eu não consiga mais suportar o tal MAUrício no Cariricult. Se você ler nas entrelinhas ele me chamou de velha (vovozinha) e também que minhas reticências eram pobreza de vocabulário, além de dizer que deve esse uso deve estar em algum manual de boas maneiras arcaico... Isso, sem falar de coisas mais ferinas. Nunca vi porém um texto do cara (que se diz crítico literário) que seja bom. Sempre se reporta a Oscar Wilde e usa palavras dos outros para expressar suas opiniões. Ele não tem um mínimo de respeito pelos outros e não se enxerga! Não dá pra voltar lá, pois aquilo não é debate, é massacre.
    Desculpe usar este espaço pra me manifestar, mas lá não dá

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  15. Carlos,

    Desculpe o desabafo....
    Abraço,

    Claude

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