19 abril 2009

ÍNDIOS CARIRI - Entidades apóiam reorganização



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Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto é uma das fortes lembranças da presença dos índios Cariri na região. As origens dos integrantes são confirmadas por historiadores (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

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Os costumes dos antepassados ainda são vividos pelos índios Cariri, como usar o rio para lavar roupa (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Várias ações são realizadas e apoiadas por instituições para que confirme a história dos índios Cariri

Crato. Apoiada pelo Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho (IEC), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri (Urca), pela Secretaria de Meio Ambiente, pela Associação Cristã de Base (ACB) e por outras instituições, a reorganização dos Cariri logo deu sinais de vitalidade. Em meados de 2008, membros da citada comunidade cratense estiveram no III Encontro dos Índios Cariri, na Aldeia Carnaúba, localizada em São Benedito.

Em seguida, participaram de uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Ceará e retornaram ao Crato animados com a idéia de criação de uma associação que possa defender seus interesses. No Sítio Poço Dantas, organizou-se o I Encontro dos Índios Cariri na região sul cearense. Na ocasião, os moradores da comunidade reuniram-se com índios convidados e com pesquisadores locais para planejar os próximos passos, como a definição de um estatuto para criar a entidade a ser registrada, bem como o processo de reconhecimento deles junto à Fundação Nacional do Índio (Funai).

Doação de mudas

Esta semana, o Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho (IEC), Pró-Reitoria de Extensão da Urca, Secretarias de Meio Ambiente e Controle Urbano e de Agricultura do Crato possibilitarão que a comunidade indígena seja beneficiada com a doação de 300 mudas e orientação para plantio.

Dentre as espécies de plantas estão a acerola e a azeitona. No mês de setembro, serão distribuídas mudas de siriguela, tendo em vista que é o período de plantio desta cultura, além do piqui. A iniciativa simples e de baixo custo visa contribuir para a rentabilidade dos índios Cariri, tendo em vista que estas culturas têm facilidade de se adaptarem ao solo do Sítio Poço Dantas e não demandam recursos para plantio como é o caso de outras culturas, como feijão, arroz, milho, por exemplo, que necessitam de semente e preparação do solo.

Para o secretário de Meio Ambiente do Crato, Nivaldo Soares, além de ajudar na complementação da renda familiar, a iniciativa contribui para cobertura da área devastada e proteção do solo e dos recursos hídricos. Para o índio Elias Cariri da Silva, essas mudas vão ajudar o seu povo. A distribuição e plantio de mudas acontecerão na próxima sexta-feira, dia 24, na localidade do Sítio Poço Dantas, no Distrito de Monte Alvene.

Isolada

Ao visitar a comunidade Cariri, uma equipe de agentes culturais do Instituto da Memória do Povo Cearense (Imopec) constatou algo significativo. Naquela pacata localidade, as pessoas mais idosas garantem que uma parte de seus antecessores veio de Abaiara. Vale lembrar também que pelo menos duas anciãs contam que suas avós foram pegas a “dentes de cachorros” e criadas em uma fazenda próxima de onde vivem. Quanto aos traços fisionômicos que definem o biótipo indígena, eles estão presentes em vários moradores do lugar, sendo que os demais revelam os efeitos de uma miscigenação longa. O espírito fraternal é outro elemento que começa a despontar entre os moradores do lugar.

Em termos efetivos, seu território atual abrange o Sítio Poço Dantas, onde a comunidade enraizou-se e se prepara para os novos tempos. Já em termos simbólicos, há referências ao entorno sudoeste do Açude Thomás Osterne, ou seja, a área ocupada por pais e avós, onde muitos cresceram e também foram enterrados.

Já que vivem em condições socioculturais distintas e, em parte, regidos por seus próprios costumes comunitários, os Cariri, segundo o pesquisador Eldinho Pereira da Silva, possuem todo o direito de auto-identificação e de reconhecimento junto às repartições públicas. Considerados indígenas também pelo fato de descenderem de populações que habitavam a região na época da conquista, eles podem e devem requerer os seus direitos políticos, sociais e culturais.

A consciência da identidade indígena será considerada como critério fundamental para determinar o reconhecimento do grupo. Seja nos moldes da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil desde 2002, seja nos moldes da Funai, já em vias de desburocratização. Ao fazer estas observações, Eldinho adverte que os índios não devem ser vistos como figuras folclóricas e nem mesmo como instrumentos de trabalho. Tratam-se de seres humanos dotados de qualidades e defeitos, deveres e direitos como qualquer outro grupo que busca espaço, proteção e também assistência.

A verdade é que a riqueza da região não é a cultura letrada, mas, sim, as culturas populares e o seu renascimento artístico. Por sinal, hoje, tidas como ensaio de uma autêntica brasilidade e síntese de uma nacionalidade herdeira do mundo.

Antônio Vicelmo
Repórter


RECONHECIMENTO

"Além de complementar a renda familiar, as mudas servem para cobrir a área devastada"
Nivaldo Soares
Sec. de Meio Ambiente do Crato

"Essas mudas que serão doadas para a comunidade indígena vão ajudar o nosso povo"
Elias Cariri da Silva
Índio

"Eles têm direito de auto-identificação e reconhecimento junto às repartições públicas"
Eldinho Pereira da Silva
Pesquisador

BENEFÍCIO

300
mudas de plantas serão doadas pelo Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho (IEC), Pró-Reitoria de Extensão da Urca e secretarias municipais do Crato aos índios Cariri

Reportagem - Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal Diário do Nordeste

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