30 abril 2009

EDITORIAL - DN - Desenvolver o Cariri

A promulgação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), pela Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, permitindo a criação de novas regiões metropolitanas no Ceará, autoriza a elaboração de projeto de lei complementar, pelo Executivo, instituindo a Região Metropolitana do Cariri. Essa iniciativa exigirá a ampliação dos estudos técnicos para definir sua abrangência. A idéia não deixa de ser um avanço, especialmente se forem respeitadas, como manda a legislação, as afinidades geoambientais, espaciais e socioculturais. Na prática, a integração preconizada já existe, principalmente na esfera socioeconômica, tendo Juazeiro do Norte como pólo aglutinador dos negócios do Cariri. Maior mercado consumidor da região, com 250 mil habitantes, Juazeiro do Norte chegou nos anos 60 a dispor de um comércio atacadista bem próximo ao de Campina Grande, na Paraíba, abastecendo municípios do Ceará, Piauí, Pernambuco e da própria Paraíba. De outra parte, o comércio varejista atendia as demandas das cidades no seu entorno. As vicissitudes econômicas, especialmente o processo inflacionário e a escassez de crédito para capital de giro, provocaram o desmantelamento da forte cadeia atacadista, na qual se destacavam os distribuidores de miudezas, gêneros alimentícios, tecidos, ferragens e combustíveis. Também a produção artesanal de ourivesaria sofreu sério abalo, provocando o fechamento de mais de 50 pequenas fábricas de alianças, brincos, anéis e braceletes. Este ciclo econômico foi substituído pela expansão desordenada do comércio ambulante, espalhado pelo centro vital de Juazeiro do Norte - a Rua São Pedro -, fazendo desaparecer sua feira aos sábados. Para compensar a queda no setor do comércio, Juazeiro ganhou inúmeras indústrias, descentralizadas pelas rodovias que ligam a cidade ao Crato e a Barbalha. A produção industrial impulsionou sua economia.

O Crato, por sua vez, situado a dez quilômetros de Juazeiro, sempre primou pelo varejo de qualidade, além de suas características de cidade cultural por excelência. Centro introdutor da educação universitária no interior, lá foi implantada, em 1960, uma Faculdade de Filosofia, embrião da Universidade Regional do Cariri.

Barbalha, também distante dez quilômetros, viu a economia agroindustrial da cana-de-açúcar tomar outro impulso com a instalação de três indústrias essenciais: uma de açúcar, outra de cimento Portland e uma terceira, de cerâmica. A crise econômica das últimas décadas só permitiu a consolidação da indústria de cimento. Barbalha se impôs como pólo de saúde por excelência.

Excluídos esses três, os demais municípios, dentre os 33 do sul do Ceará, registram crescimento aquém de suas potencialidades. Por isso, a região carece de um plano de desenvolvimento para consolidar a região metropolitana programada, capaz de espalhar benefícios gerais por todas suas cidades. A experiência do Plano Asimov, na década de 60, demonstrou como o planejamento regional transforma as áreas onde as riquezas estão latentes.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

3 comentários:

  1. Vejam bem como temos que ter cuidado com determinados tipos de informação: o editorial do DN nos cientifica que "...A experiência do Plano Asimov, na década de 60, DEMONSTROU COMO O PLANEJAMENTO REGIONAL TRANSFORMA AS ÁREAS ONDE AS RIQUEZAS ESTÃO LATENTES".
    Enquanto isso, relatório da FUNDETEC (Fundação de Desenvolvimento Tecnológico, da UFC) nos põe a par que "...os fatores para A FALTA DE EXITO DO PLANO ASIMOW FORAM: SUPERDIMENSIONAMENTO DAS PLANTAS, FALHA NA ELABORAÇÃO DOS PROJETOS, com insuficiência de estudos preliminares e a escassez de recursos humanos qualificados".
    Pergunta-se: quem é mais confiável ou com qual conceito os frequentadores aqui do blog preferem ficar: com o da Fundação de Desenvolvimento Tecnológico, da UFC ou com o editorial do DN ???
    Quantas das indústrias implantadas pelo Plano Asimow no Cariri frutificaram ???
    E mais: se, como afirma (aqui corretamente) o editorial do DN, o Crato foi o "...introdutor da educação universitária no interior" por "...suas qualidades culturais por excelência", por qual razão perdemos o campus da UFC para uma cidade sem qualquer tradição cultural ???
    Elementar, meu caro Watson...

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  2. A FUNDETEC não é daUFC, e sim a mantenedora da Universidade Reigional do Cariri. Nunca foi UFC.

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  3. Ilustre Aristides,

    Agradecemos a correção.
    Realmente, a Fundetec é da Urca; da UFC é o Padetec.
    Leia-se e credite-se, pois, no nosso comentário acima, URCA e não UFC.

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